sexta-feira, 7 de setembro de 2012

BRUXARIA TRADICIONAL É UMA REALIDADE


“Bruxaria é uma realidade poética – nascida das libélulas que tomaram forma nas fagulhas do martelo do primeiro ferreiro – e assim Ele forjou a Beleza na caverna da Sabedoria” 

Bruxaria Tradicional é a arte de forjar o mundo de acordo com o seu próprio Destino -mas é também a arte de moldar o Destino em algo bom e verdadeiro, tanto quanto forjar o mundo para que ele se curve à sua vontade, e fazer toda a natureza imóvel em seu momento de impossibilidade régia, onde você é Um.

Isso transforma a bruxa em uma trabalhadora do Destino – e isso atrai a necessidade de conhecer a alquimia secreta dentro da criação – e em particular, a própria natureza.

Nós tradicionalistas não temos o objetivo de arrebanhar pessoas para a nossa crença, e sendo assim a maior preocupação esta diretamente ligada a busca pessoal, a honrar deuses e ancestrais, a respeitar e preservar a sua riqueza cultural/filosófica, conseguindo assim o seu equilíbrio mental, espiritual e material, e deste modo, de bem consigo e com o que acredita poder ajudar o próximo a encontrar a sua estrada, seja pela cura física ou não, seja por sua contribuição a comunidade.


A cura da alma humana é um processo natural: a boa cicatrização ocorre de dentro para fora e só é possível quando a ferida está em contato com o ar livre da verdade. O hipócrita pensa que é esperto e tapa suas feridas, mas isto o faz apodrecer por dentro. Os sentimentos negativos têm o mau costume de esconder sua face, mas quanto mais disfarçado estiver o egoísmo na alma do praticante religioso, maior é o perigo que o ameaça.

Na Bruxaria Tradicional esse é um processo constante no caminho de alguns iniciados. Os ingênuos e os desinformados buscam estabelecer uma relação de troca comercial com as divindades, com os ancestrais e com os Deuses. Eles desejam um investimento seguro. Querem garantir vantagens materiais, ou lucros espirituais como êxtase, santidade e prestígio. Assim, abrem as portas para os picaretas tirarem proveito da sua ignorância.

Por isso nós Bruxas (o), desenvolvemos ao longo dos séculos a certeza consciente que é preciso eliminar o processo de auto-ilusão. Só a honestidade consigo mesmo dá a alguém o discernimento necessário para identificar corretamente a falsidade no mundo externo. Portanto, uma das principais tarefas do iniciado na BRUXARIA TRADICIONAL é destruir as sementes da ilusão e da hipocrisia dentro de si. É claro que ele só pode fazer isto observando serenamente os seus erros. Mas para manter a serenidade há uma condição prévia central. Todos os sábios tiveram que passar pelo desafio. Ele deve ser indiferente aos desejos do ego em ralação ao “poder da magia”.
Qualquer tentativa de se definir a bruxaria tradicional será sempre um desafio – como ela é a definição do praticante desta arte, “a bruxa”. Andrew Chumbley refere a ela como a “arte sem nome”, os sábios escandinavos chamam-na simplesmente de “A Arte” e o poeta grego Kostis Palamas a chamou “o que ainda não tem nome”.

É justamente este anonimato da bruxaria que a define, o que dá um contraste interessante com o ditado basco, que diz: “Se tem um nome, existe” – sugerindo que a nomeação em si é dotada de forja mágica e força. Então, como vamos discutir formalmente e logicamente sobre bruxaria? Simplesmente não o faremos – porque a Arte fala com o coração e é compreendida pela mente – e nesse processo o eixo à compreensão da Divindade e todas as coisas divinas na criação é erigida e verticalizada.


Alguns estudiosos garantem que a origem da Bruxaria começou a tomar forma na era Paleolítica, há cerca de 25 mil anos atrás. O homem nesta época tinha como meio de subsistência a caça e a coleta. Tudo era mistério para eles: o trovão, a escuridão, o sol e outras forças da natureza. O mundo era para eles cheio de forças temíveis que deveriam ser respeitadas e reverenciadas.

Um desses mistérios era a fertilidade e até mesmo a própria mulher. Para eles, além do grande mistério da reprodução (os homens ainda não tinham consciência de sua participação), ainda achavam um grande enigma o fato da mulher alimentar seus "filhotes" com o leite vindo de seu próprio corpo. Sem falar que aquela criatura mágica soltava sangue de seu corpo de tempos em tempos e mesmo assim não morria.

Dai começaram a surgir as Deusas Pré-Históricas, deusas da fertilidade. Mais tarde com o homem tomando consciência de seu papel na reprodução, surgiram também os deuses masculinos.

A fuga automática e instintiva da própria realidade leva muitos a falsear a verdade, a aceitar a mentira e assim abrir espaço para diferentes formas de desonestidade, consciente e inconsciente. Por este motivo, os grandes sábios e filósofos de todos os tempos têm sido indiferentes as necessidades pessoais de poder induzidas pelo ego. Eles sabem que a graça divina surge de dentro para fora na alma que renuncia a manipular a vida. A bem-aventurança procura fielmente aquele que não foge da sua própria verdade.



O termo “bruxaria” e seus muitos sinônimos, que vão de malefício em geral, ao sortilégio e magia, foram condenados desde os tempos da Mesopotâmia. Esta condenação foi continuada na Bíblia, onde encontramos a famosa passagem em Êxodo 22:18, dizendo “Não deixem viver a feiticeira” [1] . O termo “bruxa/feiticeira” na Vulgata foi traduzido de “maleficos” – ou “maléficos”. Em 1 Samuel 15:23 é afirmado que a prática da bruxaria é condenada. Encontramos na Vulgata que o que é referido como “bruxaria” em na versão King James é “magis” – e então magia é equiparada à bruxaria.

Estes dois exemplos devem ser suficientes para sugerir que a natureza da bruxaria – o que esta arte realmente é – tem sido objeto de hesitantes tentativas de definição anteriores à Vulgata. Parece que o denominador comum é que é algo que gera insegurança social em sua falta de taxonomia. Esse algo lida com o mundo invisível e não só é difícil de entender – mas tampouco seus praticantes nunca revelam muito. O sigilo muitas vezes atrai a suspeita e uma série de idéias são formadas como tentativas de se olhar através de um espelho negro que nega o reflexo.

Aqueles do sangue entendem porque a Arte é assim, e aderem ao seu sigilo e anonimato enquanto caminham pelos mundos em sussurros e rumores. Esta é apenas uma das muitas coisas que tornam os marcados visíveis.

Este fator tem feito com que algumas pessoas assumissem a expressão como algo vazio de significado. Coloridos por uma exigência moderna de se definir a tudo e colocar as coisas em caixas apropriadas, uma grande variedade de praticantes modernos adotaram esse termo, uma vez pejorativo, para definir um conjunto de práticas pagãs, folclóricas ou new age. Ao fazerem isso, criaram conselhos e fundaram tradições sem a mínima compreensão do que a arte tradicional é, e estabeleceram e continuaram erros – assim como obscureceram a natureza da bruxaria ainda mais.


Há também um aumento contemporâneo na condenação da bruxaria com base nas crenças que a bruxa é uma “malfeitora” e que está em comunhão com Satanás. Encontramos denominações cristãs pentecostais na vanguarda deste despertar de perseguições à bruxaria. Isto talvez seja mais marcante na região da África congolesa, onde uma caçada às bruxas é feita a fim de se explicar os infortúnios. Seus métodos contam com exorcismos, afogamentos e trepanação – criando buracos no crânio da bruxa para deixar o mal sair – ou torturar os acusados para que o demônio seja forçado a fugir da carne agonizante de seu hospedeiro. Tais questões só continuam o mal-entendido e repetem o fracasso de se entender a arte sem nome. A bruxa, como Robert Cochrane via, era uma buscadora da Verdade – alguém que tinha como objetivo estar em comunhão constante com a sabedoria do mundo.

Para entender o Destino e saber como dobrá-lo e usá-lo – e segui-lo – bem, isso é o trabalho de sabedoria – e sabedoria, a verdadeira sabedoria, fará o buscador sempre humilde nas tempestades insondáveis da luz e compreensão que é a paisagem da bruxa.

A “bruxa” não adora nada – mas ele ou ela paga reverência a todas as coisas. Trata-se de perceber que se alguma coisa é, ela também possui um significado – não importa o quão inferior ou exaltado – e nisto encontramos o valor pessoal. A bruxa é o seu próprio eixo e a criadora de seu próprio mundo – uma promessa de possibilidade dada a todos os filhos de Deus. A execução bem sucedida de seu próprio Destino reside na própria capacidade de compreender o mundo da matéria e os céus – mas como eles tanto espelham um ao outro e nós somos seres materiais com uma alma caída na carne, a matéria é importante. Na matéria encontramos alegria, propósito e as trilhas douradas das estrelas em todos os lugares.

Vemos Deus como deus otiosus – mas sem necessariamente atribuir ao deísmo. Essa postura muitas vezes leva a bruxa a ser vista como panteísta – e este talvez isto seja verdade. Pessoalmente eu aderi ao raciocínio de Platão, que vê nas obras da natureza o jogo divino – mas isso não significa que eu veja uma pluralidade de deuses da natureza como tal, embora veja a obra de Deus as assinaturas inteligentes em toda parte – mas tenho pouca necessidade de transformar isso em uma religião. Trata-se mais de uma perspectiva sobre o mundo – uma filosofia de vida vibrante de sentido e de ser. O que vejo é uma natureza dotada de centelhas divinas, e por isso ao conhecer a natureza podemos conhecer a Deusa – e nisto podemos conhecer a origem e a nós mesmos. Nesta premissa, encontramos o ofício da bruxa.


Nossos rituais estão focados na conexão com a terra e para entender quais os espíritos da natureza que nos rodeiam – e nenhum deles são sujeitos a adoração – mas sim reverência, enquanto alguns outros não são. Nisto vemos um pragmatismo que ocorre a partir da própria terra e o que está ao redor da bruxa. Para a bruxa, o lar é um abrigo, sua catedral e refúgio. Como qualquer sábio faz o seu centro imóvel, seu palácio ou fortaleza no deserto da ambigüidade, o mesmo acontece com a bruxa.

A bruxa é a liminar e indomada, é aquela que marca as fronteiras do lícito e o proibido, que desintegra tudo em troca único caminho para que você possa andar na trilha que Destino lhe deu.

A Bruxaria vem ressurgindo com muita força, principalmente depois da liberação feminina na década de 60/70, hoje é respeitada como uma forma de culto totalmente separada da magia negra ou culto ao demônio, existem os magos negros, mas isso já é história para uma outra edição...


8 comentários:

  1. Isso ai.. e vamos sair do escuro e defender oque acreditamos ... a natureza precisa de nós.... que a benção da Deusa esteja em nós... Obrigada por trazer este texto tão esclarecedor... espero que muitos o leiam e entendam de uma vez oque eh ser pagão... bjksss

    Janaina

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    1. prezada janaina

      nosso caminho é longo , mas a cada mensagem como a sua, vemos que nossos esforços para reverter esse quadro não estão sendo em vão.

      agradecemos por sua energia e por suas palavras e esperamos que volte muitas vezes a nos visitar.

      selma&marcos

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  2. Nossa, seu blog esta cada vez melhor... não consigo dizer qual post é o que me chama mais a atenção...
    Estou adorando o seu blog...

    Ana

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    1. cara ana

      antes de tudo gostaríamos de agradecer sua participação e por suas palavras de elogio ao nosso blog e quando falamos em nosso , você pode ter certeza que estás incluída.

      sinta se a vontade e qualquer dúvida é só nos procurar , que teremos o maior prazer em responde la , mesmo que demore um pouco.

      selma&marcos

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  3. Gostei do post e concordo com a Ana, está mis do que na hora de sairmos das sombras. A natureza é a nossa mãe portanto temos que defendê-la.

    Geisa

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    1. cara geisa

      seria tão bom que as pessoas tivessem a mesma visão que vocês tiveram ao lerem nosso texto.

      mas não custa nada para nós continuarmos levando conhecimento sobre as coisas lindas que a nossa riquíssima religião tem a mostrar e uma delas é defender e proteger nossa mãe natureza.

      contamos com você
      selma&marcos

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  4. Gostaria muito de aprender a ser dona do meu destino...acrédito ser fascinante...não digo de uma loucura adolescente ou irresponsável, estou falando de algo real. Acredito que para ser bruxo deve-se ter o toque divino...não se se tenho..mas vou descobrir.

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  5. Texto maravilhoso... Adorei ... Texto inteligente, verdadeiro e sucinto.

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