quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O CONHECIMENTO


“ Se o conhecimento pode criar problemas, não será através da ignorância que poderemos solucioná-los” Isaac Asimov


O conhecimento é a primeira etapa real para a realização do trabalho na Grande Obra; é o primeiro degrau da escada em espiral que conduz ao palácio da sabedoria. Sem ela não há nenhuma possibilidade para auto realização genuína. É o começo de um processo criativo do indivíduo, de fazer viajar a alma, junto aos caminhos internos, fazendo transcender a si mesmo conseguindo a integração ou a verdadeira unidade do ser. É o alvorecer da alma, e o florescer do lótus interno do espírito.

A Velha Arte ou Bruxaria Tradicional é o termo usado para designar quem participa do Mistério da Antiga Fé, esse Mistério que flui sob nossos pés, e é a sabedoria ancestral que descansa na terra.

As chamadas "Bruxas (os) Tradicionais" são os portadores destas tradições, e o são, por estarem de acordo e em harmonia com os conceitos que formam a tradição, por tudo isto que temos a nossa intuição apurada e poderosa. Somos
dificilmente enganadas. Enxergamos a verdade mesmo quando não querem, mesmo quando tentam fechar os nossos olhos, apertado, e ignoramos a voz em nossa cabeça, para isto é preciso superar sempre nossas próprias limitações e identificar os profundos ensinamentos da Deusa.



Estamos sempre descobrindo pensamentos, desejos e sentimentos com apenas um olhar. Talvez um toque ou gesto as faça olhar bem para as pessoas e descobrir o que se passa no coração mais fechado.

O vento sempre sussurra os avisos e conselhos e nossos ouvidos espertos capturam as vozes com habilidade.
Às vezes duvidamos seriamente de nossa intuição, achando que somos loucas. Mas sempre quando isso acontece acabamos por descobrir que somos o que somos por sermos Bruxas.

Foi fácil para os Sábios olharem para o mundo ao seu redor e verem a grande importância do Princípio Feminino. A fêmea era, na verdade, aquela que trazia a vida, talvez o mais mágico de todos os eventos para o homem antigo. Estas revelações e experiências dificilmente poderia levar a outra opção do que a total reverência e deificação do sexo feminino.

A magia não tem fronteiras, estando presente em todas as culturas e em todas as religiões do mundo, das mais diversas formas. Quando falamos em relíquias sagradas, arquitetura dos templos, oferendas a divindades, cultos cerimoniais, comunicação com os espíritos, incorporação, profecias, revelações, orações, milagres da fé, etc., estamos falando de magia.


Magia é um método pelo qual os indivíduos, sob predestino nenhum que não o por eles mesmo determinado assumem o controle da sua vida.

Ao contrario do que reza a crença popular, a magia não é sobrenatural. Na verdade, é uma pratica imbuída em milênios de segredos, é uma pratica natural que se utiliza poderes genuínos ainda não descobertos ou catalogados pela ciência.

As Bruxas (os) sempre aproveitaram o conhecimento de onde quer que ele jorre, fosse ele dos resquícios do paganismo, ou uma simples leitura. A Sabedoria é tida como um tesouro de mesmo valor para as Bruxas Tradicionais.

A Bruxaria Tradicional em si possui algumas leis, que não passam de leis da própria Natureza. Há a célebre frase: "Não há nada que a ciência tenha dito que eu não tenha visto como Bruxa", e é verdade. Nossas leis são as leis naturais, entretanto alguns elementos em comum podem ser apresentados a fim de que se tenha melhor compreensão do significado da Bruxaria. Elencamos dois princípios comuns, em especial que ao mesmo tempo que ajudam a compreensão, afastam conceitos equivocados calcados em histórias infantis e preconceitos medievais à prática da Bruxaria.

Velha Religião, Bruxaria Tradicional, somos as adoradoras da Mãe Grande. Bruxa! A própria palavra evoca visões de imediato, para cada um de nós.

Por fim, podemos dizer que a Bruxaria é um patrimônio cultural da Humanidade, ou ainda, que é o Caminho que guia a Bruxa (o) para seu aperfeiçoamento.


FONTE: SELMA - 3FASESDALUA

sábado, 25 de outubro de 2014

Keres e os traumas emocionais - espíritos femininos originadas de Nix


As Keres eram espíritos femininos originadas de Nix, a deusa da noite. Alguns atribui-lhes a paternidade de Erebus, outros defendem que elas foram geradas sem a união com outro deus. As Keres simbolizam o destino cruel, fatal e impossível de escapar e elas seriam aquelas que traziam a morte violenta aos mortais. Cada uma das Keres correspondia a um tipo específico de morte violenta, chamadas pelos romanos de Tênebras ou Trevas.

Confundidas com as Erínias, ou com as Harpias ou com as Moiras - o destino cego, as Keres eram verdadeiros monstros alados de cor negra, dentes pontiagudos e longas unhas que usavam para ferir ou despedaçar os cadáveres. As Keres eram irmãs de Thanatus - a personificação da morte, Moro - o escárnio e o quinhão que cada homem receberá em vida e o destino e Átropos - uma das Moiras. Juntos determinavam o fim da vida. Enquanto seus irmãos promoviam a morte tranquila, as Keres rondavam os campos de batalha, portanto tinham por missão trazer a morte cruel antes do tempo.

Quando o sanguinário deus Ares partia para grandes guerras, convocava as Keres para fazer parte de seu cortejo. À frente iam os filhos de Ares, Deimos - o espanto e Phobos - o terror. Após a batalha, as Keres devoravam os mortos e levavam as almas ao Hades. Presentes nos campos de batalha ou nos momentos de grande violência, como assassinatos, acidentes e devastações coletivas, aos que sobreviviam a elas, restava-lhes uma visão de sua horrível presença. A Ilíada afirma que cada ser humano possui uma Ker consigo, que personifica sua própria morte.

Elas seriam um dos maus espíritos liberados da caixa de Pandora. Ora tratadas como várias divindades e ora tratada apenas como uma única divindade que tinha um valor coletivo, entre as personificações destrutivas estão: Stygere, o ódio - Anaplekte, a morte rápida - Nosos, a doença - Ker, a destruição - Akhlys, a névoa da morte.

O mito das Keres simbolizam o destino cruel e fatal e também os traumas emocionais causados por situações de eminente violência, tais como tentativa de assalto, sequestro, ataques de animais violentos ou peçonhentos, catástrofes naturais, agressão física, estupro ou acidentes. Pessoas que estiveram em situações de eminente violência podem desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático que pode ser facilitado tanto pelo seu tipo de personalidade como a sua forma de lidar com dificuldades.

Toda ação produz uma reação em igual intensidade em sentido contrário. Esse choque de forças não é só uma teoria, mas uma verdade que surge nos momentos de fortes tensões emocionais. As pessoas podem ser afetadas em graus variados e o impacto é muito relativo, variando de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem ser totalmente afetadas pelo transtorno, que traz sofrimento e interfere em sua vida pessoal e profissional, provocando sintomas fisiológicos, emocionais e comportamentais.

Pessoas nessa situação, tentam afastar-se de quaisquer fatos, objetos, pessoas, locais e situações que possam trazer sensação de desconforto ao relembrar dos fatos. Os flashblacks, a sensação de estar novamente vivenciando o mesmo acontecimento, podem ocorrer através de pesadelos e sonhos aflitivos. Isso leva a um estado de constante tensão, gerando medo e terror obssessivo. A pessoa pode se assustar facilmente e estar sempre na expectativa de que a situação possa ocorrer novamente. Outras podem entrar numa sensação de vazio, perda de esperança no futuro e afastamento de atividades que considerava agradáveis no passado.

Em geral, as pessoas podem desenvolver os sintomas meses depois do evento, demorando algum tempo para incorporá-los. O próprio caso dramático ocorrido pode trazer significativas aprendizagens para lidar com o estresse pós-traumático, já que não é possível simplesmente esquecê-lo. Toda pessoa que foi afetada por um evento traumático deve ser acompanhada, apoiada e encorajada a encarar os fatos. Enfrentando o medo, pouco a pouco conseguirá superá-lo, para que não viva sob o constante fantasma das Keres. Só assim poderá reconstruir-se em outro contexto.



FONTE: SEGREDOS DA MITOLOGIA

Nix e Érubus


Segundo a Teogonia, de Hesíodo, Érebus era a personificação da profunda escuridão, o criador das sombras e das trevas. Tinha seus domínios demarcados por seus mantos escuros e sem vida, predominando sobre as regiões do espaço conhecidas como Vácuo logo acima dos mantos noturnos de sua irmã Nix, a personificação da noite.

Sendo filhos do Caos - a desordem do mundo, Érebus - as sombras e sua irmã gêmea Nix - a noite, nasceram de cisões assim como se reproduzem os seres unicelulares; a partir de pedaços. São os mais velhos imortais do universo, logo após Caos. Érebus desposou Nix, gerando outros deuses primordiais: o Éter - a Luz celestial e Hemera - o Dia.

Conhecido por ser um dos maiores inimigos de Zeus, conta-se que os Titãs pediram socorro a Erebus e pessoalmente o primórdio havia descido até o Tártaro para libertar os filhos de Gaia, porém foi surpreendido por Zeus e Hades que tiveram a ajuda de Nix para lançar Erebus nas profundezas do rio Aqueronte, a fronteira dos dois mundos.

Na medida em que o pensamento mítico dos gregos se desenvolveu, Érebus deu seu nome a uma região do Hades por onde os mortos tinham de passar imediatamente depois da morte, para entrar no Hades. Após Caronte tê-los feito atravessar o rio Aqueronte, entravam no Tártaro, o submundo propriamente dito.

Eram filhos de Nix e Érebus: * Éter, a luz celestial e Hemera, o dia. Depois, sozinha, deu origem a outros filhos:

* Hypnos, o sono * Thânatus, a morte * Éris, a discórdia * Hespérides, a tarde * Apáte, o engano * Philótes, a amizade * Geras, a velhice * Lissa, a loucura * Oizus, a miséria * Lete, o esquecimento * Até, o erro * Nêmesis, a ética e deusa da retribuição * Kera, o destino do homem em seus momentos finais ou a morte em batalha * Oniro, a legião dos Sonhos * Moiras, as desapiedadas deusas do destino * Limos, a fome * Ftono, a inveja Caronte, o barqueiro do mundo dos mortos * Moro, o escárnio e o quinhão que cada homem receberá em vida - o destino. Em uma versão, as Erínias seriam filhas de Nyx.


O mito de Nix de Erebus representa a vida organizada através dos tempos. No princípio havia a escuridão e a noite; eles criaram a luz do dia e a tarde para vivermos a vida e realizarmos as nossas tarefas principais.

Também criaram as qualidades morais, as fases da vida e a morte, para que nos lembrássemos de aproveitar o nosso tempo de vida. Sendo os pais de Leto - o esquecimento - lembra-nos de que nada melhor do que o tempo para curar as nossas mágoas de situações e momentos desagradáveis.

E para isso, reservaram um momento em que eles reinam, auxiliados por seus filhos e netos: Hypnos - o sono e Morpheu - o sonho, nos propiciando o descanso e recuperação de energias, que são sagrados, como deuses. Quando não lhes damos o devido tempo, os deuses reclamam através da doença e do envelhecimento precoce, devido a falta de uma boa noite de sono.

FONTE: MITOLOGIA GREGA

Selene, o encanto dos enamorados



Os titãs Téia e Hiperion tiveram três filhos, as mais lindas crianças do Olimpo: Selene - a lua, Helius - o sol e Eos - a aurora. Outros deuses, invejando a beleza dos filhos de Téia, lançaram Helius nas águas negras do Eridano. Quando Selene mergulhou à proura do irmão, foi tragada pelas águas. Ao saber do trágico destino dos filhos, Téia os procurou por todo o mundo e cansada adormeceu.

Ao acordar Téia viu seus filhos no céu, iluminando tanto o sofrimento como a alegria dos mortais: Eos - a Aurora, abria as portas para a chegada de Helius - o Sol - que acompanhava o dia. Selene - a deusa da lua - acompanhava a noite. A jovem tinha a pele tão branca quanto a neve e viajava em uma carruagem de prata puxada por dois cavalos. Com seu manto prateado, carrega uma tocha e tem uma meia lua em sua cabeça.

Selene nunca se havia interessado por homem algum. Sua imagem pálida e solitária atravessava os céus numa rotina de pura melancolia. Certa noite ela foi acompanhada pelos olhos sonhadores do tímido Endimion, um belo pastor da Tessália que levava o rebanho para o alto da montanha para poder observá-la mais de perto. De tanto contemplá-la, ele conseguiu compreender o caprichoso ciclo lunar que era um mistério para todos.

De tanto ver o pastor Endimion a contemplá-la, Selene quis conhecê-lo, pois talvez ele fosse um homem diferente capaz de entender o ritmo de seus delicados movimentos pelo céu noturno. Abandonando seu curso, Selene encontrou Endimion adormecido ao relento no alto do monte. Seu sono era sereno e seu suave semblante tocou o coração de Selene que sentiu-se invadida por uma paixão que nunca antes experimentara.

Depois dessa noite, ela ficava perturbada cada vez que avistava Endimion no alto do monte a apreciá-la. Certa noite, não resistindo aos encantos do amado Selene abandonou seu curso e foi encontrar-se com Endimion que dormia numa caverna. Beijando-lhe os olhos, infundiu-lhe um sono mágico. Tomada pela paixão, ela se esqueceu de que era a luz que iluminava a noite o que causou um eclipse total, deixando o mundo totalmente escuro.

Zeus, o deus dos deuses, não tolerava qualquer distúrbio no cosmos e resolveu castigá-la. Porém Selene o sensibilizou quando revelou que estava apaixonada pelo mortal, que era sujeito ao envelhecimento e à morte. Para preservar a felicidade de Selene, Zeus fêz Endimion dormir eternamente para nunca envelhecer e não temer a morte. Endímion dorme até hoje e não pode ver a linda luz prateada enquanto Selene cruza os céus. Algumas vezes, Selene abandona os céus e vem juntar-se a ele nas noites escuras da Lua Nova e quando ela eclipsa.


Selene representa todas as fases da Lua e seu nome deriva do grego "selas" que significa luz e claridade. Selene estava relacionada ao nascimento, crescimento, fertilidade e falecimento. Conhecida por sua grande importância na magia, era associada a Artemis ou Hécate, sendo também conhecida pelos romanos por Luna ou Lua e tradicionalmentecelebrada no dia 7 de fevereiro.

O mito de Selene está relacionado ao encanto dos enamorados. Cheia de encanto e magia, inspiradora dos poetas, companheira dos solitários, confidente dos namorados, lá no alto, ela nos acompanha no nosso percurso pela vida. A Lua inspira os poetas a falar de amor, do amor romântico que não conhece o tempo e nem a hora. Esse é o desejo dos enamorados: cristalizar para sempre aquela intensa paixão dos primeiros encontros.

Infelizmente isso não foi possível, pois a Lua e o pastor estavam juntos mas continuavam sozinhos. Não puderam conhecer um ao outro, porque não se falavam e não se olhavam. Não riam juntos, não faziam projetos, nem ao menos discutiam um com o outro. Não compartilhavam segredos, alegrias ou tristezas e não podiam, a cada noite, contar umao outro os vestígios do dia, aquelas coisas tão simples, sem as quais o amor não sobrevive...

FONTE: EVENTOS E MITOLOGIA

POEMA CELTA


"Jamais permitas que algum homem a escravize, nasceste livre para amar e não para ser escrava.
Jamais permitas que teu coração sofra em nome do amor.
Amar é um ato de felicidade, por que sofrer?
Jamais permitas que teus olhos derramem lágrimas por alguém que jamais fará você sorrir!

Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado.
O corpo é moradia do espírito, por que mantê-lo aprisionado?
Jamais te permitas ficar horas esperando por alguém que jamais virá, mesmo tendo prometido.

Jamais permitas que teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu sequer sabes!
Jamais permitas que teu tempo, corpo e coração seja desperdiçado por alguém que nunca terá tempo para ti.

Jamais permitas ouvir gritos em teu ouvido.
O Amor é o único que pode falar mais alto!
Jamais permitas que paixões desenfreadas te transportem de um mundo real para outro que nunca existiu.

Jamais permitas que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo.
Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente.
Jamais permitas que teu útero gere um filho que nunca terá um pai.
Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tu tivesses nascido inválida.

Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar os brilho de teus olhos a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti.
E, sobretudo, jamais permita-se perder a dignidade de ser mulher!"

FONTE - 3FASESDALUA

O Lobo e a Bruxa


Havia uma história antiga contada de pai pra filho naquela cidade esquecida.
Com o tempo foram acrescentados floreios e retirados alguns versos, porém sua essência permanecia a mesma.

Essa história era a lenda apaixonante do lobo e sua amada bruxa...
Dizia que havia a muitos anos na época da inquisição uma bela princesa que cultivava rosas no jardim de seu castelo.

Não um castelo de verdade meus caros amigos, mas sua simples morada choupana que ela via como o mais sublime castelo dos tempos medievais.
A moça era uma bruxa, mas poucos sabiam de suas magias.

Eis que um belo dia ao regresso de uma batalha, cansado e com o coração fatigado um cavaleiro resolve cortar caminho por aquelas terras e avista e bela donzela e a ela lhe faz cortesia.

Ela retribui lhe lançando uma bela rosa vermelha.
Feliz por aquele ato o jovem cavaleiro tardia sua ida para o lar e na cidade resolve se instalar.


Os dias se sucederam com a troca apaixonada de olhares, sorrisos e rosas vermelhas entre ambos.
Mas um dia a pobre menina fora acusada de bruxaria e todo o céu desmoronou.

Desesperado o cavaleiro enamorado a todo custo precipitou a salva-la levando para longe seu verdadeiro amor.
Perseguidos e encurralados subiram um penhasco a fim de salvar o seu amor.
Obstinados eram os acusadores e mantiveram-se em perseguição atrás dos enamorados...

Quando encurralados nada mais restava fazer, atrás deles um penhasco escuro apenas restava e a sua frente uma multidão enfurecida armada.
Com a noite como breu o cavaleiro mal conseguia enxergar para defendê-los.
Vendo o desespero de seu amado, um beijo lhe deu e lhe disse vou brilhar feito luz anjo meu.

Peço apenas que em noites como esta me brinde com seu poetar e do desfiladeiro saltou.
Desesperado o cavaleiro não sabia o que fazer, pois mal conseguia enxergar.
Mas eis que como ela mesma proferiu como luz ela surgiu a despontar, linda como um anjo que nós meros mortais chamamos de luar.

A fúria do cavaleiro, junto com sua mágoa sentida o transformou num lobo sedento por justiça.
E assim ele atacou quem matou seu amor.

E como a promessa a ela feita, em noites de lua cheia lá ele está a poetar todo o seu amor, com os uivos lamuriantes e ela a ouvir com todo seu esplendor...

FONTE: Luna Eostre

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Hera, a deusa das deusas



Na mitologia grega Hera é a deusa dos deuses, regente do casamento. Retratada como majestosa e solene, muitas vezes coroada, Hera algumas vezes ostenta em sua mão uma romã, símbolo da fertilidade, sangue e morte, um substituto para as cápsulas da papoula de ópio. Argos Panoptes foi um dos seus fieis ajudantes e em recompensa, após sua morte, ela o transformou em um pavão que passou a ser relacionado a ela. Iris era sua fiel servente e mensageira.

Hera, a mais excelsa das deusas, é representada na Ilíada como orgulhosa, vaidosa, obstinada, ciumenta e rixosa. Possuía sete templos na Grécia e mostrava apenas seus olhos aos mortais, usando uma pena do seu pavão para marcar os locais que protegia. Como esposa de Zeus, Hera também tinha poder sobre os fenômenos celestes. Podia derramar chuvas benéficas ou desencadear tempestades. A união de Zeus e Hera era como um símbolo de toda a natureza. O calor, as chuvas e os raios do sol que penetravam no solo através do casal, fecundavam a Terra.

Presidia a casamentos e nascimentos e era representada como uma respeitável matrona, conduzindo um cetro ou coroa. Em Roma seu festival era chamado Matronália, onde era tratada como Juno. Sua figura era considerada maléfica e vingativa, e Hera não poupava seus inimigos e suas rivais. Hera teve quatro filhos, e nem mesmo com eles, Hera foi condescendente:

Hefesto, a divindade do fogo e dos metais, foi considerado muito feio e desajeitado quando nasceu. Hera jogou-o do Monte Olimpo tornando Hefesto coxo. Mas Hefesto aprendeu um ofício e se tornou um hábil ferreiro. Casou comAfrodite, que tinha muitos amantes e seu principal rival era seu irmão Ares.
Ares, deus da guerra e da violência, tinha Éris como companheira de batalha - deusa da discórdia. Ares amava o calor da batalha e exultava em derrotar o inimigo. Sempre foi repelido pelos deuses pois estava sempre associado aosconflitos e guerras sangrentas, usando sua força bruta e sem refinamento. Era amante de Afrodite, a esposa de seu irmão Hefesto, com quem teve vários filhos, e também outras inúmeras amantes.

Hebe, a deusa da eterna juventude, servia néctar e ambrosia aos deuses. Casou-se com Héracles ou Hércules quando ele foi aceito no Olimpo.
Ilítia era a deusa responsável pelos partos e foi convencida por Hera a antecipar o parto da irmã de Alcmena, para evitar que Hercules fosse rei na Grécia.
Segundo as lendas, teria ainda gerado sozinha Tifão, um monstro terrível, que trazia o corpo coberto por escamas, cabeças de dragão entre os dedos, lançando fogo dos olhos


Hera e Zeus tiveram as núpcias no Jardim das Hespérides, em eterna primavera. Como legítima esposa de Zeus, Hera foi considerada protetora das esposas e do amor legítimo. A deusa era excessivamente ciumenta e sempre estava irritada com as infidelidades do marido, perseguindo suas amantes e filhos gerados com deusas e mortais.

Hera possuia muitas rivais, entre elas, a bela Calisto. Por inveja da sua imensa beleza, que conquistara o seu marido, transformou-a numa ursa. Helena de Tróia, possuia a reputação de mulher mais bonita do mundo e isso despertava a inveja em Hera. Outra de suas rivais foi Io, transformada em uma vaca e perseguida por Hera em muitas partes da terra.

O único filho de Zeus que Hera não odiava era Hermes e sua mãe Maia, porque Hermes demonstrou grande habilidade e inteligência, tornando-se o mensageiro dos deuses. Hera também provocou a morte de Sêmele quando ela estava grávida de Dioniso e tentou impedir o nascimento dos gêmeos Apolo e Ártemis, filhos de Zeus e Leto. Para fugir da vigilância da esposa, Zeus se metamorfoseava em diferentes formas, como em touro, cisne, chuva de ouro ou no marido da mulher desejada, como fez para seduzir Alcmena, mãe de Hercules.

Quando Zeus engravidou a mortal Alcmena, Ilitia predisse que o primeiro neto do pai da Alcmena ia se tornar o rei da Grécia. Alcmena e sua irmã estavam grávidas. Hera, com ciúmes de Zeus, pediu a Ilítia que causasse o parto da irmã antes de 9 meses e nasceu Euristeus que se tornou rei da Grécia, posto que era reservado para Hercules, filho de Alcmena.

Hera odiava sobretudo Hercules. Quando ele nasceu, para torná-lo imortal, Zeus pediu a Hermes que o levasse ao seio de Hera e o fizesse mamar. Ele sugou o leite divino com tanta força que feriu a deusa. Hera o afastou com violência mas o leite continuou a jorrar e as gotas formaram a Via Láctea.

Hera tentou matar Hercules quando ele era apenas um bebê. Com sua tentativa frustrada de matá-lo ainda criança, Hera influenciou Euristeus, que o envolveu em muitas aventuras perigosas que ficaram conhecidas como "doze trabalhos". Mas Hércules destruiu seus sete templos e, antes de terminar sua vida mortal, aprisionou Hera em um jarro de barro que entregou a Zeus. Depois disso, ele foi aceito como deus do Olimpo.

Tirésias também foi uma de suas vítimas. Certa vez, tendo sido chamado para resolver uma questão entre Hera e Zeus, enraivecida com as verdades do adivinho, Hera o cegou. Ixíon, rei dos Lápitas, tentou seduzir a deusa, mas acabou abraçando uma nuvem, que Zeus confeccionou à semelhança da esposa. Os Centauros nasceram dessa união. Para castigar Íxion, Zeus fez com que se alimentasse de ambrosia, o manjar da imortalidade, e o lançou-o no Tártaro, onde ficou girando eternamente numa roda de fogo.

Durante as núpcias de Peleu e Tétis, Éris – a Discórdia – convidada a não comparecer, jogou uma maçã de ouro para a mais bela das deusas. Nessa célebre disputa da mais bela deusa entre Hera, Atena e Afrodite, Zeus incumbiu Paris de decidir a disputa. As deusas tentaram subornar Paris, prometendo presentes em troca do voto: Hera ofereceu o governo do mundo; Atena, sabedoria. Afrodite ofereceu o amor da mais bela mulher, conseguindo ganhar o cobiçado título. Isso deu origem à famosa Guerra de Troia.


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O mito de Hera se consolidou numa época em que a Grécia passava a defender os princípios da monogamia e a adotava como regra, tornando necessário a personificação de uma divindade que defendesse esses princípios. Eles foram atribuídos a Hera, deusa-rainha, deusa-mãe, elevada à companheira de Zeus.

As lendas que envolvem Hera mostram o ciúme excessivo, o desejo de vingança para punir as traições do marido, a perseguição às amantes do marido infiel e, consequentemente, os filhos que resultaram das infidelidades. É a personificação humana que mais se aflora dentro de um deus e suas características essenciais são levadas ao seu mais extremado zelo, que defende a perpetuação do amor único e exclusivo entre os casais, o senso de justiça limitado ao lar, ao casamento, à família, e a tudo que possa corromper esse universo.

Hera é considerada o mais irritante dos mitos, porém é o mais humano deles. É a personificação da mais pura essência da alma humana na forma de amar dentro de uma relação consolidada pela sociedade, opondo-se aos amores clandestinos e dos amantes da madrugada. É a essência do matrimônio e suas prisões psicológicas, que são menores do que a visão de uma sociedade talhada pelos princípios da monogamia.

Todo simbolismo está contido no princípio do lar, da esposa perfeita, mantendo o equilíbrio do casamento através da fidelidade exigida e jamais alcançada; da mulher disposta à contendas conjugais com motivos para isso. Nos dias atuais, embora a mulher conquistado seu espaço, os casamentos não se modificaram tanto assim. Permanecemos em uma sociedade patriarcal e o casamento ainda é considerado uma instituição de procriação.

As mulheres continuam a sofrer violências domésticas e profissionais. A busca do tão almejado casamento por amor com satisfação sexual plena, é castrado pelas concepções obsoletas cristãs. Mas apesar de todas as limitações e deficiências do casamento, a mulher sente-se profundamente atraída por estabelecer e manter um relacionamento conjugal. Romanticamente todas sonham em compartilhar a tarefa de criar seus filhos e estabelecer uma unidade chamada família.

Toda Mulher-Hera sabe que o casamento é o caminho pela qual se chega à inteireza e plenitude. O arquétipo de Hera leva a mulher a estabelecer um pacto de lealdade e fidelidade com seu companheiro para sempre. Hera é a personificação do feminino maduro, que sabe o que quer e só sentirá completa através do sagrado matrimônio. Hera estabelece o arquétipo da relação homem-mulher numa sociedade patriarcal, como esposa e companheira ideal. Assim, é uma deusa do casamento, da maternidade e da fidelidade, além de ser a guardiã ciumenta do matrimônio e da hereditariedade.

No mito, a prole pequena concebida dentro do casamento e numerosa nas relações extraconjugais, tem em Ares - o deus da guerra, filho de Zeus e Hera, o simbolo dos conflitos conjugais como também das tensões que nascem no mundo entre homens e mulheres. Quando se desfaz de Hefesto, o filho desajeitado e Tifão, o filho monstro, simboliza a rejeição da procriação sem amor. As duas lendas personificam a preocupação dos gregos com as imperfeições genéticas.

Hera não personifica os mistérios da maternidade, ela personifica os mistérios da mulher dentro das relações afetivas ou conjugais. O arquétipo de Hera se manifesta nas mulheres quando desejam apenas duas coisas: igualdade e parceria. A esposa-Hera assume o trono ao lado do marido para compartilhar do seu poder. Hera é a representação mais pura de que: " Junto de um grande homem, há sempre, uma grande mulher... 

FONTE: MITOLOGIA GREGA

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