quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O Dia do Orgulho Pagão


O Dia do Orgulho Pagão é comemorado no mundo inteiro exatamente no dia 23 de Setembro.

O Orgulho Pagão é um movimento criado por um grupo de neo-pagãos norte-americanos para fornecer uma imagem pública positiva a respeito dos neo-pagãos e do neo-paganismo. Esse movimento que se iniciou nos EUA e espalhou-se pelo mundo, inclusive no Brasil.

A primeira referência ao Orgulho Pagão foi registrada em 1992 quando grupos locais do movimento começaram a patrocinar festivais do Dia do Orgulho Pagão em locais públicos das cidades ou campus universitários.

Os primeiros eventos foram organizados por Cecylyna Dewr e Dagonet Dewr na Liga Pagã de Esclarecimento e desde a iniciativa, o movimento cresce no mundo inteiro, inclusive no Brasil. São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, são algumas das capitais brasileiras que organizam o evento.



Ser pagão é buscar constantemente harmonizar-se com a infinita sabedoria da natureza, onde se aprende diariamente através da linguagem da Terra e da Lua, das folhas das árvores, da beleza do canto dos pássaros, do cheiro das ervas e das flores, a conhecer o valor do respeito, do amor e do equilíbrio.

Pagãos acreditam e prestam culto às divindades pagãs centradas na verdade, no bem e no belo, aos espíritos da natureza e aos seus ancestrais.
Respeitar todas as formas de vida, assim como a própria natureza, que lhes é sagrada, tirando partido dela sem que assim venha destruí-la.

A celebração dos festivais solares automaticamente religa o homem aos ciclos naturais da Terra e às mudanças das estações. Cada ciclo reflete diretamente toda sua influência sobre nós e a partir deste princípio, passamos a vivenciar e a compreender melhor essas mudanças, além de todos os ciclos lunares.
Nossos maiores mestres são a própria natureza e os Deuses.
O "bem" e o "mal" são relativos, pois o verdadeiro pagão busca o equilíbrio entre a luz e a sombra, com responsabilidade e bom senso.


Essa é a real iniciação da alma e do coração.

Muitos equívocos são propagados quanto ao real sentido da palavra "paganismo", por dicionários, enciclopédias e até mesmo por seus seguidores. Em alguns casos, o termo pagão é empregue como sinônimo de não-cristão - o que é um grande erro, pois assim se incluiriam religiões como o Judaísmo, o Islã e outras, as quais não possuem componentes distintamente "pagãos" no sentido real da palavra - ou seja, de respeito à Natureza. Em outros verbetes, um "pagão" é aquele que ainda não foi batizado no cristianismo. Em outros mais, os termos "paganismo" e "ateísmo" são confundidos, pois ateu é aquele que não crê em nada, não possui religião - bem diferente da noção de paganismo enquanto caminho religioso.


Mas quem são os pagãos? Originalmente, esse termo era empregue para diferenciar os seguidores das religiões da Terra, dos muitos deuses e deusas da Natureza. É este o sentido que adotamos quando utilizamos o termo "paganismo". Assim, costumamos nos referir às culturas pré-cristãs da Europa e das Américas (apenas como exemplos clássicos) como "culturas pagãs". Poucas pessoas hoje em dia ainda mantêm um contato direto com as tradições originais do Paganismo, daí a necessidade de se diferenciar o Paganismo original - surgido na Antigüidade - do novo paganismo, representado por diversas correntes recentes. Para que tal diferenciação seja bem clara e cristalina, muitos autores e pesquisadores optam por utilizar o termo neo-pagão, ou seja, os novos pagãos - aqueles que seguem tradições filosófico-espirituais inspiradas nos ensinamentos e valores das Antigas Religiões. Dentre estas correntes neo-pagãs, sem dúvida duas ganham destaque: a wicca e o neo-druidismo.

A cristianização da sociedade romana, fez com que as religiões politeístas ficassem restritas às pequenas aldeias rurais que eram os "Pagus". Desde então os cristãos passaram a chamar de pagãos a todos aqueles que ainda conservavam o politeísmo. Com o tempo, a crença que pagãos eram ateus ou ligados ao diabo cristão, foi aumentando, conforme crescia a fome da igreja pelo poder.

Em termos religiosos, o paganismo é o culto e o respeito à natureza, e já existia bem antes do cristianismo, ou seja, antes do Cristo encarnar na terra, ou nascer, como queira. Naquela época todas as religiões eram pagãs, apesar de possuírem suas diferenças. Para o Pagão, toda a natureza é viva e sagrada. E lá se encontra as forças do Deus e da Deusa. Da Deusa? Sim, da Deusa, é que o pagão não acredita muito em um mundo espiritual tão machista como o mundo terreno.



Com a cristianização, algumas coisas começaram a mudar, como a forma de rezar, por exemplo. O pagão orava na natureza até então, mas o homem trocou este habito pelos lindos e ricos templos que o homem mesmo construiu

O simbolismo do Natal oculta transcendentes mistérios com suas origens fixadas no paganismo. Natal era um dia consagrado à celebração do “Sol Invicto”.

E São João? A data desta festa foi escolhida a dedo pela Igreja da época para sufocar a festa de Mitra (mitologia persa), que celebra o Solstício de Inverno no Hemisfério Sul. As festas de Páscoa, São João, São Mateus e Natal, substituem respectivamente as festas pagãs do Hemisfério Norte, relativas às celebrações do equinócio de primavera, solstício de verão, equinócio de outono e solstício de inverno.

Estas festividades pagãs eram muito arraigadas nos costumes populares desde tempos imemoráveis, mas foram sendo suprimidas com o advento do Cristianismo, incluso como religião oficial pelo Decreto de Constantino (317-337 d.C), então Imperador de Roma. E em 392 D.C aconteceu a definitiva proibição dos cultos pagãos no Império Romano.

Paganismo é, em verdade, um termo referente às diversas formas de religiosidade que têm como lugar comum o encontro com o divino através da Natureza. Se pensarmos no ensinamento que remonta ao Egito Antigo, que diz que "o que está acima é como o que está abaixo e o que está abaixo é como o que está acima", compreendemos que esta asserção busca nos dizer que a natureza dos Criadores é a mesma de suas criaturas. Os pagãos buscam, dessa feita, compreender "o que está acima" - seus deuses - conhecendo "o que está abaixo" - a Natureza e seus semelhantes.

O equilíbrio é algo que se deve buscar tanto no âmbito pessoal quanto através de uma visão universal. O povo pagão busca equilíbrio dentro de seus corações, na natureza e no Universo, porque perder o equilíbrio dentro de seu próprio ser é o mesmo que perder o equilíbrio com a ordem natural e com as Divindades. O equilíbrio é uma compreensão dos mundos da natureza e da humanidade com o Todo.



Conhecer o amor é o mesmo que ser capaz de ver a luz comum que corre por toda a vida, e verdadeiramente tocar as divindades. O amor é o que nos faz reconhecer aquele aspecto dentro de cada espírito humano que pertence ao reino divino e assim, apreciar sua virtude. É a forma que temos de contemplar as qualidades dos Deuses dentro de nós, às vezes como um caminho que nos faz admirar nossos irmãos.

Se você não o encontrar dentro de si, não será capaz de encontrá-lo do lado de fora, porque essa é a natureza de toda a forma de amor. A confiança não é apenas o fundamento do amor, mas é um código de vida. Se não existe confiança, o amor e a verdade serão sempre ilusórios, porque a confiança é a base forte sobre a qual suas casas são erguidas.

As palavras de sabedoria a seguir, que foram herdadas de algumas tradições, poderão servir como uma guia que se refere ao objetivo, benefícios e aos tipos de confiança.

"Escolha com cuidado em quem sua confiança será depositada, mas se ele for digno dela, a dê sem restrições."

"Se você não pode confiar naquele que será seu mestre, não permita que seu aprendizado dependa dele e busque seus conhecimentos em outro lugar."

"Há certas coisas que devem ser aceitas com confiança, até que o tempo seja capaz de clarear o caminho para sua compreensão."

"Não se deixe iludir! Se você não acredita no que vê, descarte a possibilidade."



Podemos encontrar uma grande variedade de tradições dentro do paganismo, mas esta variedade de experiências espirituais são apenas ramos diferentes da mesma árvore e, como tal, devem ser respeitadas como a representação máxima da unidade divina. Nossos maiores mestres são: a natureza e os Deuses.

Enfim, fuja daqueles que possuem caldeirões lotados de ego negativo. Isso não significa que ser pagão é ser "perfeito". A perfeição é um dos objetivos do nosso caminho e, de modo geral, de todas as pessoas. O "bem" e o "mal" são relativos, pois o verdadeiro pagão busca o equilíbrio entre a luz e a sombra, com responsabilidade e bom senso. Essa é a real iniciação da alma e do coração.

Esse tempo é passado e de agora em diante vale ressaltar o princípio da liberdade religiosa, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 18, que diz o seguinte:

"Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."

Garatindo acima de tudo o respeito mútuo e a liberdade de expressão religiosa!

Bom, o fato é que, independente de sua religião, se você admira e respeita a natureza, você tem um pouquinho de paganismo aí. E agora? Agora aproveite bem o dia, porque além do dia 23 de setembro ser o Dia Mundial do Orgulho Pagão, é também o dia em que se comemora o equinócio de primavera. Mas como diria o final de algum filme infantil, “mas isto já é outra história”.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Grupo Cristão incentiva a troca do Halloween pelo "Jesusween"

 

Celebrado entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e o nascer do dia 1° de novembro, o Halloween tratava-se de uma noite sagrada (hallow evening, em inglês), a tradição diz que o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se uniam em uma coisa só. Por isso a imagem mais comum é a de fantasmas, bruxas e monstros indo de casa em casa pedindo comida.

Com o tempo, a comida servida deu lugar aos doces que as crianças vestidas de monstros pedem ao longo da noite. A comemoração do Halloween foi se popularizando e hoje já é lembrada em vários países, inclusive no Brasil.

Agora, um grupo cristão canadense tenta mudar a história, incentivando as pessoas a doarem Bíblias e presentes cristãos como “uma forma amigável de lembrar as crianças” quem Jesus venceu a morte.
Por isso o nome da festa para eles deveria ser Jesus Ween [um trocadilho com win, vencer em inglês]. O projeto Jesus Ween foi criado pelo pastor Paul Ade, que vive em Calgary, Canadá. Ele tem feito seminários em diversas igrejas da América do Norte, tentado mobilizar cristãos de todas as denominações a levarem a sério essa iniciativa.

A grande maioria dos cristãos considera o Halloween apenas uma festa cultural, algo inofensivo e divertido. Porém, uma minoria cristã tem se oposto a ele, classificando-a de “demoníaca” e “espiritualmente perigosa”. Agora o
JesusWeen pretende ser uma “alternativa saudável que pode melhorar a vida de todo mundo”, segundo notícia do seu site.

Muito criticada desde que foi anunciada, a festa do “Jesus vencedor” poderá ser um imenso fracasso ou mudar vidas para sempre. Vai depender da adesão dos cristãos norte-americanos e canadenses. Em seu site, o grupo reconhece que o esforço ainda é tímido e tem pouca adesão, mas pretende crescer e ter um alcance mundial.

Fonte: Notícias Gospel

Conselho Nacional de Educação quer o fim do acordo firmado com o Vaticano


Uma comissão de representantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) vai se reunir,  com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Brito para discutir um tema espinhoso e polêmico: o ensino religioso. A oferta de aulas sobre o tema nas escolas públicas do País é obrigatória de acordo com as leis brasileiras. Na teoria, o conteúdo não pode professar dogmas de nenhuma religião e deve ser dado por professores das redes.

Na prática, as escolas não seguem as regras definidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Não há orientações claras sobre como o tema deve ser tratado, tampouco professores preparados para ensiná-lo. Quando a escola oferece ensino religioso, termina por fazer catequese de alguma religião – de modo geral as cristãs. Por conta dessas indefinições, os conselheiros criaram uma comissão que vai elaborar orientações nacionais sobre o assunto.

Depois de algumas reuniões com estudiosos – nenhum representante de religiões foi convidado a participar das discussões para que não ficassem tendenciosas –, os conselheiros decidiram ir além. Vão expor ao ministro Ayres Brito suas preocupações com um acordo estabelecido em 2009 entre o governo brasileiro e o Vaticano, no qual o Brasil concorda que o ensino religioso deve ser dado por representantes da Igreja Católica ou de outras religiões.

O ministro será responsável por analisar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria Geral da União contra esse acordo no ano passado. A ação defende que o STF suspenda a “eficácia de qualquer interpretação que autorize a prática do ensino religioso das escolas públicas que não se paute pelo modelo não-confessional” e não permita que representantes de qualquer religião sejam responsáveis por esse conteúdo nas escolas.

César Callegari, presidente da comissão que discute o tema no CNE, concorda com a PGR. “Estamos preocupados com os problemas que o acordo pode trazer. Devemos fazer de tudo para que a laicidade do Estado seja protegida”, afirma o conselheiro. Para ele, o acordo deve ser revisto. “Não se pode aceitar proselitismo no ensino religioso e esse conteúdo só pode ser dado por professores capacitados”, defende.

Segundo o conselheiro, o primeiro documento do CNE com orientações gerais sobre o tema está quase pronto. O texto, porém, só deve ser apresentado à sociedade, em audiência pública a ser marcada no início do ano que vem. Ele acredita que a sociedade ainda não resolveu um conflito que deveria ser a preocupação anterior a essa discussão sobre quem deve se responsabilizar pela educação religiosa das crianças: se a Igreja, as famílias ou as escolas.

“Mas não está na ordem do dia a possibilidade de uma revisão do texto da Constituição Federal, que determina a oferta de ensino religioso nas escolas. O que precisamos é garantir o cumprimento do que está na lei de maneira adequada”, analisa Callegari. Para ele, outro aspecto muito importante a ser definido é a garantia de outras atividades aos alunos que não desejarem assistir a essas aulas – eles não são obrigados a frequentar essas aulas. 

Minorias atendidas

No Rio de Janeiro, onde lei municipal aprovada recentemente definiu a oferta de disciplina sobre o tema a partir de 2012, quem não quiser assistir às aulas de ensino religioso – que deverá contemplar as doutrinas católica, evangélica/protestante, afrobrasileiras, espírita, orientais, judaica e islâmica – será matriculado na disciplina Educação para Valores. Inicialmente, a medida valerá apenas para as escolas de turno integral.

Para Antonio Costa Neto, pesquisador do tema na rede pública do Distrito Federal, o mais importante é garantir que as minorias sejam atendidas nessas normas. Antonio diz que a diversidade religiosa afrobrasileira não é contemplada nas aulas, nem na formação dos professores, o que prejudica as ações para combate ao preconceito racial. Durante o mestrado, ele fez um levantamento nas escolas do DF e identificou que, assim como no resto do País, a abordagem do assunto ainda é confessional.

“Atuar com a disciplina ensino religioso no âmbito das relações étnico-raciais para combater o racismo é uma oportunidade muito boa de êxito. No entanto, as religiões afrobrasileiras não têm sido contempladas e os professores não recebem formação adequada”, lamenta. Por conta disso, Antonio abriu uma representação junto à Secretaria de Educação do DF para questionar como o tema está sendo tratado nas escolas da capital federal.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios também manifestou interesse no tema e pediu explicações ao governo local. Nenhum dos dois obteve respostas concretas ainda. O MPDFT pediu explicações à Secretaria de Educação no mês passado e aguarda a manifestação do órgão. Na opinião da promotora de Defesa da Educação do DF, Márcia da Rocha, esse é um tema importante, mas cujo debate ainda não foi amadurecido pela população. Ela acredita que a sociedade ainda não sabe se gostaria e que tipo de educação religiosa deve haver no País.

Acre cria proposta para ensino religioso nas escolas públicas

Autoridades eclesiásticas e pol�ticas do Acre

Uma proposta curricular de ensino religioso nas escolas públicas foi apresentada nesta segunda-feira (21) ao governo do Acre, em Rio Branco, durante a abertura da I Conferência Estadual da Diversidade Religiosa.

A conferência tem como objetivo revelar a identidade de cada um dos principais grupos religiosos presentes no Acre e lutar para que a escola pública seja espaço democrático e pluralista contra todo o tipo de preconceito, discriminação e de fundamentalismo mesmo religioso.

Promovido pelo Instituto Ecumênico Fé e Política e a Secretaria Estadual de Educação, a abertura do evento foi marcada por orações do bispo do Acre, Joaquim Pertiñez, e da Mãe Raimundinha, que dirige um centro de umbanda.

O governador em exercício César Messias e os secretários de educação Daniel Zen (estadual) e Márcio Batista (municipal) também participaram da abertura da conferência. Zen afirmou que a proposta curricular para o ensino religioso possivelmente será adotada a partir do próximo ano.

A proposta do Instituto Ecumênico Fé e Política, no formato de uma cartilha, oferece a professores e lideranças religiosas informações para capacitá-los para o diálogo inter-religioso na sociedade pluralista, além de estimular a cooperação entre as diversas denominações e expressões de fé.

- Nosso objetivo é a construção da paz, da cidadania, da democracia e do respeito aos direitos humanos - afirmou o ex-padre e ex-deputado do PCdoB, Manoel Pacífico, que dirige o Instituto Ecumênico Fé e Política, uma entidade de direito privado, suprapartidária, comprometida com a justiça social e o respeito à diversidade cultural e religiosa.

A cartilha sobre diversidade religiosa no Acre é resultado de quase seis anos de encontros, inicialmente de representantes católicos e evangélicos, ampliados há mais de quatro anos com representantes espíritas, daimistas e de religiões de matriz africana.

A exemplo dos demais Estados brasileiros, o Acre possuía uma população de maioria católica, mas assistiu nos últimos anos o crescimento rápido da população protestante, estimada no País em 25% pelo IBGE.

De acordo com o Instituto Ecumênico Fé e Política, os dois fatores tem importância nas relações inter-religiosas na sociedade, particularmente dentro das escolas, uma vez que no Estado há também outros grupos expressivos, adeptos de outras tradições espirituais como daimistas, espíritas, e os seguidores de cultos de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.

Sem espaço para doutrinar

A proposta também menciona a história de outras tradições espirituais presentes na Amazônia, como a indígena, islâmica, budista, bahai e seicho-no-ye.
Os participantes da conferência assinalam que o reconhecimento da diversidade religiosa impõe-se de forma absoluta, em função de uma série de fatores de ordem histórica de desinformação, de preconceitos e até de ordem cultural e religiosa.
Na avaliação deles, o desconhecimento generalizado entre os diversos grupos religiosos presentes no Acre, favorece algumas atitudes fundamentalistas de grupos majoritários sobre outros considerados de menor expressão.

- É necessário ouvir os diversos grupos que compõem este universo religioso no Estado, que nos revelem sua história e sua própria identidade. Esses relatos tem, portanto, muito de história e também, de forma diferenciada, a identidade de cada denominação - afirma o documento.

Católico, o governador em exercício César Messias destacou o trabalho social e religioso das igrejas evangélicas no Acre. Messias manifestou apoio à proposta de ensino religioso e aproveitou a ocasião para revelar que costuma participar de rituais com o uso de ayahuasca ou daime, como é mais conhecida a bebida que provoca mirações, feita a partir do cozimento de um cipó e de uma folha.

- Eu me sinto muito bem quando participo dos cultos da Assembléia de Deus ou quando me reúno com jovens da igreja Batista. Mas também me sinto muito bem quando tomo daime. Ninguém pode afirmar que o daime é uma droga. Só sabe o que é o daime quem toma o daime - afirmou o governador.

O secretário de educação de Rio Branco, Márcio Batista, foi o primeiro a defender que a cartilha intitulada “Muitos são os caminhos de Deus” seja incorporada pelo Conselho Estadual de Educação como proposta curricular para o ensino religioso nas escolas públicas do Acre.
- O pensamento religioso não é único e a escola não pode ser espaço para doutrinar ou catequizar - afirmou Batista.
Fonte: Terra.com

Ser Pagão


Ser pagão é ser tudo!
É acreditar no inimaginável!
É saber que tudo é possível!
É saber que tudo é a Grande Mãe!
E a Grande Mãe é a grande experiência do viver!
É andar com os pés descalços no chão e saber que dali você tira sua força de subsistência!
Ser pagão é olhar para o céu e ver nascer o poder do sol em dia claro, o poder da lua em uma noite escura. Mesmo quando está em dia nublado é saber que o poder que emana deles chega até nós mesmo assim.
É saber que a água que mata nossa sede é o liquido sagrado da Deusa.
É saber que o magma que ferve e explode de dentro da terra é o fogo da vida que nos faz pensar no que vai acontecer amanhã.
É saber que o ar que entra em nossos pulmões é o sopro que dela provém para que ela continue tendo a experiência de viver em nós!
Ser pagão é se orgulhar tanto disso que sorrimos apenas por sermos quem somos!


Texto de :Rowana Danala

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cerca de 3000 pessoas foram mortas sob a acusação de bruxaria na Tanzânia


Cerca de três mil pessoas sob suspeita de praticar bruxaria, em sua maioria mulheres de idade avançada, foram linchadas na Tanzânia entre 2005 e 2011, denunciou a principal organização local de defesa dos Direitos Humanos.

"Entre 2005 e 2011, cerca de três mil pessoas foram linchadas por vizinhos que suspeitavam de bruxaria", afirmou o Centro Jurídico e de Direitos Humanos em um informe enviado nesta terça-feira à AFP.

De acordo com a entidade, cerca de "500 pessoas de idade bastante avançada, em especial mulheres com os olhos vermelhos", foram acusadas de bruxaria. As províncias mais afetadas são Mwanza e Shinyanga, no norte do país, acrescenta a fonte.

"Como exemplo, 242 pessoas foram assassinadas por crenças em bruxaria na província de Shinyanga entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011", denunciou o grupo humanitário.

Segundo a entidade, as crenças populares consideram a vermelhidão nos olhos como um sinal de bruxaria. Segundo especialistas, a irritação ocular deve-se ao fato de que muitas mulheres são obrigadas a cozinhar utilizando esterco de vaca como combustível.

Mulheres acusadas de bruxaria vivem em campos isolados em Gana


Em Gana e em outros países africanos, quando desastres atingem vilarejos, a busca por explicações acaba levando a bodes expiatórios – as chamadas bruxas. Mulheres excêntricas ou extrovertidas – muitas vezes idosas – costumam ser os alvos mais fáceis, e os casos normalmente terminam com a expulsão da "culpada".

Atualmente, existem seis campos de bruxas espalhados por Gana, com até mil mulheres em cada um deles. Neles, mulheres exiladas de seus povoados podem viver sem medo de espancamentos, tortura ou até linchamento. Isto é, se forem consideradas inocentes ou passarem por um ritual de purificação.

No campo de Kukuo, recém-chegadas primeiro precisam comprar uma galinha de cores fortes como oferenda ao religioso chefe. Agachado, o velho sacerdote murmura algumas palavras antes de cortar a garganta da ave.
Se ela cair de costas, é sinal de que a "bruxa" é inocente e está pronta para ser purificada com água benta. Caso contrário, a "bruxa" precisa beber uma poção purificadora feita com sangue de galinha, crânio de macacos e terra.Mas, para o exorcismo funcionar, a mulher não pode ficar doente nos próximos sete dias. Se ficar, tem de tomar a poção novamente.
Embora a tradição dos campos de bruxas aparentemente seja exclusiva de Gana, o costume de encontrar no suposto uso de magia negra explicações para desastres é comum em várias partes da África.

Samata Abdulai

O destino da idosa Samata Abdulai mudou após um de seus irmãos acusá-la pela morte de sua filha, supostamente causada por uma maldição lançada por Abdulai.

"Fiquei confusa e cheia de medo, porque sabia que era inocente. Mas também sabia que, uma vez que começam a te chamar de bruxa, a sua vida está em perigo. Por isso, não perdi tempo, juntei as minhas coisas e fugi do povoado", contou à BBC. "Quando você é acusada de bruxaria, é uma perda de dignidade. Para ser sincera, tenho vontade de simplesmente acabar com a minha vida."
Um relatório da organização não-governamental ActionAid publicado recentemente afirma que mais de 70% das moradoras do campo de Kukuo foram acusadas de feitiçaria e expulsas após a morte dos seus maridos. Para muitos, isso é um sinal de que as acusações de bruxaria são uma forma velada de a família se apropriar dos bens da viúva.
"Os campos são uma manifestação dramática da condição da mulher em Gana", afirmou o professor Dzodzi Tsikata, da Universidade de Gana. "Idosas viram alvo porque não são mais úteis à sociedade."
Para o grupo de direitos das mulheres Songtaba, aquelas que não se adaptam às expectativas da sociedade também acabam vítimas de acusações de feitiçaria.
"A expectativa sobre mulheres é de submissão, então, quando elas começam a dar muitas opiniões ou mesmo ser bem-sucedidas em seu ramo, começam as acusações de serem possuídas", afirma o acadêmico.
O governo de Gana sabe que a existência dos campos macula a reputação dessa que é uma das democracias mais progressivas e economicamente vibrantes na África. Por isso, no ano passado, afirmou que tomaria medidas para acabar com eles, provavelmente, em 2012. O problema é que não se pode simplesmente mandar as mulheres de volta a seus vilarejos.
"Temos que trabalhar muito com as comunidades para que possam voltar sem serem linchadas ou novamente acusadas, se, por exemplo, uma vaca pula uma cerca e derruba alguma coisa", afirmou Adwoa Kwateng-Kluvitse, diretora da ActionAid em Gana.
Na opinião da ativista, isso pode levar entre 10 e 20 anos.

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