domingo, 14 de outubro de 2012

Bruxaria uma religião de poesia, não de teologia


Nada lhe posso dar que já não existam em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.
(HERMANN HESSE)



A palavra “Bruxa” possui tantas conotações negativas que varias pessoas perguntam por que usamos.
No entanto, recuperar a palavra “Bruxa” é recuperar o nosso direito, como as mulheres, de sermos poderosas; de conhecer o feminino presente no divino. Ser uma Bruxa é estar identificada com noves milhões de vitimas do fanatismo e do ódio e de sermos responsáveis por moldar um mundo no qual o preconceito não faça mais vitimas. Uma Bruxa é uma “moldadora”, uma criadora que dá forma e, portanto, torna-se uma sábia, cuja vida está impregnada de magia.

Contudo, para os Bruxos e Buxas, a Bruxaria, não passa de uma forma de vida, e esta é encarada como o culto à Deusa e ao Deus. Ela é caracterizada pela liberdade de pensamento e de vertentes de características bastante distintas, mas, entre elas existem muitos elementos em comum que podem ser apresentados.

Em diversas tradições de diversas partes do mundo e em diferentes épocas, encontramos a Bruxaria, acredita-se que desde a pré-história já se utilizava da Bruxaria como forma de vida. Desde os primórdios da Humanidade, o Homem temeu o poder do ar, da água, da terra e do fogo. Trovões, chuvas, vendavais, o mistério do fogo e da fertilidade da terra eram forças inexplicáveis que provinham de "deuses", de uma força além do alcance do Homem. O Homem integrou-se à Natureza. Precisou caçar, plantar, procriar. Entendeu que havia épocas de frio, de calor, em outras a semente germinava e o fruto amadurecia. O sol trazia calor, os ciclos da lua refletiam-se na Mulher. Do mistério do desconhecido e das forças da Natureza influenciando a vida dos homens surgiram as crenças em algo que transcendia a própria existência, na interação entre o Homem e algo muito maior.

A Bruxaria sempre foi uma religião de poesia, não de teologia.
Os mitos, as lendas e os ensinamentos são compreendidos como metáforas “Aquilo –Que-Não-Pode-Ser-Dito”, a realidade absoluta que as nossas mentes limitadas jamais conseguem aprender completamente. Os mistérios do absoluto nunca podem ser explicados, somente sentidos ou intuídos.




Quando falamos “dos segredos que não podem ser ditos”, não estamos querendo dizer, meramente, que regras nos impedem de nos expressarmos livremente. Queremos dizer que a sabedoria interior, literalmente, não pode ser expressa em palavras. Ela só pode ser transmitida através da experiência e ninguém pode determinar o que a outra pessoa poderá vir a ter de qualquer que seja a experiência.

A Antiga Arte retira os seus ensinamentos da natureza e inspira-se nos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das arvores e nos ciclos das estações.

Quero compartilhar este texto retirado do livro A Dança Cósmica das Feiticeiras

“Se aquilo que busca não está dentro de você, nunca achará fora de si.”

“Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando a Lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios.
Você estará livre da escravidão e, como um sinal de liberdade, apresentar-se-á nu em seus ritos.
Cante, festeje, dance, faça musica e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. Pois minha lei é a do amor pra todos os seres.
Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade.
Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes.
Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a Mãe de todas as coisas e meu amor é derramado sobre a terra”

Assim sempre foi
Assim sempre será
E que o circulo nunca se rompa!!!


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Santa da Gruta


Recebi este texto por E-mail e gostaria de compartilhar.
Não sei o nome do autor ou autora por isto não estou colocando o nome.
Será uma honra para mim se quem escreveu este texto me enviasse o seu nome para eu divulgar não só este texto como outros.
Se alguém souber o nome favor me avisar.


A SANTA DA GRUTA


Havia uma moça que sempre ia a um jardim publico onde havia uma gruta com a imagem de uma Santa. 

Um rapaz que trabalhava numa quitanda ali perto sempre a observava.
Ela chegava em frente a gruta ficava alguns momentos olhando a Santa depois ia sentar-se num banco um pouco distante, sombreado por arvores. 


A cada dia que o rapaz a via ficava mais intrigado. Certo dia tomou coragem, esperou ela se sentar no banco de sempre e se aproximou:
Boa tarde, posso me sentar?
A moça olhou em seus olhos por um instante e sorriu:
Fique a vontade.
O rapaz sentou-se. O lugar estava fresco, muito agradável.
Desculpe meu atrevimento, mas estou intrigado contigo.
A moça o olhou novamente e sorriu. 

Sempre a vejo vir aqui, parar em frente a Santa e depois vir sentar-se neste banco. O que me intriga é que nunca a vi fazer o sinal da cruz. Você não reza?
Sim. Eu rogo à Mãe toda vez que venho aqui, mas não faço o sinal da cruz porque não sou católica.
Então o que você é?
A moça lhe sorriu novamente e respondeu:
Sou pagã. Sou uma bruxa.
O rapaz arregalou os olhos 

Então eu não entendo. Se é uma bruxa porque vem orar num lugar com uma Santa católica?
Porque a minha Senhora é a mesma Nossa Senhora aparecida e todas as Santas dos católicos. A minha Senhora é a mesma Yemanjá dos umbandistas, e a mesma Deusa dos hindus...enfim... a minha Senhora são todas as Senhoras e todas as Deusas de todas as religiões.
Então você não tem uma religião!


A moça o olhou profundamente. 
Sim, eu tenho uma religião. Sou da Antiga Religião. Do tempo em que a face feminina de Deus era adorada, de uma época anterior ao cristianismo, onde a Deusa era venerada através da Natureza, através do plantio e das colheitas, através da vida e também da morte. Era em rituais que comemoravam as fases da Natureza, as épocas de trabalhar a terra e também de trabalhar a si mesmo. Nesta época as três faces da Deusa era adorada e compreendida, assim como seu consorte... 


Consorte? A Deusa era casada? moça deu uma gargalhada e o olhou com simpatia. O rapaz tinha um sorriso tímido nos lábios e interesse no olhar. 

Mais ou menos. Para mim tudo tem os dois lados. E ambos os lados são ao mesmo tempo opostos e complementares. O dia tem a noite, o frio tem o calor, o amor tem o ódio, o doce tem o salgado, o homem tem a mulher, a Deusa tem o Deus. Todas essas "coisas" não teriam sentido sem o seu par, o seu oposto e complementar, assim como o bem e o mal. E tudo precisa estar em equilíbrio, quando não estão causam, por exemplo o desequilíbrio que o homem causou a Natureza e então acontecem as catástrofes naturais, as mudanças climática atípicas, o desgelo dos icebergs, o efeito estufa...enfim causam mazelas ao próprio homem.
Você não parece bruxa! Bruxa faz feitiços, se veste de preto e é esquisita. Já conheci uma bruxa. 

A moça deu uma sonora gargalhada.
E quem te disse que eu não faço feitiços? Quem te disse que eu não me visto de preto? E quem te disse que eu não sou esquisita?
Você não tem jeito de quem faz feitiço para prejudicar alguém sempre a vejo com roupas coloridas e você não é esquisita. 

A concepção que você tem de que uma bruxa só faz feitiço pra prejudicar os outros foi incutida através do cristianismo, assim como a idéia de que toda bruxa tem parte com o diabo e coisas deste tipo. Na realidade feitiços e rituais nada mais são do que formas de impingi maiores poderes as nossas ações e entrar em contato com as divindades... 

Divindades?
Sim. Através de rituais entramos num contato maior com o Deus e a Deusa, com os elementos da Natureza, com a divindade dentro de nós mesmos...
Como assim divindade dentro de nos mesmos?
Acredito que somos parte da Deusa e sendo parte da Deusa, somos também deuses, somos fragmentos evoluindo para voltar a sermos o que sempre fomos: LUZ.


Não entendi... como é que alguém evolui pra ser o que era?
O ser humano foi originado da força maior...ou Deus, para que você entenda melhor.. só que essa centelha divina que deu origem ao homem foi encoberta por "camadas" e para que essa centelha divina entre em comunhão com a força suprema que a gerou é preciso atravessar essas camadas. E atravessa-las é o que eu chamo de Trilhar o Caminho. Como numa caminhada é preciso dar passo a passo, subir degrau por degrau, alcançar uma camada de cada vez... e para se alcançar cada camada é preciso melhorar-se interiormente, é preciso evoluir. São muitas camadas, muitas pequenas evoluções que em conjunto fazem a evolução suprema, ou seja, a Luz que temos em nos, a Luz que somos nós evolui através das camadas para integrar a Luz Maior...voltar a ser o que era antes das camadas. 


E quanto aos feitiços? Já ouvi dizer que usam sapos, cobras, morcegos e desculpe... Mas já ouvi dizer ate que fazem sacrifícios humanos! 

Os feitiços, poções, etc. são meios físicos que usamos para fortalecer nossos desejos. Por exemplo: Estou procurando um emprego. Então faço um feitiço. Uso incensos, ervas, objetos, palavras de poder, etc. tudo isso pra tornar mais forte dentro de mim esta busca, ficando mais forte dentro de mim, fica mais forte a minha volta e se faz uma sintonia para alcançar meu objetivo. Existem sim alguns feitiços que usam sapos e coisas do gênero, até porque a maioria deles é originado de muito tempo atrás, quando o homem utilizava todos os elementos da Natureza com mais consciência...mas tem muita coisa que só tem o nome de "escabroso"... tipo de repente você encontrar um feitiço que diz: "misture dois dentes de dragão..." ou " acrescente uma colher de baba de lobo...." ai você vai descobrir que essas coisas são ervas, plantas, pós concentrados, etc. 

Quanto a sacrifícios humanos... Infelizmente como em todas as religiões existem aqueles que se desvirtuaram no Caminho, que se perderam e tomaram o rumo errado. Que não compreenderam a verdadeira magia e utilizam meios totalmente deturpados para alcançar seus objetivos. Meios equivocados, diga-se de passagem, uma vez que se esquece as leis básicas que regem o Universo, como a Lei do Retorno, onde se tem consciência de que toda ação tem uma reação, de que tudo que se faz volta a si mesmo. Esquecem o principal mandamento de um verdadeiro feitiço: "Sem prejudicar ninguém, faça a sua vontade".


Entendo... Mas e quanto as roupas pretas, caldeirões, vassouras... 
Geralmente se usa roupa preta em rituais, mas isso não quer dizer que se esteja fazendo algo mal ou atraindo forças das trevas. A concepção de que o negro atrai e faz coisas ruins é outra "contribuição" cristã. O negro em muitos casos é utilizado como proteção, como uma espécie de bloqueio para as más energias. O caldeirão não usado como crêem alguns para "cozinhar criancinhas", essa é outra idéia incutida pelo cristianismo. O caldeirão representa o útero da Grande Mãe, representa o lugar onde tudo é gerado, por isso se utiliza o caldeirão em feitiços, poções, rituais... 


A vassoura, entre outras coisas, é utilizada para limpar o ambiente. "Varrer" as energias negativas de um local onde será realizado um ritual, por exemplo.
A moça parou para respirar o frescor da tarde, olhou o rapaz com um sorriso maroto nos lábios. 

Deixa eu responder sua ultima questão: " Bruxas serem esquisitas"
O rapaz sorriu e lhe disse com ternura:
Você não é esquisita. 

E o que é esquisito pra você?
Uma pessoa vestir-se de preto, usar símbolos pelo corpo..morar numa cabana dentro de uma mata? Esquisito é só um rotulo que as pessoas colocam em algo que não compreendem. Esquisito é alguém rotular algo que não tem conhecimento. Muitas pessoas achariam esquisita uma moça falar essas coisas a um rapaz que nem conhece. Achariam esquisitos os rituais, achariam esquisito o tipo de desprendimento em encarar a vida, acharia esquisito eu não me importar em ser considerada esquisita. Lamento te decepcionar... Mas sou esquisita aos olhos de muita gente. 

Mas não é esquisita pra mim.
A moça levantou-se, o rapaz também. Ela olhou profundamente em seus olhos:

Fico feliz - antes de virar-lhe as costas para ir embora, a moça o brindou com um cálido sorriso e disse:
Bênçãos Plenas.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Lenda / Mito de CuChulainn


Muitas das lendas irlandesas provêm de uma Cultura que remonta aos tempos pré-cristãos. Cultura essa que se manteve praticamente intacta pelo o fato dos Romanos nunca terem chegado a instalar-se na Irlanda e, consequentemente, o idioma ali falado não ter sido afetado pelo Latim. Também uma forte tradição oral e a existência de várias escolas druídicas permitiam passar, intactos, de geração em geração, ensinamentos e conhecimentos.
Quando, a partir do século V, o Cristianismo chegou à ilha, os copistas monarcais registraram não apenas as Sagradas Escrituras como também as antigas histórias irlandesas que tão bem conheciam.

Se existe algum herói irlandês comparável ao grego Héracles e que mereça ser lembrado por suas façanhas, este é sem dúvida o caso de Cuchulainn.. Suas aventuras, integradas dentro do que se conhece como o ciclo do Ulster, nos situam na Irlanda do primeiro século antes de Cristo e do primeiro século depois do nascimento de Jesus. A lenda sobre ele contém algumas das descrições mais interessantes que chegaram a nós referentes aos princípios vitais que animavam os celtas da época, inclusive devido a seus fortes sentidos religioso, social e humorístico.



No tempo em que Conchobar era rei do Ulster, nome dado a uma das quatro províncias históricas da Irlanda, seus capitães viram um bando de aves que se alimentavam das ervas da planície junto de Emuin Machae. Os guerreiros eram caçadores de aves e partiram nos seus carros perseguindo-as até onde quer que elas pudessem levar.

Dechtire tomou as rédeas do carro do seu irmão, o rei Conchobar e mais nove carros, partiram pela planície atrás das aves. Uma corrente de prata ligava as aves aos pares, e estas voavam e cantavam tão bem que os homens do Ulster se sentiam encantados.

Logo o entardecer aproximava-se e os homens procuraram um abrigo, pois estava a nevar. Foram bem recebidos numa cabana por um homem que lhes deu de comer e de beber, e, ao cair da noite, os homens do Ulster estavam bem ale­gres. O seu hospedeiro anunciou que a sua mulher estava prestes a dar a luz e pediu a Dechtire para ajudar. Os ho­mens trouxeram um par de potros da neve, e ofereceram ao menino que Dechtire estava a acariciar.

Na manhã seguinte, os homens des­pertaram e viram apenas o menino e os seus potros, pois as estranhas aves e a cabana tinham desaparecido; estavam exatamente a leste de Bruig. Regressa­ram a Emuin Machae, onde o rapaz cresceu e depois de alguns anos adoeceu e repentinamente e veio a falecer. Dechtire chorou amargamente a morte do seu filho adotivo. Então, pediu água e foi­-lhe dada uma tigela de cobre, mas sem­pre que a levava aos lábios uma pe­quena criatura saltava da água para a sua boca, nada vendo cada vez que olhava para a tigela.


Certo dia, o sono de Dechtire foi interrompido por um sonho do homem numa casa-fantasma. Ele disse­-lhe que a seu nome era Lugh, filho de Ethniu, que a tinha atraído a casa e que ela era agora portadora da semente do seu filho: o menino iria chamar-se Setenta (CuChulainn, pronuncia-se Cu-hu-lim) e receberia os dois potros que só a ele estavam destinados. 

Quando os homens de Ulster viram que Dechtire estava com a criança, perguntaram se o pai poderia ser o próprio Conchobar, pois o irmão e a irmã dormiam lado a lado. Mas, o rei livrou-se do embaraço, prometendo a sua irmã em casamento a Sualtam, filho de Roech.

No entanto, Dechtire sentia-se mortificada por ter que dormir com seu esposo, quando já trazia dentro si o filho de outro homem. Assim, numa noite que estava só, esmagou o bebê que tinha no ventre. Logo em seguida Dechtire engravidou de novo e nasceu CuChulainn, o filho de Sualtam.

CuChulainn foi um dos maiores heróis da mitologia e lenda Irlandesas era um guerreiro a serviço de Conchobhar, rei de Ulster, ficou muito conhecido por sua defesa solitária de Ulster. É dito que CuChulainn teria vivido no ano 1 A.C e contos sobre ele e outros heróis teriam sido escritos a partir do ano 700 D.C.
As aventuras de CuChulainn foram gravadas numa série de contos conhecido como circulo de Ulster (Ulster Cycle).


CuChulainn se apaixonou por Emer e a pediu em casamento. Emer insistiu que CuChulainn deveria provar seu valor realizando uma série de provas, então enviou-lhe para a Deusa da guerra Scatha. Cuchulainn teve que passar pela planície do azar, onde a grama corta os pés dos viajantes, teve que cruzar o Vale Perigoso onde animais perigosos vagavam. E Teve que cruzar também a ponte do abismo, essa ponte se curvava verticalmente, caso alguém tenta-se atravessá-la, CuChulainn com um grande salto, pulou no meio da ponte e deslizou para o outro lado.

Para agradecer seu treinamento, CuChulainn lutou contra Aife inimiga de Scatha e a mulher mais forte do mundo. Depois de derrota-la CuChulainn fez as pazes com ela, e ela lhe deu um filho de nome Cornila. Ao regressar para casa para reclamar sua noiva, CuChulainn salvou uma princesa e visitou o Submundo(mundo dos mortos). Voltando para casa CuChulainn, conseguiu sua maior vitória. Quando a rainha de Connacht Medb enviou um grande exército para roubar o Touro Castanho de Ulster (touro esse ganho por CuChulainn numa competição em Connacht sendo ele aclamado como herói), CuChulain os deteve sozinho pois ele era imune a maldição que enfraquecia todos os guerreiros. Diz a Lenda que o pai humano de CuChulainn (Sualtach Sídech ou Sualtaim) tinha o mesmo dom de imunidade a essa maldição que fora lançada por Macha, a deusa guerreira. Fala-se também que nas batalhas mais dificeis o deus Lugh, também pai de CuChulainn, ajudava-o e por vezes substituía-o em combate por até três dias.

CuChulainn conseguiu muitas vitórias no Ulster, mas também muitas vitórias tristes, num combate corpo a corpo matara seu filho Cornila descobrindo depois a identidade do mesmo. Durante outra batalha, ele foi forçado a lutar contra Ferdia seu amigo de infância que estava enfeitiçado com promessas de amor de Medb e provavelmente por Macha, ao matar o amigo cai de joelhos e regando o corpo do amigo com lagrimas considera aquilo uma perda irreparável. Conta a lenda que as sucessivas batalhas contra Medb e contra os feitiços de Macha o levariam ao declínio e posteriormente a morte.


Depois de ofender Morrigan, a deusa da morte e batalhas, ele foi convocado para lutar em um momento em que ele estava doente. No caminho para a batalha, ele teve uma visão de uma mulher lavando o corpo e armas de um guerreiro morto, e ele reconheceu o guerreiro como a si mesmo. Sabendo, então, que sua própria morte eraiminente, ele lutou bravamente. Quando ele estava fraco demais para ficar de pé, CuChulain se amarrou a um pilar para que ele pudesse morrer lutando em pé. Só depois que um corvo pousou em seu Ombro seus inimigos tiveram certeza da morte dele, pois ele matará todos que se aproximavam dele. Morreu aos 27 anos de idade.

As mais antigas narrativas de Morrígan estão nas histórias do "Ciclo do Ulster", onde ela tem uma relação ambígua com o herói CuChulainn. No Táin Bó Regamna (Invasão do gado em Regamain), ele a desafia, sem compreender o quê ela é, quando ela guia uma novilha por seu território, tornando-se seu inimigo. Ela profere uma série de ameaças, predizendo finalmente uma batalha próxima onde ele será morto. Ela diz, enigmaticamente: "Eu vigio sua morte".

No Táin Bó Cuailnge a Rainha Medb de Connacht comanda uma invasão ao Ulster para roubar o touro Donn Cuailnge. Morrígan surge ao touro na forma de um corvo, e o previne para fugir. CuChulainn defende o Ulster, travando no vau de um rio uma série de combates contra os campeões de Medb. Entre os combates, Morrígan lhe surge, com aparência de uma bela moça, oferecendo-lhe seu amor e auxílio na batalha - mas ele a rejeita. Como vingança ela interfere no seu próximo combate, primeiro assumindo a forma de uma enguia, fazendo-o tropeçar; depois, com a forma de um lobo, provocando um estouro da boiada, e finalmente como uma novilha que conduz o rebanho em fuga - tal como havia ameaçado em seu primeiro encontro. CuChulainn é ferido por cada uma das formas que ela assume mas, apesar disto, consegue derrotar seus oponentes. Ao final ela reaparece-lhe, como uma velha que trata-lhe os ferimentos causados por suas formas animais, enquanto ordenha uma vaca. Ela oferece a CuChulainn três copos de leite. Ele a abençoa por cada um deles, e suas feridas são curadas. 


Numa das versões sobre o conto da morte de CuChulainn, falando sobre como o herói enfrenta seus inimigos, diz-se que este encontra Morrígan como uma velha que lava sua armadura ensangüentada à margem do rio - um presságio de sua morte. Depois, mortalmente ferido, CuChulainn amarra-se a um pilar de pedra com suas próprias entranhas, para assim poder morrer em pé... somente quando um corvo (que também representa Morringan) pousa sobre seu ombro é que os inimigos acreditam que ele realmente está morto. 

Conta-se que apesar de ter aparêcia dócil e temperamento calmo, durante as batalhas Cuchulainn se transfigurava numa figura de fúria assassina a qual não diferenciava amigos de inimigos, sendo só acalmado quando ele voltava para sua terra onde era recebido por mulheres nuas que o banhavam com água gelada.

No entanto, e embora o herói Cuchulainn tivesse um deus por ascendente, ele próprio não era imortal e a epopéia do seu combate contra as hostes da malévola Maeve prossegue até que chega a um trágico final. O caso é que ainda o herói do Ulster tem que lutar contra outros guerreiros poderosos, aos quais Maeve transferiu a sua magia e as suas más artes. Entre estes destacará quem, com a sua ingente prole -segundo a lenda tinha vinte e sete filhos-, enfrenta Cuchulainn e lhe arrebata a sua lança mágica. Depois provoca-lhe graves feridas por onde brota muito sangue e o herói, que vê chegado o último momento para ele, decide atar-se com o seu cinto de couro a uma coluna para morrer em pé. Conta o relato que o seu cavalo se afastou, depois de o roçar com o seu focinho, daquele lugar, a todo o galope. Quanto a Emer, esposa do malogrado herói, morrerá desfeita em lágrimas sobre o cadáver de Cuchulainn. Já à beira da morte, ainda conseguiu partir com a sua poderosa espada o aço do inimigo que se aproximava para lhe cortar a cabeça, conseguindo assim não morrer decapitado.


CuChulainn hoje: A imagem de CuChulainn é invocada tanto por nacionalistas irlandeses quanto por unionistas do Ulster, em murais, poesia, literatura e outras formas de arte. Os nacionalistas irlandeses o vêem como o mais importante herói céltico irlandês e, por conseguinte, como o mais importante de toda a sua cultura. Uma escultura de CuChulainn agonizante feita por Oliver Sheppard foi colocada em frente aoGeneral Post Office de Dublin em comemoração à Revolta da Páscoa de 1916. Por contraste, os unionistas o vêem como o homem do Ulster que defende a província de seus inimigos do sul; por exemplo, um mural na Estrada Newtownards em Belfast Leste, ironicamente baseada na escultura de Sheppard, descreve-o como o "defensor do Ulster contra os ataques irlandeses". 

Na Associação Nacional dos Escoteiros da Irlanda, a mais alta condecoração é a Ordem de Cú Chulainn, que consiste numa fita comemorativa com um cão de caça pendente. O Serviço Naval Irlandês possuía um barco cujo nome fazia uma referência ao herói, o LÉ Setanta, que foi vendido em 1980.

As histórias de Cuchulainn são as do mesmo passado dos irlandeses, mas também dos escoceses, pois sua odisséia transcorre em ambos os territórios. Fazem parte de seu legado cultural e, por esse motivo, muitos avós que nunca estudaram formalmente o mito são capazes, ainda hoje, de relatar a seus netos com extraordinária vivacidade as aventuras e desventuras deste guerreiro - da mesma forma como a história foi contada um dia a eles por seus avós, geração após geração, numa cadeia que remonta mais de dois mil anos no tempo.



Descoberto Stonehenge Azul


Arqueólogos das universidades de Manchester, Sheffield e Bristol revelaram um desenho de como seria o segundo círculo de pedras semelhante ao Stonehenge e que foi descoberto . Segundo Julian Thomas, professor da Universidade de Manchester e co-director do projecto Stonehenge Riverside, este segundo monumento era, tal como o primeiro, composto por um círculo de pedras mas azuis, transportadas das montanhas galesas de Preseli há cerca de cinco mil anos. As pedras foram entretanto removidas, deixando para trás nove buracos.
Este novo círculo tem dez metros de diâmetro e era rodeado por uma vala. A equipa de investigadores acredita que o monumento original era composto por 25 pedras colocadas ao alto. Supõem ainda que as pedras marcavam o fim de um corredor que ligava o rio Avon ao Stonehenge, localizado a 2,8 quilómetros e que teria sido construído no final da Idade da Pedra ou período neolítico. O fosso em volta das pedras terá sido construído cerca de 2.400 anos a.C.

A descoberta pode confirmar uma teoria apresentada pelo projecto Stonehenge Riverside segundo o qual o rio Avon ligava o ‘domínio dos vivos’ – marcado por círculos de madeira e casas na parte de cima do rio, na aldeia neolítica de Durrington Wall (descoberta em 2005) – ao chamado ‘domínio dos mortos’ marcado pelo Stonehenge e por este novo círculo. A equipa aguarda que alguns objectos encontrados no local (usados na construção do próprio círculo) sejam analisados para apurar a data precisa do monumento descoberto.

Monumento descoberto está a 2,8 km do Stonehenge

Mike Parker Pearson, professor da Universidade de Sheffield e director do projecto, acredita que “o Stonehenge Azul era o local onde os mortos começavam a sua viagem final até ao Stonehenge”. Segundo aquele investigador, o Stonehenge era o maior espaço consagrado a enterros naquela altura. Supõe agora que “o círculo de pedras azuis seria o local onde as pessoas eram cremadas antes de as suas cinzas serem enterradas no Stonehenge”. Nos buracos deixados pelas pedras removidas do segundo círculo foram encontradas grandes quantidades de carvão, mostrando que naquele local foi queimada madeira.

Por seu turno Julian Thomas, professor da Universidade de Manchester e co-director, defende que as implicações da descoberta serão imensas e que aquela parte do rio Avon seria de enorme importância para as crenças religiosas e rituais funerários de quem construiu o Stonehenge. “As velhas teorias sobre o Stonehenge que não explicam a evidente importância do rio terão de ser repensadas”, salientou.
Fonte:Ciência Hoje

PARA A MÃE TERRA


“Abençoado seja o Filho da Luz 
que conhece sua Mãe Terra, 
pois é ela a doadora da vida. 
Saibas que a tua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela. 
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida 
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas. 
Saibas que o sangue que corre nas tuas veias 
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra, 
o sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela 
borbulha nos riachos das montanhas 
flui abundantemente nos rios das planícies. 
Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra, 
o alento Dela é o azul celeste das alturas do céu 
e os sussurros das folhas da floresta. 
Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra. 
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra. 
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos 
nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra 
que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho. 
Como o ar tremelicante sustenta o pássaro 
em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra 
ela está em ti e tu estás Nela. 
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente. 
Segue, portanto, as Suas leis 
pois teu alento é o alento Dela. 
Teu sangue o sangue Dela. 
Teus ossos os ossos Dela. 
Tua carne a carne Dela. 
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também. 
Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra não morrerá jamais, 
conhece esta paz na tua mente 
deseja esta paz ao teu coração 
realiza esta paz com o teu corpo.” 
(Evangelho dos Essênios)

domingo, 7 de outubro de 2012

SABEDORIA CELTA II



Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio. 
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
... Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.

SABEDORIA CELTA


Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. 

Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.... 
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração. 
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda, que liga as almas afins. 
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa. 
(Sabedoria Celta)


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