domingo, 13 de janeiro de 2013

VALORES MATRIFOCAIS


“Somos parte da Terra e Ela é parte de nós. A Terra não pertence ao homem, o homem é que pertence a Terra. Todas as coisas são interligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a teia da vida, é apenas um de seus fios. O que quer que ele faça à teia, fará a si mesmo.”


A Fonte Criadora nas culturas matrifocais era a Grande Mãe primordial, chamada por inúmeros nomes e venerada pela multiplicidade dos seus aspectos e atributos como a Mãe Terra, a Senhora dos animais, vegetais e frutos, a Mãe das montanhas, dos rios e da chuva, das pedras, das colheitas, do Sol, da Lua e das estrelas, da noite e do dia, das nuvens, dos raios e dos ventos

A sociedade Celta era Matrifocal, isto é, o nome e os bens da família eram passados de mãe para filha. Homens e mulheres tinham os mesmo direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens. O culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas, até a chegada dos romanos, que praticamente dizimaram as tribos Celtas.

Porém, em muitos lugares, a religião da Grande Mãe continuou a ser praticada, pois havia certa tolerância por parte dos romanos, chegando certos ramos da Religião Antiga a incorporar elementos do Panteão Greco-Romano, especialmente na Bruxaria Italiana.

Podemos perceber em todas as lendas pagãs, bem como nos contos de fada, a presença poderosa do arquétipo da Deusa Anciã, Senhora dos ciclos, transições e transmutações, cujos significados e atributos não eram ignorados ou distorcidos, mas conhecidos e reverenciados com sabedoria e aceitação das leis inexoráveis da vida e da morte, seguidas de renovação e renascimento. Cabe a nós, Bruxas e Bruxos seguidoras da Tradição da Deusa, honrar e compreender as leis do eterno girar da Roda Cósmica e Telúrica manifestadas nos inúmeros aspectos, situações e eventos da nossa trajetória humana, vivendo plenamente e sabiamente a realidade presente e confiando na proteção e orientações divinas. É gente muito estranha as Bruxas. Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Gente que fala com plantas e bichos. Dança na chuva e alegra-se com o sol. Cultuam a Lua como Deusa e lhe faz celebrações...Eh!!



Gente muito estranha essas Bruxas. Falam de amor com os olhos iluminados como par de lua cheia. Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em uma harmoniosa cadência natural. Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentores suas lágrimas e sofrimentos. Amam como missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão. Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca dos seus sonhos, independente das agruras do caminho. Essa gente vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta. São estanhas as Bruxas! Acreditam no poder do feminino, estão sempre fazendo da maternidade a sua maior magia e através da incessante luta pela paz. 

Nós Bruxas temos a mania de pensar... Desenvolvemos o hábito de questionar tudo em volta, por isso não temos gurus, guias espirituais ou pastores, pois entendemos que somos capazes de nos responsabilizarmos por nós mesmas e pelos nossos atos.

Acreditamos que a nossa natureza mais profunda, a que chamamos de ESSÊNCIA PRIMORDIAL, é divina e a ela damos o nome de DEUSA INTERIOR. Sabemos que somos idênticas ao princípio da criação, assim buscamos explicar a intensidade da nossa crença.

Descobrimos a nossa verdadeira identidade a partir do comprometimento que assumimos com a devoção aos nossos Deuses, e principalmente com a nossa DEUSA INTERIOR.



Ao resgatarmos as nossas origens, ao retirarmos os véus, do mais leve ao mais denso do nosso Ego, encontramos a nossa verdadeira identidade mágica.

Ao nos depararmos com a nossa identidade ilusória através das buscas de nós mesmos, quando a nossa Deusa Interior desperta, e em situações extremas na busca do autoconhecimento, nos entregamos aos bons combates contra as inúmeras armadilhas do Ego.

A Mãe Dor nos acolhe, nos aconchega e nos mostra, geralmente com formas amargas através do espelho da alma, quem somos verdadeiramente. E, na expressão extrema de nós mesmos nos debatemos, e não queremos aceitar essa identidade, pois a identidade ilusória criada pelo Ego é sempre mais bonita e confortável. A realidade superficial ilusória desta identidade nova é trabalhada com um senso tão agudo de minúsculos detalhes, que o resultado é totalmente convincente e acreditável, visto que a maioria das pessoas passa pela vida física, e morre sem jamais se dar conta da sua ESSÊNCIA PRIMORDIAL. Permanecem presas por toda a vida na complexa e intrincada teia de sua identidade ilusória.

 O arquétipo da Mãe Antiga foi reverenciado e cultuado ao longo de milênios nas sociedades matrifocais da Europa e sobreviveu, mesmo depois da cristianização, em lendas e costumes folclóricos da Alemanha, Suíça, Áustria, Escandinávia, Itália e países eslavos. Memórias da Deusa Anciã pré-cristã encontram-se nas tradições ligadas a um grupo de deusas menores, pouco divulgadas e cujos nomes variam entre Holda, Hölle, Huldra, Reisarova, Gurorysse e Hyrokkin, na Escandinávia; Berchta, Perchta (e suas variantes Percht, Peratha, Bercht, Berta), nos países germânicos; Nicnevin e Gyre Carline, na Escócia; Befana e Lucca, na Itália; Perchta Baba e Baba Yaga, nos países eslavos. 


No fim da Idade Média, lendas da Deusa Anciã se espalharam do Leste ao Oeste e do Sul ao Norte da Europa, descrevendo uma anciã poderosa que sobrevoava o céu acompanhada de espíritos (dos seres falecidos e dos não-nascidos). Ela era cultuada pelas mulheres – conduzidas por bruxas e curandeiras – em vários países, no topo das colinas, invocando as forças fertilizadoras e regeneradoras da terra. Aos poucos, as festas do calendário agrário pagão transformaram-se nos festivais sagrados da Roda do ano, com pessoas reunidas ao redor de fogueiras, comemorando a passagem das estações e a fartura das colheitas com cantos, danças, oferendas, jogos e procissões com máscaras. Assim as chamadas “festas das bruxas”, conduzidas pela “Senhoras da Noite”, eram reminiscências dos antigos Sabbats celtas e Blots nórdicos, em que se realizavam encantamentos, rituais e curas, posteriormente acrescidos com elementos dos costumes folclóricos e contos de fadas. Dos antigos festivais, o mais famoso era o Walpurgis Nacht alemão, o Samhain celta e as festas de celebração do dia primeiro de maio (Maj Fest), comemoradas na Bavária, Suíça, Itália, Lituânia, Eslovênia. Por não conseguir erradicar as tradições ancestrais locais, a igreja católica incorporou a data dos festivais no calendário cristão e manteve a proibição pagã de fiar ou tecer em certos “dias santos” (datas de antigas comemorações das deusas tecelãs), como uma imposição divina cuja transgressão levaria ao castigo (queima da mão pelo “fogo do inferno”).

As grandes religiões atuais são baseadas em figuras e princípios masculinos. Deus, sacerdotes, teólogos e a maioria dos santos, profetas e iluminados são homens ou são figurados como homens. Grandes religiões como a Cristã, Islâmica e Judaica confrontam-nos com uma longa sucessão de figuras paternas e de valores patriarcais. Esta ênfase do masculino estende-se a todos os domínios da sociedade ocidental: a inteligência analítica, o raciocínio linear, a frieza e o controle de sentimentos, a força física, a capacidade de domínio são valores mais considerados do que a intuição, a beleza, a compreensão e a capacidade de exprimir e partilhar sentimentos. Durante séculos ou mesmo milênios, sobretudo na civilização judaico-cristã, os valores femininos foram relegados para um segundo plano, chegando mesmo a serem identificados com o mal, com o demônio. Esta situação deixou as pessoas, principalmente nos países protestantes, cujas Igrejas não incluem o culto de Maria ou dos santos, sem uma referência feminina, sem algo que defendesse, apoiasse e permitisse a expressão dum conjunto de sentimentos que dificilmente se encaixa numa religião patriarcal.



O Paganismo propõe-se recuperar a complementaridade entre homem e mulher, entre macho e fêmea, simbolizados na dupla Deus e Deusa, que não são superiores um ao outro, mas que se complementam. Dentro do Paganismo a Religião Antiga dá à Deusa um papel preponderante, quer nas suas práticas quer nos seus mitos, criando assim o seu principal símbolo e mostrando a sua importância fundamental, quer para as mulheres, quer para os homens. Um dos princípios básicos da Bruxaria é só passar a sua verdade após uma iniciação sistemática, com considerável período de vivência pessoal. Pois sair por aí pregando uma verdade que não se conhece a fundo na prática é dar prova de imaturidade, querendo chamar atenção para si mesma. 

As Bruxas mais experientes sabem o quanto a palavra traz a força da informação, e por maior que seja a verdade nela contida , precisamos ter certeza se a pessoa para a qual direcionamos as palavras está preparada para recebê-las.



A BRUXA VERDADEIRA, jamais fica proclamando seus dons e suas experiências extraordinárias, pois tem consciência de que suas conquistas representam pontos de força na afirmação da sua fé. São os elementos que lhe promovem sustentação energética para enfrentar os desafios naturais do caminho da sabedoria. Mesmo porque, guardar sigilo sobre os ensinamentos é compromisso de fé e respeito para com as nossas ancestrais e tradição. Inclusive, porque sendo uma pessoa consciente das Leis que regem o universo, se torna responsável pelos pensamentos e sentimentos que podem afetar, para bem ou para o mal, a outras pessoas.

Por tudo isso, a responsabilidade da Bruxa é muito maior. Ela sabe que na natureza todas as coisas estão inter-relacionadas. Seus pensamentos e sentimentos são poderosas emanações de força que desconhecem barreiras para chegarem aos seus semelhantes e ao todo.

A verdadeira Luz está ligada ao amor, o verdadeiro amor está ligado à verdadeira vontade, e a vontade gera a PAZ!

3 comentários:

  1. Muito bom o post de hoje! Você está de parabéns, é sempre muito importante levantar a questão sobre o Sagrado Feminino. O que não podemos deixar de lembrar às pessoas é que resgatar o sagrado feminino não signigica ignorar ou exterminar o princípio sagrado de energia; Pelo contrário, nosso objetivo é equilibrar estas forças, para que possamos viver em harmonia e com mais saúde, psíquica e emocional.
    Não queremos ignorar ou exterminar o princípio sagrado de energia masculina!
    Um beijão!

    Lurdes

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  2. "...A verdadeira Luz está ligada ao amor, o verdadeiro amor está ligado à verdadeira vontade, e a vontade gera a PAZ"!

    Esse é com certeza uma frase a ser seguida por todos.
    Amada tenha uma semana iluminada.
    Beijinhos de hortensia.
    Lua

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  3. Selma,

    Post é excelente.Parabéns!

    Adorei saber os nomes.
    Lembrei:
    http://www.alemdalenda.com.br/produtos.cfm?id=12

    Maravilhoso Domingo!

    Abraços
    Noeli

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