domingo, 15 de setembro de 2013

Nêmesis, a justiça divina


Nix, a noite acima da terra, unindo a Érebus criou Éter - a luz atmosférica e Hemera - a luz do dia. Desdobrando-se sozinha, Nix gerou divindades como as Hespérides, as Moiras, Éris, Lete e Nêmesis. Quase todos os descendentes de Nix foram abstrações personificadas como Nêmesis, que simboliza a indignação pela injustiça praticada e a punição divina diante do comportamento desmedido dos mortais. Os romanos a qualificavam como a inveja. Sua função essencial era restabelecer o equilíbrio quando a justiça deixa de ser praticada. No significado da palavra, em grego significa distribuir; assim Nêmesis é a justiça distributiva. 

Quando Gaia entregou Temis aos cuidados das deusas do destino, Temis e Nêmesispassaram a ser criadas juntas no Olimpo, tendo atributos em comum. Têmis tornou-se a personificação da ética e Nêmesis a personificação da vingança divina. Em Ramnunte localizava-se o templo de Nêmesis, onde havia uma estátua das duasdeusas juntas. Quando os persas tentaram tomar a cidade de Atenas, Nêmesis interferiu encorajando o exército ateniense, pois os persas demonstram demasiada confiança na vitória, considerado sinal de desmesura - Hibrys.

Nêmesis representa a força encarregada de abater toda a desmesura - Hibrys, como o excesso de felicidade de um mortal ou o orgulho dos reis em sua supremacia, etc. Essa é uma concepção fundamental do espírito helênico: tudo o que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, devia ser castigado para garantir que o universo se mantivesse como era.

A palavra Nêmesis originalmente significava "distribuição da sorte", nem boa nem má, simplesmente, na proporção devida a cada um segundo seu merecimento. Poderia também ser o ressentimento quando alguém sofria por uma atitude alheia e Nemêsis não permitia que o ofensor passasse impune. Nas tragédias gregas, Nêmesis apareceu principalmente como o vingadora do crime e castigadora da arrogância, assemelhando-se às Erínias.

Alguns a chamavam de Adrastéia que significa "aquela de quem não há escapatória". Como deusa da devida proporção e equilibrio, ela punia toda transgressão dos limites da moderação e restaurava a normal e boa ordem das coisas. E ao punir a ostentação desenfreada, ela se tornou uma divindade de castigo e vingança. Ostentando uma espada que representa a justiça, traz nas mãos uma ampulheta que adverte que a justiça pode demorar, mas é certeira. Por isso, muitas vezes é relacionada ao karma.

Nêmesis era também chamada "a inevitável". Atualmente, o termo Nêmesis é usado para descrever o pior inimigo de uma pessoa, normalmente alguém ou algo que é exatamente o oposto de si mas que é, também, de algum modo muito semelhante a si. É algo como o seu arquiinimigo, algo que o anula, mas nutre-lhe um grande respeito e admiração.
Jung, médico suíço, foi um dos discípulos prediletos de Freud até se tornar um herege da psicanálise. Jung criou a psicologia arquetípica ou os modelos, padrões recorrentes e fixos que variam na forma, mas se repetem no conteúdo subjacente, mudam na superfície, mas não nos alicerces, mantendo a mesma essência com variadas máscaras. Dois dos muitos arquétipos são a híbris e a nêmesis.

A híbris é a arrogância do poder; a nêmesis é a punição dessa arrogância. Elas estão presentes quando a natureza pune a pretensão dos que se acham poderosos o suficiente para manipular o mundo e a vida a seu bel prazer. Às vezes é possível ser híbris e nêmesis ao mesmo tempo, provocando reações mistas.

É compreensível que tenhamos orgulho das nossas conquistas resultantes dos nossos esforços, representada pela hybris. Porém, quando isso se torna motivo de soberba, com certeza veremos as nêmesis chegando até nós através dos que se afastam ou nos condenam diante da nossa reprovável arrogância e prepotência. Isso se aplica às pessoas, às nações, times de futebol e qualquer outro que tenha excesso de confiança, esquecendo que o equilibrio está na moderação. A arte imita a vida, e o filme Titanic expressou isso muito bem; um iceberg foi a nêmesis que causou o naufrágio do navio considerado inaufragável...

FONTE: EVENTOS MITOLOGIA GREGA

Kharybdis e Scilla, o tormento das escolhas e decisões


Odisseu ou Ulisses foi um dos grandes heróis da Guerra de Troia. Depois de derrotar os troianos, ele iniciou uma longa viagem de dez anos de volta para Itaca, que foi marcada por muitas aventuras e desventuras.

Odisseu e seus companheiros enfrentaram o cíclope Polifemo e só conseguiram fugir porque cravaram uma lança no único olho do gigante. Eles não sabiam que Polifemo era filho de Poseidon, por isso passaram a ser perseguidos pelo deus que criou inúmeros problemas para eles no percurso da viagem.

Depois de algum tempo navegando, eles chegaram à Ilha de Circe onde ficaram por um longo período. Quando resolveram partir, a feiticeira Circe ajudou-os a passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias, recomendando que tapassem os ouvidos com cera para não serem inebriados pelos cantos das sereias.

Depois de terem enfrentando estes e tantos outros perigos, Odisseu e seus companheiros pensavam que haviam superado todos os desafios da viagem, mas o pior estava por vir. Navegando por um estreito canal entre duas rochas, eles tiveram um encontro com dois enormes monstros marinhos: Scilla e Kharybdis.

Kharybdis habitava uma das rochas onde havia uma grande figueira. Filha de Poseidon, ela tinha sido uma bela ninfa do mar, porém certa vez tentou inundar a terra para expandir o reino subaquático de seu pai, deixando os demais deuses zangados.

Quando Héracles passou por perto levando os bois de Gerião, ela roubou alguns dos animais para devorá-los. Ao tentar recuperar o gado, Kharybdis atacou Heracles e foi fulminada por Zeus com um raio. Lançada às profundezas do mar, ela foi transformada num monstro marinho. Três vezes por dia ela sorvia as águas do mar e depois tornava a cuspi-las, formando um redemoinho no mar.

Scilla, que habitava a outra rocha no lado oposto, também era filha de Poseidon. Ela tinha sido uma bela ninfa amada pelo pescador Glauco. Certo dia ele estava pescando quando descobriu que, ao colocar na relva os peixes que pescava, os peixes retornavam à vida. Curioso, ele resolveu entrar no rio e acabou sendo transformado num ser marinho, com cabelos verdes e a metade de seu corpo transformada numa cauda de peixe. Devido à sua aparência, Scilla rejeitou o seu amor.

Glauco pediu ajuda à feiticeira Circe para retornar à sua antiga aparência, porém ela se apaixonou por ele. Sabendo que Glauco tinha sido rejeitado, Circe voltou-se contra a rival derramando uma poção venenosa na fonte em que a ninfa se banhava. Quando Scilla entrou na fonte, viu serpentes e outros monstros na água. Tentou fugir mas descobriu que os monstros eram partes de si mesma. Depois disso ela foi viver no estreito de Messina, aterrorizando os marinheiros.

Quando Odisseu e seus companheiros passavam pelo estreito com sua embarcação, foram atacados por Kharybdis que fez surgir um enorme redemoinho. Eles tentaram escapar remando com muito esforço, porém quando conseguiam se distanciar Scilla os atacava do outro lado. Com a embarcação destruída, muitos marinheiros cairam no mar e foram devorados por Scilla.

Odisseu e alguns de seus amigos conseguiram se agarrar aos pedaços da embarcação que se espalharam pelo mar. Porém Odisseu começou a ser sugado pelo turbilhão e, quando já estava bem perto da morte, conseguiu agarrar-se à figueira conseguindo se salvar. E assim Odisseu prosseguiu sua viagem para encontrar sua amada Penelope que o esperava em Itaca.
Desse episódio da mitologia grega surgiu a expressão "Estar entre Scilla e Kharybdis", significando estar entre duas alternativas igualmente perigosas ou desagradáveis. E quem já não esteve numa situação assim?

A vida é feita de escolhas. Desde as mais simples às mais complexas, toda escolha é feita com base nos elementos que possuímos em cada momento. São os fatos que determinam as nossas decisões. E quanto mais informações conseguimos obter, mais poderemos analisar e decidir com propriedade, que ajuda a ancorar as nossas decisões. Isso torna o momento de decisão menos sofrido e complicado, porque podemos pesar os prós e contras e projetá-los no futuro.

Para decidir sempre temos de considerar as alternativas disponíveis e assim escolher a melhor entre todas e dispensar as demais. Ou seja, para escolher temos de renunciar de algo, porém há situações que não se processam assim. Em algum momento de nossa vida pode surgir a necessidade de escolhermos uma opção que não seja a pior ou que cause menos danos.

No livro "Escolha de Sofia" o escritor William Styron retratou o dilema, a angústia de julgar, escolher e decidir, sendo usado como expressão quando estamos indecisos diante de duas opções ou quando qualquer caminho que tomemos são igualmente ruins e nefastos.

O livro conta a dramática história de Sofia, que testemunhou os horrores do holocausto. Ao ser interrogada por um comandante alemão, ela foi submetida à mais cruel escolha de sua vida: devia entregar um dos filhos para morrer ou ambos seriam mortos. Torturada pela decisão e tomada em desespero pela pressão sofrida, Sofia optou por salvar seu filho e entregou sua filha para morte.

Talvez nunca tenhamos de tomar uma decisão tão dramática, mas com certeza em algum momento poderemos viver momentos difíceis, tendo de conviver com a dúvida de ter decidido certo. Porém não existem escolhas certas ou erradas, adequadas ou inadequadas; o que existe são escolhas e decisões que funcionam naquele momento.

Suportar a pressão para decidir sobre coisas que podem mudar nossa vida e a vida de outras pessoas, não é fácil. O que nos atormenta é que qualquer decisão implica em conviver com suas consequências. E não adianta fecharmos os olhos e recusar a enxergar o que temos pela frente. Quanto mais adiamos decisões, mais nos tornamos prisioneiros de nosso dilema e nunca descobriremos o que há mais adiante.

Disso podemos apreender que, podemos nos sentir apertados, constrangidos e encurralados pelas escolhas da vida, porém é melhor lutar pelo que seja verdadeiro e que pode trazer algum resultado, do que viver eternamente entre situações que nos aterrorizam e paralisam. Só optando por uma delas saberemos de seu real potencial de desdobramento.

Quanto à escolha de Sofia, no momento de sua decisão ela analisou rapidamente que o filho teria mais condições de sobreviver à rude permanência no campo de concentração. Algum tempo depois ela foi designada para trabalhar na casa de um chefe da Gestapo. Era ele que decidia quem devia viver e quem devia morrer. A proximidade com o comandante lhe permitiu expor sua condição e suplicar a liberdade para si e seu filho...

FONTE: EVENTOS MITOLOGIA GREGA

UM ÓTIMO DOMINGO - COMPARTILHANDO


Não importa a sua religião, se ela te torna uma pessoa melhor !

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FONTE: DESCONHEÇO


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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

HOJE É NOITE DE SEXTA FEIRA 13


Independente da crença e da época, toda sexta-feira 13 desperta uma atenção diferente, por isto muitas pessoas sentem arrepios ao olhar no calendário e se deparar com uma sexta-feira e esta é primeira Sexta-feira 13 de 2013, quem poderia ficar indiferente diante de uma data tão atípica. 
A nossa sociedade atual está recheada de superstições, como o medo de cruzar com um gato preto, de passar por baixo de escadas e de quebrar um espelho. A crença de que o dia 13, quando cai em uma sexta-feira, é dia de azar é uma crença popular, mas a superstição não é nova e tampouco praticada por minoria.


Para as bruxas o “dia do azar” é considerado uma data mágica para a realização de desejos quando a sexta-feira 13 se aproxima paira um clima de mistério no ar. Até os menos superticiosos acabam tomando um certo cuidado, afinal de contas, segundo o ditado popular é o dia em que as bruxas estão soltas.

Alguns historiadores culpam a desconfiança dos cristãos com as sextas-feiras em oposição geral às religiões pagãs. A sexta-feira recebeu seu nome em inglês em homenagem a Frigg, a deusa nórdica do amor e do sexo. Essa forte figura feminina, de acordo com os historiadores, representava uma ameaça ao cristianismo, que era dominado por homens. Para combater sua influência, a igreja cristã a caracterizou como uma bruxa, difamando o dia que a homenageava. Essa caracterização também pode ter tido um papel no medo do número 13. Foi dito que Frigg se uniria a uma convenção de bruxas, normalmente um grupo de 12, totalizando 13. Uma tradição cristã semelhante considera o 13 amaldiçoado por significar a reunião de 12 bruxas e o diabo.



A sexta-feira e o 13, juntos ou separados, na verdade, nada podem. Eles mesmos não têm poder algum. São inofensivos. O poder está em quem acredita que eles têm poder. O poder, para o bem ou para o mal, está em que acredita que eles podem criar, gerar ou fazer o bem ou o mal.

As bruxas utilizam um calendário que contém 13 luas, o mesmo usado pelos índios, e que sexta-feira é o dia da semana regido por vênus, deusa do amor, e que, por ela ser muito poderosa, foi associada a algo maligno pelos europeus. Com isso, deusa e número passaram a fazer parte da mística da bruxaria e a sexta-feira 13 virou um dia de azar. A superstição sobre o dia 13 surgiu por volta de 1500, na Europa, por ser o número mais usado nos rituais de bruxaria. As bruxas utilizam um calendário que contém 13 luas, o mesmo usado pelos índios, e que sexta-feira é o dia da semana regido por vênus, deusa do amor, e que, por ela ser muito poderosa, foi associada a algo maligno pelos europeus. Com isso, deusa e número passaram a fazer parte da mística da bruxaria e a sexta-feira 13 virou um dia de azar.



Quem tem triscaidecafobia tem medo maior que o comum do número 13. Já quem só teme a Sexta-Feira 13 tem parascavedecatriafobia. 

O 13 é um número importante para as bruxas. A natureza tem como base primordial a quantidade de 13 lunações para o ciclo completo da lua. Por isso o 13 foi associado ao fechamento perfeito de um ciclo.

Longe dos mitos de azar, esse é o momento de transformação e renascimento, “Muitos mitos, sobre heróis aparecem na quantidade de 12 (12 profetas, os 12 signos do zodíaco, 12 horas). O 12 encerra um sistema completo e passa a ideia de segurança. O 13, então, significa a ruptura de tudo isso, mas, após a mudança, é possível continuar a evolução. Dessa forma, o 13 passa a ideia do desconhecido e, por isso, ele traz o ‘medo’”

O que então faz a diferença? O que faz com que o número 13 e a sexta-feira sejam positivos para alguns e negativos para outros, e ainda neutros para outros?

Mais uma vez é tudo uma questão de sintonia. Somos o que pensamos, transformamo-nos naquilo em que acreditamos, vivemos naquilo em que criamos para nós mesmos.
O medo do número 13 é uma crença tão presente na mente das pessoas que a Psicologia tem um nome de fobia específico para isso.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

CELTAS: Uma História!


Há cerca de três mil anos, emergiu na Europa central uma civilização indo-europeia que chegou a dominar o norte do continente. Possuidora de uma cultura avançada, a estrutura de sua sociedade belicosa, aliada a sua capacidade de produzir bem feitas armas de metal, fez dela uma força a ser considerada. Os mercadores gregos que primeiro os encontraram no séc. VI a. C. chamaram-nos keltoi ou galatai. Hoje os conhecemos como celtas ou gálatas.

Os celtas têm sido descritos de diversas formas: como "conquistadores da Europa" ou, de forma menos lisonjeira, como "os bárbaros da Europa". Certamente, foram eles os primeiros europeus setentrionais organizados o bastante para ser marcados como uma civilização. No ápice de seu poder durante o séc. II a. C., o mundo céltico estendia-se da Turquia à Irlanda e da Espanha à Alemanha. Outras povoações célticas têm sido localizadas até na Ucrânia.

Povos célticos habitaram as margens de grandes rios da Europa; o Danúbio, o Reno, o Rone, o Pó, o Tâmisa, o Sena e o Loire. Em consequência, esses povos estabeleceram ligações comerciais com seus vizinhos no Mediterrâneo e mercadorias do Oriente Médio têm sido descobertas em áreas de sepultamento célticas na França e Alemanha modernas. Todo o continente europeu ao norte dos Alpes estava unido em uma frouxa confederação de tribos que compartilhavam de uma cultura céltica comum.

Muito do que sabemos sobre os celtas vem de relatos de romanos e gregos, bem como de pistas arqueológicas que os celtas deixaram para trás. Para as civilizações do Mediterrâneo Clássico, os celtas eram um povo a ser temido e exércitos célticos irromperam na Itália, na Grécia e na Espanha antes de os romanos poderem contê-los. Guerreiros célticos foram recrutados para servir nos exércitos dos inimigos de Roma e tornaram-se os inimigos mais implacáveis de Roma.

Os celtas eram uma aristocracia guerreira e a destreza militar era considerada uma das virtudes mais fortes de um governante céltico. Eram também impetuosos e sua avidez por encontrar o inimigo em combate mostrou-se uma fraqueza que os romanos exploraram ao máximo. A civilização céltica na Europa continental foi praticamente...

... extinta em uma só década quando Iulius Caesar invadiu a Gallia em meados do séc. I a. C. O único grupo restante de povos célticos estava na Britannia e um século mais tarde os romanos iniciaram a conquista desse último bastião céltico. Os romanos foram seguidos pelos conquistadores germânicos e, por volta do séc. X, os celtas estavam reduzidos a uma sombra de sua antiga glória. A partir dessa época, o mundo céltico abrangia somente um pequeno número de nações pequenas e pobres, agarrada às margens atlânticas do continente europeu.

Os celtas eram considerados um dos maiores povos artísticos do mundo antigo e do primeiro período medieval. Deixaram um legado artístico em artefatos metálicos, muitos dos quais vistos como alguns dos mais belos jamais produzidos. Eles possuíam uma inclinação e vibração artísticas que sobreviveram aos séculos. Quando os celtas se converteram ao cristianismo, essa capacidade artística foi canalizada para a produção de requintados objetos devocionais, incluindo manuscritos iluminados que ainda surpreendem o público com suas cores e beleza complexa.

Acima de tudo, os celtas são lembrados por sua enigmática assinatura artística: complexos padrões entrelaçados e decoração espiralante que embelezaram os esforços artísticos dos celtas por mais de mil anos.

Através desse legado artístico e também por meio dos mitos e lendas escritos por escribas célticos tardios podemos compreender um pouco do mundo desse povo céltico; como viviam, a quem adoravam, como pensavam, como lutavam e como celebravam a vida. Sua civilização alcançou a maior parte da Europa em algum ponto de sua história e permanece como uma das mais enigmáticas e mal compreendidas entre todas as grandes culturas do mundo. Esteja pronto para cair sob o encanto dos celtas ao viajar por seu rico e colorido mundo.

Fonte: Konstam, Angus. Historical Atlas of the Celtic World. Mercury Books, London, 2003. ISBN 1-904668-01-1.
Tradução: Bellovesos

FONTE DE IMAGEM: taniagori

Metrópole Celta de 2.000 anos é descoberta na Espanha



O pacato vilarejo de Aranda de Moncayo, situado a duas horas ao norte de Madri, ganhou a atenção internacional após a prisão de um homem que falava com poucas pessoas, mas era visto perambulando com um detector de metais à noite. Investigadores que revistaram suas propriedades encontraram mais de 4.000 artefatos antigos furtados que teriam sido, quase todos, escavados do morro ao lado da casa dele. A polícia diz que a prisão do acusado é apenas o primeiro passo em uma investigação que começou quando dois capacetes de bronze foram colocados à venda numa casa de leilões alemã.

Parece que 2.000 anos atrás havia uma metrópole celta, Aratikos, no alto do morro. A cidade teria sido destruída por invasores romanos. O caso levou a prefeita de Aranda de Moncayo, Rosario Cabrera, a visualizar um novo futuro para os 200 moradores do vilarejo apático. Primeiro ela quer que seja feita uma escavação arqueológica correta. O passo seguinte poderia ser a construção de um pequeno museu local. "Isso poderia atrair muitos turistas para cá", disse a prefeita, que está rapidamente se tornando especialista nos celtas ibéricos que se radicaram nesta região e viraram alvos da agressão romana porque a região era rica em cobre, prata e ferro. Historiadores creem que a cidade antiga foi queimada até o chão.

Tendo encontrado moedas e pedaços de cerâmica antigos ao longo dos anos, a maioria dos habitantes de Aranda de Moncayo sabia que a região tinha uma história interessante, mas o local exato da cidade antiga era duvidoso. Especialistas dizem que pelo menos 18 capacetes antigos foram roubados ilegalmente de Aranda de Moncayo --muito mais que os que já foram encontrados antes de forma legalizada. As autoridades disseram ter detido Ricardo Granada, 60, em março, por envolvimento no caso, e que ele pode ter colhido antiguidades na área por 20 anos.

Cabrera contou que Granada certa vez comprou um terreno no sopé do morro. Mas ele não parecia saber muito sobre métodos arqueológicos. Usou uma escavadeira para retirar a terra e levá-la embora num caminhão. Especialistas do Museu Central Romano-Germânico, em Mainz, viram os capacetes em um leilão em 2008 e chamaram a polícia para pedir que eles fossem embargados para que a Espanha pudesse solicitar seu retorno, contou Michael Müller-Karpe, pesquisador do museu. As autoridades não fizeram nada, e os capacetes foram devolvidos à casa de leilões.

A ideia da prefeita de construir um museu agrada a alguns moradores da vila. "Muitas pessoas daqui são idosas e só querem paz e tranquilidade", comentou Pilar Gonzalez, proprietária de um pequeno restaurante e hotel na praça da cidade. "Mas um museu, ou qualquer coisa que chamasse pessoas para cá, nos beneficiaria."


Fonte: Folha de São Paulo

Calendário mais antigo já descoberto é encontrado na Escócia


Ilustração mostra como a disposição das rochas encontradas em Aberdeen era usada para calcular as fases da lua
Foto: Divulgação / Universidade de Birmingham

LONDRES - Arqueólogos britânicos descobriram o que acreditam ser o "calendário" mais antigo de que se tem notícia no mundo, com pelo menos dez mil anos de existência, na região de Aberdeen, na Escócia. O monumento do período mesolítico capaz de medir as fases das lua e os meses do ano, encontrado em escavações realizadas em 2004, está sendo trazido a público, pela primeira vez, em artigo publicado hoje na revista “Internet Archaeology” pela equipe de especialistas liderada pela Universidade de Birmingham.

As investigações abrem caminho para novos estudos sobre o desenvolvimento da Humanidade e a concepção de tempo na História a partir deste dispositivo luni-solar construído por sociedades de caçadores-coletores, até então consideradas mais atrasadas do que a dos agricultores, por exemplo.

"Não pode haver história sem tempo. Não se pode começar a escrever a história sem tempo. E esse é um passo importante para a construção do tempo e, consequentemente, da própria história. Não há nada igual na Europa, nem no resto do mundo", disse o pesquisador-chefe, o professor de arqueologia de paisagem da Universidade de Birmingham, Vince Gaffney.

Segundo o professor, as evidências sugerem que essas sociedades tinham a necessidade e a sofisticação de medir o tempo através dos anos, de corrigir as diferenças sazonais do ano lunar. E isso aconteceu cinco mil anos antes dos primeiros calendários formais conhecidos pelo homem, encontrados na antiga Mesopotâmia. Não chega a ser uma surpresa que as pessoas se baseassem na lua para fazer seus calendários. Isso porque ela é o único corpo celeste que se presta a essa papel. Muitas sociedades antigas chegaram a monitorar as várias fases da lua, mas não tinham necessariamente calendários. No período paleolítico, de acordo com Gaffney, há evidências de desenhos do ciclo da lua. Mas tampouco consistiam em um calendário.

Gaffney conta que os pesquisadores encontraram um conjunto de 12 pedras bastante peculiares de tamanhos diferentes, que parecem as fases da lua, no campo de Warren. Por sinal, o sítio foi encontrado a partir de marcas em plantações, identificadas por imagens aéreas pela Comissão Real dos Monumentos Antigos e Históricos da Escócia (RCAHMS, na sigla em inglês). De acordo com Dave Cowley, gerente dos projetos de pesquisa aérea do RCAHMS, o grupo fotografou a paisagem escocesa por quase 40 anos.

"Registramos milhares de sítios arqueológicos que nunca teriam sido detectados a partir do solo", afirmou Cowley. As pedras não estavam dispostas de maneira arbitrária, mas arrumadas por tamanhos, desde as menores às maiores, voltando às menores novamente. E estavam orientadas em direção ao lugar onde o sol nascia, de uma passagem entre duas montanhas.

"Você tem um grupo de pessoas que, pela primeira vez, com base na observação astronômica, começa a entender o tempo, a pensar o que vai acontecer no futuro e não mais no passado. Não é que não pensassem que tinham um futuro antes. O que não tinham era a ideia de uma unidade tempo a partir da qual poderiam pensar ou registrar o que acontecia", explica Gaffney.

Outra grande revelação associada à descoberta, segundo o cientista de Birmingham, está no fato de se verificar que os caçadores e coletores, diferentemente do que se imaginava, tinham a capacidade de planejar as suas atividades. Como dependiam de recursos naturais para sobreviver, eles provavelmente passaram a saber os períodos em que se abriam as rotas no rio, ou quando os peixes seriam mais abundantes. Não se descarta a possibilidade de essa sociedade, justamente pela capacidade de planejamento, ter se tornado mais longeva do que as que a precederam.

Além disso, por razões sociais, há períodos em que é necessário estocar uma grande quantidade de comida para permitir reuniões sociais, reprodução ou outras atividades. Para Christopher Gaffney, da Universidade de Bradford, saber que os recursos naturais estavam disponíveis durante diferentes períodos do ano era crucial para a sobrevivência. "Essas comunidades precisavam caçar animais que migravam e as consequências de perder o período certo eram a fome. Por isso, essas perspectivas, nossa interpretação do sítio como um calendário faz todo o sentido", disse o especialista de Bradford.

O professor de Birmingham reconhece que as sociedades que inventaram este dispositivo complexo na Escócia podiam não ter o entendimento que os cientistas têm hoje. "Eles podiam achar que, por entender o nascer do sol e o solstício, seremos bem tratados pelos deuses, os peixes virão até nós e poderemos reunir nossos amigos e sobreviver", disse.

Para Vince Gaffney, o resultado dessas pesquisas é apenas o começo para muitas outras. O próximo passo é identificar sítios similares no país. Segundo ele, a célebre formação de Stonehenge, por exemplo, a uma hora e meia de Londres, tem semelhanças com as pedras encontradas em Aberdeen. Mas ainda não há evidencias da sua utilização. Ele afirma que os calendários recém-descobertos podem não ter apenas a divisão do tempo em meses, mas em dias. No entanto, destacou que é necessário encontrar provas disso.
Fonte: O Globo

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