sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Deusa no Reino da Morte


Nos tempos antigos, nosso Senhor, o Cornudo, era (e ainda é) o Consolador, o Confortador. Mas os homens o conheciam como o terrível Senhor das Sombras, solitário, inflexível e justo. Mas nossa Senhora, a Deusa resolveria todos os mistérios, até mesmo o mistério da morte; e assim ela viajou ao Mundo Subterrâneo. O Guardião dos Portais a desafiou...

“... Tira tuas vestes, põe de lado tuas joias, pois nada tu podes trazer contigo o interior desta nossa terra."

Assim ela se despojou de suas vestes e de suas joias, e foi amarrada, como todos Odd vivos que buscam ingressar nos domínios da Morte, a Poderosa, têm que ser.

Tal era a beleza dela, que a própria Morte se ajoelhou e depositou sua espada e coroa aos seus pés...

... E beijou seus pés, dizendo: "Abençoados sejam teus pés, que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa que eu ponha minhas mãos frias sobre o teu coração.

" E ela respondeu: "Eu não te amo. Por que fazes todas as coisas que amo e nas quais me comprazo fenecerem e morrerem?”.

"Senhora" – respondeu a Morte – "trata-se da idade e da fatalidade, contra as quais sou impotente. A idade, o envelhecimento, leva todas as coisas a definharem; mas, quando os homens morrem ao desfecho de seu tempo, concedo-lhes repouso, paz e força para que possam retornar. Mas tu, tua és linda. Não retornes, permanece comigo." Mas ela respondeu: “Eu não te amo”.



“E então disse a Morte: “Se não recebem minhas mãos sobre seu coração, tens que te curvar ao açoite da Morte.” “É a fatalidade, melhor assim...” – ela disse e se ajoelhou”. E a Morte a açoitou brandamente.

E ela bradou: "Eu conheço as aflições do amor.”.

E a Morte se ergueu e disse: "Sejas abençoada." E lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: “Assim apenas pode atingir a alegria e o conhecimento”.

“Então a Morte desamarra os seus pulsos, depositando o cordel no chão”.

E ele a ela ensina todos os seus mistérios e lhe dá o colar que é o círculo do renascimento.

A Deusa, então, toma a coroa e a recoloca na cabeça do Senhor do Mundo Subterrâneo.

E ela ensina a ele o mistério da taça sagrada, que é o caldeirão do renascimento.

A Deusa toma o cálice em ambas às mãos, eles se entreolham, e ele coloca ambas as mãos nas dela.

Eles amaram e se tornaram um, pois há três grandes mistérios na vida do homem, e a magia os controlam todos. Para realizar o amor, tendes que retornar novamente no mesmo tempo e no mesmo lugar daqueles que são os amados; e tendes que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amarrá-los de novo.


O Senhor do Mundo Subterrâneo solta às mãos da Deusa e esta recoloca o cálice no seu lugar. Ele toma o açoite em sua mão esquerda e a espada na sua mão direita e ficam na posição do Deus, antebraços cruzados sobre o peito, espada e açoite apontados para cima. Ela fica na posição da Deusa, pernas escarranchadas e braços estendidos formando o pentagrama.

Mas para renascer tendes que morrer e ser preparado para um novo corpo. E para morrer tendes que nascer, e sem amor não pode nascer. E nossa Deusa sempre se inclina para o amor, e o júbilo, e a ventura; e ela protege e acaricia suas crianças ocultas na vida, e na morte ministra o caminho da comunhão com ela; e mesmo neste mundo ela lhes ensina o mistério do Círculo Mágico, que é disposto entre os mundos dos homens e dos Deuses.

Mito tradicional da Arte.

(Fonte:”Oito Sabás para Bruxas” de Janet e Stewart Farrar, Ed.Anúbis)

A DEUSA HÉCTA



Hécate é uma Deusa greco-romana simultaneamente mais temida e admirada.
Hécate é uma deusa lunar, um pouco a imagem da temida Lilith. Como todas as deusas lunares, Hécate encontra-se profundamente ligada ao mundo da magia, do oculto, da bruxaria, dos mais profundos segredos. Hécate é a deusa das bruxas, e simultaneamente a deusa que vem a este mundo recolher as almas para conduzi-las ao abismo do mundo dos mortos. Trata-se por isso, de uma deusa a que cabe um papel privilegiado na "ponte" entre o mundo dos vivos e dos mortos, entre o nosso mundo físico e o mundo dos espíritos.
Hécate pode incorporar numa lindíssima mulher de longos cabelos negros, e pode ser uma amante incomparável. Contudo a sua fúria e o seu poder são temíveis, e perante Hécate todo o respeito é pouco para garantir a sua ajuda. Dizem às lendas que Hécate também podia assumir a forma de um majestoso lobo negro, ou de um belo cão negro.


As estatuetas existentes nas encruzilhadas onde Hécate era venerada e as bruxarias eram executadas, chamavam-se Hecateias, e constavam na figura de uma lindíssima mulher com três faces, ou três belos corpos femininos unidos num só.
Muitos dos Santuários devotados a Ela eram pequenos e não tinham grandes ou preciosos materiais. Existem estátuas que a representam, mas são quase todas cópias romanas e é difícil saber o quão fiéis elas sejam das originais.Considerada uma Deusa Tríplice, classicamente fazia uma trindade com Perséfone e Deméter. Ao contrário da visão moderna pagã, Hécate era considerada a donzela, enquanto Perséfone era a mãe e Deméter a anciã.
Era a padroeira das Bruxas e em alguns lugares da Tessália, cultuada por grupos exclusivos de mulheres sob a luz da Lua. A Deusa possui inúmeros títulos. Como Propylaia, que significa: "Aquela que fica na frente do portão", Hécate oferecia proteção contra o mal,especificamente contra espíritos malígnos e maldições. Neste aspecto, seu culto era realizado nos portões de entrada, onde estátuas eram colocadas em sua homenagem.


Hécate permite a operação de tarefas místicas essencialmente através de processo de meditação. Através desse processo, no silêncio de uma meditação e através dos nossos sentidos, pensamentos e forças espirituais, é que Hécate reside e abre portas ao mundo mágico.

Historicamente, Hécate é uma Deusa que se originou nos mitos dos antigos karianos, no sudoeste da Asia menor, e foi assimilada na religião grega a partir do século 6 a.C.Hekat, uma antiga palavra egípcia que significa "Todo o poder",e que pode ser a origem do nome Hécate. Entre os romanos era chamada de Trívia, em virtude de sua conexão com as encruzilhadas tríplices. Outra possibilidade para o significado de seu nome esta nas relações das frases: "Ela que trabalha seu desejo" e o mais comum seria "Aquela que é distante'' ou "A mais brilhante"!
Na mitologia, Hécate era filha dos Titãs Perses e Asterias e acreditava-se que vagava nas noites sem luas com uma matilha de cães fantasmágoricos e uivantes. Embora os cães fossem os animais mais sagrados pra ela, Hécate estava associada às lebres na Antiga Grécia, como a sua equivalente germânica, a deusa lunar Harek. Para os antigos chineses, a lebre era tida como um animal de augúrio e dizia-se que vivia na lua.


Na arte, Hécate é muitas vezes representada como uma mulher com três cabeças, com serpentes sibilantes entrelaçadas em seu pescoço. Por essa razão, ela é chamada de triforme-símbolo que pode estar ligado aos três níveis Nascimento, Vida e Morte (representando o Passado, o Presente e o Futuro e à trindade da deusa tripla: Virgem, Mãe e Anciã). 
Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários.
Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Estas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).


No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.


A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação. Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo. 
O dia 13 de Agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas.

Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de Agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate.

As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporal idade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.

FONTE: MITOLOGIA GREGA;  HISTÓRIA DE HÉCTA

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

POEMA - ALKIMIA


Atenção, meu amor, que vou contar-te uma segredo
Tão antigo quanto a Terra em que pisamos e que floresce
E floresce em segredo, escondida na mesma Terra
Em que pisamos. Presta atenção, meu amor, ao segredo
Da chuva que se forma nos céus, e cai sobre a Terra
E a fertiliza. A Terra é o útero da vida, meu amor
Onde o Deus Sol esconde a semente de vida das plantas.
Estás escutando, meu amor? É segredo.

Há quem contamine a Terra para que não floresça
E que contamine os céus para que não envie a chuva.
Por isto é segredo, meu amor, a ser sussurrado
A ser guardado, a ser passado de ouvido a ouvido
De coração a coração, para que não pereça
Não esmoreça sobre a Terra Mãe que protegemos
Sobre a qual gememos em temor que se revele
O segredo tão antigo quanto ela, onde pisamos.

É segredo, meu amor. Segredo como a planta nasce
Da semente escondida sob a Terra. Segredo do homem
Que se forma de maneira incompreensível, indiscernível
Dentro do ventre materno, escondido, secreto.

Segredo é a formação do fogo. A constituição da água.
A fórmula que faz com que o ouro seja mais brilhante
Do que o carvão da Terra, de onde ambos saem
Assim como as plantas, o ferro, os rubis, a prata.
Tudo isto é segredo, meu amor. Não contes.
Mas o mundo gira, meu amor. O mundo roda em espiral
E de repente o homem crescendo no ventre materno
E a semente crescendo no ventre da Terra Mãe
Deixaram de ser segredo. A fórmula de todas as coisas
É res dominium omni, e o segredo, meu amor,
Se foi com o vento que sopra agora sobre os edifícios
Sobre homens e plantas produzidos em laboratórios
Sobre ovelhas clonadas, perfeitos golems científicos.

O segredo, meu amor, da Terra Mãe e do Deus Sol
Das lágrimas da chuva alimentando vida e morte
Não mais existe para que o guardemos, e o sussurremos
E dancemos em círculos em seu louvor.
Mas não importa. Fecha os olhos e vem, meu amor,
Que vou contar-te o verdadeiro segredo.

É mais antigo do que os edifícios que nos cercam
E do que os homens e as plantas produzidos em laboratórios
E do que as ovelhas clonadas como golems científicos.
Vou contar-te o segredo de como o amor nasce
E nasce escondido na Terra fértil do coração dos homens
Incompreensível, incomensurável, secreto.
Estás escutando, meu amor? É segredo.

Há quem contamine os corações, para que não floresçam
E que contamine os corpos, para que não estendam a mão.
Por isto é segredo, meu amor, a ser sussurrado
A ser guardado, a ser passado de ouvido a ouvido
De coração a coração, para que não pereça
Não esmoreça sobre a Terra Mãe que protegemos
Sobre a qual gememos em temor que se revele
O segredo tão antigo quanto ela, onde pisamos.
Que gera a vida
Além de toda possibilidade de conhecimento
Além de toda razão especulada pelo homem
Além do poder de toda razão especulada pelo homem
Além do poder de toda sua mágica.

Esse é o segredo, meu amor.

A energia por detrás de tudo

A força dentro do teu peito

O gesto na palma de tua mão.

Venha, meu amor.

Vou ensinar-te

O segredo.


Autora : Dalva Agne Lynch

UMA BOA SEMANA











domingo, 11 de agosto de 2013

FELIZ DIA DO PAPAI


Não sabemos ao certo a verdadeira origem da história do Dia dos Pais, a versão que é a mais conhecida desta comemoração é a que conta sobre um ex-combatente militar de uma guerra civil, o senhor estadunidense William Jackson Smart, onde ele perde a sua esposa e fica sozinho, cuidando de seis filhos que ainda eram bem pequeninos.

Uma destas crianças, a menina Sonora Smart visto a data do Dia das Mães resolve homenagear este pai tão especial, que a filha admirava por ter dedicado a vida a criar a ela e seus irmãos. A história teria acontecido em 1909, quando Sonona escolhe a data em razão do nascimento de seu pai Willian, em 19 de junho.

Com o tempo e a repetição da celebração por outras famílias a data começou a se difundir e conquistar outras cidades do Estado de Washington, região onde moravam os Smart. Desta forma a homenagem acabou se espalhando por todo este país do norte, até chegar ao reconhecimento por parte do presidente do país na época, Richard Nixon t=que tornou assim a data oficial nos Estados Unidos da América, 19 de junho como o Dia dos Pais.

Há ainda, registros de homenagens a pais encontrados na antiga Babilônia, quatro mil anos atrás de nossa era. Os registros apontam um rapaz que esculpiu uma espécie de cartão em homenagem ao seu pai, com desejos de saúde, sorte e que vivesse muito.

Nos Estados Unidos da América a data é comemorada sempre no terceiro domingo do mês de junho, também é assim em outros países como, Canadá, França, África do Sul, México, Venezuela, Turquia e ainda outros.

No continente australiano e na Nova Zelândia o Dia dos Pais é celebrado no primeiro domingo do mês de setembro, na Rússia celebrasse sempre em 23 de fevereiro, Tailândia em 5 de dezembro, Itália em 19 de março que é o mesmo dia de São José.

No Brasil a data começou a ser celebrada no ano de 1953, onde a imprensa se reuniu e promoveu um concurso com intuito de homenagear três tipos diferentes de pais, aquele que tivesse mais filhos, o mais jovem e o mais velho. Ganhou um pai de 30 filhos, um de 16 anos e outro com 98 anos, respectivamente.

FONTE: GOOGLE

sábado, 10 de agosto de 2013

A FÉ


No meu primeiro dia de aula na faculdade, o meu professor entrou e perguntou O que é FÉ?.

Todos escreveram muitas e muitas páginas, mas nada foi o suficiente.

Fé é uma palavra com origem no Latim "fides" que significa "confiança", "crença", "credibilidade". A fé é um sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa.

É essa energia que alimenta todas as crenças e religiões do planeta, desde os primórdios da humanidade. Milhares de pessoas frequentam os templos mais diversos, ou se voltam para seu santuário interior, no exercício dessa força, buscando consolo ou respostas para suas indagações e problemas cotidianos. O que mantém essa prática viva ao longo de milênios é que a humanidade tem encontrado muitas vezes o que busca nessas jornadas espirituais, e pode assim testemunhar o poder da fé. E o que importa aqui não é como se conseguiu obter resultados com esta energia, pois o adepto de cada religião encontrará explicações diferentes para a mesma experiência. O que realmente conta é os frutos que nascem da fé, concretos demais para que se negligencie esta força. O curioso é que mesmo o ateu, quando impulsionado pela crença em uma determinada ideologia, obtém os mesmos efeitos.

Nós da Velha Religião não aceitamos a Fé imposta, pois somos herdeiros e guardiões das tradições religiosas. Acreditamos na imortalidade da alma, na perfectibilidade indefinida da alma humana, numa série de existências sucessivas. Nossa Fé foi um poderoso fator de unidade do mundo e, por isso, combatida pelos romanos durante as conquistas.



A Fé Pagã é como um Carvalho (símbolo do elemento masculino na Natureza) e uma Tília (símbolo do elemento feminino) entrelaçados são uma união familiar. As mulheres e os homens têm diferentes funções a cumprir. Deste modo procura-se a plena harmonia, mas, contudo os pagãos ainda mantêm um traço tradicionalista no seu modo de vida.

O Paganismo diferente de outras culturas não tem o objetivo de dar respostas simplistas ao que acontecerá depois da morte igual fazem as religiões monoteístas.

Fixam suas atenções em tentar entender o mundo a sua volta. Acreditam no lema que “Se queres alcançar algo, tens de te reportar à tua força e vontade, não terás gratuitamente nada que seja valioso”.

Vejo com um intenso pesar as manifestações que visam apenas denegrir a crença dos outros, pois isto é uma falta de respeito muito grande.


Alguns dias atrás, uma pessoa que se diz religiosa comentou que os Católicos, Espíritas e outras religiões que não fosse à dele estão condenados ao fogo do inferno. O que dizer nesta situação? NADA! Isto mesmo. Não há nada para dizer a quem não quer fazer o mínimo que é respeitar a crença dos outros. 

Às vezes ficamos tão preocupados em matar a cobra venenosa que nos picou que nos esquecemos de tratar do veneno que está correndo em nossas veias. Cuide de você, trate o veneno, libere perdão e cure sua alma.

A observação das leis da vida é muito importante, mas é na prática delas que conheceremos seus resultados e já que todos nós entendemos o valor da fé, façamos nosso dever de casa vivendo com entusiasmo e com a certeza de que a paz, o amor e a alegria serão nossa meta final.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A LENDA DA FADA DO DENTE


Numa época muito anterior à nossa, em que ainda se media o tempo por Eras, e os seres humanos dividiam o mundo com toda sorte de criaturas místicas…

Uma lágrima solitária, com sabor de ciúmes, banhou a decrépita face milenar da minúscula elemental ao observar o ser amado tocar em outros lábios que não os dela.

De repente, um arrepio percorreu-lhe a alma, enquanto dava vazão a um sinistro pensamento. E então, obcecada por aquele amor impossível, que a consumia dia e noite, pôs-se a executar o maquiavélico plano. Sim, ela estava ciente das consequências. Mas com a decisão já tomada, não podia mais voltar atrás.

Esperou até que eles finalmente se separassem e, com os últimos raios de sol ainda no horizonte, resolveu ir ao encontro da rival. Com um encanto, criou uma forte neblina que escureceu a campina por onde a moça seguia, impedindo que qualquer outra pessoa visse o que estava prestes a acontecer.

Aproveitando um momento de distração da rival, materializou-se em sua forma humana, agarrando-a pelos ombros, as unhas compridas cravando-se na pele dela, de modo a toldar-lhe qualquer chance de reação.

O primeiro reflexo da garota foi tentar gritar por socorro. Mal abriu a boca, porém, a sua energia vital lhe foi sugada pela criatura ancestral. Em poucos segundos, o corpo jovem e altivo da moça foi murchando e enrugando, os sedosos cabelos negros ficando sem cor, até que a força lhe faltou e a carcaça, esquelética, deformada e desprovida da chama da vida, desabou inerte na relva úmida.

A assassina, em contrapartida, sofreu um processo inverso. Ao sugar para si a energia vital da humana, rejuvenesceu, voltando a ter a formosa aparência que possuía quando jovem.

Afastou-se do cadáver retorcido, flutuando centímetros acima do chão, enquanto diminuía gradativamente de tamanho, retornando à sua forma original de fada. Embora não sentisse remorso algum pelo crime cometido, a elemental jurou que aquela seria a primeira e a última vez que abreviaria, de forma intencional, a existência de outro ser.

*
Muitas primaveras antes…

A elemental estava cumprindo suas obrigações para com a Mãe Natureza, quando ao passar por uma clareira da floresta, ouviu algo que atraiu a sua atenção: o choro de uma criança.

Não resistindo à tentação, voou para o alto de uma árvore, de onde podia espionar sem ser vista.

Na clareira, um menino esbelto e gracioso, com aproximadamente sete primaveras estava no limiar de submeter-se a mais um importante rito de passagem da infância. Seu primeiro dente de leite encontrava-se prestes a cair e a mãe tentava convencê-lo a deixar que o arrancasse. Ele recusava-se, chorando copiosamente. Para aliviá-lo do medo que sentia por uma suposta dor que nem sabia se sentiria ou não, a mulher inventou-lhe uma fábula, onde prometia que se ele colocasse o dentinho recém extraído debaixo do tapete de folhas onde dormia, durante a noite, uma fada viria buscá-lo e, em seu lugar, deixaria uma saborosa fruta. Inocente como toda criança de sua idade, ele acreditou. E permitiu que a mãe procedesse à extração, suportando a dor corajosamente.

Comovida com a linda história que acabara de ouvir, a fada decidiu tomar, para si, a incumbência de torná-la real. Procurou até encontrar a mais suculenta fruta da estação. E durante a noite depositou-a ao lado do menino, tomando o cuidado de levar consigo o dente, que posteriormente transformou num lindo amuleto.

Na manhã seguinte, não resistiu e retornou à clareira. Ansiava por ver a reação da criança ao acordar e encontrar a recompensa por sua coragem. Conforme o previsto, ao acordar, o garoto logo divisou o presente. Com os olhinhos brilhando de satisfação e saltitante de felicidade, mostrou a frutinha para todas as outras crianças da tribo antes de devorá-la.

A fadinha nunca soube como começou exatamente, mas aos poucos ela acabou se apaixonando pelo jeito alegre e doce do garoto, passando a visitá-lo, em segredo, todas as noites. Passava horas velando o seu sono, afastando todo e qualquer perigo. E o que, no início, era apenas uma inexplicável paixão, transformou-se em amor, no sentido mais sublime da expressão. Ela tornou-se a sua protetora, o seu anjo da guarda invisível, passando a vigiá-lo de perto.

*
O tempo passou e o menino transformou-se em um garboso rapaz, virtuoso e de semblante iluminado. Aos dezessete anos já era um homem feito.

O sentimento que a fadinha tinha por ele tornou-se cada vez mais acentuado, até que numa noite, não mais suportando aquele amor platônico, ela tomou uma importante decisão. E, sem racionar direito, solicitou uma audiência com os anciãos do Reino das Fadas.

Na primeira noite de lua cheia depois, uma tumultuada assembléia teve início na copa do mais antigo carvalho da Terra. Não somente fadas, mas seres místicos de toda sorte se agrupavam em torno do Conselho dos Anciãos, ansiosos para ouvir o que tinha a dizer aquela que os convocara.

Após as considerações iniciais, o mais velho dos anciãos cedeu-lhe a palavra. Ela não se fez de rogada. Apresentou-se e, logo em seguida, começou a relatar a história de como conhecera aquele por quem se apaixonara perdidamente. A mera revelação de que o eleito de seu coração era um ser humano causou o maior rebuliço. Mas ela foi além, solicitando a permissão do Conselho para assumir a forma humana e viver, na plenitude, o seu amor. A floresta inteira sentiu a ira da Mãe Natureza ante tal pedido, sob a forma de uma terrível tempestade.

Quando a situação voltou ao normal, foi-lhe exposto, então, que a relação entre os seres místicos e os humanos era terminantemente proibida. Os anciãos enumeraram uma lista sem fim de objeções. Em resposta, a fadinha contrapôs cada uma delas, enfatizando que se o amor fosse verdadeiro e recíproco, superaria todos os obstáculos.

E assim, a assembléia mística seguiu-se, ininterrupta e turbulenta, por dias a fio. Até que, vencidos pelo cansaço e pela irredutível determinação da pequena elemental, os anciãos optaram por ceder. E concederam-lhe a permissão para viver, na plenitude, o seu inusitado amor. Mas alertaram que a sua insensata união poderia trazer indesejáveis implicações, tanto para ela quanto para os demais envolvidos.

Totalmente obliterada pelo ardente desejo que a consumia, ela simplesmente os ignorou, deixando o topo do carvalho feliz da vida e ansiosa para realizar o seu grande sonho…

*
O que ela não imaginava, nem em seus piores pesadelos, era que, durante a sua breve ausência, o rapaz que arrebatara o seu coração se enamoraria por outra humana. Todavia, o constatou, assim que adentrou a clareia onde a tribo dele habitava.

O choque de flagrar o amor de sua vida nos braços de outra, nublou o seu senso de discernimento, abalando de forma irreversível as suas estruturas emocionais. O ciúme a dominou a ponto de cegar a sua razão, levando-a a articular o assassinato da rival.

Observou-os durante o passeio pela campina; e quando surgiu a oportunidade, deu prosseguimento ao nefasto plano.

Consumado o ato criminoso, ainda transtornada, a assassina transmutou-se para a forma humana e apresentou-se como única sobrevivente de uma comunidade extinta. Foi de imediato aceita na Tribo da Clareira. Pouco tempo depois, já havia assumido o lugar da morta – dada como desaparecida – no coração do rapaz.

Dez luas depois, no início do outono, eles casaram, em meio a uma festança sem precedentes. Outras luas se passaram, e a fada-humana descobriu, para a felicidade de todos na tribo, que trazia no ventre um minúsculo ser, fruto de seu controverso amor.

*
A primavera chegou. E com ela, as primeiras contrações. Em polvorosa toda a tribo reuniu-se em volta das parteiras, para recepcionar o novo membro que estava para nascer. Nas copas das árvores mais altas, o Reino das Fadas também se fazia presente, representado por milhares de minúsculos elementais.

Todos estavam radiantes e ansiosos. No entanto, o parto não transcorreu conforme o previsto… Inexplicáveis complicações prejudicaram o desfecho daquele tão esperado evento que, de alegre e festivo, transformou-se, num piscar de olhos, em momentos de puro terror e agonia. Do nada, uma grave hemorragia interna teve início, drenando as forças da fada-mulher, que morreu antes mesmo de expelir o feto. Prevendo que não conseguiriam salvar as duas, as parteiras optaram pela criança. De posse de uma pedra pontiaguda e extremamente afiada, elas não pensaram duas vezes: rasgaram o ventre ensanguentado, retirando o que, em hipótese alguma poderia ser descrito como um lindo bebê. O pequeno ser revelou-se a mais hedionda aberração, provocando asco e repulsa nos adultos, medo nas crianças e perplexidade nos elementais.

Com o rosto retorcido, dentes salientes, olhos cor de sangue, corpo deformado e garras no lugar das mãos e pés, o recém-nascido soltou um ganido estridente, causando arrepios até no mais corajoso dos presentes.

Desesperado com a inevitável morte da esposa e, mais ainda, com a aberração que concebera, o rapaz deixou a clareira aos prantos, lançando-se no precipício que ficava além da campina.

Supersticiosa ao extremo, a tribo deixou a clareira naquela mesma noite, para nunca mais voltar. Já a criança monstro, foi abandonada à própria sorte, literalmente largada sobre a pegajosa poça de sangue que se formara ao redor do corpo sem vida da mãe. Não fosse pela compaixão das fadas que, apesar da sua horripilante aparência, a recolheram, certamente não teria sobrevivido.

*
Ela cresceu, tornando-se uma mescla adulta de fada, monstro e mulher. E, com muito gosto, resolveu retomar a surpreendente obra que um dia a mãe começara. Desde então, dedica-se exclusivamente a recolher os dentes recém extraídos das crianças do mundo inteiro, deixando em troca uma simbólica recompensa. Mas só vem à noite, para que não a flagrem, por causa de sua medonha aparência. Poucas crianças a enganaram e a viram. Destas, nenhuma sobreviveu…

E assim deu-se a verdadeira origem da famosa lenda da “Fada do Dente”!


fonte: ethernyt.

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