quinta-feira, 25 de julho de 2013

A Bruxa mesmo que Sacerdotisa


"Não posso remediar erros, se é que foram erros, cometidos por homens mortos antes que eu nascesse.

Já tenho muito o que fazer para reparar os meus próprios erros, e não viverei o suficiente para vê-los todos reparados. Mas farei o que estiver ao meu alcance, enquanto eu viver."

As Brumas de Avalon



A arte de tecer e fiar é obra e projeção da Grande Mãe, que tece a teia da vida e fia a meada do destino. Como Grande Fiandeira, trama a vida humana, assim como a Escuridão e a Luz.

Mesmo com toda perseguição, com toda matança e preconceito, os seguidores da Antiga Arte não são contra religião alguma, já que se acredita que o ser humano é livre para trilhar o caminho que escolher dando valia à lei que diz: Faça o que quiser desde que não prejudique nada nem a ninguém.

Àquela bruxa verde com cabelo de vassoura piaçava, com dentes sujos e apodrecidos, com uma enorme verruga no nariz, só existe nos contos infantis (que devemos ressaltar o quanto são preconceituosos).

Em pleno século XXI existem pessoas que acreditam ainda que bruxaria está relacionada a assuntos do mal. Que as bruxas e bruxos são pessoas que fazem rituais satânicos e sacrificam pessoas. Esta é a sua oportunidade (se for uma dessas pessoas que não sabem o que é bruxaria) de entender o que é isso.

A alma de uma Bruxa (o) tem que ser livre e pura, isenta de preconceitos tolos, somente assim ele vai se conectar com o mundo invisível da Mãe Natureza.

Em sânscrito, bruxa quer dizer mulher sábia, sabedoria feminina, mulher mágica.

Sabe-se que uma Sacerdotisa, precisa retomar o poder da Grande Mãe, a glória da grande provedora da vida.

E em relação aos dons especiais que possuímos, algo interessante foi dito pelo psicólogo transpessoal e investigador alemão Dr. Hans . Segundo ele:

*as bruxas, que curam os males físicos. Detêm o poder da natureza e o usam com a mesma naturalidade que respiram.

*as sacerdotisas, que curam os males da alma. Vivem a um nível mais etéreo, porque essa é a natureza de seu dom. Detém o poder do Espírito, são conscientes de sua missão e a cumprem discretamente.

*as feiticeiras, que são bruxas intelectuais. Têm e sentem o dom, mas não o aceitam sem questionar, tem de analisá-lo para aceitar sua essência, compreendê-lo à luz da razão.


Alguns preferem o termo Bruxa, outros Sacerdotisa, ainda outros Feiticeira, Maga, mas todos significam uma só coisa. Filhas e filhos da Deusa

De suas mãos brotam a Arte em todos os sentidos, ela tem amor por tudo que faz, tem o toque delicado que acaricia as flores, que tenta tocar as estrelas, que tenta tocar o infinito. Todas sabem que a natureza é uma Mãe sábia, ela nos dá, mas também tira, e que devemos ser sagazes, sermos fortes, e que um dia todos sem exceção, voltaremos para ela, para o grande Útero Universal.

Lembre-se das palavras da Deusa...
"Eu não o carreguei no colo, não o impedirei, nem o privarei de ter as mesmas oportunidades que são dadas aos meus outros filhos. Você é livre e não deve ser carregado no colo como um bebê. Se você tiver dentro de si devoção e desejos verdadeiros, todos os obstáculos, serão então, superados!"


SELMA= 3FASESDALUA

segunda-feira, 22 de julho de 2013

EU, NÓS E A NOSSA RELIGIÃO.


“O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de “chegada a casa”.Jean Shinoda Bolen


Toda a energia é uma só, todas as experiências de sensibilidade de sentimentos são diferenciações da única grande experiência de Sensibilidade e de Sentimento.

Sentimento esses que me fazem tentar pequenas mudanças que não surtiram efeito em minha proposta de vida.

Quando imagino ter superado a carência ela me assalta misteriosa e de repente... Tudo retorna para o ponto inicial.
Tem dias que acordo num desassossego tão grande. Não é inquietude da mente, é da alma. A alma nem sempre é clara. Clama, berra, chora por algo que a gente demora pra saber o que é. Mas sempre, muito sempre, tem a ver com a nossa missão de vida. Ela faz isso quando quer apontar um novo caminho, um novo passo.


A cada um é dado à oportunidade de crescer, de conhecer, de Ser. Mas o que fazemos é aceitar formas-pensamento dos que estão a nossa volta e assim moldamos nossa Verdade pela Verdade alheia. Aonde chegaremos? Fatalmente a lugar nenhum.

Eu acredito que todas as pessoas tenham raízes pagãs.

O tempo da Inquisição já acabou, e acredito que com isso também deve
ter passado o tempo de achar que a palavra pagão significa alguém ateu, "herege" ou até mesmo sem escrúpulos.

Antes desse movimento de cristandade na história recente da humanidade, todos os povos antecessores eram pagãos.

É muito comum encontrar quem desconheça seus antepassados, seus familiares, parentes ascendentes, sequer os mais próximos quem dirá os do passado.

Na Bruxaria o espírito e a natureza são uma mesma coisa que são parte de um todo. Separar o espírito da matéria é um ato inconcebível para qualquer sacerdotisa da Deusa.Nos filhas e filhos da Deusa acreditamos que a Deusa esta em tudo e no todo e não a separação entre Criadora e criatura.Somos todas parte da Teia da Deusa formando assim um Todo.



O que importa para nós bruxas, bruxos, sacerdotisas, guardião. É lembrar que a Deusa e o Deus é uma única energia divina, mediadora entre o céu e a Terra, que detém e compartilha o conhecimento universal do Logos e da sabedoria ancestral. Ela existe em todos nós e agora chegou a hora de prestar atenção à sua voz e agir de acordo com as leis da natureza, onde é sua morada, buscando inspiração, conhecimento intelectual e sintonia espiritual. Quanto mais conscientes agirmos na nossa vida, mais poderoso e recompensador será o conhecimento que encontraremos, na Velha Religião da sabedoria e verdade.

Eu busquei me encontrar na minha religião antiga que tem raiz profunda.

Eu compreendi que a minha religião é capaz de nutrir minha vida e me fazer florescer, frutificar e passar adiante o legado que me foi confiado.

Que a Grande Mãe os acompanhe em sua jornada. Em breve o Véu se rasgará e juntos caminharemos.
.

domingo, 21 de julho de 2013

DANÇANDO O SAGRADO FEMININO


Durante a vida, passamos por tristes situações que não julgamos tão importantes assim, nem percebemos seu efeito sobre nós. Mas, com o tempo, elas se acumulam no corpo, na alma, e ficam estagnadas, criando couraças, tumores.

Ao longo de muitos anos, o feminino acumulou muitos males e carregou em seus quadris o peso de repressões e culpas, se escondendo, mutilando, encolhendo, submetendo e esquecendo sua verdade.
É o momento de indagar: o que escondo, engulo e quem sou. Você lembra quem é?!

Será que toda força e poder do feminino foram queimados na fogueira? Comprimidos entre espartilhos? Encoberto por burkas ou mutilado? Ocultado atrás de implantes de silicones e plásticas? A força e o poder, necessários para nos livrar deste tributo, habitam em nós, mas precisamos de uma outra força impulsionadora que pode surgir de muitas maneiras em nossa vida: como um insight, um sonho, o convite de uma amiga, uma revolta contra o sistema, uma perda trágica, entre tantas outras possibilidades.

Mas, em algum momento de nosso confuso e caótico cotidiano, esse fator desencadeante se apresenta, e pode causar grandes transformações, mudar nossa perspectiva e abrir inúmeros caminhos.

Só então nos deparamos com quem somos, ou com o grande vazio de não mais reconhecer a si mesma; ou ao sagrado dentro de nós e a necessidade de vivê-lo; o quanto esse corpo nos é tão útil, mesmo não sendo tudo o que os outros esperam dele. Mas, ainda assim, é meu corpo, e é esse corpo que carrega os filhos no ventre, os alimenta, dá prazer ao meu amante, se renova todo mês e me conecta com o poder da Lua, esse corpo me proporciona ser quem sou ele me liga ao mundo e me comunica com o todo.

Quando nos permitimos reconquistar esse feminino, que sente, se manifesta, sofre, ama, cuida, provém, sonha se interioriza, e cria, também libertamos os homens, e permitimos a eles o direito de reconquistar o seu feminino sagrado, no qual é possível sentir, chorar, amar e sonhar, sem ser julgado - tornando muito mais harmônica e construtiva a vida de casal. Também voltamos o olhar para a Terra e vemos a necessidade de cuidar do mundo, tendo mais amor e cuidado com os animais e a natureza.

Algo além do entretenimento - Uma das formas mais prazerosas e tranquilas de descobrir e fazer essa transição é através da dança. A dança nos desnuda e abre ao mundo, nos conforta e ampara, pois é livre de dogmas e de mentiras.

Desenvolvo um trabalho com grupos de mulheres que busca na dança algo além do entretenimento: busca o sentido pessoal da dança, a expressão dos sentimentos, os arquétipos do universo que nela podem se manifestar para serem trabalhados.

As danças ritualísticas e ancestrais - e suas melodias - trazem intrinsecamente um grande poder de nos mover no tempo e mexer com emoções aprisionadas. Associadas a nossos chakras e seus elementos, podem romper barreiras corporais e psíquicas, fazendo a energia fluir de novo dentro de nós, sem obstáculos, em uma conexão entre o sentir e o ser que atinge o equilíbrio.

Trabalhando em grupo, as trocas são constantes, as mulheres que compartilham do mesmo processo se conhecem, se compreendem e se respeitam, mudando sua forma de olhar as outras e rompendo julgamentos e desrespeitos com outras mulheres - ato machista que ainda cometemos atualmente.

Através de leituras, debates e explanações sobre textos ligados ao Feminino, e seu sagrado mitológico, descobrimos mais sobre nós e tudo que permeia nosso universo e inconsciente coletivo.

Ao entrar em contato com as Deusas interiorizadas, descobrimos que todas somos faces da Deusa em suas infinitas manifestações.
Este trabalho mescla fusões de diversas danças canalizadas para harmonização e cura do Ser, a retirada de couraças e amarras do corpo e da alma. Para resgatar o trabalho manual, os próprios figurinos são tecidos e criados por nós.
FONTE: AUTOR DESCONHECIDO

UMA RELIGIÃO SEM DOGMA NEM HIERARQUIA


A meados da década de 70, dentro do movimento feminista nos Estados Unidos, Zsuzsanna Budapest e Starhawk, vincularam a Tradição das Deusas e Bruxas com as lutas pelos direitos das mulheres, criando juntamente com outras pesquisadoras o conceito do Sagrado Feminino, uma corrente espiritual cuja cosmovisão e prática ritual não provinham de nenhuma igreja ou religião judaico-cristã.

Assim surge o Movimento das Deusas, a Witchcraft, e a Espiritualidade Feminina que celebram as Deusas, imanentes à natureza, às mulheres e nas relações culturais que surgem dessa cosmovisão.

Uma Espiritualidade que devolveu às mulheres o direito à liberdade de culto do Divino Feminino, sem uma autoridade religiosa masculina ou guru iluminado, que defina as crenças das mulheres e como exercê-las.

Ou seja, foram as mulheres as que se apropriaram desse direito, recriando a antiga religião matrifocal com projeções políticas, sexuais de género, ecológicas e comunitárias, que estiveram presentes nas tradições das Bruxas, Sacerdotisas e Xamãs na Europa pré-cristã, e em outros lugares onde as Deusas expressavam as potencialidades dos corpos, almas, mentes e criações das mulheres de forma positiva, outorgando liberdade, dignidade e poder de vinculação com os demais sem o caráter de subjugação sexual.

O pecado original, a culpa de Eva, o Deus pai, o Demónio e a necessidade de redenção da natureza perdida pelo pecado, não fazem parte desta cosmovisão ancestral.

Até então as religiões que maioritariamente as mulheres conheciam e praticavam eram as espiritualidades e teologias criadas e dirigidas pelos homens, centradas em figuras masculinas como Javeh, Jesus, Alá, Khrisna, Buda, onde a discriminação e desvalorização das mulheres e do Divino Feminino se mantinham sem modificações há séculos. Entre tanto, dois milénios de cristianismo são muito pouco, por exemplo, ao serem comparados com o culto matrifocal, existente a partir do Paleolítico superior, 20 mil anos AC. E no Neolítico Agrícola, 7 mil anos AC, até às culturas clássicas da Antiguidade e aos primeiros séculos do cristianismo. E ainda quando Constantino decretava o encerramento de templos e declarava o cristianismo como religião oficial dos povos da Europa, estes continuavam a praticar os seus cultos ao Divino Feminino, empregando diversos nomes, ritos lunares, sazonais e Xamânicos.

Assim sendo, a igreja criou um sistema de perseguição, tortura, e morte, inimaginável, para erradicar esta religiosidade tão enraizada na vida de gente comum, e que colocava as mulheres em lugar de respeito e dignidade, especialmente as bruxas, como sacerdotisas de ritos lunares, e agrícolas, conhecedoras de ervas curativas e anticoncepcionais, e de técnicas xamânicas para a visão sagrada, como pessoas com poder pessoal, social e espiritual, dentro das comunidades.

O retorno das Grandes Deusas

Em 1976, Merlin Stone publicou “Quando Deus era Mulher”, abrindo o caminho para uma série de estudos sobre as influências das religiões no processo de apropriação da dignidade e de empoderamento do eu. Aquele livro foi pioneiro e inspirou outras pesquisas que reinterpretaram mitos, tradições, ritos e evidências arqueológicas e antropológicas, sobre as religiões matrifocais que antecederam às patriarcais, realizados por Bárbara Walker, Mónica Sjoô, Riane Eisler, Caitlin Mathews, Mary Daly, Vicky Noble, Charlene Spretnak, Carol Christ, e as já citadas, Budapest e Starhawk.

A Espiritualidade Feminina conta com o trabalho arqueológico de Marija Gimbutas, quem orientou escavações na Europa Central e do Este, trazendo à luz evidências sobre civilizações matrifocais – que evoluíram entre 6.500 e 3.500 AC - como sociedades pacíficas, que não construíam armas de guerra, e se dedicavam à agricultura, arte, comércio e religiosidade, e nas quais – de acordo com evidências funerárias – não havia uma hierarquização de géneros. Mulheres e homens considerar-se-iam como filhos de uma mãe em comum, a Deusa, vivenciando uma forma de igualdade de géneros.

Gimbutas interpretou inúmeras estatuetas de deusas, objetos rituais e da vida quotidiana, nos quais se expressa a cosmovisão sagrada associada aos ciclos da Lua, da mulher, da natureza, da consciência humana e de todos os seres vivos com o arquétipo da Deusa-Serpente, da Deusa-Pássaro, criadora, a Deusa sustentadora (do cereal, da agricultura, da cultura), e a Deusa da Morte e o Renascimento. Uma Tríade feminina mais antiga que a cristã e a indiana, por exemplo, celebrada com os seus filhos e filhas e consortes.

Esta pesquisadora de origem lituana fez uma leitura arqueológica e mitológica, denotando que as simbologias sagradas e arquetípicas das deusas de culturas posteriores, já estavam presentes nos assentamentos neolíticos. Gimbutas destacou a continuidade da cosmovisão matrifocal neolítica, procedente das “Vénus” paleolíticas dos sapiens coletores, e caçadores das cavernas, e a sobrevivência nas tradições das deusas posteriores ao neolítico, que conhecemos como Eurinome, Gea, Ártemis, Hékate, Atenas, Isis, Nut, Maat, Inanna, Ishtar, Alat, Aserath, Rhea, Deméter, Perséfone, Diana, Juno, Minerva, Eire, Brigid, Freya, Baba Yaga, as Musas, as Parcas, as Graças, entre outras.


Gimbutas comprovou a tese de Jean Ellen Harrison, especialista em mitologia grega de Cambridge nos anos 30, a primeira a assinalar que as deusas gregas procediam de uma época histórica pré olímpica, e que o casamento de Hera e Zeus, não existia em suas origens. Este casamento forçado refletia o trânsito, às vezes dramático e violento, das culturas matrilineares para as patriarcais, após a conquista armada, e a inversão dos mitos de origem. Inclusivamente diferenciava os deuses guerreiros dos agrícolas da idade matrilinear: Hermes, Pã, Dionísio, indicando que o culto às deusas não excluía o Sagrado Masculino, porém não adorava um deus pai guerreiro e dominador, nem deidades masculinas que violentavam e matavam deusas e mulheres, como ocorre nos mitos tardios, surgidos daquela conquista e reforma.

Para Harrison os mitos gregos consistiam em tentativas, às vezes grosseiras e desesperadas de tentar modificar as crenças na Grande Mãe, suplantando-as com conceitos político-religiosos, como o mito de Atena, nascida da cabeça de Zeus, armada como uma guerreira, substituindo a ancestral Atena, uma deidade sem pai, padroeira de sabedoria e da inteligência, e assim apresentar os deuses arquipatriarcais (como Harrison os qualificou) como sendo primevos, melhores e supremos.

Robert Graves difundiu fora do âmbito académico o trabalho de Harrison, porém foi Gimbutas quem proporcionou as provas arqueológicas sobre as ondas invasoras patriarcais, assim como a cosmovisão cultural e religiosa quanto às Deusas Mães, até então considerada por muitos como simples “cultos de fertilidade”.
Por sua parte, a antropóloga Margaret Murray apresentou provas da Tradição das Bruxas como um Xamanismo europeu cujas origens se remetem aos Xamãs paleolíticos e siberianos.

As neojunguianas Silvia Brinton Perera, Marion Woodman, Jean Shinoda Bolen e Clarissa Pinkola Estés, realizaram uma tarefa similar à arqueológica, com o intuito de desenterrar o arquétipo da Grande Deusa, das profundezas do inconsciente pessoal e coletivo, de mulheres aonde a cultura e o ego patriarcal o mantinham recluso, reprimindo-o, para que as deusas não outorgassem poder espiritual, emocional e cultural ao corpo, à sexualidade, à liberdade e à consciência das mulheres.

Para as junguianas, os mitos tardios, como o de Atena nascendo da cabeça de Zeus, foram apreendidos profundamente pelas mulheres que cresceram sendo educadas segundo o ideário feminino da mentalidade patriarcal, tendo que adotar nos últimos períodos modos patriarcais, a fim de serem reconhecidas como “Filhas do Pai” e obter êxito profissional e intelectual.

Thealogia da Espiritualidade Feminina

Assim, as práticas do Movimento da Deusa, contam com uma thealogia (de Thea, a Deusa) rica e diversa, procedentes de muitas fontes – não apenas académica - já que não é este um discurso unificado, e nem ditado por uma autoridade centralizada. Para a thealogia, as Deusas são vivenciadas por mulheres de muitas formas, mediante uma das cosmovisões básicas com a nítida intenção de que não reproduzam estereótipos femininos e masculinos. A deidade criadora é celebrada na natureza como uma deidade que permanece imanente no mundo, e no universo que ela criou. Ela é vida, natureza, a criação, o espírito, as plantas, as montanhas, os lagos, os animais, e as pessoas. Reina nos céus, na terra e no outro mundo, abarcando os três mundos como acontece com deidades tríplices.

A Thealogia das deusas partilha muitos pontos de vista com tradições de povos autóctones e indígenas, que celebram o Sagrado Feminino com deidades como Andra Mari, Cerridwen, Ixchel, Pachamama, Mulher Aranha, Mulher Urso, Sedna, Amaterazu, Iemanjá, Umai, Kali...

A Criadora apresenta-se ciclicamente como tríplice: a Virgem da Lua Crescente e da Primavera ( virgem por que ainda pertence a si mesma), a Mãe ou Adulta Plena da Lua Cheia e do Verão, e a Anciã Sábia da Lua Minguante e do Outono, para depois se transformar na Deusa Escura da Lua Nova e do Inverno, no aspecto que se manifesta além da triplicidade, já citada. Ela é celebrada por mulheres deste movimento a cada mudança do ciclo lunar e estação.

A tríplice deusa celebra as idades da mulher e as três gerações de mulheres, que convivem num mesmo tempo e cultura. E vincula-as aos antepassados, tanto a mulheres como a homens do presente e as gerações futuras.

Esta tríade feminina é também um arquétipo na consciência profunda da mulher, em qualquer das suas idades biológicas, porque expressa diferentes processos internos e capacidades para ser e agir.

Este movimento não é um monoteísmo de saias, por isso também celebra o Sagrado Masculino partindo do ancestral deus agrícola e silvícola, oriundo das crenças paleolíticas e neolíticas, entendido como filho, amante consorte e iniciado em diversas manifestações sazonais e cíclicas.

Círculos e Grupos

Budapest e Starhawk, em companhia de outras mulheres Bruxas e Sacerdotisas têm-se dedicado à formação espiritual de mulheres em círculos e grupos com consciência de género, publicando livros contendo rituais sazonais e lunares, e propõem ritos menstruais, de passagem nas idades, de maternidade e de menopausa. Outros rituais para confrontarem problemáticas como o abuso sexual, deter a ação dum violentador, decidir a interrupção duma gravidez não desejada, melhorar a auto-estima, o ódio pelo próprio corpo, e a depressão.

Incluem nas suas práticas a magia feminina como meio de orientar a consciência perante as necessidades básicas no trabalho, no lar, na cura, nos estudos, na vida a dois. É uma espiritualidade onde a magia é somada ao trabalho político e psicológico em busca dos direitos da mulher, nos quais as serpentes, a vulva, e o sangue menstrual, são alguns dos símbolos da sacralidade feminina que voltam a ser utilizados pelas mulheres.


Neste movimento não existem estruturas eclesiásticas nem dogmas, nem papas, e toda a mulher pode celebrar as deusas, juntando-se a outras ou a sós. Nos Estados Unidos, há grupos de mulheres heterossexuais e/ou lésbicas, e outros grupos integrados por homens e mulheres; neles é promovido um compromisso com a vida, com o planeta, e a justiça, mediante ações individuais ou coletivas.

Na América Latina

Nesta região, as mulheres obtêm notícias quanto à Espiritualidade Feminina Pagã, a partir de livros, de oficinas e celebrações do Movimento das Deusas. Talvez, o aspecto que mais desafia, seja invocar uma deidade feminina nesta parte do continente onde a religião masculina continua a ter influência na auto-estima das mulheres, negando direitos e apresentando Maria como uma mulher subordinada ao deus masculino.

Quando as latino-americanas ouvem falar de deusas em relação às suas problemáticas, percebem-nas como uma fonte de água fresca no meio do deserto. Pois, há apenas cinco séculos que as mulheres adoravam deusas pré-colombinas e ainda o fazem em muitas comunidades. Assim, as mulheres da espiritualidade feminina pagã na América Latina, estão resgatando as deusas indígenas, a fim de reencontrar nelas a dimensão sagrada dos seus direitos.

Feministas académicas e políticas costumam temer que esta espiritualidade seja um meio de escapar, que afaste as mulheres da luta pelos seus direitos, já que todas as religiões que conhecem são opressivas, e não imaginam que possa existir algo diferente disso. Porém as três décadas do Movimento das Deusas são suficientes para comprovar a íntima relação que teceram as feministas espiritualistas entre direitos e religiosidade. Para as que celebram as deusas, os fios são entrelaçados sempre.

FONTE: “Las mujeres de la Diosa”(Tradução: Luciana Onofre)
Texto de: Anália Bernardo


sábado, 20 de julho de 2013

INSPIRAÇÃO, DONA DAS MINHAS VONTADES.


"Sento em frente ao computador e espero ela vir. Estou falando da inspiração, dona das minhas vontades, mas que muitas vezes me abandona quando a desejo perto de mim. Ela é uma deusa caprichosa, bela e poderosa. Em outras ocasiões é serva tímida, pura e frágil, como se um simples gesto pudesse quebrá-la. Porém, num piscar de olhos suas formas novamente se transformam. Agora é fera que ataca. Suave veneno que mata meu tempo, pois sou escravo de suas aparições. Misteriosa e encantadoramente extrovertida, aprisiona minha alma através do fogo de sua paixão criativa.

Sinto-me vazio sem ela. Chamando seu nome, clamando por sua presença sempre bem-vinda. A inspiração modifica a mente, aquece os pensamentos. Faz-me transbordar em idéias que nem imaginava possuir.
Gostaria de poder ser seu dono, ter ela sempre comigo atendendo meus caprichos de escritor, e não somente em visitas esporádicas que chegam sem aviso e me deixam sem ação. Ela não parece ser parte de mim, algo nascido de minhas entranhas, e sim um ser externo, místico e mágico, que invade minha vida, dominando meus sentidos, me embriagando de sua luz que não brilha, mas que me deixa cego de idéias novas, prontas para serem escritas. Um verdadeiro bombardeio de energia, transformando um simples pedaço de carne pensante e pulsante, um pobre animal que teima em procurá-la, em algo melhor. Alguém que consegue enxergar um sentido novo nas palavras.

A inspiração costuma vagar pelo mundo, utilizando a nós, seres humanos, como pousada. Em alguns ela se aninha passando toda uma vida. Com outros ocorre apenas um ou dois encontros.
Espero inutilmente pelo calor de sua chama nesta noite. Enquanto aguardo, vou escrevendo linhas e mais linhas, descrevendo minha ansiedade, torcendo para que meu gesto sensibilize-a de alguma forma e consiga atraí-la para mim.

Paro de escrever, fecho os olhos e sorvo o ar com mais leveza. Deixo meus ouvidos captarem todos os sons, procurando sentir à harmonia do lugar. Acho que ela chegou, pois algo começa a queimar em minha cabeça, intenso, apaixonante. Hora de parar de divagar e começar a criar, deixando estas frases para trás e partindo para um novo texto, agora com ela ao meu lado."


Autor: Antonio Brás Constante

UM FELIZ DIA DO AMIGO


Andei por vários lugares...

Encontrei pessoas maravilhosas; que me fizeram sorrir! Perdi e venci, errei e aprendi!

Passei por várias coisas...decepções e alegrias, mas nada foi como Você.

Você sempre esteve presente, calado ou não sempre estava ao meu lado e o melhor de tudo nunca é que encontrei em você uma eternidade e a certeza de uma grande amizade!

Caminhando sempre juntos, eternamente amigos..


BJS




quinta-feira, 18 de julho de 2013

BELA LIÇÃO......


Conta certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado.

Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas.

De repente, o gelo quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.

A outra, vendo seu amiguinho preso, e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim, quebrá-lo e libertar o amigo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso?

É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!

Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:

- Eu sei como ele conseguiu
.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?

- É simples: - respondeu o velho.

- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.

fonte: Albert Einstein

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