"Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo de um animal. E neste dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade." - Leonardo da Vinci
"Eu sou a Deusa de dez mil nomes e infinitas possibilidades... Eu danço e com meu corpo traço a magia de Ser e Existir... Minha cabeça se movimenta como a SERPENTE que é o meu símbolo... Sou SERPENTE... sinuosa, escorregadia, misteriosa... vivo na mente dos homens e nem por isso sou conhecida... sou temida, pois desconhecem minha força... troco de pele e com isso renasço... Tenho asas... os meus BRAÇOS se estendem em todas as direções, expandindo minha energia, me levando para todos os lugares... sou pássaro que voa sem destino, sou serpente que chega aonde quer... Tenho em mim o segredo dos elementos, minhas MÃOS dão e recebem de acordo com minha vontade... doar... reter... receber... ações determinadas por mim, de acordo com o momento... mas sempre... sempre... interagir... ser uma em tudo... Os meus SEIOS despertam o desejo e saciam a vontade dos homens, sou o leite que dá a vida, e em mim todos encontram o ritmo perfeito de Morgana das fadas... mesmo em um leve movimentar de OMBROS... O meu VENTRE... ele é o caldeirão do conhecimento, chave dos tesouros, dos mistérios, dos prazeres escondidos... mas para chegar até ele, não tente ir em linha reta... não sou racional... me procure na SINUOSIDADE dos movimentos da terra, o meu corpo é a própria terra... Em movimentos eu me entrego e me faço querer... Se estiver pronta, me siga... deixo através de meus PÉS cada pegada marcada, ensinando a você como chegar até mim... e quando me encontrar, esteja preparada para olhar em meus OLHOS... pois são eles o portal para o meu mundo... Lá, encontrará o CORRER DAS ÁGUAS... o DESPERTAR DO FOGO... e então, você poderá dizer se conhece ou não a FORÇA DA MÃE TERRA".
" O Deus Queer é considerado o primeiro reflexo visto pela Deusa quando Ela se mirava no espeho curvo e negro do Universo, fazendo amor consigo mesma para criar toda a vida. ele é a própria imagem da Deusa refletida na luz do êxtase, momento infinito da criação. Se tornou o Seu primeiro amante e é a expressão do amor puro, a alegria ilimitada e a sexualidade em suas amplas manifestações. Ele representa não a heterossexualidade ou homossexualidade em sí, mas a sexualidade como o abraço apaixonado do Divino, em cada um de nós e no Universo.Assim, quando nos ligamos a uma outra pessoa no êxtase do amor, seja numa relação homossexual ou heterossexual, abraçamos o divino em nós mesmo, no outro e no universo. Esta é a chave para começar a conexão com o Deus Queer.O Deus Azul é aprópria manifestação do amor. Seu nome está associado com Diana, um dos nomes sagrados da Deusa, e a raiz da palavra inglessa 'glass', significando espelho. Isto nos dá a idéia de que o Deus Azul é a própria imagem da Deusa, refletida na luz do êxtase, no momento infinito da criação.O Deus Azul é a primeira manifestação masculina da Deusa e por isso está mais próximo da Deusa na maioria das tradições pagãs, o que nos dá mais indícios ainda de sua essência feminina.Dian Y Glas é a própria manifestação do self profundo, aquilo que nos conecta com o Divino há tanto renegado e esquecido.Ele é visualisado como um Deus azul prateado ou como o próprio céu azulado.O Deus Azul está associado com a primavera, juventude e alegria. Ele é muitas vezes chamado de Espírito Pássaro e o seu principal símbolo é o Pavão com uma estrela prateada no peito."
O Equinócio de Outono era largamente celebrado pelos povos antigos (e ainda o é hoje, mas claro, não da mesma forma). Na Anatólia ocorriam festas em honra a Cibele; na Grécia e outras regiões eram realizados os ritos eleusianos ou os mistérios de Elêusis, em honra a Deméter e Perséfone; em Roma era comemorado o festival de Ceres, deusa dos grãos e da agricultura; na Lusitânia céltica (em especial na região da Galícia) realizavam-se ritos para Nábia e também para Aetegina; na Irlanda o Equinócio de Outono era a ampliação e finalização das festas de Lúnasa, dedicados a Lugh e Tailtiu; na Escócia, o último feixe de grãos era ceifado de formas ritualísticas e amarrado em uma figura de palha que seria chamada de “Rainha da Colheita” e estaria repleta de poder fertilizador.
A luz começa a crescer menos, e o Deus começa sua jornada para o outro mundo. Este é o término da colheita, começada no Lughnasadh. Mais uma vez o dia e a noite são iguais, equilibrados assim que o Deus começa sua grande aventura para o desconhecido e começa o renascimento da Deusa.
A natureza decai, deixando-se pronta ao inverno, e parte para sua hora de descanso. A Deusa inclina no Sol nascente, quando o fogo queima dentro de seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo que ele esteja diminuindo. É a colheita final. Agora, nós ficamos prontos para o Inverno chegar. É uma hora de equilíbrio.
Mabon (pronuncia-se Mêibon) é também conhecido como Equinócio de Outono ou Lar da Colheita ou Festival da Segunda Colheita. Dia sagrado no paganismo, em especial na religião Antiga. Celebrado no dia do equinócio de outono.
Mabon é também o nome do Deus Celta galês da juventude e do amor, filho de Modron, Deusa da Terra e a Mãe Divina dos gauleses. Geralmente são estes os Deuses reverenciados neste festival pelos praticantes do Druidismo.
O Período Negro do ano se aproxima aos poucos. É uma data especial para invocarmos espíritos familiares, guardiões e antepassados, para pedir sua ajuda e aconselhamento no período mais negro da Roda em pouco tempo se fará presente.
Este é o segundo dos feriados da Colheita. A fraqueza do Deus já se faz sentir, e as plantações vão aos poucos desaparecendo, enquanto os estoques se enchem. Derrama-se leite sobre a TERRA para agradecer pela fertilidade e bondade da terra. Agora, nos fechamos, e nossos corações voltam-se para nós mesmos.
Esse sabbat , que ocorre entre o Primeiro festival da colheita (Lughnasadh) e o Ano novo pagão (Samhain), marca o início do outono, dia santo pagão de descanso da colheita e comemoração, uma época de agradecimento aos Deuses por tudo o que foi colhido e caçado.
Este é o dia de ação de graças do paganismo. Data onde os pagãos honram o Deus em seu aspecto de semente e a Grande Mãe em seu aspecto de Provedora.
É tradição reunir os amigos para um jantar, a fim de celebrar a fartura e comemorar as conquistas.
Será bom refletirmos sobre o que podemos fazer para conciliarmos os opostos ou aspectos de nossas vidas que estejam precisando de equilíbrio. É tempo de equilibrar luz e sombra, assim como mente, corpo e alma.
Dentro da Roda do Ano, este festival marca o último do calendário Celta, quando no próximo festival, em Samhain, iniciamos um novo ano.
Dentro do mito da Deusa, em Mabon, a Deusa, enquanto nos propicía a colheita, começa a sua descida para o submundo, entrando em seu período não fértil e se tornando A Sábia. O Deus está prestes a penetrar na escuridão, deixando apenas uma presença sutil.. Mesmo que não tenhamos aquele cenário clássico dos filmes e pinturas, das árvores amareladas, as folhas caídas formando um belo tapete no chão e o vento frio anunciando a proximidade do inverno, ainda assim amamos essa época.
Não temos esse cenário, mas temos as chuvas serenas, que pouco a pouco se intensificam, o céu nublado, que ainda assim não impede que a luminosidade e o calor do sol nos aqueçam, e o friozinho gostoso que fica depois de uma madrugada de chuva. Sem muito calor, mas também sem o dia inteiro de chuva, o outono para nós representa o equilíbrio. É como se a natureza mostrasse-nos sua face mais calma, mais serena e madura, e como se esse seu aspecto nos chamasse para fazer um momento de pausa, reflexão e descanso.
São as Sabedorias do povos antigos que estão ressurgindo.
Estamos resgatando o que outrora nos foi usurpado, buscando na nossa memória
ancestral toda a verdadeira religação, toda a verdadeira religião. Somos
livres, Bem-Amados, e assim como o Deus e a Deusa, somos eternos.
Em várias regiões do mundo céltico, como a Escócia, Gales e a Cornualha, o último feixe da colheita que era ceifado reunia em si um grande poder da Deusa Terra. Alex Kondratiev, em "The Apple Branch", descreve alguns costumes tradicionais relacionados ao Outono ou a Última Colheita. Transcrevo aqui alguns trechos que são muito interessantes sobre os ritos e festas outonais:
“Então, o último feixe era pregado a uma figura, um boneco de milho, representando o espírito que era planejado a morar. Este era, frequentemente, um animal, fortemente associado com a Deusa da Terra – a lebre, que poderia se esconder entre os grãos, era um animal favorito, óbvio. Na Cornualha ocidental o último Feixe ou pescoço era chamado de "penn-yar" (o pescoço da galinha). Mas em Gales a transformação da Deusa em uma égua era um tema tão importante e bem conhecido que a figura feita do último feixe era chamada "caseg fedi" (colheita da égua). Quando a boneca era uma figura humana, ela sempre era a representação da Deusa-Terra, como um agente da fertilidade ou da seca. Em partes da Escócia os dois aspectos eram muito claramente diferenciados: se a colheita era julgada como uma boa colheita, a figura era dita como sendo de uma mulher jovem (a Rainha da Colheita, a Deusa como um ser fértil e amigável), mas se a colheita tinha sido ruim, a boneca era chamada Cailleach (a velha infértil, hostil às necessidades humanas). A maioria das comunidades mantinham a figura por um ano inteiro, queimando-a ritualmente na conclusão da colheita seguinte, tão logo a nova boneca havia sido feita. Nesse meio tempo, ela seria guardada em um espaço significantemente relacionado com a terceira função: numa árvore (retornando parcialmente, para a Terra), em uma cozinha, na igreja (onde os instrumentos de colheita eram abençoados), ou entre o estoque de semente que era mantido para ser semeado na primavera seguinte, onde era esperado que fosse ensinar aos novos grãos o poder do crescimento, passando para alguns deles a sua essência.”
“A conclusão da colheita do grão era celebrada com uma festa na comunidade, o ancestral das festas da colheita doméstica - que ainda subsiste em áreas rurais, normalmente, como atos de agradecimento sob o auspício da paróquia. Na Cornualha isso era chamado de "Goeldheys" ou Festa das pilhas de palha. A boneca de milho, originalmente, presidia nestas festas como um convidado de honra. Em várias comunidades as cenouras - porque elas eram juntadas neste tempo - caracterizavam proeminentes como um ritual de comida; e na Escócia sua aparência fálica era invocada em magia de fertilidade, conforme as mulheres as desenterravam com espadas (associadas com simbolismo vaginal) enquanto cantavam:
Torcan torrach, torcan torrach Sonas curran corr orm! Micheal mil a bhi dha’m chonuil Bríde gheal dha’m chòmhnadh. Piseach linn gach piseach, Piseach dha mo bhroinn; Piseach linn gach piseach, Piseach dha mo chloinn!
Fértil fenda, fértil fenda Que a boa fortuna das cenouras pontudas esteja sobre mim! Bravo Michael [i.e. Lugh] vai me doar, Brilhante Brigit irá me ajudar. O aumento de uma geração seja cada aumento, Aumento para meu útero, Aumento de uma geração seja cada aumento, Aumento para minhas crianças!”
“Depois do recolhimento da colheita o ano pode ser dito como vindo para seu próprio "clabhsúr" (encerramento), tanto em termos da relação da Tribo/Terra no ciclo agrícola quanto em termos do ciclo "samos/giamos" dentro da Terra. Com o equinócio a escuridão, novamente, ganha o controle, a energia "giamos" fica ainda mais proeminente nos ritmos diários do mundo natural e as energias da Tribo humana, devem lutar para se realinharem com a mudança da ordem das coisas. O próprio ato de recolhimento, de se voltar para o interior é a característica principal do "giamos" (como oposto à qualidade expansiva e mudança externa de "samos"), e uma vez as atividades de coleta e armazenamento da colheita tenha sido completada, a estação da escuridão pode se estabelecer completamente, presenteando o mundo com um período necessário de inação, contemplação e descanso.”