sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DRUIDAS PARTE II


Um grupo de arqueólogos publicou os resultados de suas pesquisas em tumbas encontradas em Stanway, no sudeste da Inglaterra.

Em uma das covas, datada de 40 a 60 a.C., foram achados restos humanos cremados e artefatos de uso religioso, como mantos com broches cerimoniais e um tabuleiro usado para ler o futuro. Essas são as primeiras evidências concretas de que realmente existiram os druidas, os sacerdotes do povo celta, que viveu na Europa ocidental e na Inglaterra até a expansão romana do século 1 a.C.

Antes dessa descoberta, só se sabia da existência dos druidas por intermédio de relatos escritos, em especial o diário deixado pelo imperador romano Júlio César, por volta do ano 55 a.C. 





Embora possuíssem uma forma de escrita conhecida pelo nome de Ogham, muito parecida com a escrita rúnica, não a usavam para gravar seus conhecimentos.

Após o domínio do cristianismo muito se perdeu das informações históricas daquela maravilhosa civilização, exceto aquilo que permaneceu guardado nos registros de algumas Ordens Iniciáticas, especialmente a Ordem Céltica e a Ordem Druídica.

Por isto, muito da história dos Druidas até hoje é um mistério para os historiadores oficiais; sabem que realmente existiram entre o povo Celta, mas que não nasceram nesta civilização. 






Os druidas mostram-nos que sempre podemos rever o passado para melhor aprender o presente.

A sociedade celta estava divida em apenas 3 classes: o rei, os druidas, e os homens.

Sendo que os druidas eram superiores aos reis.
Falar em druida, entretanto, não é tão fácil, a palavra engloba muitas e muitas funções, seria semelhante a falar "intelectual" nos dias de hoje, o termo engloba várias profissões.

O druidismo é uma religião de natureza pagã. O termo “pagão” tem origem no vocábulo latino “paganus”, que era usado para designar alguém que nasce no “pagus” (o campo, a Natureza). Em termos espirituais, pagão é aquele que acredita na sacralidade da Natureza e de todas as formas de vida. Exemplos de povos pagãos da antigüidade são os gregos, os egípcios, os sumérios, os germânicos e os persas - todos com diversas deidades em seus panteões associadas à Natureza, com deuses e deusas que personificavam as grandes forças naturais do mundo em que vivemos.


Praticamente tudo o que sabemos sobre os druidas antigos nos foi relatado por historiadores gregos e romanos que tiveram contato com os celtas nos séculos que antecederam a era cristã. Políbio, Amiano Marcelino, Tito Lívio, Julio Cesar e Plínio o Velho (entre muitos outros) escreveram sobre os druidas, descrevendo-os como poderosos sacerdotes, sábios e juristas, mas também como inspirados poetas, místicos e conselheiros. Além de terem sido os sacerdotes dos povos celtas, os druidas desempenhavam varias funções . Foi por isso que Julio Cesar afirmou em seus Comentários da Guerra na Gália que, para se tornar um druida, um jovem candidato deveria dedicar de doze a vinte anos de estudos, dada a enorme quantidade de informações que um druida precisava absorver sobre diversas disciplinas.

Um druida deveria ser tão versado nas leis de seu povo quanto hábil em contar os mitos e lendas que formaram aquele povo. Um druida deveria ser sábio o bastante para aconselhar os reis, como também deveria ser sensível o bastante para praticar a cura no sentido mais amplo dessa palavra (não apenas de curar doenças), um elemento fundamental dos deveres dos druidas, como vemos em uma tríade druídica moderna, que diz:

“Três deveres de um druida:

- curar a si mesmo;

- curar a comunidade;

- curar a Terra.

Pois se assim não fizer, não poderá ser chamado de druida." 





Depois das invasões romanas na Gália e Grã-Bretanha, foi somente na Irlanda e no norte do País de Gales – territórios jamais conquistados pelas legiões romanas – que o druidismo permaneceu vivo. Graças aos textos oriundos dessas duas regiões, podemos hoje contrapor as informações contidas nos textos clássicos aos usos e costumes dos druidas preservados através de diversas lendas e contos míticos.

Desses textos, percebemos que o druidismo é uma religião que nos traz respostas pontuais a questões prementes do mundo moderno, como a honra aos nossos ancestrais, e o respeito e a integração do ser humano com a Natureza.

Quando o cristianismo chegou à Irlanda, logo se fundiu ao druidismo que lá ainda existia. O resultado foi o chamado Cristianismo Celta – mais místico, mais profundo e mais filosófico do que o cristianismo de Roma (mulheres eram ordenadas e o uso da magia era freqüente). Na Idade Média, contudo, o poder e a intolerância dos papas não mais suportou as diferenças e a independência do cristianismo irlandês. Foi imposto então, através da força, o cristianismo ortodoxo romano, que sufocou quase que por completo a ancestral sabedoria dos druidas celtas. 



Os druidas modernos professam, basicamente, uma religião pagã, politeísta e animista, com práticas de magia natural (magia onde se usam basicamente o poder das ervas e o aconselhamento com os deuses e ancestrais, tal como no xamanismo) e rituais voltados à celebração da Natureza.

Certamente muitas das práticas do druidismo moderno são diferentes das dos druidas antigos, pois vivemos em outros tempos, com outras necessidades. Essa é uma das vantagens de uma tradição oral. Os textos sagrados do druidismo são os mesmo há milhares de anos, mas eles evoluem, porque não foram escritos: os "textos" sagrados do druidismo são o passar das estações do ano, são os ritmos da Natureza, as marés, as flores, as tempestades, as trilhas do Sol e da Lua através do firmamento. É um texto "interativo", que não deve ser memorizado ou entendido, mas sim sentido no fundo de nossas almas.


Awen esta pequena palavra galesa é usada no druidismo em sua língua original por ser de difícil tradução. Outro motivo de mantê-la sem traduzir é devido à sua sonoridade. Seu significado é “espírito que flui”. Nas palavras de Phillip Shalcrass (druida inglês) a awen é "aquela estranha sensação de formigamento que nos domina ao contemplarmos uma bela peça de arte, ao ouvirmos uma linda canção pela primeira vez, ao vermos o rosto da pessoa que amamos”, enfim, é a sensação de vida que nos arrebata ao permitirmos que nossas sensações se manifestem através de nosso corpo. Esse fluxo de inspiração que jorra não deve ficar represado, deve se transformar em ação. Um dos desafios para o druida moderno é justamente esse: transformar inspiração em ação. Esse jorro pode brotar também de um momento de ódio e indignação. Podemos produzir um lindo quadro ou uma bela poesia depois de sermos arrebatados pela visão de um estonteante pôr-do-sol, da mesma forma que, ao vislumbrar um rio poluído, podemos nos encher de coragem para protestar e tomar alguma atitude que altere essa condição do rio.


Bardos, Ovates e Druidas - Como tudo no universo celta era tripartido (3 mundos – de cima, do meio e de baixo; 3 reinos – terra, água e ar; etc) também eram tripartidas as funções do druida. Embora não fossem uma hierarquia, esses três ofícios eram aprendidos na ordem exibida no título. Depois disso, o druida tinha como opção exercer um dos ofícios em especial.

Como resumiu Estrabão (1º século a.c.): “Os bardos são cantores e poetas; os ovates, filósofos naturais e divinos; os druidas, além da filosofia natural aplicam também a filosofia moral”.

Os bardos: eram especializados na absorção e transmissão do conhecimento druídico, através dos mitos, lendas, poemas e canções que transmitiam a memória ancestral. Os bardos eram os zeladores da tradição e da memória da tribo.

Os ovates - palavra com a mesma origem do verbo português “vaticinar” (predizer, prenunciar, adivinhar). Eram os responsáveis pela cura e pela previsão de eventos futuros. Através de técnicas divinatórias (divinar = conversar com o divino, com os deuses) como interpretar o vôo das aves, por exemplo, os ovates eram capazes de antever eventos ou endências futuras, orientando assim a comunidade. Eram xamãs por excelência, que conversavam com os ancestrais para pedir bênçãos e conselhos, que conheciam os animais e os segredos das ervas e das árvores.

Os druidas – esse nome significa “aquele que tem a sabedoria do carvalho”. Eles eram os sábios, os sacerdotes que conduziam os rituais, os conselheiros dos reis, os professores e os juristas das tribos. Seus “templos” eram as clareiras nos bosques sagrados (nemetons). Eram extremamente respeitados pelo povo e muitas vezes suas palavras tinham mais peso do que dos reis e rainhas.

Portanto, a função do bardo é conhecer sua história e suas lendas para transmiti-las aos demais. Sua matéria-prima é o passado, a experiência, a memória ancestral. Já o ovate trabalha com o futuro, o potencial, o porvir. São duas facetas do mesmo conhecimento sagrado que permeia os mistérios do tempo e permite, com base na experiência do passado e das potencialidades do futuro, criar um presente melhor, que é a função do druida.


O druidismo é uma religião politeísta e seus deuses e deusas não possuem hierarquias ou conceitos de dominância como se encontra na mitologia grega, por exemplo. Tampouco possuem um único atributo, como "o deus da guerra" ou "a deusa do amor". Os deuses dos diversos panteões celtas (praticamente cada tribo possuía um panteão próprio) têm múltiplas faces, atributos e características. Nenhum deles é totalmente bom ou mau, mas desempenham diversos papéis. Não são apenas bons ou apenas maus, mas possuem tanto potencial para o bem como para o mal. Não há a dicotomia de que estamos acostumados, mas sim o equilíbrio de forças negativas com positivas. Os deuses podem ser ao mesmo tempo benevolentes e cruéis: assim como uma chuva que cai sobre a Terra pode ser uma benção quando os campos estão ressequidos ou então uma desgraça quando causa enchentes e destruição. Como curiosidade, vale observar que muitas deidades associadas à guerra/batalha são femininas, enquanto que muitas deidades da fertilidade são masculinas.

Os deuses dos druidas são definidos de 3 maneiras:

- são os ancestrais do povo, divinizados ao morrer;

- são espíritos da Natureza e fenômenos metereológocos (rios, colinas, relâmpagos, chuvas, etc), bem como espíritos patronos de um ofício (das artes, do trabalho, etc);

- são seres poderosos que não possuem corpo físico (deuses literalmente) 





Um historiador do século 4, Ammien Marcellin, acreditava que os druidas estavam ligados em confrarias que obedeciam aos preceitos de Pitágoras. Júlio César, por sua vez, relatou que eles obdeciam um chefe único, possuidor de uma grande autoridade. Com sua morte, seu sucessor era escolhido em função de seu mérito, ou ainda eleito por seus pares. A cada ano, numa data fixa, uma grande assembléia reunia os druidas da Gália em um lugar consagrado, no país dos carnutos. Diferentes descobertas arqueológicas permitiram supor que esse lugar estaria próximo de Saint-Benoît-sur-Loire, na França. Apesar das lutas e das rivalidades que colocavam constantemente em choque as inúmeras tribos gaulesas, essa assembléia de sábios, que pairava acima dos diferentes grupos, sabia manter uma certa forma de coesão social e criar um sentimento de união céltica


Devido à sua sabedoria e à sua ciência, os druidas gauleses foram muitas vezes associados aos brâmanes da Índia pelos autores da Antigüidade. Após o fim do século 18, os lingüistas demonstraram o parentesco indo-europeu unindo, além das distâncias e das fronteiras, a civilização céltica à da Índia védica. Os druidas foram oficialmente reconhecidos como os brâmanes do Ocidente. No entanto, a confraria dos druidas nunca se tornou uma casta; a função sempre foi conquistada pelo mérito, depois de muitos estudos, e não por herança.

Os celtas, profundamente religiosos, iam em grande número buscar instrução junto a seus druidas. Estes, filósofos e idealistas, não admitiam a representação antropomórfica dos deuses, nem a construção de templos, verdadeiras blasfêmias, insultos às divindades. Por essa razão não havia uma estatuária religiosa celta antes da conquista romana. 



A exemplo dos antigos brâmanes, os druidas se recusavam a confiar à escrita seus conhecimentos e suas tradições: "Eles estabeleceram esse uso por dois motivos", explicou Júlio César, "porque não queriam que sua doutrina fosse divulgada, nem que, por outro lado, seus alunos confiassem na escrita, negligenciando sua memória". Tradição escrita significava tradição morta e definitivamente fixada. Quando se pensa nas querelas relativas às interpretações dos textos sagrados que ensangüentaram as religiões da bíblia, só se pode admirar a prudente sabedoria dos druidas; ainda que, devido ao seu silêncio, sua doutrina poderia ter desaparecido para sempre, junto com eles.

Todavia, apesar do segredo de seus ensinamentos, a doutrina dos druidas tornou-se conhecida de todos: ela diz respeito à imortalidade da alma e à existência de uma outra vida após a morte, ou mais exatamente, à continuidade da vida após a morte, com a vida mudando de invólucro e passando para o Outro Mundo: "Há um ponto de seu ensinamento que se difundiu entre as pessoas comuns, aparentemente para incutir nelas a bravura para o combate, e é o de que as almas são imortais e que entre os mortos se alcança uma outra vida", escreveu Pompônio Mela, que acrescentou um detalhe curioso: "Outrora, até os registros comerciais e a cobrança dos créditos eram levados para o além."


A sabedoria dos druidas soube tornar os celtas despreocupados, livres e felizes. Eles eram indiferentes ao seu próprio destino na batalha. Nada se perfilava no horizonte de sua passagem pela Terra. Uma outra vida feliz, sem inferno nem purgatório, esperava por eles no Outro Mundo.

Através das narrativas dos celtas insulares, que esse Outro Mundo, espécie de universo paralelo, o "sidhe", poderia estar situado, simbolicamente, em uma ilha do oceano, no extremo ocidente, ali onde todos os dias o sol se punha, ou seja, a ilha da Felicidade; ou ainda imaginá-lo no norte do mundo como a ilha de Avalon. A cada ano, por volta de 1º de Novembro, durante a festa de Samhain, que marcava o início do ano celta, o tempo e o espaço deixavam de existir e os dois mundos se comunicavam. As elevações neolíticas, as aléias cobertas, os túmulos e os dólmens formando corredores serviam de pontos de contato privilegiados com o mundo dos desaparecidos; prova de que os celtas e seus druidas não tinham qualquer dúvida quanto à antigüidade e à função funerária desses monumentos.


Muito sábios, os druidas também foram, sem dúvida alguma, homens da madeira, da árvore e do carvalho. Todos os testemunhos foram unânimes nesse ponto: poetas, geógrafos e historiadores associam os druidas às florestas. Foi por isso que a conquista da Gália teve o caráter de guerra contra as árvores; e César "foi o primeiro a ousar tomar um machado, brandi-lo e cortar com o ferro um carvalho perdido nas nuvens", escreveu Lucano.

O desflorestamento intensivo da Gália perpetrado pelos romanos contribuiu de forma tão eficaz para o desaparecimentos dos druidas quanto os éditos dos imperadores Tibiro e Cláudio (que proibiram a prática do druidismo nos territórios romanos). Quando São Patrício, em meados do século 5, foi especialmente a Glastonbury com o objetivo de cristianizar definitivamente o local sagrado dos celtas, começou por fazer com que fossem derrubada, com machados e picaretas, todas as árvores que cobriam a célebre colina do Tor. Lutar contra as árvores era, ainda nessa época, uma maneira de lutar contra o druidismo.


Nas clareiras, no coração de florestas densas, protegidas pela penumbra de criptas vegetais, os druidas transmitiam pacientemente a seus discípulos sua sabedoria imemorial: "Eles declararam conhecer a grandeza e a forma da Terra e do Mundo, os movimentos do céu e dos astros, assim como a vontade dos deuses. Eles ensinavam à elite de seu povo uma grande quantidade de coisas, em segredo e durante muito tempo (20 anos), fosse numa caverna ou em pequenos vales (arborizados) afastados."

Tibério havia decidido pela erradicação do druidismo. O imperador Cláudio desejava concluir sua obra: "Ele aboliu completamente na Gália a religião atroz e bárbara dos druidas", relatou Suetônio. Plínio, o Velho, contou como ele condenou à morte um gaulês unicamente porque o infeliz levava nas dobras de sua toga, no curso de um processo, um ovo de serpente, suposto talismã, provando suas estreitas relações com os druidas. Estes, então, escolheram o exílio na Grã-Bretanha, terra-mãe do druidismo (nota: afirma-se que o druidismo surgiu na Grã-Bretanha quando os celtas lá chegaram vindos do continente. Sua espiritualidade teria se fundido à espiritualidade dos povos neolíticos das ilhas britânicas e assim, surgido o druidismo que em seguida foi levado à Gália) . Os druidas atravessaram a Mancha para não ver mais os romanos. Mas isso seria pedir demais. 




Para muitos deles, reagrupados em comunidades, o exílio britânico terminou no ano de 61, na terrível matança da ilha de Mona (na época, um grande colégio druídico, hoje é a atual Anglesey), onde homens, mulheres e crianças foram assassinados, e da qual o historiador Tácito nos deixou uma terrível descrição, antes de concluir: "Colocou-se então uma guarnição nas casas dos vencidos e foram destruídas suas madeiras consagradas a cruéis superstições". Só restou aos druidas um único refúgio, aquele que permaneceria inviolado e inviolável enquanto seus habitantes respeitassem seus deuses: a Irlanda. Foi então que a lenda se misturou estranhamente à história.

Eles aterrizaram na Irlanda numa segunda-feira, quando da festa de Beltane. Chegaram sem navios ou barcos, sobre sombrias nuvens somente com a força de seu druidismo. Trouxeram com eles a Pedra Lia Fail, a Pedra do Destino, para o Ônfalo (umbigo) do Mundo que ficava em Tara, centro sagrado da Irlanda; trouxeram também a Lança de Lug, a espada de Nuada e o Caldeirão do Dagda: objetos fabulosos que se encontram sob diversas formas em todas as lendas da tradição celta. "Os Tuatha Dé Dánann estavam nas Ilhas do Norte do Mundo, aprendendo a ciência e a magia, o druidismo, a sabedoria e a arte. E ultrapassaram todos os sábios das artes do paganismo." (A Segunda Batalha de Mag Tured" - ou Moy Tura, traduzido para o francês por C. J. Guyonvarc'h). 






Essas três palavras, Túatha Dé Dánann, significam Tribo da Deusa Dana. Mas o historiador irlandês Geoffrey Keating forneceu, no século 17, outra explicação, coincidente com a teoria das três funções, fundamento da sociedade indo-européia e, conseqüentemente, da sociedade celta (nobres/sacerdotes/artesãos), segundo Georges Dumézil: "Outros dizem que eles se chamam Túatha Dé Dannan devido aos três grupos que formavam quando vieram para a Irlanda nessa expedição. O primeiro bando, que se chamava Túath, tinha a posição de nobreza e comando das tribos. (...) O segundo bando era o que se chamava de Dé (deuses) assim com eram seus druidas. O terceiro bando, que se chamavam Dánnan, era o das artes ou das técnicas ." (...)

As lendas são verdadeiras, tão verdadeiras quanto a história.

Júlio César, informado por seus espiões, afirmou: "Acredita-se que sua doutrina nasceu na Grã-Bretanha e dessa ilha foi para a Gália". 




Samhain é o ano-novo dos druidas, um festival de tanta força que perdura até hoje nas datas cristãs "Dia de Todos os Santos" e "Finados", como também na festa popular do Halloween. O principal tema desse festival é o agradecimento, a honra e a conexão com nossos ancestrais, desde os entes queridos que não estão mais entre nós, até aqueles que não sabemos mais os nomes, inclusive os deuses. É o momento em que o Outro Mundo fica mais acessível, a fronteira entre os mundos fica pouco definida e a data é propícia para se comunicar com os espíritos em busca de inspiração, cura e bênçãos. Bom momento para oráculos. Sobretudo, é hora de honrar os mortos e agradecer aos ancestrais pelo dom mais precioso que nos deram, nossas vidas. Podemos materializar esse agradecimento através de oferendas que são queimadas nas chamas da fogueira ritual ou revendo velhos álbuns de família, desenhando nossa árvore genealógica, convidando os mais velhos da família a contar histórias de suas vidas. É costume se deixar acesa uma vela numa das janelas da casa para mostrar aos ancestrais que eles são bem vindos. Ritual introspectivo, silencioso, respeitoso, celebrado à noite.

Esse festival é associado ao Dagda e à Morrighan, que, no entardecer (nem dia, nem noite) de um Samhain, fazem amor em um vau (nem rio, nem terra), onde estavam os corpos dos mortos de uma batalha que aconteceria no dia seguinte. Os druidas reservam uma parte do rito para honrar essas deidades que manifestam os aspectos de morte (Morrighan) e renascimento (Dagda) do Samhain. 





É fácil se entender o porquê dos padres da Igreja Católica terem tido material suficiente para acusarem religião céltica de pagãs e para colocar os sacerdotes celtas, especialmente as sacerdotisas, nos bancos de réu da inquisição e cujos veredictos sempre eram a condenação à morte na fogueira.

As Tríades dos Druidas de Gales ensinam que todo ser deve buscar a evolução rumo à perfeição. Toda bondade advém da Deusa, e portanto nossa busca pela perfeição nos leva ao encontro da Deusa.

Os druidas tinham a capacidade de provocar tempestades e terremotos, e podiam predizer o futuro, mas não lhes era possível modificar o rumo do destino. 



Um Druida segue as estações do ano, e o ciclo da Natureza. Um Druida não segue regras como qualquer religião, pois tudo é baseado na naturalidade e no amor que a natureza perfeita criou, seus rituais não devem ser escritos, mais sim sentidos no fundo de nossas almas e conectado ao universo com a inspiração que é denominada como magia. O mistério de um Druida é a conexão da alma com a Natureza, outra pessoa, o mundo em que vive, seu trabalho, seu alimento, seus desejos mais intensos.

Tudo emana energia e nossa alma é energia. Toda energia é sagrada e deve ser respeitada e honrada. Assim como todas as formas de vida sem exceção. O Druidismo é a forma de amor e contato com a verdadeira criação do ser humano: A natureza. O nome Druida significa aquele que tem a sabedoria do carvalho. Seus templos eram as clareiras nos bosques sagrados e sua inspiração era a beleza do universo.

Hoje, o maior papel de um Druida é transformar e interagir com o mundo para que ele seja um lugar mais equilibrado, mais puro e respeitado como qualquer um antigo sábio do carvalho cuidaria de seu mundo, seu lar na natureza, e sua conexão com o conhecimento e a cura para um planeta cansado de sofrer


O Druidismo era rigidamente baseado em iniciações rigorosas, havia princípios rígidos a serem cumpridos, e o conhecimento dos métodos de atuação sobre a natureza eram de uso exclusivo dos sacerdotes, sacerdotisas e iniciados.

No dia 04 de Outubro de 2010, depois de 2000 anos de perseguições, o druidismo foi oficialmente reconhecido como religião no Reino Unido, com todos os direitos que as outras religiões, inclusive as estrangeiras já tinham dentro da própria casa dos druídas. 






quinta-feira, 6 de outubro de 2011

BRUXAS, BRUXOS, MAGOS..............


Magos e Bruxas (respectivamente Jamu e Xurbiu na língua genérica) são homens e mulheres capazes de controlar e produzir magia, normalmente depois de anos de estudo.

Os termos na língua genérica Jamus e Xurbius tem origem na lenda do primeiro casal de humanos capazes de fazer magia, Jamo, o primeiro mago, e Xurba, a primeira bruxa. Portanto, no mundo de Magias & Barbaridades não existem "magas" e nem "bruxos": mago é só homem, bruxa é só mulher. Magos e Bruxas são muitas vezes chamados, erroneamente, de feiticeiros. 



Segundo a lenda, muitos milhares de anos atrás, um casal de jovens filósofos questionava, à luz do luar, sobre a vida, o universo e tudo mais. Jamo era um filósofo da corrente praticionista (acreditava que tudo deveria ser lógico, prático e objetivo), enquanto Xurba seguia a corrente idealicionista (pensava que tudo deveria se seguir conforme instintos, idéias e questionamentos). Após uma discussão acalorada (que, segundo alguns, terminou em uma noite de amor), ambos tiveram uma epifania: sentiram pela primeira vez os raios lunares, energia mística que, devidamente codificada, possibilitaria o controle de aspectos da realidade.

Os dois então dedicaram suas carreiras a entender e controlar a energia que chamaram de Magia (palavra derivada do nome de Jamo, já que ele foi mais prático e patenteou a idéia). Descobriram o uso dos chapéus mágicos para absorver os raios lunares, da madeira para canalizá-los e das palavras mágicas para controlá-los.

O casal faleceu devido a um acidente envolvendo um roedor , folhas de aspargos, produtos alquímicos diversos e plutônio, deixando quatro filhos que seguiriam seu legado. 


Os quatro filhos do casal eram Iehca, a Poderosa (primogênita); Nimnau Get, o Piedoso (segundo filho); Onav, o Sombrio (terceiro filho) e Sercne Cet, a Sábia (caçula). Logo após a morte dos pais, os irmãos começaram um debate filosófico sobre a natureza da magia que durou cerca de 14 anos. Iehca dizia que a magia, como força mística maior, deveria ser usada em sua máxima extensão e para feitos extraordinários; Nimnau pregava que a magia deveria ser utilizada para fins filantrópicos, para o bem maior da sociedade; Onav acreditava que a magia deveria ser oculta e secreta, restrita para aqueles que se provassem dignos; e a jovem Sercne propunha que a magia deveria ser estudada a seu máximo, fortemente controlada e codificada para que pudesse ser usada com segurança.

Após tal debate, é claro, os quatro saíram na porrada. A contenda acabou, no entanto, antes da definição de um vencedor, devido a um ataque de uma horda de morcegos hidrofônicos que havia sido acordada pelo barulho da briga.

Com os quatro trabalhando em equipe, a horda de quirópteros foi contida, e os quatro perceberam que, juntos, eram mais poderosos do que separados. Fundaram então a Ordem da Lua, entidade dedicada ao estudo da magia e educação de jovens magos e bruxas, e desde então são conhecidos como O Quadrado Mágico, a base sobre a qual se ergueu a maior ordem mágica do mundo.


Os quatro tipos de magos e bruxas existentes são definidos pelos ensinamentos de qual dos membros do Quadrado Mágico o mago ou a bruxa seguem preferencialmente. Isto define, especialmente, o tipo de magia no qual eles são proficientes, seu estilo e parte de seu papel na comunidade. Ainda assim, não é uma definição fechada. Cada um é cada um.



Bruxas e Bruxos , acima de tudo, respeitam as demais religiões, assim como exigem o mesmo respeito pela religiosidade deles. É claro que há muitas mágoas guardadas por tudo o que foi feito na história da humanidade, mas não nos prendemos a isso, e sim a atos do presente. Queremos simplesmente viver e praticar a nossa religião. As bruxas e bruxos têm crenças que remontam aos primórdios da humanidade, muito anteriores ao Cristianismo. O Cristianismo tentou suprimir tais sistemas, mas nós não queremos fazer o mesmo (e jamais quereremos).




Buscamos reviver as crenças de um período que remonta aos primórdios da humanidade, um período muito anterior ao Cristianismo. O diabo foi uma criação do Cristianismo e não tem absolutamente nada a ver com as crenças pagãs. Obviamente atribuir as práticas das bruxas e bruxos ao diabo era conveniente, visto que as religiões cristãs recriminam qualquer ato não-cristão como um ato "do diabo". Há cultos ao diabo por todas as partes do mundo, mas estes nada têm a ver com a Bruxaria, tratando-se apenas de pessoas que praticam uma inversão do Cristianismo. Cada um tem as suas crenças, mas felizmente esta não é a nossa. Celebramos os deuses antigos na Natureza.




Diversos atos maléficos de pessoas perturbadas são atribuídos à Bruxaria. Diversas vezes, vemos no noticiário coisas como "Ritual de Bruxaria leva à morte três pessoas" ou "Bruxa em Pernambuco afirma comer carne humana". Isso é ridículo. Essas pessoas não são, nem de perto, praticantes da Bruxaria. São doentes mentais, criminosas, e devem ser presas.



Cansamos de ver em programas televisivos evangélicos pessoas que se intitulam "ex-bruxas". Em tais programas, essas pessoas contam ao pastor-apresentador como faziam "trabalhos" para acabar com a vida das pessoas. Isso não existe. O que essas pessoas faziam (isto é, se chegaram a fazer realmente alguma coisa) não tem absolutamente nada a ver com Bruxaria. A regra de ouro das(os) bruxas(os) é: "Sem prejudicar ninguém, faça o que quiser", pois sabemos que tudo o que fizermos voltará para a gente - é a lei do eterno retorno, que é vista em tudo na Natureza. As(os) bruxas(os) sabem que, se fizerem o mal, tudo voltará para elas de forma muito maior, assim como se fizerem o bem. Por isso, é claro que ninguém vai desejar o mal de ninguém, nem querer prejudicar ninguém. Pessoas com má índole existem em todos lugares, independente de sua religião. E, se uma pessoa é assim, isso significa que ela é uma pobre coitada que um dia pagará por seu atos, e não uma pessoa que pode ser considerada bruxa.




Você jamais encontrará uma bruxa ou um bruxo distribuindo folhetos sobre Bruxaria nas esquinas da sua cidade, simplesmente porque acreditamos que a religiosidade de cada pessoa é absolutamente pessoal e só ela pode saber o que é bom para ela. A Bruxaria é uma opção pessoal, como qualquer outra religião, e os interessados devem correr atrás do aprendizado, se assim desejarem de coração.

Há certamente muitos jovens (e até adultos, por que não?) que buscam um meio de escape para fugir da sociedade opressora que os cerca, e dizem-se bruxos ou buscam a Bruxaria apenas para colocarem-se contrários ao sistema. A Bruxaria não é um sistema de auto-ajuda e seus praticantes são pessoas sérias e idôneas, e não um bando de malucos.




O pentagrama (estrela de cinco pontas), ao contrário do que dizem, não é um símbolo satanista. Ele é um símbolo muito antigo usado até por Pitágoras; seus seguidores o usavam para simbolizar o seu respeito pela beleza matemática do universo. Em muitos lugares e épocas, ele foi utilizado como um símbolo geométrico sagrado. O fato de satanistas usarem o pentagrama não significa que eles são bruxos (da mesma forma como usam o crucifixo e não são cristãos).

Muito pelo contrário: querendo estar cada vez mais próximas à Natureza, a maioria das(os) bruxas(os) busca uma alimentação e hábitos saudáveis, o que descarta imediatamente o uso de drogas. Além disso, realizar um ritual torna-se praticamente impossível sem a pessoa estar consciente de seus atos. Drogas: estamos fora! 



O Bruxo (a) pode transformar o medo em alegria, a frustração em realização, o temporal no intemporal, pode levá-lo além das limitaçães em direção ao ilimitado. O Bruxo é amor, com a Baqueta ele cria. Com a Taça ele preserva. Com a Adaga ele destrói.Com a Moeda ele redime. Suas armas cumprem a roda; e em qual eixo ela gira, não é de seu saber.

Os magos calculam milimetricamente cada ação, cada ritual, cada trabalho. Usam símbolos, círculos dentro de círculos, uma coisa cerimonial. A bruxaria é infinitamente mais simples.

Um mago é como um cientista. Sabe aquela imagem tradicional do mago sentado em meio a milhares de livros? É isso: é o pesquisador, o racional.

É bastante comum existir uma tradição familiar de bruxos. 


Um mago é como um cientista. Sabe aquela imagem tradicional do mago sentado em meio a milhares de livros? É isso: é o pesquisador, o racional.

A sabedoria, conhecimento sobre as ciências espirituais, a fé, poder da cura, o poder dos milagres, o dom da profecia, o poder de discernimento dos espíritos dom de falar línguas espirituais, o dom de interpretar as linguagens do espírito.

A profecia, é na verdade, segundo as escrituras, o mais precioso dom do espírito.



Sobre a profecia, dizem as escrituras:

Aspirai aos dons do espírito, principalmente o da profecia

A profecia é por isso o mais elevado dos dons espirituais, e dele se diz:

Aquele que profetiza fala aos homens: edifica, exorta, consola.

Significa isto: Aquele que faz profecia, fala aos homens as mensagens do espírito, e ao faze-lo, edifica ou constrói caminhos que conduzem ao alivio do sofrimento de quem esta atormentado; Exorta ou instrui os que padecem de forma a que entrem pelos caminhos que ele construiu e que levam á cura do mal; Consola ou acolhe com compaixão aqueles que sofrem. E ao tudo isso fazer, o profeta cura sofrimentos e devolve á vida de quem sofre o caminho perdido, a felicidade.


Um Feiticeiro não é um Bruxo, embora essa confusão seja comum.

Um bruxo é alguém que nasce com certa capacidade espiritual de dialogo com o mundo dos espíritos , e que depois usa essa faculdade em rituais de magia.

Um feiticeiro é uma pessoa comum, sem qualquer capacidade espiritual em particular, mas que pratica feitiços. Isso qualquer pessoa pode fazer sem que para isso possua alguma capacidade espiritual , ou um profundo vinculo com forças ou entidades do «outro lado».

Melhor explicando:

Uma bruxa é alguém cujo o espírito está aliado a poderosas forças espirituais, o que lhe confere a capacidade de dialogar diretamente com a esfera espiritual.

Uma feiticeira é uma pessoa comum com um espírito comum, que estudou assuntos esotéricos, que adquiriu conhecimentos de magia e que os pratica através da execução de feitiços.

Uma bruxa pratica rituais de bruxaria.

Uma feiticeira pratica feitiçarias.

Há magas que são bruxas, e magas que são feiticeiras, pois ambas trabalham com a magia, no entanto ambas, possuem, (como já aqui foi descrito), naturezas e essências substancialmente diferentes e distintas.

Mas tanto bruxas como feiticeiras, uma vez que trabalham com magia, são magas.

Há também os magos que são pessoas que se dedicam a profundos estudos , com a finalidade de alcançar elevada sabedoria sobre as esferas celestes e a forma como esse saber pode também afetar o nosso mundo físico. Esses são um outro tipo de magos, são sábios na velha tradição dos alquimistas, astrólogos, teólogos e filósofos místicos.

As sacerdotisas também se dedicam ao estudo de ensinamentos sagrados ou das escrituras da religião que perfilham, assim como geralmente trabalham no sentido do aperfeiçoamento espiritual .


As Sacerdotisas Profetas ou Videntes, são pessoas com um vínculo especial com o mundo espiritual; São geralmente pessoas que possuindo a capacidade de comunicar com espíritos, recebem deles visões e mensagens, ( que podem ser recebidas das mais diversas formas: visões, sonhos, aparições, etc), que são revelações e por isso, de extrema importância para o futuro. Tratam-se geralmente de indicações sobre o futuro que se foram seguidas, podem levar a bons caminhos, ou que se foram ignoradas, pode levar a maus caminhos; tratam-se por vezes também de informação sobre assuntos desconhecidos e que vem trazer á luz verdades que estavam ocultas. Há bruxos e bruxas e sacerdotisas com capacidade de vidência, assim como existem profetas que nem por isso são menos bruxos. 


Todas as Bruxas pregam o respeito e a harmonia com todos os seres do planeta. Elas seguem a religião da Deusacriadora e grande mãe.
Cultuam as forças encontradas na natureza. Elementais, deidades e templarios, que tomam conta de certos locais.
Os antepassados também são envocados, assim como o povo celta, que era muito aberto a outras culturas.
O ser humano precisa estar sempre em equilíbrio energético, so estando equilibrado pode-se crescer através do auto-conhecimento e da compreensão dos poderes psiquicos que cada um possui...

SOU UMA BRUXA PORQUE...ESTOU CERCADA PELA MAGIA 





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

MAGIA


A Religião Antiga é uma religião que engloba magia como um de seus conceitos básicos. Isto não é estranho. Na verdade, é normalmente difícil distinguir onde termina a religião e onde começa a magia, em qualquer fé.

A Magia é uma Arte antiga, na verdade tão velha quanto o Homem e (de um jeito ou de outro) vem sendo praticada até hoje...

Costuma ser definida de mil maneiras diferentes, entretanto, há um consenso, entre os estudiosos do oculto, quanto à sua "essência", pois, em geral, estes a explicam como sendo uma "força" que combinaria a "energia psíquica" com a vontade do mago para provocar as "modificações" desejadas por este.

Trocando em miúdos, o magista conseguiria levantar uma ponta do véu que ainda encobre certos segredos da Natureza e, teoricamente, poderia usá-los em seu próprio favor. Ou do próximo...


Éliphas Lévi, um velho magista do século IX, afirmava que qualquer magia é sempre absolutamente natural e, nem poderia ser de outra forma, porque a MAGIA é regida pelas mesmas leis que regem a Natureza e o próprio Homem como um todo.
Neste caso, em si mesma não teria "cor" alguma, pelo simples fato de ser tão neutra como qualquer outra força existente na Natureza.

As raízes da feitiçaria são muito antigas e remontam à pré-história. Contudo, abaixo do nosso leve verniz cartesiano, lá está ela, latente e pronta para eclodir à menor provocação...
Irritando alguns, assustando francamente outros, mas fascinando a todos, cá está ela entre nós, abertamente e já sem medo das fogueiras da Inquisição.

Atualmente, a Bruxaria faz parte do que convencionou-se chamar "neo-paganismo"e multiplica-se em centenas de vertentes, cuja abordagem além de difícil, costuma suscitar acirradas disputas entre os fieis, digamos, mais fundamentalistas...

De uma maneira geral, os Bruxos modernos declaram-se seguidores da Antiga Religião, naturalmente recriada da forma como se imagina que fosse praticada ao tempo dos remotos cultos agrários, onde prevaleciam as Grandes Deusas-Mães.

 É conhecimento comum, mesmo entre as massas, que as Bruxas praticam magia. Pode haver idéias distorcidas acerca do tipo de magia praticado, mas a Bruxa é firmemente associada, na cultura popular, às artes mágicas.

Em se tratando de magia, não existem caminhos fáceis. As bençãos nem sempre são proporcionais às ordálias. Isso ocorre porque o tapa marca mais que o beijo.
Existem aqueles que tentam desmistificar a magia, tratando-a como artigo de beleza, como uma roupa ou maquiagem que torna a realidade algo mais agradável à vista humana do que a aspereza do terreno realmente faz sentir. No entanto, magia não é algo a ser comprado, vestido ou maquiado. Infelizmente, mais do que fazer o caminho menos pedregoso ao caminhante, essas pessoas apenas desviam o estudante daquilo que é sério,daquilo que é vivido e que marca não apenas a carne, mas marca o espírito com cicatrizes espirituais.
Há o caminho da Espada e há o caminho da Serpente. Ao primeiro, completa o segundo.
Não como anteposição, mas como aprofundamento e complemento. O primeiro é característico do começo da jornada, onde a curiosidade impulsiona a caminhada. Os passos são vascilantes, mas os passos são largos e descuidados, o que provoca muitas quedas pelo caminho. O segundo, é caracterizado pela disciplina e pela seleção criteriosa daquilo que se estuda e se pratica.

Magia (não confundir com mágica ou truque) antigamente chamada de Grande Ciência Sagrada pelos Magos, é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade. A etimologia da palavra Magia, provém da Língua Persa, magus ou magi, significando tanto imagem quanto um homem sábio.

Há registros de práticas mágicas em diversas épocas e civilizações. Supõe-se que o caçador primitivo, entre outras motivações, desenhava a presa na parede da caverna antevendo o sucesso da caça. Adquiriu o ritual de enterrar os mortos. Nomeou as forças da natureza que (provisoriamente) desconhecia, dando origem à primeira tentativa de compreensão da realidade, o que chamamos de mito.


Os antigos acreditavam no poder dos homens e que através de magia eles poderiam comandar os deuses. Assim, os deuses são, na verdade, os poderes ocultos e latentes na natureza.

Durante o período da Inquisição, os magos foram perseguidos, julgados e queimados vivos pela Igreja Católica, pois esta acreditava que a magia estava relacionada com o diabo e suas manifestações.

A magia, segundo seus adeptos, é muitas vezes descrita como uma ciência que estuda todos os aspectos latentes do ser humano e das manifestações da natureza. Trata-se assim de uma forma de encarar a vida sob um aspecto mais elevado e espiritual. Os magos, utilizando-se de atividades místicas e de autoconhecimento, buscam a sabedoria sagrada e a elevação de potencialidades do ser-humano.


A magia seria também a ciência de simpatia e similaridade mútua, como a ciência da comunicação direta com as forças sobrenaturais, um conhecimento prático dos mistérios ocultos na natureza.

As Bruxas (os) também estabelecem relações especiais com a Deusa e com o Deus por meio da magia. Isto não quer dizer que todo encantamento é uma oração, nem são as invocações encantamentos com palavras diferentes.

O ato de chamarmos por seus nomes e visualizarmos sua presença durante os encantamentos e ritos cria um elo entre o Divino e os humanos.

Assim, na Religião Antiga , a magia é uma pratica religiosa.
Definir a magia, surpreendentemente esta é uma tarefa dificil. Uma definiçao bem simples mais recente e refinada é:

" A Magia é a projeçao das forças naturais para gerar efeitos necessários."





A Magia divina é a anergia existente na Deusa e o Deus -- a força vital, a fonte do poder universal que criou tudo aquilo que existe. A dualidade, a polaridade vinda de uma única e indescritível fonte a que chamamos a Fonte de Poder Universal.

As Bruxas (os) invocam a Deusa e o Deus para abençoar sua magia com poder. Durante os rituais eles podem direcionar o poder pessoal às deidades, pedindo para que uma determinada necessidade seja atendida. Isto é magia verdadeiramente religiosa.

Portanto, a magia é um processo pelo qual as Bruxas (os), operam em harmonia com a Fonte do Poder Universal, a qual visualizamos como a Deusa e o Deus, assim como com as energias pessoal e da Terra para que melhoremos nossas vidas e para levar energia à Terra. 



Ao contrario do que reza a crença popular, a magia não é sobrenatural. Na verdade, é uma pratica oculta (escondida) imbuída em milenios de segredos, calúnias e desinformação, mas é uma pratica natural que se utiliza poderes genuínos ainda não descobertos ou catalogados pela ciência.

Isto não invalida a magia. Nem mesmo cientistas declararam saber tudo sobre nosso universo. Se assim o fizessem, o campo da investigação cientifica simplesmente não existiria. 



Os poderes que as Bruxas (os) utilizam um dia serão documentados e assim perderão seus mistério. Tal já ocorreu, em parte, com a hipnose e a psicologia, e pode em breve acontecer com a percepção extra-sensorial.

A Magia é eficaz para causar manifestações de mudanças necessárias. Isto não é enganar-se a si mesmo. A Magia praticada de modo correto funciona, e nenhuma tentativa de explicação alterará este fato.


Há muitos modos de se praticar magia. As Bruxas (os) geralmente escolhem formas simples e naturais, apesar de alguns preferirem cerimoniais elaborados. Normalmente, entretanto, envolvem ervas, cristais e pedras; a utilização de símbolos e cores; gestos mágicos, musicas, voz, dança e transe; projeção astral, meditação, concentração e visualização.


Portanto devemos infundir o poder pessoal à necessidade, e em seguida libera-lo . Na magia das Bruxas (os), o poder pessoal é reconhecido como uma ligação direta com a Deusa e o Deus. A magia, portanto, é um ato religioso com os quais as Bruxas (os) se unem a suas deidades para melhorarem a si mesmos e ao seu mundo. 




Todo o conhecimento que os druidas levou sobre magia celta, foram transmitidos apenas de um indivíduo para outro sem usar qualquer tipo de documento escrito, que é por isso que é tantas vezes difícil de determinar as características das práticas de magia celta.
A interpretação da natureza foi um dos pilares mais importantes da magia celta, que por sua vez, incluiu técnicas de adivinhação baseado em voos diferentes de aves, mas apesar do respeito e devoção que manteve este tipo de magia da natureza . 


A verdadeira magia não é superstição nem magia popular, tal como os poderes atribuídos às ervas e aos encantamentos naturais. É a compreensão dos princípios metafísicos e de como empregá-los para manifestar seus desejos ou necessidades. Frequentemente a magia requer a utilização de instrumentos preparados e estados de consciência estabelecidos.

Magia também é encontrado nas culturas xamânicas, entre os homens da medicina e mulheres das tribos.

Embora usem “medicina” como palavra em vez de magia, em essência, eles estão praticando magia.

A dança da chuva, uma canção de cura, ou até mesmo uma bênção de proteção são todas as formas de magia.


A magia da Religião Antiga descende fundamentalmente das ancestrais crenças religiosas da Europa. A crença na Grande Deusa, era professada em toda a latitude e longitude do espaço europeu pré-cristianizado, desde o norte da Europa á península ibérica. Os celtas foram talvez os mais reconhecidos praticantes da magia que mais tarde veio a ser conhecida por «Bruxasa », mas na verdade tratava-se de uma crença amplamente divulgada. Com o evento do Cristianismo, as crenças religiosas e magias pagas foram altamente reprimidas, e terá sido neste momento em que as praticas espirituais europeias foram forçadas a ser praticadas em rigoroso secretismo, ( professar estas religiões e sistemas mágicos era punido com tortura e morte na fogueira), que nasceu um quadro de diferentes movimentos religiosos distintos. A velha religião europeia evoluiu assim para uma série de sistemas mágicos diferentes. 




*alguns, mantendo a pureza das tradições religiosas, acabaram fundando o sistema que séculos mais tarde seria conhecido por Wicca;

*outros, incorporando nas velhas crenças, conceitos do cristianismo, ( como o de anjos, de demónios, de Diabo, etc), evoluíram diferentemente e acabaram séculos mais tarde por formar o sistema religioso denominado simplesmente por «bruxaria»

A magia da Religião Antiga , possui uma forte componente de contacto com espíritos elementais, ou seja, tanto espíritos que incorporam nas forças da natureza, como entidades que são emanações das próprias forças da natureza.

Igualmente na perspectiva das tradições esotéricas mais ancestrais que procuram a relação e o contacto com espíritos elementais, encontramos também a magia Celta.

Tanto a Bruxaria como a Magia Celta, são sistemas mágicos sustentados numa crença religiosa politeísta, na qual se professa a fé em Deuses e Deusas, bem como visões mitológicas próprias. A Magia Celta, assumirá contudo contornos de druidismo, o que virá a enquadrar na classe dos sistemas mágicos xamanistas.


Ainda assim, a magia tem papel especial na Religião Antiga . Ela nos permite melhorar nossas vidas e desenvolver energia ao nosso tão maltratado planeta. 



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