
Avalon, a terra dos Deuses, a ilha das maçãs... Reino perfeito de amor e beleza, a busca constante de todo o ser humano que, apesar de suas desilusões, ainda cultiva a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.

Para os irlandeses o Outro Mundo é Tir na nÓg, a ilha da Eterna Juventude. Para os galeses o Outro Mundo é Annwn, Ynys Afallach ou Avalon das lendas arthurianas. E para os gauleses o Outro Mundo é Avallon, a ilha das Maçãs, local das macieiras da sabedoria responsáveis pela imortalidade, onde a doença e a morte não existem.

Para nós o Outro Mundo é Avalon, associada aos seres mortais e imortais ou seres feéricos, como os Tuatha Dé Danann, Arthur e seus companheiros, Viviane,Morgana, Nimue e Merlin, o mago. Um lugar de eterna beleza e felicidade, onde a música, a dança, a arte e todas as atividades prazerosas se reúnem.

Avalon também recebe o nome de Ilha Afortunada, pois suas colheitas são fartas e abundantes. Diz a lenda que, era governada por Viviane, Morgana e suas nove irmãs, sacerdotisas guardiãs do caldeirão do renascimento, símbolo da Deusa Mãe, capaz de curar todos os males. Além de evocar as brumas para adentrarem à ilha encantada.

Mas é no sudoeste da Inglaterra, a 150 km de Londres, na cidadezinha de Glastonbury (um dos lugares mais sagrados da Inglaterra) que expedições arqueológicas e antropólogas encontraram não só vestígios de um Arthur em carne e osso como também do seu refúgio, a lendária Ilha de Avalon.

Para muitos respeitáveis estudiosos, porém, não há dúvidas de que a pacata e bucólica Glastonbury de hoje foi outrora a mítica Ilha de Avalon e atrai visitantes de todos os gêneros: românticos fascinados pela história do rei Arthur, peregrinos à procura da herança da antiga religião, místicos em busca do Santo Graal, em busca da energia que emana de Stonehenge que era ligada ao antigo rio Avalon, ainda quando Glastonbury era rodeada por pântanos, enquanto; os astrólogos são seduzidos pela existência de um zodíaco na paisagem, chamado Templo das Estrelas de Glastonbury por Katherine Maltwood.

Pesquisas arqueológicas e antropólogas atestam que os campos de Glastonbury há milhares de anos, foram pântanos drenados, ou seja, a cidade já foi uma ilha, o que reforça sua proximidade com as lendas de Avalon também chamada de "Ynis Vitrin" ou Ilha de Vidro. O nome Avalon tem origem no semi-deus celta Avalloc. Os Celtas a consideravam uma passagem para outro nível de existência. Uma existência povoada de magia e amplitude espiritual.

Em Avalon havia suas deusas e deuses, vivia em harmonia com a natureza, ao seu ritmo, seguindo as mudanças das estações do ano, os ciclos da lua com seus antigos rituais. Viviam lá as Sacerdotisas da Lua e aprendizes dos mistérios e forças da natureza, conheciam a magia, as ervas para curar, os segredos do céu e das estrelas e a música principalmente...Em Avalon onde tudo florescia era iluminada pelo sol.

Avalon é uma ilha sagrada. Há muitas eras, pertencia ao mundo, mas hoje, está entre a Terra e o Outro Mundo, cercado pelas brumas que encobrem a ilha e a separa do mundo dos homens.

Inúmeros sítios místicos da Bretanha envolvem uma história particularmente rica e variada, figurando em cultura druida, cristãos, cultos celtas, no ciclo arturiano e na espiritualidade da Nova Era. No entanto, mesmo as associações mais antigas são relativamente novas, se comparadas com os primórdios dos marcos sagrados. Há 6 mil anos ou mais, alguns desses sítios constituíam o solo sagrado de um povo mais remoto – os adoradores neolíticos da Deusa-Mãe.

A pedra-ovo, considerada símbolo da poderosa mãe cósmica pode possuir uma energia própria. Alguns historiadores e antropólogos acreditam que ela representasse um olho, um símbolo usual da deusa-mãe. O morro em si seria a íris e o círculo em seu topo, a pupila.

Ao redor de suas encostas os terraços construídos pelos homens formam um imenso labirinto que se enrosca até o corpo. Alguns pesquisadores acreditam que esses caminhos tortuosos foram projetados para a prática de rituais pagãos, na pré-história.

A colina do Tor era a que poderia ser considerado o acesso à mística Ilha de Avalon. Dizem que o mar chegava até esse local e era um lugar rodeado pelas águas e conhecido como Avalon, cujo nome de reminiscência artúrica significa Ilha das Maçãs e em algumas antigas culturas, essas frutas representavam a imortalidade. Nela, descansavam os mortos antes de voltar a renascer. Segundo a lenda, o rei Arthur, depois da batalha em Camelot, foi levado a Avalon de onde voltaria algum dia. Inclusive a bruma que costuma cobrir a região que os habitantes locais chamam de "A Dama Branca", evoca a névoa da mística de Avalon.

O Tor de Glastonbury é inconfundível em uma vista aérea. Sobressai de tal maneira na paisagem, que induziu à hipótese de ter servido como referência para a aterrissagem de discos voadores. “Tor” em celta significa Portal, passagem; estaria ali o umbral que permite a passagem do nosso mundo para a ilha sagrada de Avalon.

Antes mesmo da comunidade de sacerdotisas chegar à ilha já havia ali um povo antigo. E antes, outros viveram ali: eram um povo sábio que saiu das Terras Alagadas, Atlântida, a ilha que submergiu há milhares de anos no Oceano Atlântico, devido a um grande cataclismo. Instalaram-se em Avalon e a fizeram uma ilha sagrada, levando seus conhecimentos e transmitindo-os a seus descendentes. Construíram círculos de pedras que marcavam as linhas de poder da Terra, onde realizavam seus cultos. Um desses círculos fica no topo do Tor (o círculo de pedras foi destruído e hoje há no local uma igreja), a colina sagrada onde as sacerdotisas servem à sua Deusa e os druidas fazem seus rituais.

Do topo do Tor, descemos a colina e em meio a carvalhos chegamos ao Chalice Well Gardens, os Jardins do Cálice Sagrado, onde José de Arimatéia, amigo e protetor de Cristo, no ano 37 d.C., teria escondido o Santo Graal, o cálice da Santa Ceia, contendo o sangue de Jesus. O poço fica nas proximidades da colina de Tor.

De uma fonte, sai uma água pura e cristalina com propriedades medicinais. O sangue do cálice teria sacralizado e tingido a água pura do poço. Para os turistas e locais, beber as águas do "Chalice Well" é beber da própria fonte da juventude.

Glastonbury é um berço sagrado com seus mistérios e histórias, e ainda hoje pode-se sentir no ar a presença das sacerdotisas e personagens míticos que outrora povoaram a sagrada ilha.

Quando, em 1191, os monges de Glastonbury encontraram a suposta sepultura de Arthur, no cimo de um pequeno monte, que dantes se encontrava circundado de água, disseram ser este o local da mítica ilha de Avalon. A inscrição no túmulo dizia:
"Aqui jaz, enterrado na Ilha de Avalon, o conhecido Rei Arthur".

Em uma posição de poder e conhecimento, Morgana confere às mulheres uma importante retomada de sua posição forte no culto às Deusas. O único valor concebível para a inscrição desse túmulo, é dar nome da sua localização para identificar Glastonbury como a Ilha de Avalon.

A descoberta do corpo de Arthur tem sido ultimamente vista como rota para a Ilha de Avalon. Se ele não se recuperou e morreu ali, poderia muito bem se esperar que ele fosse enterrado no local. Para os etimologistas do século XII, estava claro que Glastonbury era um nome inglês e que, se a fundação é anterior à conquista saxônica, deve ter tido um antigo nome britânico. Os saxões chamaram Glastonbury de Ilha de Vidro e os galeses optaram por chamar Avalon de "Ynis Afallach".

Avalon, uma lenda que está muito além das brumas do tempo... Mas como alcançá-la? Para aqueles que estão centrados na fé, basta apenas olhar dentro de si e buscá-la nos seus mais nobres sentimentos. O Templo de Avalon é o corpo que guarda a alma ancestral, o caminho que nos leva direto a misteriosa Ilha das Maçãs, ou seja, o caminho da verdade infinita que está dentro de cada ser.
Para adentrarmos na ilha sagrada de Avalon, respire profundamente e esvazie sua mente de todo e qualquer pré-julgamento, medo ou dúvida. Invoque a emoção e a razão dos nossos Deuses Antigos. E, diga apenas:

"Que as brumas, novamente, dêem passagem ao filho de Avalon, que retorna da sua longa jornada, ao plano de luz e beleza. Abençoados pelo céu, a terra e o mar!"
Aos poucos a sensação de bem-estar e amplitude aumentará e num determinado momento você estará lá.

Saiba que tudo é possível e que cada minuto são horas de puro prazer e recordação... Busque as respostas, soluções e simplesmente acredite que elas já fazem parte da sua vida. Viva intensamente este momento e percorra toda a ilha. A cada nova viagem você retornará revigorado e sua percepção ficará cada vez mais aguçada. Avalon é simplesmente esta doce emoção, mas, apenas para aqueles que ainda acreditam na magia.

Avalon é o despertar natural da consciência, o templo do mundo interior, terra da eterna magia e saber que oferece iniciação e esclarecimento a todos os que ingressam nessa jornada.

Invisíveis aos olhos descrentes, as brumas revelam seus mistérios apenas aos que servem o princípio maior, junto aos Deuses. E, somente, aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo. O medo, como sempre, é o grande desafio daqueles que estão na travessia deste portal, prestes a desvendar os segredos do Outro Mundo.

Avalon chama-nos ao seu sagrado caminho, mas somente nós é que poderemos tecer o fio desse destino.Através da sensibilidade e da intuição começamos a discernir aquilo que é melhor e o que realmente faz a nossa alma feliz.

Avalon simboliza a busca constante do ser humano que, apesar das desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, encontrar a fonte inesgotável da sabedoria da tríplice divina... O reencontro dos Deuses dentro do nosso templo sagrado

A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon: o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e, talvez, no fim, chegaremos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus sinos, sua morte, seu Satã e Inferno e danação... (palavras de Mrogana)
























