sábado, 17 de junho de 2017

EU SOU SACERDOTISA EU SOU PAGÃ


Eu sou uma Sacerdotisa da Bruxaria Tradicional e também sou Pagã. Eu sou parte de toda a Natureza. As Pedras, os Animais, as Plantas, os Elementos e Estrelas são meus parentes. Outros humanos são minhas irmãs e irmãos, sejam quais forem suas raças, cores, sexo, orientações sexuais, idades, nacionalidades, religiões, estilos de vida. Sou Bruxa e sou Pagã sendo assim posso afirma que o Paganismo é um nome genérico que se refere às religiões politeísta, panteísta e animista, ou seja, religiões que respeitam a natureza como um ser divino, que possui espírito e cultuam vários Deuses e Deusa.

Eu uso a magia para melhorar minha vida e das pessoas que me procuram, aprendendo com meus erros e renovando minha capacidade de reconhecer o universo como um milagre de magia e perfeito equilíbrio. Conheço os diversos mundos e busco trazer deles o que melhor condiz com minha realidade e as necessidades que surgem nos giros da Roda da Vida, aprendendo a lição dos ciclos.

Pertencer a Bruxaria Tradicional e ser Pagã significa que estou livre para ser a criatura maravilhosa que Eu sou, Eu tenho a coragem e a força para me permitir ser quem eu realmente sou e não me tornar mais uma sem ideia que eles pensam que Eu "deveria" ser. Eu sou a filha de muitas mães e muitas são as que me guiam. Também sou filha de muitos pais e muitos são os que me aconselham. A Deusa que me ilumina, é aquela que me ensina e o Deus que me fortalece, é aquele que me engrandece e todos os Deuses trazem a mim o seu alento.



No meu Templo celebramos a Roda do Ano criando junto com as minhas irmãs de alma que me cercam a dança ancestral, refazendo os caminhos já trilhados por nossos antepassados de uma maneira nova e em consonância com nosso tempo. Nós dançamos ao redor de fogueiras ao som de tambores. Nós acreditamos na Grande Mãe, que também é Donzela e Anciã. Cultuamos o Deus Chifrudo e com ele caminhamos sob o céu. Praticamos ritos antigos, e também novos. Levo minhas irmãs às celebrações lunares e solares, desejando que elas cresçam cada vez mais responsáveis e tenham auto -determinação, independência e liberdade. Que elas possam fazer a magia do amor.

Ao longo desses anos conheci muitos pagãos, cada vez mais pessoas que acorda do pesadelo das visões retilíneas do universo e passa a sonhar o doce sonho da Terra. Nessas pessoas descubro meus irmãos e irmãs de alma, meus companheiros e companheiras de caminho, minhas parceiras na dança espiral. Me orgulho de viver em um tempo em que a Deusa sorri e podemos retribuir seu sorriso em alegria e liberdade. Nunca mais os tempos da fogueira.

Eu honro a Grande Deusa em Seus muitos aspectos de Grande Mãe, e o Deus Pai, em suas formas de Velho Deus Céu, Pai Tempo e Rei do azevinho. Eu decoro minha casa com luzes e com azevinho, hera, visco, sempre-vivas e outras ervas sagradas para esta estação. Eu toco sinos no novo ano solar e falamos muito, aprendemos muito, na caminhada da Bruxaria.


Mas muitas pessoas não percebem que o que movimenta a magia é a nossa fé. De que adianta, uma Sacerdotisa, uma Bruxa, um Mago ou um Aprendiz, viver em função de rituais, bruxedos, se sua fé não está enraizada.
Sabemos da existência da "Lei Tríplice", sabemos do quanto é ela importante na caminhada, mas se a fé não andar de mãos dadas com a prática, tudo se torna vazio...

Não sou perfeita, e não cobro perfeição, não sou imune a erros e defeitos, afinal sou humana como todos são!
Não corro atrás de ninguém, por entender, que amizades, que começam assim, já não tem bases sólidas...
Mas sou compreensiva aos impulsos humanos, afinal quem sabe realmente o teor do sentimento amor, sabe que se deve ser flexível.
Falo mansamente a minha verdade, e sei ouvir as dos outros, pois entendo que esse é o parâmetro da socialização humana...
Não obrigo ninguém a nada, pois detesto flagelos que nos prendem, amo a liberdade, tanto de expressão, quanto de personalidade...
Estou aqui no mundo, única e exclusivamente para evoluir, cair, me levantar e prosseguir como qualquer humano que compreende a necessidade do seu próprio caminhar.

Eu sou uma Bruxa Tradicional e também sou Pagã, mas eu não sou má. Não prejudico ninguém com o meu poder! Não sou perigosa... Minha religião não é uma piada! Não sou fantasia...Sou real! Você não precisa ter medo de mim...Não quero converter você! Mas, por favor, não tente me converter. Apenas me dê o mesmo direito que lhe dou: Viver em paz! Sou muito mais parecida com você, do que possa imaginar e por tudo isto que Eu entendo que a Espiritualidade da natureza é a minha religião e minha base de vida. Natureza é minha professora espiritual e meu livro sagrado. Eu sou parte da Natureza e a Natureza é parte de mim. Minha compreensão dos mistérios internos da Natureza cresce enquanto eu viajo neste caminho espiritual.

Eu abraço o título de ser UMA SACERDOTISA DA BRUXARIA TRADICIONAL E PAGÃ e tenho orgulho de suportar. Eu amo isso, pode me chamar de Bruxa de Pagã agora e sempre, pois não me sinto mal sobre isso.

Selma – 3fasesdalua



sábado, 27 de maio de 2017

A MAGIA DAS BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL


"Magia, aquilo que os céticos chamam de ilusão, os tolos de poder e os sábios chamam de vida."
Eddie Van Feu




As pessoas costumam temer o que não conhecem bem, e é isso o que acontece com relação à Bruxaria Tradicional talvez por isto nos dias de hoje muitas pessoas perderam a capacidade de olhar o mundo com encantamento, mas podemos reaprender isso prestando atenção nas lendas e nos mitos que ainda falam de realidades invisíveis que nos rodeiam. Talvez seja por isto que a Magia se tornou mal vista quando pessoas não preparadas resolvem tentar "despertar" os outros, contando-lhes coisas que não foram vistas e induzindo lhes ao erro camuflado de "grandes verdades da Magia”.

Na Bruxaria Tradicional aprendemos que toda Magia que flui de nossa conexão com o sagrado é energia de nossa vida, esta deve ser guiada pela natureza sagrada quando trabalhamos com ela, pois entendemos que a Magia muitas vezes funciona de maneira inesperada porque não é um processo mecânico, e o Universo não é uma máquina, estamos vivendo e fazendo Magia dentro de uma Divina Realidade, por isto nós Bruxas da Bruxaria Tradicional entendemos que as Bruxas não comandam nem controlam destinos, apenas recriam.

Entender o Segredo Real da conjuração do sucesso, como acontece com toda Magia, é a sua ligação com o Poder Sagrado que habita dentro de você e te rodeia. Tenha sempre cuidado com o que vai pedir, pois ao trabalhar, viver e praticar sua Magia em harmonia com a natureza, você estará em harmonia com o Deus e a Deusa que está dentro de você, no mundo e em toda natureza ao seu redor. 



Qualquer um tem o direito de praticar a Bruxaria seja ela em qual vertente for, pois se toda religião é formada basicamente de fé e misticismo, podemos compreender que religião e ocultismo estão interconectados. Dessa forma, concluímos que ocultismo é o conhecimento secreto das religiões, pois a capacidade humana de questionar-se é uma de suas maiores virtudes ao longo da história. O simples ato de buscar o autoconhecimento, compreender a própria origem e um significado supremo da existência na Terra.

Quando a mulher se descobre Bruxa da Bruxaria Tradicional sua alma reage, Ela reconhece o caminho em outras vidas percorrido. Não se trata então de um descobrimento. Na verdade, a Bruxa da Bruxaria Tradicional se redescobre Bruxa… Ela atende o clamor de sua alma e assume seu papel de ponte entre os mundos, pois na Bruxa Tradicional nós Bruxas deixamos nossa vida dançar suavemente nas bordas do tempo como o orvalho sobre a ponta de uma folha, pois entendemos que a Bruxa não pertence a nenhuma cultura, sociedade ou tribo ela é parte da sabedoria universal.

As Bruxas da Bruxaria Tradicional não somente varrem, Elas bane más energias. Elas não limpa, purifica. As Bruxas Tradicionais não cantam, encantam. Pois suas palavras são mágicas, e sua boca é santa, por isto estamos sempre estudando e procurando a sabedoria das nossas antepassadas, pois Bruxa Tradicional é, antes de tudo, alguém que está em contato com energias sutis. Olhamos ao nosso redor e vemos mais do que matéria. Vemos o íntimo, o Espírito das coisas nas coisas.



Eu nasci com este dom de ser uma Bruxa da Bruxaria Tradicional nunca fiz nada para ser assim. Consigo sempre ver nas coisas e nas pessoas algo mais do que coisas e do que pessoas. É fácil para Eu responder-lhes e brincar com as suas energias. Bruxas Tradicionais vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta, acreditamos no poder do feminino, temos os nossos próprios termos. Nós comungamos com a natureza. Escolhemos nossas próprias semânticas livremente, sem nenhum mediador. E o mais importante nós fazemos as coisas acontecerem. Somos parteiras para a metamorfose. Somos mulheres mágicas, somos Bruxas Tradicionais e nós, literalmente, mudamos o mundo.

Espero e faço meus pedidos a Grande Mãe para que as pessoas nos respeitem assim como respeitamos todos que não são pagãos, peço que essas pessoas entendam que não aceitamos o conceito de “mal absoluto”, nem adoramos qualquer Entidade conhecida como Satã ou Demônio, como definido pela Tradição Cristã. Não buscamos Poder através do sofrimento de outros, trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo e praticamos Ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das Forças Vitais marcadas pelas Fases da Lua.

O bom de ser Bruxa da Bruxaria Tradicional é que não precisamos estampar quem somos... Os Deuses nos reconhecem em nossos pequenos detalhes, pois é preciso muito mais do que um ritual teatral para se chegar a Deusa! O Poder está no Sentir... Ouvir... E Calar. Nada tem um fim definitivo... Tudo se torna outra coisa... Tudo se transforma... Até mesmo nós. Somos a natureza. Tudo o que nos cerca é natureza. A Deusa é natureza, portanto, é TUDO.

Selma – 3fasesdalua



terça-feira, 23 de maio de 2017

SOU O QUE SOU POR ISTO SOU UMA BRUXA DA BRUXARIA TRADICIONAL


Quero ir para um lugar onde o barulho seja apenas do vento e do mar...onde haja além de mim somente a presença divina da natureza "contaminando" a paisagem...e que lá reine os bons pensamentos e os sentimentos mais simples, entre eles a gratidão!
Rah Bruxa




O caminho da Bruxaria Tradicional é o fogo que vem da alma, da inspiração divina, é o caminho sábio do peregrino, é o mistério da vida e da morte, dos ciclos da natureza, da evocação da palavra mágica, é a essência ancestral perdida em um mundo superficial, é a ancora que leva a raíz da árvore sagrada. Seus mistérios que compõem e mantém vivo a essência, da fé nos costumes e devoções à magia, da fé na Espiritualidade Tradicionalista e talvez por este motivo muitas pessoas ficam fascinadas com a ideia de se tornar uma Bruxa ou Bruxo.

Bruxaria Tradicional é um modo de vida para indivíduos, não para massas; é tanto uma prática quanto um sacerdócio e não uma vestimenta que pode ser jogada fora quando as coisas ficarem difíceis, por isto não é raro encontrar pessoas que realmente acreditam que voamos em vassouras, ou que, ao nos tornarmos Bruxas, poderemos transformar a vizinha fofoqueira em sapo, ou ainda conquistar instantaneamente o gatinho mais cobiçado da escola. Pessoas que buscam na Bruxaria seja ela de qual seguimento seja com esse tipo de ilusão, ou que acham que reproduzindo o que viram em seriados como ‘Charmed’ ou no filme ‘Jovens Bruxas’ estão praticando a antiga Arte da feitiçaria, só podem se tornar ridículas e se decepcionar.

As Bruxas da Bruxaria Tradicional verdadeiramente são o mistério mais excelso da terra. Elas sentem o cheiro da morte, da vida, da mentira, da traição e outros mais....... Ainda nos dias de hoje somos as erveiras, raizeiras, benzedeiras, mulheres sábias que honramos esses ensinamentos passados por nossas ancestrais, talvez seja por isso que, como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma Bruxa da Bruxaria Tradicional retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.




As Bruxas Tradicionais vivem de uma maneira sagrada porque o mundo é sagrado, portanto é necessário tratar toda forma de vida com reverência e respeito, talvez por isto as pessoas costumem temer o que não conhecem bem, e é isso o que acontece com relação à Bruxaria Tradicional. Uma coisa importante a entender é que uma Bruxa Tradicional usa magia, em primeiro lugar, para moldar aspectos de sua própria vida depois ela a usa para fazer o bem respeitando sempre o livre arbítrio, mas entendemos que não é errado fazer magia para si, mas é errado fazer magia para passar por cima dos outros. Não é errado fazer magia para atrair um amor, mas é errado utilizá-la para escravizar pensamentos e tirar o livre-arbítrio de qualquer um que seja. No final, o mais prejudicado será você e apesar de não haverem regras na Bruxaria, duas coisas se tornam implacáveis: a lei do Tríplice Retorno (ou a Lei de Três) e nunca fazer algo que prejudique a si e aos outros.

Eu fico pasma como hoje é tão fácil você ler alguns livros, estudar por um ano e um dia e se autoiniciar. Pronto, você já deu um grande passo: agora você é Bruxa ! Não, você não é Bruxa. Não se pode simplesmente acreditar que você é uma Bruxa só porque você diz ser Bruxa. Este é o grande erro da nova geração. Este tem sido o erro fundamental que resultou na falta de credibilidade, na deturpação de valores transmitidos pelas nossas ancestrais.

Bruxas Tradicionais vivem de uma maneira sagrada porque o mundo é sagrado, portanto é necessário tratar toda forma de vida com reverência e respeito, aprendemos que a Magia muitas vezes funciona de maneira inesperada porque não é um processo mecânico, e o Universo não é uma máquina. Você está vivendo e fazendo magia dentro de uma Divina Realidade.




A Bruxaria Tradicional é muito mais que rituais e feitiços, é compartilhar, amar, cuidar...É saber levar a cada um o amor de nossos caminhos, o conhecimento sem medo de ser passado a outras pessoas, mas realmente passar na esperança que seja para um grande propósito onde fará a diferença um dia para muitas pessoas. Na Bruxaria Tradicional sabemos que as nossas escolhas são como sementes que plantamos, elas geram frutos, frutos que inevitavelmente colheremos, sejam eles bons ou maus.

A Bruxaria é uma tradição mágica. Xamanismo e Magia são técnicas espirituais, isto é, para ser Bruxa não é preciso fazer magia, ou ter poderes paranormais. Muito menos ser vidente ou médium. O que diferencia a Bruxa do Mago ou Xamã é a sua devoção pelos Deuses. Xamanismo e Magia são técnicas utilizadas pelas Bruxas, mas não têm nada a ver com a parte devocional da Bruxaria. É possível ser Bruxa fazendo-se somente os rituais de devoção, sem nunca praticar um único feitiço na vida, mas o contrário não é verdadeiro, pois, se não houver da sua parte um Amor sincero pela energia dos Deuses e harmonia com a Natureza, você pode fazer feitiços dia e noite, mas nunca será uma Bruxa. A Bruxaria Tradicional faz de cada ato, cada momento, cada instante uma celebração à vida. Os atos cerimoniosos ou momentos ritualísticos são a parte “fácil”, pois manter a intenção mágica em cada ato do dia, levar para o cotidiano os ensinamentos recebidos é o maior desafio das pessoas que buscam o crescimento dentro da Arte. A cada momento de sua vida mostrar aquilo que é e acredita, deixando de lado as desculpas ou críticas que surgirão no caminho.

A Bruxa vive gloriosamente, porque vive fazendo o caminho de fora para dentro, buscando filtrar tudo o que deve e o que não deve deixar entrar no seu templo sagrado, que é seu ser inviolável. Tem consciência dos seus erros, sem fantasias ou culpas infundadas. Sua noção de segurança individual e coletiva lhe promove uma vida de bem-aventurança pela virtude da prosperidade e da abundância.

Finalmente, a Bruxa aprende a se purificar vivendo com realismo, dentro da sua verdade, porém com a simplicidade dos Deuses, sem se abster das coisas que lhe foi permitido reger e proteger.

Por tudo acima descrito, é que costumamos afirmar que: "no caminho da Bruxaria são muitos os que buscam, e muito poucos os que chegam”.

Selma – 3fasesdalua



sábado, 6 de maio de 2017

ASSIM SÃO AS BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL NOS DIAS DE HOJE


Nem sempre conseguimos as respostas para as nossas perguntas então procuramos, mais de uma vez e transformamos a busca em uma tarefa a mais desta nossa louca vida.


Engana-se aquele que acha que tudo é simples. Na realidade a simplicidade das coisas está na complexidade do que é. Somente com predisposição de aprender e humildade poderá, então, seguir adiante caminhando pelo seu próprio caminho.


Às vezes não compreendemos que as respostas estão dentro de nossos corações e nos recusamos a ouvi-las e por isto Eu sempre falo que temos que procurar sempre nos conhecer, este sempre vai ser o primeiro desafio para obter a consciência de si mesmo e do que é capaz. Não podemos dizer que conhecemos tudo o que está ao nosso redor se não conhecemos a nós mesmo. Somente nos conhecendo a nossa divindade e os nossos demônios saberão o que somos capazes de fazer.


Bruxaria Tradicional é sabedoria ela acontece quando conseguimos transformar as coisas mais simples. Quando usamos os incensos e as ervas sabemos que ela serve para focar nossa energia no objetivo. Quando estamos mal e nos esforçamos para ficar bem, ou desejamos algo de uma maneira tão convicta que aquilo acontece, estamos praticando uma forma simples de magia.



O princípio da caça às Bruxas era tomar as terras das mulheres que viviam sozinhas. Elas eram independentes, conheciam o poder das ervas, por isso incomodavam e por isto se criou o estereótipo da Bruxa má que é fruto da demonização das mulheres perseguidas pela Igreja Católica. Na Europa, durante a Inquisição. Milhares de hereges foi para a fogueira 85% deles mulheres, a maioria acusada de Bruxaria. 'Na cidade de Trier, na Bavária, havia 800 mulheres. Num dia só, 798 foram queimadas.


Ser uma Bruxa da Bruxaria Tradicional significa tomar posse do próprio destino, e este é o primeiro passo para aplicar a magia no dia-a-dia.

Na Bruxaria Tradicional Eu aprendi que Eu não sou a neta das bruxas que vocês queimaram, Eu sou a reencarnação delas. Sou o seu Espírito que voltou com a força que inspiraram. Que aprendeu que a cura é proteção que nos revela e isto Significa que eu tenho a coragem e a força para me permitir ser quem eu realmente sou e não se tornar mais ninguém sem ideia que eles pensam que Eu "deveria" ser.

Dentro da minha Religião Eu sou um espírito que vagou para retornar a esta terra onde minhas irmãs Eu reencontrei ao meu lado Eu senti as chamas arderem em meu corpo e pulsar a morte por ter um poder Desconhecido e ignorado.




Hoje dentro do meu Templo me reúno com minhas irmãs em círculo me resgato e me curo em um só couro de nossas vozes caladas saem como a chama que os nossos corpos já nus, sem pudor nos clama, pois Eu sou sincera, teimosa e determinada.

Nós Bruxas da Bruxaria Tradicional nos curvamos para as florestas, pois somos as Bruxas que voltou para continuar a missão de seguir o caminho da Deusa sempre olhamos o passado como referência, o presente como luz, o futuro como meta e os monstros como parte do caminho. Somos as filhas de um poder maior pois estamos recebendo os ensinamentos das nossas ancestrais , utilizo trajes de todas as cores e em cada ritual especificamente. No inicio uso apenas branco. Quando Sacerdotisas uso preta dependendo dos rituais.


Eu sou Guardiã dos Sagrados e Saberes da Mãe terra, pois pela Deusa, eu quero o que eu quero e não há nada de errado com isso e aprendi também que Sou anciã, donzela, sou plena, sou feiticeira, Sou todas as forças em uma maior que impera, então, tente parar-me, tente apagar minha chama interior, tente pisar cada grama de beleza que tenho dentro de mim, pois Eu Sou a maré se movendo com a força da Lua Cheia.
Entendam de uma vez por toda que Eu não ando sozinha, nem ando com medo, ao meu lado tenho minhas Irmãs e minhas Ancestrais. Hoje estou mais forte e resgato O Feminino nosso de cada dia tão Sagrado e se isso me faz uma Bruxa, que assim seja. Eu abraço o título e tenho orgulho de suportar. Eu amo isso, pode me chamar de Bruxa agora e não me sinto mal sobre isso.


"Eu não sou uma bruxa, eu sou A Bruxa. E pra você, eu sou a Sra. Bruxa."


Selma – 3fasesdalua



quarta-feira, 3 de maio de 2017

COISAS DE BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL


Conhecer a si mesmo é a tarefa mais difícil, pois incita diretamente a nossa racionalidade, mas também coloca à prova nossos medos e paixões, pois a identidade da Bruxa transcende as encarnações, pois a alma de uma Bruxa é servir de ponte para unir o passado, presente e futuro, através do instrumento maior e mais complexo da humanidade que é o AMOR.


Como praticante da Bruxaria Tradicional, entendemos que temos de parar de pensar em termos de espaço e tempo linear. Precisamos pensar em termos de ciclos ou espirais. Nós temos os ciclos vitais, os ciclos de morte e renascimento, os ciclos das estações, os ciclos da Lua, os ciclos internos do nosso corpo físico e os ciclos de energia. Nada é linear, tudo gira em círculos o que chega até nós, sai de nós e volta para nós, pois assim somos nós Bruxas Tradicionais e sabemos que a palavra Bruxa é deliciosa, impregnada de antiquíssimas memórias que remontam aos nossos mais remotos ancestrais, que viveram em estreito contato com os ciclos naturais e apreciaram o poder e a energia que compartilhamos.

As Bruxas Tradicionais transcendem a compreensão medíocre, simplória, somos treinadas para que tenhamos idealismo na alma e no coração e assim trazemos nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do acaso, pois é assim que mantemos os nossos dois pés no chão da realidade, mas nós Bruxas também, sofremos por nossas perdas. Mas quando uma Bruxa pede por justiça, quando uma Bruxa renasce das cinzas, até o vento da maior tempestade cessa diante dela.



Quando uma Bruxa da Velha Arte fecha os olhos, ela pode ver em todos os lugares e pode observar tudo o que está acontecendo ao seu redor ou até mais alem, pois somos mulheres de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Somos Bruxas e por isto falamos com plantas e bichos, dançamos na chuva e nos alegramos com o sol. Cultuamos a Lua como Deusa e lhe fazemos celebrações... E por sermos o que somos as pessoas que se acham certas nos chamam de gente muito estranha mais essas pessoas sejam elas quem for não entendem como nós Bruxas falamos de amor com os olhos iluminados como par de luas cheias, que erramos e reconhecemos, caímos e nos levantamos, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em uma harmoniosa de cadência natural.

Não posso remediar erros, se é que foram erros, cometidos por homens mortos antes que eu nascesse. Já tenho muito que fazer para reparar os meus próprios erros, e não viverei o suficiente para vê-los todos reparados. Mas farei o que estiver ao meu alcance, enquanto eu viver, pois assim as minhas Ancestrais me ensinaram e como sei que Eu sou da terra, do fogo, da água e do ar. Sou de antes e de agora e vou morrer e renascer, pois é assim que vivemos.

Ser Bruxa da Bruxaria Tradicional equivale a confessar-se como habitante de um mundo cheio de mistério, encantado e mágico do universo. O passado torna-se real e não um mero relato dos livros de história e dos autos religiosos. Tornamos-nos uno. Partícula infinitamente pequena na grande engrenagem de um todo. Sentimos-nos impulsores do sistema e assim, o verdadeiro sentido de responsabilidade e comprometimento passa a ser inerente ao nosso ser e a escrever a nossa história, somente assim saberemos como compartilhar nossos dons com o mundo e entendemos a importância de reconhecer quais dons temos para compartilhar. Talvez assim as pessoas que não são Pagãs entendam de uma vez por toda que as BRUXAS não trabalham para o demônio, não estamos interessadas no Satã. Satã foi inventado pelos cristãos. Eu não sou uma cristã. Eu não vou à igreja aos domingos. Eu não temo ir para o inferno porque eu acredito no inferno tanto quanto acredito no Satã.



Eu acredito em reencarnação; que voltarei para este mundo ou outro, e viverei outra vida. Eu não sou má. Dizer às pessoas que eu sou uma "Boa Bruxa" ou perguntar-me se sou uma Boa Bruxa implica que há Más Bruxas. Há pessoas más no mundo, e há pessoas que escolhem usar as forças da natureza para fazer mal aos outros; essas pessoas não são Bruxas. A lei principal da Bruxa é "Faça o que quiseres sem a ninguém prejudicar".

Por respeitarmos, conhecermos e vivenciarmos as Tradições da nossa História e Religião aprimorou os nossos mais diversificados sentimentos em relação a todas as irmãs Bruxas e nos tornamos sensíveis aos fenômenos da natureza por vivenciarmos com a alma e o coração as nítidas transformações energéticas climáticas e geográficas, por nos sentirmos participantes inatos deste sistema sempre somos fieis aos nossos princípios por compreendermos a nossa trajetória como Bruxas, pois somos seres verdadeiramente livres por conhecermos e entendermos dentro da nossa doutrina que todos somos iguais no grande útero da Grande Mãe, que nos acolhe, assim, somos parte de todos os reinos da natureza, mineral, animal e vegetal.

Se alguém quer me perguntar algo relacionado à minha religião, pergunte-me quando a próxima lua cheia vai chegar. Pergunte-me sobre ervas. Cristais. Curas. Às vezes me pedem para fazer uma poção do amor. E eu não vou lançar um feitiço no seu "desejado" para fazer ele te amar. Acredite-me, você não quer isso. Isso é forma de manipulação, mandar em alguém, infringe na sua liberdade. Não é bom para ninguém. Magia funciona como uma co- criação. Uma bruxa funciona com energia universal, com os deuses, "inclinando" a máquina de probabilidade para algo. Não tente enfeitiçar seu chefe a dar um aumento. Simplesmente peça ao Universo que aumente “fluidos" de abundância e prosperidade em sua direção. Isso não afeta ninguém. Última coisa; dar-me um livro sobre a Inquisição é como dar um livro sobre o Holocausto a um judeu. Não é engraçado, é rude. Por favor não tente me deixar envergonhada com o que faço ou o que sou. Por favor não tente me converter ou me "salvar". Não atire água benta em mim. Não me deixe "santinhos" sobre minha mesa ou para-brisa. Eu não necessito ser salva. Nós BRUXAS somos orgulhosas do que somos e conhecemos o nosso caminho nós simplesmente somos.



Quero gritar para todos ouvir e entender que quando estudamos a nossa religião, e nos iniciamos nos caminhos da Deusa, estamos apenas olhando ao longo de uma janela que por algum tempo a mantivemos fechada e que neste momento abrimos para vislumbrarmos os panoramas externos, que os nossos olhos pararam de ver pelo simples fato da janela está fechada. 

A consciência dos Deuses em nós é "autoconsciência". O conhecimento da Deusa, em toda a sua potencialidade é autoconhecimento.

Ao encontrarmos a Deusa em nós, aprendemos a nos respeitarmos enquanto mulheres e desenvolvemos a ética, o respeito ao próximo, a civilidade, a cidadania, aprendemos o valor da palavra dada e assim estimulamos a sinceridade, a fidelidade e a generosidade em nós, e nas pessoas com quem convivemos, por entendermos nitidamente o valor dos relacionamentos entre os seres humanos.


Tudo isto é o que Eu e minhas irmãs da Bruxaria Tradicional somos simplesmente BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL.


Selma – 3fasesdalua


sábado, 22 de abril de 2017

SER SACERDOTISA E BRUXA DA BRUXARIA TRADICIONAL É ASSIM.


"Tudo que você semeia, cedo ou tarde terá que colher... a vida é plantio. Escolha as sementes com sabedoria." 
Renata Fagundes


Acreditava-se antigamente que existiam os destinos; O passado era uma senhora idosa. O presente uma bela donzela e o futuro uma criança e ambas teciam os destinos. Todos passavam pelas mãos delas e quando alguém modificava seu destino, um fio dele era cortado e começava-se criar um novo. Esse novo era unido ao outros. Acreditava-se também que cada fio brilhava como se fossem fios de ouro, pois cada vida era preciosa e cada escolha também.

Eu Selma sou uma Sacerdotisa e nunca vou deixar de ser chamada de Bruxa da Bruxaria Tradicional, Eu sou a filha da lua, as lembranças de estrelas esquecidas. Eu caminho sobre esta terra, vestida de carne e sangue, envolto em desejos matérias e intuições sábias. 

Na Bruxaria Tradicional Eu aprendi a andar no meio do fogo e da água, a terra e o céu. 

A névoa me revela infinitos caminhos para Eu seguir a minha jornada, pois ela, é uma dança ao silêncio de música das estações.

A verdadeira Bruxa quando observa o pôr do sol, fecha os olhos e sente a alma expandir, ela sente que é tudo, que entende tudo e consegue traduzir o canto dos Mistérios universal, esse misterioso chamado que nos proporciona tão grande bem estar e plenitude de ser.

Quando as Sacerdotisas e as Bruxas vê a lua, sente que entre elas existe uma ligação muito íntima, pois ambas possuem ciclos, fases, ser uma Sacerdotisa ou Bruxa também é isso, é identificar as analogias entre a natureza e o "Eu" e ver que o que está em cima, é o que está embaixo.

As Sacerdotisas e Bruxas possui a sabedoria conseguida através da maturidade e das muitas experiências, sem com tudo perder o coração doce da criança que descobre o mundo.


As vezes muitas pessoas me pergunta quando me tornei Bruxa, não me tornei Eu nasci Bruxa, todas as mulheres da minha família são e foram Sacerdotisas e Bruxas da Bruxaria Tradicional.

Eu nasci com este dom nunca fiz nada para ser assim. Consigo sempre ver nas coisas e nas pessoas algo mais do que coisas e do que pessoas. É fácil para Eu responder-lhes e brincar com as suas energias, pois de minhas mãos brotam a Arte em todos os sentidos.


Nós temos amor por tudo que fazemos, temos o toque delicado que acaricia as flores, que tenta tocar as estrelas, que tenta tocar o infinito. Todas sabemos que a natureza é uma Mãe sábia, ela nos dá, mas também tira, e que devemos ser sagazes, fortes, e que um dia, todos, sem exceção, voltaremos para ela, para o grande Útero Universal.

Na Bruxaria Tradicional aprendemos que a magia é a capacidade que o ser humano tem de ver na natureza algo novo, um encontro com a natureza. Então toda vez que você olha para a natureza e a vê de uma maneira nova, reformulada, isso é magia.

Na Bruxaria Tradicional entendemos desde, pequenas que ser Sacerdotisa e Bruxa é ser livre. Mas que essa liberdade não seja confundida com libertinagem. 

Liberdade é ser livre para acreditar no que você quiser, sem a necessidade de obedecer a dogmas, coisas impostas mas é importante ter alguns pilares, ser uma pensadora e estar sempre procurando o melhor para a sociedade, para aqueles que estão ao seu redor.

A minha Grã Sacerdotisa Viviane em um dos seus muitos ensinamentos me falou : “Que o seu caminho minha menina Selma seja brando a teus pés, que o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, que as chuvas caiam serenas em teus campos. E até que eu de novo te veja,que os Deuses te guardem nas palmas de Suas mãos”.


Entendendo tudo Isto e assim Eu vou seguindo o meu caminho a minha jornada e se por tudo isto Eu sou chamada de Bruxa então sou Bruxa. Rio-me disso, acho engraçada a maneira como me vêem. Olho-os e lá está a cor mágica que os define. 

Ninguém entende a vida que levo. Acham-me no mínimo estranha, rio-me. Sou apenas, uma mera mortal que quer ser feliz. Mas a minha felicidade vem sempre por acréscimo da felicidade que tento plantar nos outros. Vê-los sorrir é o meu alimento. Gosto de falar com as plantas e com os animais e por mais estranho que seja eles dão-me algumas das respostas que preciso para continuar a sorrir. 

Tenho também as minhas asas, que me acompanham sempre, em todas as horas da minha vida e por mais que as pessoas ignorantes que estão coberta com o preconceito teimam em falar Eu não tenho pintas e nem verrugas no rosto. O meu queixo não é pontudo como a figura dos contos de fada. Tenho uma vassoura sim, mas não voa por aí. 

Acredito na magia, rodeio-me dela e sinto ela dentro de mim. Sei que todas as minhas respostas estão no que não se explica mas que se sente. Vivo assim e gosto muito. Não penso muito sobre as coisas, pois elas acontecem e pronto. Não ambiciono ser famosa ou rica ou mesmo poderosa. Quero continuar a viver desta calma, desta paz interior que me faz olhar sempre em frente e continuar a ser o que sou.

Todas as Bruxas, Sacerdotisas e Grã Sacerdotisa Tradicionais sabe que acima de tudo que o Bem é a aquilo que você traz no olhar, no abraço, no aperto de mão, no beijo na testa, no carinho nas costas. É aquilo que leva pra sempre tatuado na alma e faz questão de compartilhar, dar, retribuir com quem te faz bem e também com quem você, mesmo sem conhecer, quer o bem.

Me sinto honrada em pertencer a BRUXARIA TRADICIONAL e mais ainda por ser um SACERDOTISA DA BRUXARIA TRADICIONAL.

SELMA – 3FASESDALUA


domingo, 19 de março de 2017

IRMÃS E IRMÃOS DE ALMA E CORAÇÃO


A inteligência e a sabedoria são irmãs muito amigas, mas não gêmeas. Uma ajuda a outra. Enquanto a inteligência provê à sabedoria conhecimento prático para entender o significado das coisas, a sabedoria devolve à inteligência a sensibilidade para entender as coisas com o coração.
Helena Bresolin



A vida é assim quando menos esperamos ela nos reserva cada surpresa... E não poderia ser diferente comigo, pois sempre nos meus ensinamentos aprendi que nem sempre o sangue fala mais alto, às vezes quase sempre me perguntei por que sou filha única e agora sei que a minha Deusa e o meu Deus não fez única ele simplesmente espalhou as minhas irmãs e irmãos de alma e coração.

Dentro da pouca sabedoria que tenho entendi que Amigas e Amigos são para sempre, mesmo que o para sempre não exista! Pois o destino nos fez amiga (os), mas o coração nos tornou irmãs e irmãos, pois sei que uma amiga (o) é fruto de uma escolha.
É uma opção de amor, É a descoberta da alma irmã.
É a consciência clara e permanente de algo sublime que não está na natureza das coisas perecíveis.


É um tesouro sem preço, um gostar sem distância, de alguém presente em nosso caminho, nas horas de dúvida, de alegria, demais para ser perdido, importante para ser esquecido, pois entre as minhas Irmãs (os) de Alma e coração não existe distância. Pode não haver toque físico, mas tocamos á alma um do outro.


Eu sei que com o tempo esquecemos muitas coisas, mas, jamais quero esquecer o amor que recebi da vida, e abraços que me fizeram forte me deram suporte para
enfrentar a dor. O carinho, recebido quando precisava para acalmar a alma e pensar com calma.

Amiga... Pessoas que reflete nossa alma, que ilumina o nosso coração, que sempre tem uma palavra amiga que me fez entender mais da vida para me sentir acolhida.
O olhar que me sorria me deixou feliz mesmo quando não percebia.

A raiva, o ódio e a inveja são doenças que podem matar...
Matam tudo de bom ao redor, por isto sempre falo e acredito que o melhor caminho é seguir a sua intuição, por isto Eu escolhi todas as minhas irmãs e irmãos de alma e coração.

Nesta minha vida de alguns anos também a vida me ensinou que o que temos de mais precioso é nossa essência, pois nela está contida nossa personalidade, nosso jeito de amar, viver e acarinhar pessoas que ainda não aprenderam amar.
E que precisamos nos afastar de pessoas vazias, que são incapazes de reconhecer
de demonstrar paz, amor e gratidão, pois é apenas esses sentimentos que tocam a alma e nos dão a capacidade de demonstrar quem tem bom coração.

Agradeço todos os dias a minha Deusa e o meu Deus por ter me dado tantas irmãs e irmãos que se tornaram de Alma e de Coração.


Selma = 3fasesdalua


quinta-feira, 9 de março de 2017

BRUXARIA TRADICIONAL É ÚNICA ELA É RAIZ



Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de demônio e negam o seu poder no mundo. - Marion Zimmer 



Hoje em dia no mundo pagão existe uma verdadeira guerra de ignorância com muitas pessoas que sabem muito pouco e adoram falar desse pouco que sabem.

A Bruxaria Tradicional é uma Religião muito antiga, não sendo ligado a nenhum tipo de outras religiões de forma geral. A Bruxaria é Hereditária e não conhece nenhuma autoridade religiosa além da sua Sacerdotisa e do seu clã (se possuir algum).

A Bruxaria Tradicional vivia no campo, na cozinha, nos segredos que estavam nas sombras e que povoava o imaginário popular como algo pernicioso. No Império Romano (cristão), não foi diferente, pagãos foram convertidos ao cristianismo e a Bruxaria permaneceu clandestina - e sobreviveu de forma clandestina, mas, contudo o povo Pagão sempre permaneceu fiel deixando que a Deusa renasça, se expresse em nossas intenções, vontades e desejos, para que possamos extrair do nosso corpo os movimentos sagrados de sua dança e deixar que embale nossos sonhos, pois assim entendemos que nenhum conhecimento pode ser declarado conhecimento se não houver ação.

Temos que sempre nos questionar antes de darmos um conselho, pois quando aconselhamos alguém com o nosso ponto de vista na intenção de dizer o que você faria em vez de entender o que o outro deveria fazer do ponto de vista dele, cometemos um dos maiores erros contra a vontade humana.

A Bruxa opera com os poderes da terra e das estrelas, dos mortos da terra e seus ancestrais. Podemos dizer num nível mais metafísico que a Bruxaria é o Dom ou Poder inato em certos indivíduos, que os capacita a interagir dentro dos "outros mundos" e seres que lá habitam. E, mais, digo que Bruxaria e Feitiçaria são sinônimos, pois a Arte primordial da Bruxa, independente de seus cultos particulares, é e sempre foi a Arte de fazer feitiços, ou bruxedos.

Usar Magia ou Bruxaria é simplesmente direcionar sua vontade para uma religião da natureza. Digo religião por ser uma crença ou fé em algo que irá desejar, e da natureza porque sou instintivo e natural à energia que é utilizada, por isto Eu sempre falo que se engana aquele que acha que tudo é simples. Na realidade a simplicidade das coisas está na complexidade do que é, pois somente com predisposição de aprender e humildade poderá, então, seguir adiante caminhando pela Senda Mística.



É importante não tentar entender ou julgar os outros pelo seu ponto de vista, pois aquele que caminha sob a Senda Mística pode ser acusado de fugir ao problema no que se refere à verdade, ainda que não descubra a “verdade em si”, irá descobrir que tudo possui uma questão cultural, uma falsa consciência e muitas circunstâncias desconhecidas, relevantes para sua descoberta.

Na Bruxaria Tradicional não traçamos círculos em todos os rituais, o ambiente dentro de casa é tido como sagrado e puro, bem como toda a Terra é, considerando que a família sabe cuidar do lar melhor do que ninguém, o Lar se torna nosso Templo. A Terra é sagrada para nós, assim como nossa casa, pois ela é nosso habitat, e uma vez que somos íntimos dos espíritos e da própria natureza, nos sentimos parte do todo sagrado que habita nossa morada. O círculo ou muralha servem para conter a energia em ritos grandes e pesados.

Trocando em miúdos, a Bruxaria Tradicional são tradições hereditárias, passadas de geração para geração, não sendo apenas familiar, mas, também iniciática.

As Bruxas Tradicionais acreditam que a Bruxaria não é um caminho de todos e que deve ser tomado com seriedade e lógica, coisa que muitos grupos não parecem ter de fato. “Não que alguém seja melhor ou pior por isso, mas simplesmente não é um caminho de todos. É estupidez achar que todo mundo vai se dar bem ou se encaixar em algo. Pintura é para todos? Política? Sociologia? Medicina? Cristianismo? Budismo? Por que Bruxaria Tradicional seria?”



A Bruxaria Tradicional NUNCA morreu, pois ela se refere às crenças e práticas de famílias e organizações secretas da Arte que antecedem o século vinte. Normalmente, apesar de a doutrina e as práticas da Bruxaria Tradicional ter raízes em tempos muito antigos, o tempo mais longínquo que a maior parte das organizações tradicionais podem se datar com alguma exatidão é o século 17. Entretanto, o folclore e a história do século 11 em diante testemunham práticas similares àquelas transmitidas hoje pelas Bruxas Tradicionais.

Como diz o ditado: "Parece que a gratidão se auto justifica, tanto, que nem precisa de reconhecimento, mas a ingratidão bate tão forte que é preciso gritar nas orelhas de todos para que reconheçam".

Nascer Bruxa é reconhecer-se Bruxa desde cedo e deixar seu dom fluir, pois sabemos que algumas pessoas se aproveitam das buscas incessantes das pessoas porque as pessoas não cessam sua busca, sua fome de conhecimento. Contudo, a maioria delas busca nos "galhos" (ou quebra-galhos), o que já temos nas raízes.



Selma – 3fasesdalua



sábado, 4 de março de 2017

SOU BRUXA, SACERDOTISA E POR QUE NÃO CURANDEIRA, SOU DA BRUXARIA TRADICIONAL.


No passado, quando todos os bebês nasciam em casa com a ajuda de uma parteira, muitas dessas mulheres tinham a habilidade para ler sinais e presságios, enquanto ajudavam os bebês, essas Bruxas sempre foram vistas como curandeiras do povo, sempre beneficiando as comunidades em que viviam. Eram as parteiras, as curandeiras, enfim, as médicas dos vilarejos, onde seus moradores confiavam e acreditavam.

A Bruxaria Tradicional, conhecida também como a Velha Religião, descendeu da utilização da natureza como sobrevivência, isso equivale ao início dos tempos. Mas, mesmo com os preconceitos da igreja e as modernizações, os conceitos sobreviveram e atraem pessoas do mundo inteiro, hoje, onde não se aguenta mais viver de tecnologia somente.

Bruxaria Tradicional nada mais é, do que usar a natureza com respeito, seguir os costumes dos seus antepassados e amar seu semelhante…Todas nós temos conhecimento de que durante a idade média, mulheres que faziam ungentos e simpatias, chamadas de feiticeiras ou curandeiras ou até mesmo Bruxas foram perseguidas pela Igreja Católica. Entretanto, acusá-las de fazer curativos e bebidas com ervas não seria plausível. Essas mulheres foram consideradas maléficas, sendo relacionadas com o diabo e com todas as pragas existentes na região. A Inquisição perseguiu milhares de mulheres consideradas Bruxas, pela Europa. Todos entregavam seus vizinhos e parentes quando, na maior parte das vezes, estes não tinham provas concretas ou as mulheres nem ao menos pagas ou curandeiras eram. O episódio de perseguição às Bruxas mais marcante foi o da cidade americana de Salém.



Como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma mulher retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.

Não existe nenhuma coisa na natureza, criada ou dada à luz, que não revele exteriormente a sua forma interior, porque tudo o que é íntimo tende sempre a manifestar-se dentro de nós, por isso entendem as mulheres de plantas que curam, dos ciclos da lua, das estações que vão e vem ao longo da roda do sol pelo céu. Elas tem um pacto com essa fonte sábia e misteriosa que é a natureza,. Prova disso é que sempre se encontra mulheres nos bancos das salas de aula, prontas para aprender, para recomeçar, para ampliar sua visão interior. Elas não param de voltar a crescer…

Minha mãe dizia que as árvores são passagens para os mundos místicos, e que suas raízes são como antenas que dão acesso aos mundos subterrâneos. Por isso ela mantinha em nossa casa algumas árvores que tinham tratamento especial e era vista como fonte de cura, de força e energia.

As Bruxas Tradicionais encaram a vida como atravessar uma ponte. Nem sempre as pessoas com quem iniciamos a travessia são as mesmas que nos cercam agora ou com quem chegaremos do outro lado, por este motivo nós Bruxas somos criaturas humana, encarnada. Que ri, que chora, que sangra... e tem que saber viver no mundo como ser humano responsável, para poder ser Bruxa responsável. Há que aprender a respeitar os anciãos que têm muito a ensinar, como: a semear, a colher, a ouvir o próprio interior, a conhecer e acima de tudo, observar que a Terra (Gaia ou Pacha Mama) é nosso Lar, mas não é apenas nosso, é de todo ser vivo que tem direito à vida tanto quanto nós. Bruxa é criatura humana, encarnada. Que ri, que chora, que sangra... e tem que saber viver no mundo como ser humano responsável, para poder ser Bruxa responsável. Há que aprender a respeitar os anciãos que têm muito a ensinar, como: a semear, a colher, a ouvir o próprio interior, a conhecer e acima de tudo, observar que a Terra (Gaia ou Pacha Mama) é nosso Lar, mas não é apenas nosso, é de todo ser vivo que tem direito à vida tanto quanto nós.



As “curadoras’ afirmam que podemos atrair seres encantados para nossos jardins! Como? Plantando flores e plantas que atraiam abelhas e borboletas, gaiolas abertas para passarinhos e bebedouros para beija-flores.

Algumas plantas ‘convidam’ lindas borboletas para seu jardim, como milefólio, lavanda, hortelã silvestre, alecrim, tomilho, verbena, petúnia e outras. Deixe em seu jardim uma área levemente selvagem, sem grama, os seres elementais gostam disso. Convide fadas e elfos para viverem lá.

Como Eu sempre falo as Bruxas são pessoas mas do que especial, são pessoas que tem um coração grande, que fala com plantas, que corre com os bichos, que sabe que sua melhor amiga é a lua, dança com os ventos e se banha com a chuva.

A magia das Bruxas é coisa tão natural quanto o ar que se respira, e o universo inteiro, dentro e fora de nós, faz vibrar constantemente o seu misterioso poder mágico. A natureza é mágica, e a mulher e o homem, seres que sintetizam todo o microcosmo natural, são também reservatórios do poder mágico.

SOU BRUXA, SACERDOTISA E POR QUE NÃO CURANDEIRA, SOU DA BRUXARIA TRADICIONAL.



Selma – 3fasesdalua


quarta-feira, 1 de março de 2017

Hécate, a deusa dos caminhos

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HÉCATE NA BRUXARIA TRADICIONAL

Hécate, a misteriosa Deusa das Trevas e protetora de todos os Bruxos, é a personificação da lua e do lado escuro do princípio feminino. Seu nome é grego e significa "aquela que tem êxito de longe", o que a liga a Diana (Artemis), a virgem caçadora da lua.

Hécate era uma divindade nocturna, da vida e da morte. Era chamada de “A Mais Amável”, “Rainha do Mundo dos Espíritos”, “Deusa da Bruxaria”.
Era a mais antiga forma grega da Deusa Tríplice, que controlava o Paraíso, o Submundo e a Terra.

É uma Deusa tricéfala grega, Deusa da Lua Minguante, guardiã das encruzilhadas, senhora dos mortos e rainha da noite. Ela era homenageada com procissões em que se carregavam tochas e oferendas para as conhecidas "ceias de Hécate".
É conhecida como uma Deusa "escura" por seu poder de afastar os espíritos maléficos, encaminhar as almas e usar sua magia para a regeneração. Invocava-se a sua ajuda em seu dia (13 de Agosto) para afastar as tempestades que poderiam prejudicar as colheitas.

Especialmente para os trácios, Hécate era a Deusa da Lua, das horas de escuridão e do submundo. Parteiras eram ligadas a ela. Era conhecida entre as Amazonas como a Deusa da Lua Nova, uma das três faces da Lua e regente do Submundo.
A lenda não é clara quanto à sua origem. Alguns mitos dizem que Hécate era filha dos titãs Tártaros e Noite; outras versões dizem ser de Perseus e Astéria (Noite-Estrelada), ou de Zeus e Hera. Sabemos que seu culto não se originou na Grécia. Lendas de Hécate eram contadas por todo o Mediterrâneo.

No início, Hécate não era uma Deusa ruim. Após a queda do matriarcado, os gregos a cultuavam como uma das rainhas do Submundo e governante da encruzilhada de três caminhos.

Um de seus animais sagrados era a rã, um símbolo da concepção. Era chamada de A Deusa das Transformações, pois regia várias passagens da vida, e podia alterar formas e idades. Outro animal sagrado era o cão.

Hécate era considerada como o terceiro aspecto da Lua, a Megera ou a Anciã (Portadora da Sabedoria). Os gregos chamavam-na de A Megera dos Mortos. Aliada de Zeus, ela era acompanhada por uma matilha de lobos.

Como aspecto da deusa Amazona, a carruagem de Hécate era puxada por dragões. Outros de seus símbolos eram a chave e o caldeirão. As mulheres que a cultuavam normalmente tingiam as palmas de suas mãos e as solas dos pés com hena. Seus festivais aconteciam durante a noite, à luz de tochas. Anualmente, na ilha de Aegina no golfo Sarônico, acontecia um misterioso festival em sua honra.

Essa era uma Deusa caçadora que sabia de seu papel no reino dos espíritos; todas as forças secretas da Natureza estavam sob o seu controle. Os gregos e trácios diziam que ela controlava o nascimento, a vida e a morte.

Hécate era considerada a patrona das sacerdotisas, Deusa das feiticeiras. Estava associada à cura, profecias, visões, magia, Lua Minguante, encantamentos, vingança, livrar-se do mal, riqueza, vitória, sabedoria, transformação, purificação, escolhas, renovação e regeneração.

Como Senhora da Caçada Selvagem e da feitiçaria, Hécate era a princípio uma divindade das mulheres, tanto para cultuar como para pedir auxílio, e também para temer caso alguém não estivesse com sua vida espiritual em ordem.

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HÉCATE NA MITOLOGIA GREGA

Hécate, também chamada de Perséia, era filha dos titãs Astéria - a noite estrelada e Perses - o deus da luxúria e da destruição, mas foi criada por Perséfone - a rainha dos infernos, onde ela vivia. Antes Hécate morava no Olimpo, mas despertou a ira de sua mãe quando roubou-lhe um pote de carmim. Ela fugiu para a terra e tornando-se impura foi levada às trevas para ser purificada. Vivendo no Hades, ela passou a presidir as cerimônias e rituais de purificação e expiação. Hécate em grego significa "a distante".

Tinha características diferentes dos outros deuses mas Zeus atribuiu-lhe prestígio. Após a vitória dos deuses olímpicos contra os titãs, a titânomaquia, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre sí o universo. A Zeus coube o céu e a terra, a Poseidon coube os oceanos e Hades recebeu o mundo das trevas e dos mortos. Hécate manteve os seus domínios sobre a terra, os céus, os mares e sobre o submundo, continuando a ser honrada pelos deuses que a respeitavam e mantiveram seu poder sobre o mundo e o submundo.

Ela é representada ora com três corpos ora com um corpo e três cabeças, levando sobre a testa uma tiara com a crescente lunar, uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas em seu pescoço. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a velha senhora. Tendo o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo, ela podia ver o destino, o passado que interferia no presente e que poderia prejudicar o futuro. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre o mundo subterrâneo, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos.

Para os romanos era considerada Trívia - a deusa das encruzilhadas. Associada ao cipreste, Hécate se fazia acompanhar de seus cães, lobos e ovelhas negras. Por sua relação com os encantamentos, feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da antiga Grécia lhe faziam oferendas com cães e cordeiros negros no final de cada lua nova. Também combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, o cão guardião do inferno com três cabeças que sempre lhe acompanhava.

O tríplice poder de Hécate se estendia do inferno, à terra e ao mar. Ela rondava a terra nas noites da lua nova e no mar tinha seus casos de amor. Considerada uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha, os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias. O próprio Zeus lhe deu o poder de conceder ou negar qualquer desejo aos mortais e aos imortais. Foi Hécate quem ajudou Deméter quando ela peregrinou pelo mundo em busca de sua filha Perséfone.

Quando Perséfone, a amada filha de Deméter foi raptada por Hades - o senhor do submundo - quando colhia flores, sua mãe perambulou em desespero por toda a Terra. Senhora dos cereais e alimento, a grande mãe Deméter mortificada pela tristeza, privou todos os seres de alimento. Nada nascia na terra e Hécate, sendo sábia e observando o que acontecia, contou a Deméter o que havia sucedido a Perséfone.

Zeus decidiu interferir e ordenou que Perséfone regressasse para junto de sua mãe, desde que não tivesse ingerido nenhum alimento nos infernos. Porém, antes de retornar, Perséfone comeu algumas sementes de romã, o fruto associado às travessias do espírito. Assim ele podia passar duas partes do ano na superficie junto da Mãe, era quando a terra florescia. Mas Perséfone devia retornar para junto de Hades uma parte, era quando a terra cessava de florescer.

Hécate espalhava sua benevolência para os homens, concedendo graças a quem as pedia. Dava prosperidade material, o dom da eloquência na política, a vitória nas batalhas e nos jogos. Proporcionava peixe abundante aos pescadores e fazia prosperar ou definhar o gado. Seus privilégios se estendiam a todos os campos e era invocada como a deusa que nutria a juventude, protetora das crianças, enfermeira e curandeira de jovens e mulheres.

Acreditava-se que ela aparecia nas noites de Lua Nova com sua horrível matilha diante dos viajantes que cruzavam as estradas. Ela era considerada a deusa da magia e da noite em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Com seu poder de encantamento, também enviava os terrores noturnos e espectros para atormentar os mortais. Frequentava as encruzilhadas, os cemitérios e locais de crimes e orgias, tornando-se assim a senhora dos ritos e da magia negra. Senhora dos portões entre o mundo dos vivos e o mundo subterrâneo das sombras, Hécate é a condutora de almas e as Lâmpades, ninfas do Subterrâneo, são suas companheiras.

Com Eetes, Hécate gerou a feiticeira Circe - a Deusa da noite que se tornou uma famosa feiticeira com imenso poder da alquimía. Segundo a lenda, a filha de Hécate elaborava venenos, poções mágicas e podia transformar os homens em animais. Vivendo em um palácio cheio de artifícios na Ilha Ea ou Eana, no litoral da Italia, Circe se tornou a deusa da Lua Nova ou Lua Negra, sendo relacionada à morte horrenda, à feitiçaria, maldições, vinganças, sonhos precognitivos, magia negra e aos encantamentos que ela preparava em seus grandes caldeirões.

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NOTA

Descendente dos Titãs, Hécate não tem um mito próprio e foi uma das divindades mais ignoradas da mitologia grega, mencionada apenas em outros mitos, tal como o mito de Perséfone e Deméter. Hécate é Deusa dos caminhos e seu poder de olhar para três direções ao mesmo tempo sugere que algo no passado pode interferir no presente e prejudicar planos futuros.

A Deusa grega nos lembra da importância da mudança, ajudando-nos a libertar do passado, especialmente do que atrapalha nosso crescimento e evolução, para aceitar as mudanças e transições. Às vezes ela nos pede para deixar o que é familiar e seguro para viajarmos para os lugares assustadores da alma. Novos começos, seja espiritual ou mundano, nem sempre são fáceis mas Hécate está lá para apoiar e mostrar o caminho.

Ela empresta sua clarividência para vermos o que está profundamente esquecido ou até mesmo escondido de nós mesmos, ajudando a encontrarmos e escolhermos um caminho na vida. Com suas tochas, ela nos guia e pode nos levar a ver as coisas de forma diferente, inclusive vermos a nós mesmos, ajudando-nos a encontrar uma maior compreensão de nós mesmos e dos outros.

Hécate nos ensina a sermos justos e tolerantes com aqueles que são diferentes e com aqueles que tem menos sorte, mas ela não é demasiadamente vulnerável, pois Hecate dispensa justiça cega e de forma igual. Apesar de seu nome significar "a distante", Hécate está presente nos momentos de necessidade. Quando liberamos o passado e o que nos é familiar, Hécate nos ajuda a encontrar um novo caminho através de novos começos, apesar da confusão das ideias, da flutuação dos nossos humores e às incertezas quando enfrentamos as inevitáveis mudanças de vida.

A poderosa deusa possuia todos aspectos e qualidades femininos, tendo sob seu controle as forças secretas da natureza. Considerada a patrona das sacerdotisas, deusa das feiticeiras e senhora das encruzilhadas, Hécate transita pelos três reinos, a todos conhece mas nenhum domina. Os três reinos são posses de figuras masculinas, mas ela está além da posse ou do ego, ela é a sábia, a anciã. A senhora do visível e do invisível, aguarda na encruzilhada e observa: o passado, o presente e o futuro. Ela não se precipita, aguarda o tempo que for preciso até uma direção ser tomada. Ela não escolhe a direção, nós escolhemos. Ela oferece apenas a sua sabedoria e profunda visão, acima das ilusões.

Os gregos sempre viam Hécate como uma jovem donzela. Acompanhada frequentemente em suas viagens por uma coruja, símbolo da sabedoria, a ela se atribuia a invenção da magia e da feitiçaria, tendo sido incorporada à família das deusas feiticeiras. Dizia-se que Medéia seria a sacerdotisa de Hécate. Ela praticava a bruxaria para manipular com destreza ervas mágicas, venenos e ainda para poder deter o curso dos rios e comprovar as trajetórias da lua e das estrelas.

Como deusa dos encantamentos, acreditava-se que Hécate vagava à noite pela Terra, sempre acompanhada por seu espíritos e fantasmas. Suas lendas contam que ela passava pela Terra ao pôr do Sol, para recolher os mortos daquele dia. Como feiticeira, não podia ser vista e sua presença era anunciada apenas pelos latidos dos cães. Na verdade, as imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes da deusa, protetora da independência feminina, defensora contra a violência e opressão das mulheres, regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.

Em função dessas memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a deusa escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens distorcidas não são reais nem verdadeiras. Elas foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.

Para receber seus dons visionários, criativos ou proféticos, precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da deusa escura dentro de nós, honrando seu poder e lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos sua presença em nós, ela irá nos guiar. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações. Somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.

A conexão com Hécate representa um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique. Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.

As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporalidade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.

Selma - 3fasesdalua


Deméter




A Deusa Deméter ou Ceres, soberana da natureza e protetora das criaturas jovens e indefesas, era a responsável pelo amadurecimento anual do grão e ao final do verão todos lhe agradeciam pela fatura. Ela regia os ciclos da natureza e de todas as coisas vivas, usando suas múltiplas cores. Presidia a gestação, o nascimento e abençoava os ritos do matrimônio como perpetuação da natureza. Deméter é a deusa matriarcal, que ensinou aos homens as artes de arar, plantar e colher, e ensinou às mulheres a arte de fazer o pão.

Deméter vivia em harmonia com sua filha Perséfone, que gostava de passear pelos campos. Mas um dia Perséfone saiu e não retornou. Depois de muitos anos de busca, Deméter descobriu que Hades, o senhor das trevas, havia raptado sua filha e a tinha levado ao mundo subterrãneo. Enfurecida Deméter ordenou que a terra secasse e recusou a devolver a abundância.

Embora sua filha Perséfone tenha se tornado a rainha das trevas e era bem tratada por Hades, Deméter não se conformava e queria a filha de volta. Hermes, o mensageiro dos deuses, foi incumbido de intervir para resolver a questão e fizeram um acordo. Durante nove meses do ano Perséfone viveria com sua mãe mas durante três meses deveria retornar para o marido.

Embora mantivesse o acordo, Deméter nunca se conformou. Em todos os anos, durante a ausência da filha, Deméter chorava e se lamentava; a terra se tornava fria, as folhas caiam e nada produzia, dando origem ao inverno. Mas logo quando a filha retornava, Demeter fazia florescer as flores, iniciando a primavera.

Deméter reflete a experiência da maternidade que não está restrita à gestação, nascimento e aleitamento mas também à descoberta do corpo como algo precioso e que merece cuidados e atenção. É a conscientização de sermos parte da natureza, de estarmos ligados à vida natural e apreciar os prazeres da vida diária. Se não temos Deméter dentro de nós não podemos gerar, dar frutos, pois esse é o aspecto que nos faz ter paciência para esperar que as coisas amadureçam e assim podemos agir. É saber respeitar os limites da realidade.

Deméter é sábia e sua sabedoria vem da natureza que se movimenta em ciclos e sabe que deve esperar pois tudo amadurece na hora certa. No entanto, Deméter mostra seu lado sombrio, apático e enlutada que não consegue abrir mão do que julga possuir e se rebela contra qualquer invasão ao seu mundo harmônico. Então quando ocorre alguma intromissão, ela se torna rancorosa e magoada, mesmo sabendo que a vida é cheia de separações e mudanças.

FONTE: LENDAS DA MITOLOGIA GREGA

Narciso, a paixão por si mesmo

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Narciso, um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope. No entanto, apesar de atrair e despertar cobiça nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecer seu amor. E foi o seu desprezo pelos outros que o derrotou.

Quando Narciso nasceu, sua mãe consultou o adivinho Tirésias que lhe predisse que Narciso viveria muitos anos desde que nunca conhecesse a si mesmo. Narciso cresceu tornando-se cada vez mais belo e todas as moças e ninfas queriam seu amor, mas ele desprezava a todas. Certo dia, enquanto Narciso descansava sob as sombras do bosque, a ninfa Eco se apaixonou por ele. Porém tendo-a rejeitado, as ninfas jogaram-lhe uma maldição: - Que Narciso ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Nêmesis, a divindade punidora, escutou e atendeu ao pedido.

Naquela região havia uma fonte límpida de águas cristalinas da qual ninguém havia se aproximado. Ao se inclinar para beber água da fonte, Narciso viu sua própria imagem refletida e encantou-se com sua visão. Fascinado, Narciso ficou a contemplar o lindo rosto, com aqueles belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem saber que era a sua própria imagem refletida no espelho das águas.

Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água mas inutilmente; não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Esgotado, Narciso deitou na relva e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com pétalas brancas no centro que passou a se chamar, Narciso.

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Na cultura grega e em muitas outras, tudo o que excedia e estivesse acima dos limites e da medida (métron) acabava se transformando em algo assustador porque poderia levar à hybris, que é descomendimento e desequilibrio. O excesso de beleza não era bem aceito pois somente aos deuses era permitido o exagero, e a excessiva beleza de Narciso desafiava a supremacia dos deuses.

O mito de narciso parece uma triste história infantil para ensinar às crianças a não serem egoistas, que pensem nos outros, que não sejam presunçosas, porém encerra uma verdade profunda e atual. Os mitos não são tolos, e por mais que tentássemos dizer que sabemos a moral da história, o mito de Narciso está presente em todos nós.

Narciso foi transformado numa flor e a ela são creditadas propriedades entorpecentes devido a substâncias químicas que exalam. Os Narcisos plantados nos tumulos simbolizavam a morte apenas como um sono, que floresceria na primavera. O narcisismo, que tem o seu nome derivado de Narciso, ambos derivam da palavra grega narke, entorpecido, de onde também vem a palavra narcótico. Assim, para os gregos, Narciso simbolizava a vaidade e a insensibilidade, pois Narciso era emocionalmente entorpecido às solicitações daqueles que se apaixonaram pela sua beleza.

O mito de Narciso leva ao tema da transitoriedade da beleza e dos laços que unem o narcisismo à inveja e à morte. O dilema do narcisismo é resumido naquele que está condenado a permanecer prisioneiro do mundo das sombras, do seu amor por si mesmo ou libertar-se através do autoconhecimento e da capacidade de conhecer os outros, mas o preço é a morte simbólica do ego, para que possa nascer novamente para um novo Eu superior, profundo e sagrado, que em si oculta.

Narciso morre porque olha só para si mesmo, esse é o perigo de quem dedica toda vida a satisfazer necessidades que não atendem ao verdadeiro anseio humano de se realizar. Eco morre porque só olha narciso, esse é o perigo de projetar no outro a nossa razão de viver. Narciso simboliza a capacidade de olharmos para nós mesmos; Eco simboliza a capacidade de olhar o outro. É o olhar em si que encontra o outro; é o olhar no outro que encontra a si mesmo.

Embora o narcisista pense apenas em si, nunca poderá conhecer a si mesmo se não tiver uma posição exterior para se ver como realmente é. Narciso é incapaz de ver o efeito que provoca nos outros; sabe que atrai aduladores e admiradores e Eco transforma-se no espelho do negligente Narciso. Ele se julga intocável; ela alimenta o desejo de estar em seus braços.

Eco é a repetição das ideias conhecidas sempre hostil ao novo. Ao se apaixonar por Narciso, Eco repetiu... repetiu... e foi perdendo força, impedida de viver e amar. Eco se refugiou nas grutas, assim como a mente que teima em repetir perdendo quotas do que é novo em suas vidas. O presente é a única instância onde a vida se processa; o futuro ainda não existe e o passado é repetição, um eco. O presente é a medida do novo e trazer Eco para o presente é fazê-lo mais velho, embora ainda pareça novo.

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Com seu egoismo implacável, Narciso pensa só em sí próprio e Eco só pensa em Narciso, então sua autoestima permanece frágil até a morte. Ele não se identifica com os outros e assim transforma as vozes na sua propria voz; ela não tem voz própria, está condenada à repetição da imitação. Enquanto ela agarra-se ao objeto amado, ele mantem-se à distancia. Tirésias sabia que para sobrevivermos temos de superar o narcisismo, pois temos de aceitar que somos transitórios e mortais, e só assim seremos capazes de nos transformar, nossa auto estima estará segura e teremos a beleza interior.

Quando Narciso vê o próprio reflexo, nos remete a "reflectere", de "re" novamente e "flectere" curvar-se, ou seja, um retorno que se faz curvando para o passado. Reflexão não é apenas um ato de pensar, mas é uma atitude de deter-se para procurar lembrar-se de algo que já foi visto antes e confrontar com o presente. Reflexos e sombras nos espelham de alguma maneira. Alguns povos ainda hoje não admitem que sua imagem seja refletida em água, espelho e fotografia; diz-se que a alma poderia ficar retida no reflexo permanecendo disponível às forças do mal.

A sombra representa o que não conhecemos de nós mesmos mas que podemos ainda conhecer, tal como as nossas potencialidades que ainda não desenvolvemos. Também faz parte da nossa sombra o que mais detestamos em nós mesmos, e por isso tentamos esquecer ou reprimir de alguma forma. Para negar o que não gostamos em nós mesmos, projetamos nos outros. Quando refletimos no Narciso que vive em nós, nos confrontamos com algo sombrio, o medo da sombra, do diferente, do desconhecido, do que nos incomoda e que não queremos ver no outro.

Nos sentimos mais confortáveis quando somos admirados e reconhecidos, e precisamos disso para saber o nosso valor, de que somos importantes para alguém. Assim continuamos procurando e nos apaixonando por nossos reflexos, por nossos semelhantes e iguais, enquanto tentamos afastar todos aqueles que que não tem a nossa cor, os nossos costumes, nossa raça, nosso nivel cultural ou poder economico, e convicções politicas e religiosas. E enquanto vamos em busca dos nossos reflexos, ampliamos mais nossa sombra, entorpecemos nossos sentidos.

Para evoluir temos de refletir, aprendendo a lidar com as diferenças e conflitos. Como num espelho, ao interargimos com o outro nos colocamos no lugar dele, sem perder nossa referencia. E o que mais nos fascina é a nossa imagem irreal, aquela que fazemos de nós mesmos. A pessoa fascinada parece estar em transe; o narcisista quer congelar a juventude e exorcizar a velhice. Idolatra o prazer e vive no espirito do encanto e da sedução.

O mito de Narciso pode servir de metáfora para muitos de nós, quando não conseguimos nos olhar com imparcialidade, e o nosso trabalho interior se torna um meio de projetar a vaidade humana na cantiga do eu sozinho: eu faço, eu sou, eu quero, eu posso. Narciso morreu embriagado pela propria beleza e encantamento, e os deuses o transformaram numa flor. A lição do mito é que o conhecimento só vinga se houver autoconhecimento, de potencialidades ou limitações, compartilhando o que sabe, eliminando vaidades que impede de aproveitar talentos e somá-los ao conhecimento dos demais. E assim escrever uma história de vida que reflita valores éticos, morais espirituais.

O conhecimento mal direcionado só alimenta o individualismo e a necessidade da ribalta. Quando nos deixamos levar pela excessiva vaidade e orgulho, tornamo-nos refens de nossa auto imagem. Magnetizado por ela, passamos a usar nossa luz de forma mesquinha e presos nessa miragem, perdemos a capacidade de irradiar nossa luz, afastando-nos da essencia, entusiasmamos pelo palco, pelo aplauso e pelo falso elogio. Somente a dura lição de cronos, o tempo, mostra-nos a verdade, muitas vezes, tardiamente.

Se Narciso se encontra com outro Narciso e um deles finge que ao outro admira, para sentir-se admirado, o outro pela mesma razão finge também e ambos acreditam na mentira. Para Narciso o olhar do outro, a voz do outro, o corpo é sempre o espelho em que ele a própria imagem mira. E se o outro é como ele outro Narciso, é espelho contra espelho: o olhar que mira reflete o que o admira num jogo multiplicado em que a mentira de Narciso a Narciso inventa o paraíso.

E se amam mentindo no fingimento que é necessidade e assim mais verdadeiro que a verdade. Mas exige o amor fingido, ser sincero o amor que como ele é fingimento. E fingem mais os dois com o mesmo esmero com mais e mais cuidado - e a mentira se torna desespero. Assim amam-se agora se odiando. O espelho embaçado, já que Narciso em Narciso não se mira: se torturam, se ferem, não se largam, que o inferno de Narciso, é ver que o admiravam de mentira...

FONTE: ESTUDO DA MITOLOGIA GREGA

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