sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A VELHA RELIGIÃO ALÉM DO CONHECIMENTO



"A Velha Religião não é encontrada em livros sagrados.
Não existe nenhum apanhado de dogmas a ser seguido, porque a Velha Religião está gravada na vida, e é vivendo que se pratica." - Andréia Hermann



A verdade está além do conhecimento. Podemos conhecer fatos e compreender teorias, mas o conhecimento precisa ser vivido, sentido, precisa fazer parte do conhecedor para se converter em verdade. Se a verdade for sentida, vivida, se fizer parte de quem sente, é verdade sem precisar ter sido antes conhecimento, mas o conhecimento que ignora fatos e sentimentos jamais poderá ser considerado verdade, não passando de teoria ou presunção. Assim ocorre com os homens de ciência que se negam a considerar fatos que não se encaixam em seus modelos, as chamadas "anomalias"; assim ocorre com os filósofos que criam sistemas, mas não os programam, perdendo-se em intermináveis discussões cujo benefício se limita ao exercício mental; também ocorre com os religiosos que se agarram a dogmas e os colocam em oposição à ciência e a outros credos.
A Arte é frequentemente associada a feitiços, ritos para a obtenção de algo, como se sua finalidade fosse exclusivamente esta, uma interpretação errônea do fato de utilizarmos materiais e o auxilio de força Elemental de plantas, pedras, fogo etc. em rituais, por que desenvolvemos a capacidade de acessar a consciência presente em tudo, interagimos com ela podendo, também pedir o auxílio.


A prática da magia é uma consequência de longos anos de treino para o desenvolvimento da consciência, a percepção de universos paralelos e a criação do que chamamos de personalidade mágica, um senso de identidade ampliada que suplanta a comum. Assim, a mera execução de feitiços descritos em livros ou sortilégios não são operações de magia é preciso estar habilitado para executá-las, aliás, quando se está habilitado nem é preciso executa-las.
Quando uma alma responde espontaneamente ao chamado da Deusa Mãe, chamamos isso de "Senda Divina". Fica evidente que não foi pela primeira vez que a ouviu, ou que sentiu necessidade de encontrar seus irmãos de Religião.

Significa que em vidas passadas atravessamos o véu do templo, e guarda na alma sua história, e no subconsciente está uma vasta memória das suas origens.


As Tradições da Velha Religião são perpetuadas de família para família de formas diferentes, e pode ser passada para as próximas gerações usando-se também outros caminhos. Tradições Familiares são raríssimas, e em sua maioria são altamente secretas e indisponíveis às massas, e preciosamente é incomum se tornarem públicas.
A Bruxaria é muito mais que rituais e feitiços, é compartilhar, amar, cuidar...
É saber levar a cada um o amor de nossos caminhos, o conhecimento sem medo de ser passado a outras pessoas, mas realmente passar na esperança que seja para um grande propósito onde fará a diferença.
A bruxaria nunca foi “anti” alguma coisa, existe muito trabalho interno de que se ocupar para haver preocupação de se opor a algo.


Quanto muito, nos dedicamos a escrever e esclarecer usando dos meios disponíveis para retirar as brumas que séculos de perseguições nos envolveram e que praticantes mal informados acrescentaram, resgatando o tesouro espiritual do Ocidente da marginalidade, pois cedo ou tarde, as pessoas gostarão de reencontrá-lo para saciarem sua sede de espírito.

Podemos escolher nossos próprios caminhos, onde vamos buscar nossa essência mais pura, interagindo diretamente com a Natureza e todo o mistério nela contido, vamos ao encontro dentro de nós mesmos, resgatando a nossa magia interior.

Nascer bruxa é reconhecer-se bruxa desde cedo e deixar seu dom fluir como as águas, independente do berço, da bandeira religiosa, e do sexo.
Uma vez aberta às comportas de uma represa, não tem como voltar à água para traz!
Ser bruxa é reconhecer o seu próprio valor, é respeitar o próximo e seu livre arbítrio. É compreender que todos os nossos atos e gestos estão regidos pela lei tríplice, portanto todo o bem ou mal que fizermos (principalmente usando a magia) retornarão para nós em triplo.


Acima de tudo Ser Bruxa é viver o amor. O amor pela vida e por tudo de bom que ela possui, é contribuir através das nossas ações e conselhos para a melhora e o crescimento daqueles que cruzam o nosso caminho. Ser Bruxa é viver a simplicidade da vida, admirar a beleza das flores, o encanto de seus aromas, a harmonia dos astros, saber apreciar uma boa música e partilhar todas essas coisas boas com aqueles que amamos. 
Somos Senhoras de nossos caminhos, e entendemos a magia exatamente como ela deve ser entendida, temos todo o conhecimento para compartilhar com todos que chegarem de coração aberto e disposto a aprender.
Finalmente, a Bruxa (o) aprende a se purificar vivendo com realismo, dentro da sua verdade, porém com a simplicidade da Deusa e do Deus, sem se abster das coisas que lhe foi permitido reger e proteger.

Por tudo acima descrito, é que costumamos afirmar que: "no caminho da Bruxaria são muitos os que buscam, e muito poucos os que chegam.”.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

AMIGOS E AMIGAS - COMPARTILHANDO COM VOCES.


Você aprende !!!

Depois de algum tempo você aprende a diferença,a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas...E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para os planos...e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.Descobre que devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,e que o tempo é curto.Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo...qualquer lugar serve.Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute,quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.Aprende que quando está com raiva, tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não sabe amar, contudo, o ama como pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.E que realmente a vida tem valore que você tem valor diante da vida!Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

AUTOR: Willian Shakespeare


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

UMA LENDA CHEROKEE


"Existe uma antiga história dos índios cherokee sobre o cacique de uma grande aldeia. Um dia, o cacique decidiu que era hora de orientar o seu neto favorito sobre a vida. Ele o levou para o meio da floresta, fez com que se sentasse sob uma velha árvore e explicou:- “Filho, existe uma batalha sendo travada dentro da mente e do coração de todo ser humano que vive hoje. Embora eu seja um velho e sábio cacique, o líder da nossa tribo, essa mesma batalha é travada dentro de mim. Se você não souber dessa batalha, ela o fará perder o juízo. 

Você nunca saberá que direção tomar. As vezes vencerá na vida e, depois, sem entender o porquê, perceberá que está perdido, confuso, com medo, arriscado a perder tudo o que trabalhou tanto para ganhar. Você muitas vezes achará que está fazendo a coisa certa e depois descobrirá que fez as escolhas erradas. Se você não entender as forças do bem e do mal, a vida individual e a vida coletiva, o verdadeiro eu e o falso eu, você viverá a vida todo num grande tumulto”.“E como se existissem dois grandes lobos vivendo dentro de mim; um é branco e o outro é preto. O lobo branco é bom, gentil e não faz mal a ninguém. Ele vive em harmonia com tudo à sua volta e não se ofende se a intenção não era ofender. 

O lobo bom, sensato e certo de quem ele é e do que é capaz, briga apenas quando essa é a coisa certa a fazer e quando precisa se proteger ou à sua família, e mesmo então ele faz isso da maneira certa. Ele toma conta de todos os outros lobos da matilha e nunca se desvia da sua natureza”.“Mas existe o lobo preto também, que vive dentro de mim, e esse lobo é bem diferente. Ele é ruidoso, zangado, descontente, ciumento e medroso. Basta uma coisinha para que ele se encha de fúria. Ele briga com todo mundo, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar com clareza, porque a sua ganância para ter sempre mais e a sua raiva e a sua ira são grandes demais. 

Mas trata-se de uma raiva infrutífera, filho, porque ela não muda nada. Esse lobo só procura confusão aonde quer que vá, e por isso sempre acaba achando. Ele não confia em ninguém, por isso não tem amigos de verdade.”O velho cacique ficou sentado em silêncio durante alguns minutos, deixando que a história dos dois lobos penetrasse na mente do jovem neto. Então ele lentamente se curvou, olhou fixamente nos olhos do menino e confessou:- “As vezes, é difícil viver com esses dois lobos dentro de mim, pois eles brigam muito para dominar o meu espírito”.Cativado pela história do ancião sobre essa grande batalha interior, o menino puxou a tanga do avô e perguntou, ansioso:- “Qual dos dois lobos vence, vovô?”


E com um sorriso cheio de sabedoria e uma voz firme e forte, o cacique disse:- “Os dois, filho. Veja … se eu escolho alimentar só o lobo branco, o preto ficará à espreita, esperando o momento em que eu sair do equilíbrio ou ficar ocupado demais para prestar atenção às minhas responsabilidades, e então atacará o lobo branco e causará muitos problemas para mim e nossa tribo. Ele viverá sempre com raiva e brigará para atrair a atenção pela qual tanto anseia. Mas, se eu prestar um pouquinho de atenção no lobo preto, compreendendo a sua natureza, se reconhecê-lo como a força poderosa que ele é e deixá-lo saber que eu o respeito pelo seu caráter e o usarei para me ajudar se um dia eu ou a tribo estivermos em apuros, ele ficará feliz, e o lobo branco ficará feliz também, e ambos vencerão. Todos venceremos”.Sem entender direito, o menino perguntou:- “Não entendi, vovô. Como os dois lobos podem ganhar?”O cacique continuou a explicação:- “Veja, filho, o lobo preto tem muitas qualidades importantes de que eu posso precisar, dependendo das circunstâncias. 

Ele é feroz, determinado, e não se deixará subjugar nem por um segundo. Ele é inteligente, astuto e capaz dos pensamentos e estratégias mais tortuosos, o que é importante em tempos de guerra. Ele tem os sentidos aguçados e superiores que só aqueles que olham através da escuridão podem apreciar. Em meio a um ataque, ele poderia ser o nosso maior aliado”.O cacique então tirou da sua bolsa alguns pedaços de carne defumada e colocou-os no chão, um à direita e o outro à esquerda. Ele apontou para a carne e disse:- 

“À minha esquerda está a comida para o lobo branco e à minha direita está a comida para o lobo preto. Se eu optar por alimentar os dois, eles não brigarão mais pela minha atenção, e eu poderei utilizar cada um deles como precisar. E como não haverá guerra entre eles, poderei ouvir a voz da minha sabedoria profunda e escolher qual dos dois pode me ajudar melhor em cada circunstância. Se a sua avó quer uma carne para fazer uma refeição especial e eu não cuidei disso como deveria, posso pedir para o lobo branco me emprestar a sua magia e consolar o lobo preto da sua avó, que estará zangada e faminta. O lobo branco sempre sabe o que dizer e me ajudará a ser mais sensível às necessidades dela”.“Veja, filho, se você compreender que existem duas grandes forças dentro de você e respeitar a ambas igualmente, as duas sairão ganhando e haverá paz. A paz, meu filho, é a missão dos cherokees – o propósito supremo da vida. Um homem que tem paz dentro de si tem tudo. Um homem dividido pela guerra em seu íntimo não tem nada. Você é um jovem que precisa escolher como vai lidar com as forças opostas que vivem no seu interior. A sua decisão determinará a qualidade do resto da sua vida. E quando um dos lobos precisar de atenção especial, o que acontecerá às vezes, você não terá do que se envergonhar; poderá simplesmente admitir isso para os anciãos e conseguirá a ajuda de que precisa. 


Quando isso for de conhecimento público, aqueles que já travaram essa mesma batalha podem oferecer-lhe a sua sabedoria”.Essa história simples e pungente explica como é a experiência humana. Cada um de nós está em meio a uma batalha contínua, em que as forças da luz e da escuridão competem pela nossa atenção e pela nossa submissão. Tanto a luz quanto a escuridão habitam dentro de nós ao mesmo tempo. Verdade seja dita: existe uma matilha inteira de lobos dentro de nós – o lobo amoroso, o lobo bondoso, o lobo esperto, o lobo sensível, o lobo forte, o lobo altruísta, o lobo generoso e o lobo criativo. Junto com esses aspectos positivos existem o lobo insatisfeito, o lobo ingrato, o lobo autoritário, o lobo desagradável, o lobo egoísta, o lobo indecente, o lobo mentiroso e o lobo destrutivo. Todo dia temos a oportunidade de reconhecer todos esses lobos, todas essas partes de nós mesmos, e escolher como iremos nos relacionar com cada um deles. Será que continuaremos condenando alguns e fingindo que eles não existem ou vamos tomar posse de toda a matilha?Por que sentimos a necessidade de negar a matilha de lobos que vive em nós? A resposta é fácil. Ou achamos que ela não existe ou que não deveria existir. Tememos que, se admitirmos todos os diferentes “eus” que ocupam espaço na nossa psique, de algum modo seremos rotulados de esquisitos, diferentes, prejudiciais ou psicologicamente fragmentados. Achamos que devemos ser pessoas boas e “normais”, dentro das quais só mora um único “eu”. Mas existem muitos “eus” e a recusa em entrar em acordo com eles é um grave erro – que nos levará a cometer atos estúpidos e temerários de auto-sabotagem.Eis o grande segredo: 
existem muitos “eus” contidos dentro do nosso “eu”, pois dentro de cada um de nós existem todas as qualidades possíveis. 

Não há nada que possamos ver e nada que possamos julgar que não exista dentro de nós. Todos somos luz e escuridão, santos e pecadores, pessoas adoráveis e abomináveis. Somos todos gentis e calorosos, mas também frios e cruéis.Dentro de você e dentro de mim existem todas as qualidades conhecidas pela espécie humana. Embora possamos não estar conscientes de todas as qualidades que possuímos, elas estão adormecidas dentro e nós e podem despertar a qualquer momento, em qualquer lugar. A compreensão disso nos permite entender por que todos nós, que somos “bons”, somos capazes de fazer coisas ruins e, mais importante, por que às vezes nos tornamos os nossos piores inimigos."

FONTE: Debbie Ford

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Somos lenda, somos BRUXAS!


Sou Lenda,
Porque as lendas são envoltas em Mistérios e Magias.
São uma criação dos caminhos da mente, da vaga
imaginação da liberação dos silêncios da alma...

Sou Lenda,
porque as lendas correm livres junto ao vento,
buscando as vozes da memória para que alcancem,
as histórias perdidas no tempo...

Sou Lenda,
pelo desejo incontido que há em mim, de tornar
possível o encontro entre a Lua e o Sol,
diminuindo o entrave da dor...

Então, sendo Lenda
posso cavalgar pelos sonhos, velejar pelos mares
da sua saudade, passear,solta, pelo seu pensamento...

Sendo Lenda,
posso brincar na sua alegria, ser parte da sua
emoção, e caminhar, tranqüila, pela sua ilusão...

Sendo Lenda,
posso escrever meu nome em sua vida, e me
instalar no aconchego do seu coração como uma
sensação chegando pelo perfume do ar...

Sendo Lenda
posso ser parte de você, sem você perceber...

Débora Bottcher

domingo, 18 de agosto de 2013

Mensagem de Lívia, última Sacerdotisa sagrada de Ártemis, Éfeso, 200 anos antes da Era Cristã:




"Amazonas dos tempos futuros, me escutem. Eu envio estas palavras aos ventos do tempo, pelo fogo do meu espírito e urgências do meu diamante que me dizem que minha última lua está sobre mim agora. Pelo final da minha vida, eu não sinto uma perda. O nascimento, a vida, a morte, são todos uma só coisa na sabedoria Dela. Mas a verdade de nossos ancestrais e os caminhos sagrados estão agora perdidos para aqueles que seguem. 

Em breve, não restará ninguém para lamentar.Ouçam minhas palavras, Irmãs! Eu sou Lívia, amante e seguidora de Ártemis. Eu falo para vocês como a Sagrada sacerdotisa de Ártemis. Ártemis é Aquela que nos ensina os sagrados caminhos das mulheres e da vida desde antes de existir a memória. Eu lhes envio a nossa história, silenciada com meu último suspiro... só para vocês que podem me ouvir agora. O pesar deste relato agora me traz aqui sozinha a esta floresta sagrada. Raiva e tristeza me trazem aos meus joelhos aqui no escuro, ao lado do rio... 

Deixem o poder do que lhes envio agora cercar de força e verdade seus corações, que batem do lado distante dos Tempos de Escuridão. Esta é a penosa mensagem, de como nossa história e nossa cultura foram roubadas de nós através da ganância, da corrupção e dos abusos de poder. A Deusa se move para nos chamar, pois apenas através de Sua sabedoria minhas palavras podem alcançar vocês. Ela me instrui através deste encantamento a enviar estas palavras pra atingir vocês, Amazonas, que renasceram ao final dos Tempos de Escuridão. 

Nós, que temos sido mantenedoras dos limiares antigos e profundos; limiares do nascimento e da morte em Seu nome, chamamos vocês. Quando vocês ouvirem minhas palavras, o templo haverá permanecido por muito tempo em Éfeso, imensidões de colunas de pedra, um poderoso tributo a Ártemis. Enquanto falo estas palavras, o templo está agora no planejamento. 

Porém, quando esta maravilha estiver completa, a sacerdotisa sagrada de Ártemis já terá ido embora. Ouçam-me! Assistam como o templo de pedra por si mesmo é um testemunho de nossa violação e de nossa perda! Os entalhes exteriores do templo não são de Ártemis e de suas amadas Amazonas, mas do herói masculino dos iônicos Androkles. Os entalhes não foram feitos por artesãs da Sacerdotisa, mas recortados por trabalhadores masculinos das pedreiras, trazidos de Roma. Dentro do templo, apesar do tabu da entrada dos homens que leva a uma punição de morte pela lei de Ártemis, estarão estátuas douradas do Imperador Romano e outros Romanos que através da riqueza compraram o direito ao sacerdócio. A ira ruge dentro de mim, mas a vingança não é para ser minha. Ela é a medida do julgamento e é quem estabelece os limites para todas as coisas, incluindo a duração de minha vida. 

As Amazonas há muito deixaram Éfeso e cavalgaram para o Norte, prestando atenção às terríveis visões de nossas irmãs sobre os tempos de escuridão que viriam. Profundamente lamentados foram os avisos sobre o nosso futuro. Mas quem pode dizer que compreende a sabedoria Dela? O bom e o mau são a mesma coisa para Ela, é apenas devido à nossa compreensão limitada que nós sofremos assim. Irmãs no futuro! Ouçam minhas palavras! Ouçam e pressintam com os vossos corações! No tempo certo, a Nação Amazona será relembrada. Procurem pelos caminhos Dela na floresta. Procurem por nós ali. Lembrem-se! Por Ártemis..."

FONTE: Amazonation


A criação....pela bruxaria....


Entre os Mundos
CRIAÇÃO
Solitária, majestosa, plena em si Mesma, a Deusa, Ela, cujo nome não pode ser dito, flutuava no abismo da escuridão, antes do início de todas as coisas. E quando Ela mirou o espelho curvo do espaço negro, Ela viu com a sua luz o seu reflexo radiante e apaixonou-se por ele. Ela induziu-o a se expandir devido ao seu poder e fez amor consigo mesma e chamou Ela de "Miria, a Magnjica

O seu êxtase irrompeu na única canção de tudo que é, foi ou será, e com a canção surgiu o movimento, ondas que jorravam para fora e se transformaram em todas as esferas e círculos dos mundos. A Deusa encheu-se de amor, que crescia, e deu à luz uma chuva de espíritos luminosos que ocuparam os mundos e tornaram-se todos os seres.

Mas, naquele grande movimento, Miria foi levada embora, e enquanto Ela saía da Deusa, tornava-se mais masculina. Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho deus do amor. Então, transformou-se no Verde, coberto de vinhas, enraizado na terra, o espírito de todas as coisas que crescem. Por fim, tornou-se o Deus da Força, o Caçador, cujo rosto é o sol vermelho mas, no entanto, escuro como a morte. Mas o desejo sempre o devolve à Deusa, de modo que ele a Ela circula eternamente, buscando retornar em amor.

Tudo começou em amor; tudo busca retornar em amor. O amor é a lei, mestre da sabedoria e o grande revelador dos mistérios.

"A idéia dos sioux sobre as criaturas vivas é a de que as árvores, o búfalo e os homens são espirais de energia temporária, padrões de turbulência... esse é um reconhecimento intuitivo e primitivo da energia como uma qualidade da matéria. Mas esse é um insight antigo, sabe-se extremamente antigo - provavelmente o insight de um xamã paleolítico. Essa percepção encontra-se registrada de várias maneiras no saber primitivo e arcaico. Diria que esta é, provavelmente, o insight fundamental da natureza das coisas, e que a nossa visão ocidental, recente e mais comum, sobre o universo como sendo constituído de coisas fixas está fora da direção principal, um afastamento da percepção humana fundamental."



Gary Snyder'
A mitologia e a cosmologia da Bruxaria estão enraizadas naquela "intuição de um xamã paleolítico": a de que todas as coisas são espirais de energia, vórtices de forças em movimento, correntes em um mar sempreem mutação. Subjacente à aparência de isolamento, de objetos fixos em um curso linear de tempo, a realidade é um campo de energias que se solidifica, temporariamente, em formas. Com o tempo, todas as coisas "fixas" se dissolvem, apenas para se fundirem novamente em novas formas, novos veículos.

Esta visão do universo como uma interação de forças em movimento - a qual, incidentalmente, corresponde, em um grau surpreendente, aos pontos de vista da física moderna - é o produto de um tipo muito especial de percepção. A consciência comum que desperta vê o mundo como sendo fixo; ela focaliza uma coisa de cada vez, isolando-a do entorno, um pouco como ver uma floresta escura com o auxílio de um estreito raio de luz que ilumina uma só folha ou uma pedra solitária. A consciência extraordinária, a outra modalidade de percepção, é ampla, holística e indiferenciada, enxerga padrões e relacionamentos no lugar de objetos fixos. É a modalidade da luz das estrelas: pálida e prateada, revelando o jogo de rumos entre laçados e a dança das sombras, sentindo caminhos como espaços no todo.

FONTE: Starhawk em A Dança Cósmica Das Feiticeiras.

sábado, 17 de agosto de 2013

Bríg e a Maldição dos Campos de Batalha


A Senhora do fogo, da cura e da poesia, celebrada no Festival de Imbolc, também, possui um lado sombrio... Sua força ancestral é tão forte quanto as demais Deusas soberanas da terra e da guerra.

Ao contrário do que muitos pensam Brighid também é uma Deusa guerreira, conhecida como "Bríg Ambue", a protetora soberana dos Fianna - exército de guerreiros criado para proteger os reis da Irlanda, formado por membros de diversas tribos, durante o Ciclo Feniano.

Brighid inspirou os bardos a compor e cantar maldições cantadas ou em forma de sátiras, chamadas de "Bríocht Cáinte", conforme a tradução do dicionário gaélico elaborado por Seán Ó Tuathail.

Bríocht: é um feitiço ou maldição utilizada, principalmente, para a proteção nos campos de batalha. Pode ser escrito "bricht" ou "breacht".

Cáinte: é uma sátira ou uma composição poética jocosa de intuito destrutivo.

Há vários mitos e lendas celtas que estão centrados na comunhão com os Deuses, através da inspiração poética tal como o "Awen" para os galeses e o "Imbas" para os irlandeses, um frenesi conhecido como "fogo na cabeça", promovido por estados alterados da consciência.

A "Bríocht Cáinte" é a forma mais temida de maldição de toda a Irlanda, inspirada pela Deusa Brighid. Estas maldições, normalmente, são acompanhadas pelo bodhrán (tambor irlandês) ou o bater de palmas, direcionadas para alguém que não agiu corretamente ou cumpriu os costumes relacionados com a honra e a verdade.

Bríg Cáinte

Em honra à Brighid, amada:

O meu forjar não é somente para moldar
Também não sou a mãe que apenas conforta
E a minha poesia não é só para elogiar

Para moldar o guerreiro...

Eu sou a chama da renovação
Eu sou o terror que ronda o opressor
Eu sou a água que purifica os campos
Eu sou o malho que golpeia a ilusão

Para inspirar a batalha...

Eu sou a fúria do fogo
Eu sou a tocha dos Fianna
Eu sou a raiva que exige justiça
Eu sou o veneno da sátira que rogo

Para calar o inimigo...

Eu sou o medo do traidor
Eu sou a força da espada
Eu sou o sangue que corre nas veias
Eu sou a morte do caluniador

Eu sou a Cáinte, que lança
Maldições e cantos aos adversários
Por Bríg Ambue, a portadora da esperança.

FONTE: Rowena A. Seneween

De Brigite, a deusa-mãe, ao mago Merlin, um panorama histórico, filosófico e antropológico da Mitologia Celta



FONTE YOU TUBE

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Deusa no Reino da Morte


Nos tempos antigos, nosso Senhor, o Cornudo, era (e ainda é) o Consolador, o Confortador. Mas os homens o conheciam como o terrível Senhor das Sombras, solitário, inflexível e justo. Mas nossa Senhora, a Deusa resolveria todos os mistérios, até mesmo o mistério da morte; e assim ela viajou ao Mundo Subterrâneo. O Guardião dos Portais a desafiou...

“... Tira tuas vestes, põe de lado tuas joias, pois nada tu podes trazer contigo o interior desta nossa terra."

Assim ela se despojou de suas vestes e de suas joias, e foi amarrada, como todos Odd vivos que buscam ingressar nos domínios da Morte, a Poderosa, têm que ser.

Tal era a beleza dela, que a própria Morte se ajoelhou e depositou sua espada e coroa aos seus pés...

... E beijou seus pés, dizendo: "Abençoados sejam teus pés, que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa que eu ponha minhas mãos frias sobre o teu coração.

" E ela respondeu: "Eu não te amo. Por que fazes todas as coisas que amo e nas quais me comprazo fenecerem e morrerem?”.

"Senhora" – respondeu a Morte – "trata-se da idade e da fatalidade, contra as quais sou impotente. A idade, o envelhecimento, leva todas as coisas a definharem; mas, quando os homens morrem ao desfecho de seu tempo, concedo-lhes repouso, paz e força para que possam retornar. Mas tu, tua és linda. Não retornes, permanece comigo." Mas ela respondeu: “Eu não te amo”.



“E então disse a Morte: “Se não recebem minhas mãos sobre seu coração, tens que te curvar ao açoite da Morte.” “É a fatalidade, melhor assim...” – ela disse e se ajoelhou”. E a Morte a açoitou brandamente.

E ela bradou: "Eu conheço as aflições do amor.”.

E a Morte se ergueu e disse: "Sejas abençoada." E lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: “Assim apenas pode atingir a alegria e o conhecimento”.

“Então a Morte desamarra os seus pulsos, depositando o cordel no chão”.

E ele a ela ensina todos os seus mistérios e lhe dá o colar que é o círculo do renascimento.

A Deusa, então, toma a coroa e a recoloca na cabeça do Senhor do Mundo Subterrâneo.

E ela ensina a ele o mistério da taça sagrada, que é o caldeirão do renascimento.

A Deusa toma o cálice em ambas às mãos, eles se entreolham, e ele coloca ambas as mãos nas dela.

Eles amaram e se tornaram um, pois há três grandes mistérios na vida do homem, e a magia os controlam todos. Para realizar o amor, tendes que retornar novamente no mesmo tempo e no mesmo lugar daqueles que são os amados; e tendes que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amarrá-los de novo.


O Senhor do Mundo Subterrâneo solta às mãos da Deusa e esta recoloca o cálice no seu lugar. Ele toma o açoite em sua mão esquerda e a espada na sua mão direita e ficam na posição do Deus, antebraços cruzados sobre o peito, espada e açoite apontados para cima. Ela fica na posição da Deusa, pernas escarranchadas e braços estendidos formando o pentagrama.

Mas para renascer tendes que morrer e ser preparado para um novo corpo. E para morrer tendes que nascer, e sem amor não pode nascer. E nossa Deusa sempre se inclina para o amor, e o júbilo, e a ventura; e ela protege e acaricia suas crianças ocultas na vida, e na morte ministra o caminho da comunhão com ela; e mesmo neste mundo ela lhes ensina o mistério do Círculo Mágico, que é disposto entre os mundos dos homens e dos Deuses.

Mito tradicional da Arte.

(Fonte:”Oito Sabás para Bruxas” de Janet e Stewart Farrar, Ed.Anúbis)

A DEUSA HÉCTA



Hécate é uma Deusa greco-romana simultaneamente mais temida e admirada.
Hécate é uma deusa lunar, um pouco a imagem da temida Lilith. Como todas as deusas lunares, Hécate encontra-se profundamente ligada ao mundo da magia, do oculto, da bruxaria, dos mais profundos segredos. Hécate é a deusa das bruxas, e simultaneamente a deusa que vem a este mundo recolher as almas para conduzi-las ao abismo do mundo dos mortos. Trata-se por isso, de uma deusa a que cabe um papel privilegiado na "ponte" entre o mundo dos vivos e dos mortos, entre o nosso mundo físico e o mundo dos espíritos.
Hécate pode incorporar numa lindíssima mulher de longos cabelos negros, e pode ser uma amante incomparável. Contudo a sua fúria e o seu poder são temíveis, e perante Hécate todo o respeito é pouco para garantir a sua ajuda. Dizem às lendas que Hécate também podia assumir a forma de um majestoso lobo negro, ou de um belo cão negro.


As estatuetas existentes nas encruzilhadas onde Hécate era venerada e as bruxarias eram executadas, chamavam-se Hecateias, e constavam na figura de uma lindíssima mulher com três faces, ou três belos corpos femininos unidos num só.
Muitos dos Santuários devotados a Ela eram pequenos e não tinham grandes ou preciosos materiais. Existem estátuas que a representam, mas são quase todas cópias romanas e é difícil saber o quão fiéis elas sejam das originais.Considerada uma Deusa Tríplice, classicamente fazia uma trindade com Perséfone e Deméter. Ao contrário da visão moderna pagã, Hécate era considerada a donzela, enquanto Perséfone era a mãe e Deméter a anciã.
Era a padroeira das Bruxas e em alguns lugares da Tessália, cultuada por grupos exclusivos de mulheres sob a luz da Lua. A Deusa possui inúmeros títulos. Como Propylaia, que significa: "Aquela que fica na frente do portão", Hécate oferecia proteção contra o mal,especificamente contra espíritos malígnos e maldições. Neste aspecto, seu culto era realizado nos portões de entrada, onde estátuas eram colocadas em sua homenagem.


Hécate permite a operação de tarefas místicas essencialmente através de processo de meditação. Através desse processo, no silêncio de uma meditação e através dos nossos sentidos, pensamentos e forças espirituais, é que Hécate reside e abre portas ao mundo mágico.

Historicamente, Hécate é uma Deusa que se originou nos mitos dos antigos karianos, no sudoeste da Asia menor, e foi assimilada na religião grega a partir do século 6 a.C.Hekat, uma antiga palavra egípcia que significa "Todo o poder",e que pode ser a origem do nome Hécate. Entre os romanos era chamada de Trívia, em virtude de sua conexão com as encruzilhadas tríplices. Outra possibilidade para o significado de seu nome esta nas relações das frases: "Ela que trabalha seu desejo" e o mais comum seria "Aquela que é distante'' ou "A mais brilhante"!
Na mitologia, Hécate era filha dos Titãs Perses e Asterias e acreditava-se que vagava nas noites sem luas com uma matilha de cães fantasmágoricos e uivantes. Embora os cães fossem os animais mais sagrados pra ela, Hécate estava associada às lebres na Antiga Grécia, como a sua equivalente germânica, a deusa lunar Harek. Para os antigos chineses, a lebre era tida como um animal de augúrio e dizia-se que vivia na lua.


Na arte, Hécate é muitas vezes representada como uma mulher com três cabeças, com serpentes sibilantes entrelaçadas em seu pescoço. Por essa razão, ela é chamada de triforme-símbolo que pode estar ligado aos três níveis Nascimento, Vida e Morte (representando o Passado, o Presente e o Futuro e à trindade da deusa tripla: Virgem, Mãe e Anciã). 
Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários.
Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Estas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).


No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.


A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação. Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo. 
O dia 13 de Agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas.

Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de Agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate.

As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporal idade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.

FONTE: MITOLOGIA GREGA;  HISTÓRIA DE HÉCTA

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

POEMA - ALKIMIA


Atenção, meu amor, que vou contar-te uma segredo
Tão antigo quanto a Terra em que pisamos e que floresce
E floresce em segredo, escondida na mesma Terra
Em que pisamos. Presta atenção, meu amor, ao segredo
Da chuva que se forma nos céus, e cai sobre a Terra
E a fertiliza. A Terra é o útero da vida, meu amor
Onde o Deus Sol esconde a semente de vida das plantas.
Estás escutando, meu amor? É segredo.

Há quem contamine a Terra para que não floresça
E que contamine os céus para que não envie a chuva.
Por isto é segredo, meu amor, a ser sussurrado
A ser guardado, a ser passado de ouvido a ouvido
De coração a coração, para que não pereça
Não esmoreça sobre a Terra Mãe que protegemos
Sobre a qual gememos em temor que se revele
O segredo tão antigo quanto ela, onde pisamos.

É segredo, meu amor. Segredo como a planta nasce
Da semente escondida sob a Terra. Segredo do homem
Que se forma de maneira incompreensível, indiscernível
Dentro do ventre materno, escondido, secreto.

Segredo é a formação do fogo. A constituição da água.
A fórmula que faz com que o ouro seja mais brilhante
Do que o carvão da Terra, de onde ambos saem
Assim como as plantas, o ferro, os rubis, a prata.
Tudo isto é segredo, meu amor. Não contes.
Mas o mundo gira, meu amor. O mundo roda em espiral
E de repente o homem crescendo no ventre materno
E a semente crescendo no ventre da Terra Mãe
Deixaram de ser segredo. A fórmula de todas as coisas
É res dominium omni, e o segredo, meu amor,
Se foi com o vento que sopra agora sobre os edifícios
Sobre homens e plantas produzidos em laboratórios
Sobre ovelhas clonadas, perfeitos golems científicos.

O segredo, meu amor, da Terra Mãe e do Deus Sol
Das lágrimas da chuva alimentando vida e morte
Não mais existe para que o guardemos, e o sussurremos
E dancemos em círculos em seu louvor.
Mas não importa. Fecha os olhos e vem, meu amor,
Que vou contar-te o verdadeiro segredo.

É mais antigo do que os edifícios que nos cercam
E do que os homens e as plantas produzidos em laboratórios
E do que as ovelhas clonadas como golems científicos.
Vou contar-te o segredo de como o amor nasce
E nasce escondido na Terra fértil do coração dos homens
Incompreensível, incomensurável, secreto.
Estás escutando, meu amor? É segredo.

Há quem contamine os corações, para que não floresçam
E que contamine os corpos, para que não estendam a mão.
Por isto é segredo, meu amor, a ser sussurrado
A ser guardado, a ser passado de ouvido a ouvido
De coração a coração, para que não pereça
Não esmoreça sobre a Terra Mãe que protegemos
Sobre a qual gememos em temor que se revele
O segredo tão antigo quanto ela, onde pisamos.
Que gera a vida
Além de toda possibilidade de conhecimento
Além de toda razão especulada pelo homem
Além do poder de toda razão especulada pelo homem
Além do poder de toda sua mágica.

Esse é o segredo, meu amor.

A energia por detrás de tudo

A força dentro do teu peito

O gesto na palma de tua mão.

Venha, meu amor.

Vou ensinar-te

O segredo.


Autora : Dalva Agne Lynch

UMA BOA SEMANA











domingo, 11 de agosto de 2013

FELIZ DIA DO PAPAI


Não sabemos ao certo a verdadeira origem da história do Dia dos Pais, a versão que é a mais conhecida desta comemoração é a que conta sobre um ex-combatente militar de uma guerra civil, o senhor estadunidense William Jackson Smart, onde ele perde a sua esposa e fica sozinho, cuidando de seis filhos que ainda eram bem pequeninos.

Uma destas crianças, a menina Sonora Smart visto a data do Dia das Mães resolve homenagear este pai tão especial, que a filha admirava por ter dedicado a vida a criar a ela e seus irmãos. A história teria acontecido em 1909, quando Sonona escolhe a data em razão do nascimento de seu pai Willian, em 19 de junho.

Com o tempo e a repetição da celebração por outras famílias a data começou a se difundir e conquistar outras cidades do Estado de Washington, região onde moravam os Smart. Desta forma a homenagem acabou se espalhando por todo este país do norte, até chegar ao reconhecimento por parte do presidente do país na época, Richard Nixon t=que tornou assim a data oficial nos Estados Unidos da América, 19 de junho como o Dia dos Pais.

Há ainda, registros de homenagens a pais encontrados na antiga Babilônia, quatro mil anos atrás de nossa era. Os registros apontam um rapaz que esculpiu uma espécie de cartão em homenagem ao seu pai, com desejos de saúde, sorte e que vivesse muito.

Nos Estados Unidos da América a data é comemorada sempre no terceiro domingo do mês de junho, também é assim em outros países como, Canadá, França, África do Sul, México, Venezuela, Turquia e ainda outros.

No continente australiano e na Nova Zelândia o Dia dos Pais é celebrado no primeiro domingo do mês de setembro, na Rússia celebrasse sempre em 23 de fevereiro, Tailândia em 5 de dezembro, Itália em 19 de março que é o mesmo dia de São José.

No Brasil a data começou a ser celebrada no ano de 1953, onde a imprensa se reuniu e promoveu um concurso com intuito de homenagear três tipos diferentes de pais, aquele que tivesse mais filhos, o mais jovem e o mais velho. Ganhou um pai de 30 filhos, um de 16 anos e outro com 98 anos, respectivamente.

FONTE: GOOGLE

sábado, 10 de agosto de 2013

A FÉ


No meu primeiro dia de aula na faculdade, o meu professor entrou e perguntou O que é FÉ?.

Todos escreveram muitas e muitas páginas, mas nada foi o suficiente.

Fé é uma palavra com origem no Latim "fides" que significa "confiança", "crença", "credibilidade". A fé é um sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa.

É essa energia que alimenta todas as crenças e religiões do planeta, desde os primórdios da humanidade. Milhares de pessoas frequentam os templos mais diversos, ou se voltam para seu santuário interior, no exercício dessa força, buscando consolo ou respostas para suas indagações e problemas cotidianos. O que mantém essa prática viva ao longo de milênios é que a humanidade tem encontrado muitas vezes o que busca nessas jornadas espirituais, e pode assim testemunhar o poder da fé. E o que importa aqui não é como se conseguiu obter resultados com esta energia, pois o adepto de cada religião encontrará explicações diferentes para a mesma experiência. O que realmente conta é os frutos que nascem da fé, concretos demais para que se negligencie esta força. O curioso é que mesmo o ateu, quando impulsionado pela crença em uma determinada ideologia, obtém os mesmos efeitos.

Nós da Velha Religião não aceitamos a Fé imposta, pois somos herdeiros e guardiões das tradições religiosas. Acreditamos na imortalidade da alma, na perfectibilidade indefinida da alma humana, numa série de existências sucessivas. Nossa Fé foi um poderoso fator de unidade do mundo e, por isso, combatida pelos romanos durante as conquistas.



A Fé Pagã é como um Carvalho (símbolo do elemento masculino na Natureza) e uma Tília (símbolo do elemento feminino) entrelaçados são uma união familiar. As mulheres e os homens têm diferentes funções a cumprir. Deste modo procura-se a plena harmonia, mas, contudo os pagãos ainda mantêm um traço tradicionalista no seu modo de vida.

O Paganismo diferente de outras culturas não tem o objetivo de dar respostas simplistas ao que acontecerá depois da morte igual fazem as religiões monoteístas.

Fixam suas atenções em tentar entender o mundo a sua volta. Acreditam no lema que “Se queres alcançar algo, tens de te reportar à tua força e vontade, não terás gratuitamente nada que seja valioso”.

Vejo com um intenso pesar as manifestações que visam apenas denegrir a crença dos outros, pois isto é uma falta de respeito muito grande.


Alguns dias atrás, uma pessoa que se diz religiosa comentou que os Católicos, Espíritas e outras religiões que não fosse à dele estão condenados ao fogo do inferno. O que dizer nesta situação? NADA! Isto mesmo. Não há nada para dizer a quem não quer fazer o mínimo que é respeitar a crença dos outros. 

Às vezes ficamos tão preocupados em matar a cobra venenosa que nos picou que nos esquecemos de tratar do veneno que está correndo em nossas veias. Cuide de você, trate o veneno, libere perdão e cure sua alma.

A observação das leis da vida é muito importante, mas é na prática delas que conheceremos seus resultados e já que todos nós entendemos o valor da fé, façamos nosso dever de casa vivendo com entusiasmo e com a certeza de que a paz, o amor e a alegria serão nossa meta final.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A LENDA DA FADA DO DENTE


Numa época muito anterior à nossa, em que ainda se media o tempo por Eras, e os seres humanos dividiam o mundo com toda sorte de criaturas místicas…

Uma lágrima solitária, com sabor de ciúmes, banhou a decrépita face milenar da minúscula elemental ao observar o ser amado tocar em outros lábios que não os dela.

De repente, um arrepio percorreu-lhe a alma, enquanto dava vazão a um sinistro pensamento. E então, obcecada por aquele amor impossível, que a consumia dia e noite, pôs-se a executar o maquiavélico plano. Sim, ela estava ciente das consequências. Mas com a decisão já tomada, não podia mais voltar atrás.

Esperou até que eles finalmente se separassem e, com os últimos raios de sol ainda no horizonte, resolveu ir ao encontro da rival. Com um encanto, criou uma forte neblina que escureceu a campina por onde a moça seguia, impedindo que qualquer outra pessoa visse o que estava prestes a acontecer.

Aproveitando um momento de distração da rival, materializou-se em sua forma humana, agarrando-a pelos ombros, as unhas compridas cravando-se na pele dela, de modo a toldar-lhe qualquer chance de reação.

O primeiro reflexo da garota foi tentar gritar por socorro. Mal abriu a boca, porém, a sua energia vital lhe foi sugada pela criatura ancestral. Em poucos segundos, o corpo jovem e altivo da moça foi murchando e enrugando, os sedosos cabelos negros ficando sem cor, até que a força lhe faltou e a carcaça, esquelética, deformada e desprovida da chama da vida, desabou inerte na relva úmida.

A assassina, em contrapartida, sofreu um processo inverso. Ao sugar para si a energia vital da humana, rejuvenesceu, voltando a ter a formosa aparência que possuía quando jovem.

Afastou-se do cadáver retorcido, flutuando centímetros acima do chão, enquanto diminuía gradativamente de tamanho, retornando à sua forma original de fada. Embora não sentisse remorso algum pelo crime cometido, a elemental jurou que aquela seria a primeira e a última vez que abreviaria, de forma intencional, a existência de outro ser.

*
Muitas primaveras antes…

A elemental estava cumprindo suas obrigações para com a Mãe Natureza, quando ao passar por uma clareira da floresta, ouviu algo que atraiu a sua atenção: o choro de uma criança.

Não resistindo à tentação, voou para o alto de uma árvore, de onde podia espionar sem ser vista.

Na clareira, um menino esbelto e gracioso, com aproximadamente sete primaveras estava no limiar de submeter-se a mais um importante rito de passagem da infância. Seu primeiro dente de leite encontrava-se prestes a cair e a mãe tentava convencê-lo a deixar que o arrancasse. Ele recusava-se, chorando copiosamente. Para aliviá-lo do medo que sentia por uma suposta dor que nem sabia se sentiria ou não, a mulher inventou-lhe uma fábula, onde prometia que se ele colocasse o dentinho recém extraído debaixo do tapete de folhas onde dormia, durante a noite, uma fada viria buscá-lo e, em seu lugar, deixaria uma saborosa fruta. Inocente como toda criança de sua idade, ele acreditou. E permitiu que a mãe procedesse à extração, suportando a dor corajosamente.

Comovida com a linda história que acabara de ouvir, a fada decidiu tomar, para si, a incumbência de torná-la real. Procurou até encontrar a mais suculenta fruta da estação. E durante a noite depositou-a ao lado do menino, tomando o cuidado de levar consigo o dente, que posteriormente transformou num lindo amuleto.

Na manhã seguinte, não resistiu e retornou à clareira. Ansiava por ver a reação da criança ao acordar e encontrar a recompensa por sua coragem. Conforme o previsto, ao acordar, o garoto logo divisou o presente. Com os olhinhos brilhando de satisfação e saltitante de felicidade, mostrou a frutinha para todas as outras crianças da tribo antes de devorá-la.

A fadinha nunca soube como começou exatamente, mas aos poucos ela acabou se apaixonando pelo jeito alegre e doce do garoto, passando a visitá-lo, em segredo, todas as noites. Passava horas velando o seu sono, afastando todo e qualquer perigo. E o que, no início, era apenas uma inexplicável paixão, transformou-se em amor, no sentido mais sublime da expressão. Ela tornou-se a sua protetora, o seu anjo da guarda invisível, passando a vigiá-lo de perto.

*
O tempo passou e o menino transformou-se em um garboso rapaz, virtuoso e de semblante iluminado. Aos dezessete anos já era um homem feito.

O sentimento que a fadinha tinha por ele tornou-se cada vez mais acentuado, até que numa noite, não mais suportando aquele amor platônico, ela tomou uma importante decisão. E, sem racionar direito, solicitou uma audiência com os anciãos do Reino das Fadas.

Na primeira noite de lua cheia depois, uma tumultuada assembléia teve início na copa do mais antigo carvalho da Terra. Não somente fadas, mas seres místicos de toda sorte se agrupavam em torno do Conselho dos Anciãos, ansiosos para ouvir o que tinha a dizer aquela que os convocara.

Após as considerações iniciais, o mais velho dos anciãos cedeu-lhe a palavra. Ela não se fez de rogada. Apresentou-se e, logo em seguida, começou a relatar a história de como conhecera aquele por quem se apaixonara perdidamente. A mera revelação de que o eleito de seu coração era um ser humano causou o maior rebuliço. Mas ela foi além, solicitando a permissão do Conselho para assumir a forma humana e viver, na plenitude, o seu amor. A floresta inteira sentiu a ira da Mãe Natureza ante tal pedido, sob a forma de uma terrível tempestade.

Quando a situação voltou ao normal, foi-lhe exposto, então, que a relação entre os seres místicos e os humanos era terminantemente proibida. Os anciãos enumeraram uma lista sem fim de objeções. Em resposta, a fadinha contrapôs cada uma delas, enfatizando que se o amor fosse verdadeiro e recíproco, superaria todos os obstáculos.

E assim, a assembléia mística seguiu-se, ininterrupta e turbulenta, por dias a fio. Até que, vencidos pelo cansaço e pela irredutível determinação da pequena elemental, os anciãos optaram por ceder. E concederam-lhe a permissão para viver, na plenitude, o seu inusitado amor. Mas alertaram que a sua insensata união poderia trazer indesejáveis implicações, tanto para ela quanto para os demais envolvidos.

Totalmente obliterada pelo ardente desejo que a consumia, ela simplesmente os ignorou, deixando o topo do carvalho feliz da vida e ansiosa para realizar o seu grande sonho…

*
O que ela não imaginava, nem em seus piores pesadelos, era que, durante a sua breve ausência, o rapaz que arrebatara o seu coração se enamoraria por outra humana. Todavia, o constatou, assim que adentrou a clareia onde a tribo dele habitava.

O choque de flagrar o amor de sua vida nos braços de outra, nublou o seu senso de discernimento, abalando de forma irreversível as suas estruturas emocionais. O ciúme a dominou a ponto de cegar a sua razão, levando-a a articular o assassinato da rival.

Observou-os durante o passeio pela campina; e quando surgiu a oportunidade, deu prosseguimento ao nefasto plano.

Consumado o ato criminoso, ainda transtornada, a assassina transmutou-se para a forma humana e apresentou-se como única sobrevivente de uma comunidade extinta. Foi de imediato aceita na Tribo da Clareira. Pouco tempo depois, já havia assumido o lugar da morta – dada como desaparecida – no coração do rapaz.

Dez luas depois, no início do outono, eles casaram, em meio a uma festança sem precedentes. Outras luas se passaram, e a fada-humana descobriu, para a felicidade de todos na tribo, que trazia no ventre um minúsculo ser, fruto de seu controverso amor.

*
A primavera chegou. E com ela, as primeiras contrações. Em polvorosa toda a tribo reuniu-se em volta das parteiras, para recepcionar o novo membro que estava para nascer. Nas copas das árvores mais altas, o Reino das Fadas também se fazia presente, representado por milhares de minúsculos elementais.

Todos estavam radiantes e ansiosos. No entanto, o parto não transcorreu conforme o previsto… Inexplicáveis complicações prejudicaram o desfecho daquele tão esperado evento que, de alegre e festivo, transformou-se, num piscar de olhos, em momentos de puro terror e agonia. Do nada, uma grave hemorragia interna teve início, drenando as forças da fada-mulher, que morreu antes mesmo de expelir o feto. Prevendo que não conseguiriam salvar as duas, as parteiras optaram pela criança. De posse de uma pedra pontiaguda e extremamente afiada, elas não pensaram duas vezes: rasgaram o ventre ensanguentado, retirando o que, em hipótese alguma poderia ser descrito como um lindo bebê. O pequeno ser revelou-se a mais hedionda aberração, provocando asco e repulsa nos adultos, medo nas crianças e perplexidade nos elementais.

Com o rosto retorcido, dentes salientes, olhos cor de sangue, corpo deformado e garras no lugar das mãos e pés, o recém-nascido soltou um ganido estridente, causando arrepios até no mais corajoso dos presentes.

Desesperado com a inevitável morte da esposa e, mais ainda, com a aberração que concebera, o rapaz deixou a clareira aos prantos, lançando-se no precipício que ficava além da campina.

Supersticiosa ao extremo, a tribo deixou a clareira naquela mesma noite, para nunca mais voltar. Já a criança monstro, foi abandonada à própria sorte, literalmente largada sobre a pegajosa poça de sangue que se formara ao redor do corpo sem vida da mãe. Não fosse pela compaixão das fadas que, apesar da sua horripilante aparência, a recolheram, certamente não teria sobrevivido.

*
Ela cresceu, tornando-se uma mescla adulta de fada, monstro e mulher. E, com muito gosto, resolveu retomar a surpreendente obra que um dia a mãe começara. Desde então, dedica-se exclusivamente a recolher os dentes recém extraídos das crianças do mundo inteiro, deixando em troca uma simbólica recompensa. Mas só vem à noite, para que não a flagrem, por causa de sua medonha aparência. Poucas crianças a enganaram e a viram. Destas, nenhuma sobreviveu…

E assim deu-se a verdadeira origem da famosa lenda da “Fada do Dente”!


fonte: ethernyt.

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