terça-feira, 31 de julho de 2012

OS CELTAS

Segundo historiadores, a terra de origem dos Celtas era uma região da Áustria, perto do sul da Alemanha. Dali, os Celtas expandiram-se pela maior parte da Europa Continental e Britania. Na sua expansão os Celtas abrangeram áreas que vão desde a Espanha à Turquia. 

Tomando posse de quase toda a Europa, os Celtas dividiram esse continente em três partes: a Central (teuts-land, q.s. terra de teut), a Ocidental (hôl-lan ou ghôl-lan, q.s. terra baixa) e a Oriental (pôl-land, q.s. terra alta); tudo o que estava a Norte dessas regiões denominavam de dâhn-mark (q.s. o limite das almas), que ía do Rio Don às Colunas de Hércules; aquele Don que os antigos franceses chamavam de Tanais e que era baliza para a ross-land (q.s. terra do cavalo = rússia).

Os Celtas dominaram a Europa Central e Ocidental por milhares de anos. Mas só mais recentemente os Celtas influenciaram a Europa no seu desenvolvimento, a nível cultural, lingüístico e artístico. Os Celtas com grupo e raça, há muito que desapareceram, exceto na Irlanda e nas Terras Altas da Escócia.

Desde o domínio romano, instigado pelo catolicismo, as culturas druídica e celta foram alvos de severa e injusta repressão, que fez com que fossem apagados quaisquer tipos de informação a respeito delas embora que na historia de Roma conste que Júlio César reconhecia a coragem que os druidas e celtas tinham em enfrentar a morte em defesa de seus princípios.

A bravura dos Celtas em batalha é lendária. Eles desprezavam com freqüência as armaduras de batalha, indo para o combate de corpo nu. Os homens e as mulheres na sociedade Celta eram iguais; a igualdade de cargos e desempenhos eram considerados iguais em termos de sexos. As mulheres tinham uma condição social igual á dos homens sendo muitas vezes excelentes guerreiras, mercadoras e governantes.

Os Celtas transmitiram a sua cultura oralmente, nunca escrevendo a sua história ou os seus fatos. Isto explica a extrema falta de conhecimento quanto aos seus contatos com as civilizações clássicas de Grécia e Roma. Os Celtas eram na generalidade bem instruídos, particularmente no que diz respeito á religião, filosofia, geografia e astronomia



A Origem Celta ao que se consegue datar até o ano de 1200 AEC situa-se na Europa Central, embora parte da mais numerosa vaga de invasão indo-européia. Durante os 600 anos seguintes, os celtas chegaram a Portugal, Espanha, França, Suíça, Grã-Bretanha e Irlanda, e também tão longe como a Grécia e a Galácia. No continente foram vencidos pelos Romanos, continuando, portanto a manter traços fundamentais da sua cultura, mas nas Ilhas Britânicas a invasão romana parou na Muralha de Adriano, mantendo os Celtas, em especial na Irlanda, toda a sua autonomia e herança cultural. Pois, é na Irlanda e no País de Gales que ainda hoje podemos ir em busca do pensamento e da antiga religião de nossos antepassados Celtas e Druidas.

Desde 600 a.C. os povos celtas tinham um alfabeto denominado OGHAM (pronunciado OWAN), considerado sagrado e usado somente para escritas e gravações especiais. Somente os iniciados aprendiam esse alfabeto.

Para escritas comuns usavam o alfabeto grego. Durante a invasão romana, a igreja católica trocou o alfabeto ogham pelo alfabeto latino. Saint Patrick queimou pessoalmente 180 livros irlandeses escritos em ogham.

Tudo que a igreja católica encontrava sobre druidas e celtas era imediatamente destruído. Contudo, o alfabeto ogham vingou até mais ou menos 700 d.C. As mensagens eram passadas entre os iniciados através de códigos por movimentos de nariz, pernas e braços, silenciosamente e secretamente representando o alfabeto ogham.

Os celtas possuíam 3 Leis principais dentro de seus ensinamentos:

* Cultuar os deuses
* Não fazer o mal
* Ser forte e corajoso



Eram extremamente religiosos, por isso os rituais faziam parte de suas vidas. Durante os rituais eram servidos pães, vinho, frutas e carnes, dentre outras coisas. A carne preferida entre eles era a carne de porco, pois era a preferida do Deus Lugh.

O carvalho e o visco eram plantas sagradas. Segundo pesquisadores, o azevim simbolizava o sangue menstrual por ser uma planta vermelha; e as frutas do visco, por serem brancas, simbolizavam o sêmen.

Rituais de fertilidade faziam parte da cerimônia dos deuses do carvalho e do visco. O sacerdote e a sacerdotisa entregavam-se durante os rituais. Era o poder do Deus do Céu (raio que atinge o carvalho, o punhal) fertilizando a Deusa Mãe (a taça).

Durante as cerimônias, os sumo-sacerdotes usavam máscaras ou coroas com chifres simbolizando o Deus Cernudos (Bretanha) ou Cornudo (Irlanda). Era o símbolo de virilidade necessária à fertilidade.

Era esse Deus que abria os portões da vida e da morte. Era o lado masculino e ativo; a forma mais antiga de Deus desse mundo.

A contra-parte feminina de Cernudos era a Deusa Nua da Lua Branca; é a grande mãe que cria, o passivo, o feminino na Natureza.

As celebrações eram realizadas à noite, já que o dia celta começava à meia-noite. Por isso, eles contavam o tempo por noites, e não por dias. O calendário era baseado na lua e tinha 13 meses.

A cada dois anos e meio e três anos, alternadamente, era inserido mais um mês de 30 dias. Os meses tinham os nomes das árvores sagradas e correspondiam às letras do alfabeto ogham. Algumas vezes era inserido mais alguns dias em um mês sem nome para completar o período do ano.

Um período de 5 anos chamava-se LUSTRE. Um ciclo druídico completo tinha 6 lustres ou 30 anos. Uma era druídica tinha 630 anos ou 126 lustres.

Um ano é dividido em duas partes: fase escura, que começa com o ritual Samhain, e fase clara, que começa com o ritual Beltane.

Todos os feriados sagrados aconteciam em solstícios, equinócios e fases lunares. Os quatro festivais do fogo (solstícios e equinócios) eram o apogeu das plantações. Eles representavam trabalhar a terra, semear, crescer e colher.


Os cerimoniais célticos tinham um conteúdo "sagrado" pois neles havia uma comunhão muito grande entre o homem e a natureza. Esse lado sagrado e mais ainda os exercícios de alguns rituais rústicos com os participantes despidos foram motivo de escândalo para os católicos que os viram pela primeira vez. O catolicismo fez todo o empenho em descrever como um conjunto de rituais satânicos. 

Para a Cultura Celta o ano era dividido em quatro períodos de três meses em cujo início de cada um havia uma grande cerimônia:

Imbolc - celebrado em 1 de fevereiro, é associado à deusa Brigit, a Mãe-Deusa protetora da mulher e do nascimento das crianças;

Beltane - celebrada em 1 de maio. (também chamado de Beltine, Beltain, Beal-tine, Beltan, Bel-tien e Beltein) Significa "brilho do fogo". Esta cerimônia, muito bonita, é marcada por milhares de fogueiras;

Lughnasadh - (também conhecido como Lammas), dedicado ao Deus lugh, celebrado em 1 de agosto;

Samhain - a mais importante das cerimônias, celebrada em 1 de novembro. Hoje associada com o Hallows Day, celebrado na noite anterior ao Hallowen.

Basicamente a doutrina céltica enfatizava a terra e a deusa mãe enquanto que os Druidas mencionavam diversos deuses ligados às formas de expressão da natureza; eles enfatizavam igualmente o mar e o céu e acreditavam na imortalidade da alma, que chegava ao aperfeiçoamento através das reencarnações.

Na antiga religião, antes da Igreja destruir este culto e transformá-lo no que se conhece como "bruxaria", os camponeses iam para os bosques de carvalhos à noite e acendiam enormes fogueiras para a Deusa o que tornou esta festividade conhecida como As Fogueiras de Beltane.

Nesta época, os princípios morais vigentes eram outros, a mulher era um ser livre e não havia o machismo como hoje se conhece. As sociedades eram matriarcais. Sendo assim, nesta noite de Beltane, as moças virgens e mesmo as casadas, iam para os bosques na celebração do que se chamava "O Gamo Rei" onde os rapazes copulavam com as moças sob a lua cheia guiados pelo instinto num ritual de fecundidade e vida.


As crianças que por ventura fossem geradas nesta noite eram consideradas especiais e normalmente as meninas viravam sacerdotisas e os meninos magos. O ritual era consagrado à Deusa para que esta trouxesse sempre boas colheitas através da fertilidade da terra. Embora o culto fosse predominantemente feminino, não se excluía, de forma alguma, o papel do Deus, pois, a essência de Beltane, sendo a fecundação, impunha sempre, a presença do feminino e masculino. 

A Igreja Católica acusava os Celtas e Druidas de bárbaros por sacrificarem os criminosos de forma sangrenta, esquecendo que ela também matava queimando as pessoas vivas sem que elas houvessem cometido crimes, apenas por questão de fé ou por praticarem rituais diferentes.

O catolicismo primitivo, tal como um furacão devastador apagou tudo o que lhe foi possível apagar no que diz respeito aos rituais célticos, catalogando-os de paganismo, de cultos imorais e tendo como objetivo a adoração da força negativa. Na realidade isto não é verdade, os celtas cultuavam a Mãe Natureza e quando os primeiros cristãos chegaram naquela região foram muito bem recebidos, segundo pesquisadores, a tradição céltica relata que José de Arimatéia discípulo de Jesus viveu entre eles e levado até lá o Santo Graal (“Taça usada por Jesus na Última Ceia”).

A crença céltica e druídica diziam que o homem teria a ajuda dos espíritos protetores e sua libertação dos ciclos reencarnatórios seria mais rápida assim. Cada pessoa tinha a responsabilidade de passar seus conhecimentos adiante, para as pessoas que estivessem igualmente aptas a entenderem a lei de causa e efeito, também conhecida atualmente como lei do carma.

Não admitiam que a Divindade pudesse ser cultuada dentro de templos constituídos por mãos humanas, assim, faziam dos campos e das florestas, principalmente onde houvesse antigos carvalhos, os locais de suas cerimônias, reuniam-se nos círculos de pedra, como se vêem nas ruínas de Stonehenge Avebury, Silbury Hill e outros.

Os celtas entendiam que a terra comporta-se como um autêntico ser vivo, que nela a energia flui tal como nos meridianos de acupuntura de uma pessoa. Eles sabiam bem como se utilizarem meios de controlar essa energia em beneficio da vida, das colheitas e da saúde.



domingo, 22 de julho de 2012

A Lua do Lobo


Na Bruxaria Tradicional aprendemos a conhecer e a lidar com aquilo que somos e o que somos em essência é representado pelo que denominamos Animal Guardião.

Para os povos celtas, o lobo tinha como simbologia a maternidade. Existem várias histórias de crianças criadas e alimentadas por lobos. O rei irlandes Cormac MacAirt foi criado por uma loba, assim como as deusas celtas Ailbe e Ciwa, sendo que a última não apenas foi criada por uma loba, mas também desenvolveu uma garra de lobo em uma das mãos.

Muitos deuses e deusas, ligados à Lua, tinham também como símbolo o lobo. O lobo uiva para a Lua, assim como os cães; eles caçam e brincam ao luar. As sacerdotisas de muitas culturas eram adeptas de viagens astrais e transmutações, talentos normalmente praticados à noite. Também celebravam rituais, dançando e cantando a céu aberto, sob a Lua. Um festival romano, a Lupercália, honrava a deusa - loba Lupa ou Ferônia. Os nórdicos acreditavam que o lobo gigante Hati perseguia a lua e nos dias finais comeria esse corpo celeste.

O contato com os antepassados é parte essencial na vida de uma Bruxa e Bruxo. Amorosos e sempre prontos a nos ajudar, nossos ancestrais se dispõe a atender a nossos pedidos e nos dão força nos momentos difíceis.

Além da celebração dos Sabbats, os Bruxos e Bruxas reverenciam outras importantes mudanças que ocorrem na natureza como a mudança das fases lunares.

A fase lunar mais importante é a cheia, momento onde a lua encontra-se em seu poder máximo, no ápice de sua força. A lua cheia representa a Deusa em sua face Mãe, o seu aspecto primordial.

Aos rituais de Lua cheia damos o nome de Esbat, um termo que passou a ser popularmente usado a partir do início do século XX.


A roda gira e chega Iùil que, em gaélico, é o nome do mês de Julho, conhecido como a Lua do Lobo que representa as águas frias da terra que ficam represadas sob a geada, simbologia implícita através da manifestação do inverno e seus mistérios.

A Lua do Lobo embora tenha adotado, por conviniência mágica, o Totem do Lobo para caracterizar esse plenilúnio, a lua cheia de julho também é chamada de Lua da Neve, Lua do Pequeno Inverno, Lua Fria.
No calendário lunar, esse é o tempo dos ritos de renovação espiritual, de busca pela clareza, de abertura da mente e de meditação no eu mais elevado.

Os celtas possuiam um calendário ou zodíaco conhecido como Beth Luis Nion, cujos 'signos' ou luas eram representados por 13 árvores sagradas.
À energia desse plenilúnio corresponde ao signo do Vidoeiro, Beth, cuja tradução poderia ser "mundo" e o mito associado a ele é o da história do nascimento de Taliesin.
Uma vez mais, a energia da terra nos convida à abertura espiritual, a iniciação e a transformação através do Caldeirão de Cerridween, local de gestação do mais famoso druida de Gales, nascido da própria Deusa.

É um momento de pausa, interiorização, reflexão e transmutação... Quando a vida simplesmente se transforma e nos mostra o melhor caminho a seguir!



A natureza agora se recolhe e nos ensina que compartilhar também é uma das formas de sobreviver a todas às crises, além de integrar-se numa sociedade, sem que isto afete a nossa individualidade. É o mês ideal para realizarmos trabalhos em grupo e esforços conjuntos, pois favorece a união dos seres.

Essa é a época em que vivenciamos o momento de transição do tempo claro para o escuro, para novamente alcançarmos a luz do Sol. Mas, antes de qualquer coisa, precisamos entender as forças que regem esse mês: a Lua e o Lobo.

A Lua representa os mistérios femininos que refletem a força solar, simbolizando também, a energia psíquica, a intuição e o inconsciente coletivo que guarda todos os antigos segredos, a sabedoria, o conhecimento ancestral e a magia.

O lobo é um animal de poder ligado aos mistérios lunares, que fortalece, estimula e aguça os nossos sentidos, além de nos ensinar a viver em harmonia com a natureza e a compreender o sentido da vida. Ao uivar para a lua cheia, simbolicamente, o lobo nos conecta à novas idéias, até então, ocultas sob a mente consciente.

A transformação em lobo é um dos temas preferidos de várias lendas populares irlandesas, entre outros. Representando o contato com o lado sombrio da alma que desperta os instintos básicos do homem. 

Ao unirmo-nos a essas duas grandes forças, interiorizamos suas características e nos movemos para um plano mais sutil... Um plano onde o mestre nos aguarda!

Aproveite essa energia para aprender harmonizar o lado obscuro da sua alma. Um momento propício para expurgar tudo aquilo que precisa morrer. Nossos medos, fraquezas, dificuldades e problemas.


Hoje, com o crescente interesse sobre as práticas Pagãs, pessoas de todas as idades e condições se encontram nas noites de Lua Cheia para reverenciar a Deusa e a vida. Como os Sabbats, celebrar os Esbats nos coloca em harmonia com toda a natureza pois se as mudanças das fases lunares exercem influência sobre as marés e plantio das sementes, elas seguramente influenciam nossas emoções e acontecimentos diários.

Cada uma das lunações recebe um nome específico que reflete o momento da Roda do Ano em que ela se encontra expressando um dos muitos temas da vida humana. Estes nomes podem variar de Bruxo para Bruxo ou dependendo da Tradição.


sábado, 21 de julho de 2012

Universo Simbólico- O Axioma de Maria por Danjelo Terah


Olá pessoal, uma vez eu aprendi este ensinamento e até hoje ainda o lembro, e acredito que nunca o esquecerei. Não porque seja uma filosofia cheia de palavras bonitas, nem porque seja algo fácil, muito menos porque eu o decorei, mas por um motivo que vai além do seu simbolismo, único e exclusivo: Eu o Sinto! Estamos na Lua do Lobo, um momento de entendermos as nossas sombras e nos livrarmos do velho para dar lugar ao novo, e nesta egrégora lunar podemos encontrar muitas respostas em meio a tanta névoa.

Um Axioma na lógica tradicional são sentenças que não são provadas , mas que se resumem ao óbvio, e são consideradas guias para a criação de uma teoria. 

Esse Axioma é de Maria...mas...Qual???


Maria, a Judia, ou Maria, a Profetisa, ou Miriam, irmã de Moisés, é uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 273 a.C..

Miriam terá sido uma das parteiras que se recusou a cumprir as ordens do faraó (deitar ao Nilo todos os meninos hebreus recém-nascidos). Maria, a Judia, ou Maria, a Profetisa ou Miriam, meia-irmã de Moisés é referida na Torah (תּוֹרָה) ; aliás, é a primeira mulher referida na Torah como profetisa (ha-Naviá ) e é atribuído a ela um papel fundamental na sobrevivência do povo de Israel, no Egito, tendo participado também na travessia do mar vermelho.

 Alguns a situam na época de Aristóteles (384–322 a.C.), uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as idéias alquimistas de Maria.


Eis o seu Axioma:

 "O Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, o Três torna-se Quatro, que novamente torna-se Um, assim os Dois são apenas Um...Inventa a natureza e encontrarás o que procuras, Una o macho e a fêmea e encontarás o que é procurado..." ( Maria, a judia, 300 a.c.)

"Quando estamos apenas com os nossos pensamentos, somos "Um" . Somente nos tornamos "Dois" quando nos enxergamos no próximo. Quando olhamos para ele e nos vemos começamos a compreender, a perdoar e a amar.

 O "Dois" torna-se "Três", quando enxergamos a Divindade através do próximo, pois Deus está em cada um, porém só enxergaremos isso quando tomarmos ciência de que todos somos Um.

O " Três" torna-se "Quatro", quando essa consciência de Divindade que habita em nós e nos outros nos atinge, estamos prontos para sermos Unos com os Elementos. 


O "Quatro" é novamente "Um", quando o conhecimento Divino-Elemental é nossa própria essência, e estamos prontos para um novo grau na escala da evolução. Somos "Um" novamente, porém num nível acima do anterior, rumo a uma evolução contínua que nos levará de volta para a Fonte, e assim perceberemos que as varias fases de nossa vida não passam de estágios do mesmo propósito."

Essa é a Alquimia da Alma, um ingrediente raro, que na dosagem certa é elixir para toda vida!

 A todos, Espero que tenham gostado.


Texto de D’anjelo Terah





terça-feira, 17 de julho de 2012

Bruxaria Tradicional não é Wicca.


Bruxaria e Wicca são dois caminhos distintos e separados.

Bruxaria Tradicional tem existido por muitas centenas de anos antes da Wicca.

Bruxaria Tradicional é uma tradição de família que vêm de um passado histórico comum.

Ao contrário da Wicca, a Bruxaria tradicional tem como o objetivo continuar praticando a Velha Arte que antecede o século XX, sendo assim não gosta de englobar em sua filosofia conceitos new age.
Ela procura seguir o modelo das famílias e irmandades.

Há diferenças entre a Bruxaria Tradicional e a Wicca, são gritantes! Vamos tentar esboçar um pouco das diferenças que conhecemos, mas nem de longe poderíamos aludir todas elas em absoluto, uma vez que os conceitos estão em constante descobrimento e mutação.

Nós não temos interesse em dar um caminho para a Bruxaria, mas sim, desde que tomamos posse de nosso legado, podemos deixá-la fluir. No intuito de apontar suas diferenças, na conclusão de que ela nasceu com o paganismo, infanto tal como uma criança, e se desenvolveu na era cristã alcançando sua maturidade como uma arte e ofício imutáveis e sempre transformados.

Embora sejam algumas vezes usadas como sinônimo, “Wicca” e “Bruxaria” são conceitos diferentes. A confusão se dá porque tanto os praticantes de Wicca quanto os de Bruxaria se denominam Bruxos. Da mesma forma, não devem ser confundidos os termos “Wicca” e “Paganismo”, uma vez que a Wicca é apenas uma das expressões do paganismo.

WICCA

A palavra Wicca vem do Inglês Antigo, tendo sido reintroduzida no uso moderno daquele idioma por Gerald Gardner, em sua publicação de 1954. Embora Gardner utilizasse a grafia “Wica”, popularizou-se o uso de “Wicca”, mais aderente à etimologia da língua inglesa.

"Wicca" é o nome de uma religião contemporânea neo-pagã, largamente popularizada pelos esforços de um funcionário publico reformado inglês chamado Gerald Gardner (finais de 40). Nas ultimas décadas, Wicca espalhou-se em parte devido à popularidade entre feministas e outros que buscam uma religião com uma imagem mais positiva da mulher e mais próxima da terra. Como a maior parte das espiritualidades neo-pagãs, Wicca adora o sagrado como imanente à natureza, retirando muita da sua inspiração das religiões da Europa não-cristãs e pré-cristãs. "Neo-Pagão" simplesmente significa "novo pagão" e vem dos tempos anteriores ao espalhar das atuais religiões monoteístas. Uma boa regra é que os Wiccans são Neo-Pagãos mas nem todos os Pagãos são Wiccans.

Gerald Gardner capturou conceitos e práticas externas para formar a sua marca, nova e exclusiva de Bruxaria.

Muitos desses acréscimos nunca haviam sido parte de qualquer tradição de feitiçaria.
Wicca, é formada por tradições ocidentais populares européias, filosofia oriental e misticismo da cabala.


Embora Wicca basear-se mais em atividades mágicas em seu início, desde então tem desenvolvido mais de um movimento espiritual da Nova Era.

Como um movimento, Wicca pode ser vista como um sistema eclético de crenças com um ritual estático subjacente e uma mudança de base ética.

É uma abordagem à espiritualidade que enfatiza um conjunto de princípios doutrinais e práticas promulgada por uma forma estruturada de ritual de iniciação ou rito de passagem dentro das leis do “clã” ou congregação.

O neopaganismo proposto por Gardner baseava-se em sua experiência na Ásia, onde viveu por muito tempo e entrou em contato com uma variedade de crenças ocultistas e práticas mágicas. Outra importante influência no surgimento da Wicca foi a obra do ocultista britânico Aleister Crowley. No fim dos anos 60, na onda da contracultura hippie, da valorização de um estilo de vida anticonvencional e da busca pela espiritualidade, a Wicca ganhou muitos seguidores nos Estados Unidos. 

Os praticantes da Wicca fazem meditação e participam de vários rituais que celebram, por exemplo, a Lua cheia, o equinócio, o solstício de verão e o Halloween. Ao autointitularem-se como bruxos, os seguidores da Wicca têm levado muitas pessoas a associar esse movimento com o satanismo, o que é constantemente negado pelos seus praticantes.

Wicca é uma religião não-dogmática; ao contrário de qualquer outro sistema religioso maioritário, não há uma forma "certa" ou "errada" de observação. O indivíduo é livre de seguir uma das tradições principais ou para encontrar o seu próprio caminho. São as crenças, a filosofia e a ética que são importantes, não a sua expressão exterior. Para além das linhas de conduta básicas, não existem quaisquer "mandamentos"


Bruxaria Tradicional 

A Bruxaria Tradicional, por outro lado, refere-se às crenças e práticas de famílias e organizações secretas da Arte que antecedem o século vinte. Normalmente, apesar de a doutrina e as práticas da Bruxaria Tradicional terem raízes em tempos muito antigos, o tempo mais longínquo que a maior parte das organizações tradicionais podem se datar com alguma exatidão é o século 17. Entretanto, a história do século 11 em diante testemunham práticas similares àquelas transmitidas hoje pelas Bruxas Tradicionais.

Uma breve descrição da natureza da witchcraft e suas práticas mágicas na Arte Antiga. O caminho da Bruxaria Tradicional é a chama acesa que vem do coração dita como vocação por muitos, a busca do caminhante por sabedoria, eis o círculo e seus mistérios que compõem e mantém vivo a essência, da fé nos costumes mágicos, da fé na Antiga Arte. Seu ritual é o Sabath o sonho que se faz carne, do êxtase.

Seu mistério encontra nas profundezas da terra, no submundo onde as raízes estão. Sua reverência aos espíritos ancestrais, ao sussurro ao ouvido, o sagrado na palavra, o segredo dos espíritos face a face, a consagração da terra natal, eis o círculo da Arte, em que nenhum pensamento profano está apto a entender, perguntas e respostas que só quem caminha no círculo ao redor da fogueira pode sentir seu significado.


A Bruxaria Tradicional surgiu do animismo, surgiu do xamanismo, acrescentou cultura e costumes de povos antigos, teve um aumento sócio cultural tremendo com a vinda dos Celtas e assim com todo esse agregado de culturas, de costumes, de magia damos o nome de Bruxaria, Bruxaria Tradicional cujo o surgimento está nas famílias, clãs, tribos, aldeias.

Mas prevalece a pergunta - O que é Bruxaria Tradicional?, há tantas respostas diferentes quanto ha opiniões de entendidos no assunto, é um conceito vindo do entendimento subjetivo e individual, mas em resumo um conjunto de práticas que constituem a história de determinado povo, de determinado clã, baseado nos seus costumes, baseados nos seus segredos, embora exista uma grande parcela de estudos ligados aos povos da Europa que nos possa dar uma noção sobre o assunto, tais conhecimentos não nos remetem a raiz destes conhecimentos tão sagrados e seletivos. 

As linhas de diferentes faces da Bruxaria refletem a mesma como algo intrigante e complexo à abordagem do tema, algumas linhas se dividem outras se juntam em conceitos, mas a base se encontra no culto a natureza, não somente como provedora do alimento, mas como energia primordial, berço e vida.

Os membros da Antiga Arte constituem agrupamentos de pessoas trabalhando com foco na magia natural, servindo como um entendedor das forças da natureza, um praticante da magia, alguém digno e com particular tendência introspectiva, sensorial que entra em harmonia com as fases das estações, que honra suas raízes, respeita o poder ancestral, cultua os deuses da natureza em seu digno habitat.




Poder ancestral é transmitido de geração a geração, através da palavra falada, do conhecimento compartilhado pelos membros do clã, a sabedoria é guardada sobre juramento dos membros e repassado as próximas gerações através dos membros mais antigos, dos espíritos dos antigos dadas por possessões mágicas ou dadas por esquemas mágicos dentro do seio do paganismo, no berço raiz e entre seus deuses antigos.

Os Deuses são forças naturais e as suas personalizações humanas foram criadas aos olhos dos homens, questão de empatia?? quem sabe, mas sem dúvida fatores psicológicos, seus mitos e ritos contam a história, e cada história um aprendizado, cada história uma carga de conteúdo riquíssimo em sabedoria, existiram homens que se tornaram lendas, e dessas lendas tornaram-se deuses, homens com dons muito admiráveis.

Como já escrevi em outro texto “ A Bruxaria Tradicional é uma das filosofias mais complexas que a simplicidade pode construir, e nada e ninguém pode traduzi-la com a escrita fria ou com a razão, para entendê-la é preciso morrer nesse mundo, perder os sentidos e acordar na praia renascido das águas do mar”.

O mais importante, além de se definir, é praticar seja qual for sua religião com amor, respeitando o próximo e a vontade alheia.

SELMA - 3FASESDALUA



quarta-feira, 11 de julho de 2012

MORRIGAN: Deusa, rainha, deusa trina, ou divindade


Morrigu / Morrigan / Morrighan: É a Grande Rainha "Mor Rioghain", na mitologia irlandesa, da tribo dos Tuatha Dé Danann. Senhora da Guerra, possuía uma forma mutável e o poder mágico de predizer o futuro. Reinava sobre os campos de batalha e junto com suas irmãs Badb e Macha eram conhecidas pelo nome de "Três Morrígans", relacionadas à triplicidade que, para os celtas, significava a intensificação do poder. 

Associada aos corvos, ao mar, as fadas e a guerra, além da associação à Maeve, rainha de Connacht, casada com o rei Ailill e a Morgana, das lendas arthurianas. Podia mudar sua aparência à vontade, como em um lobo cinza avermelhado. Nos mitos relacionou-se com Dagda e apaixonou-se pelo grande herói celta, CuChulainn, que despertou toda sua fúria, ao rejeitá-la. Deusa da morte e do renascimento, da fertilidade, do amor físico e da justiça.

Corvo da Batalha ou a Grande Rainha, é uma Deusa da guerra na mitologia celta. Os corvos eram considerados os seus representantes na batalha, e quando eles apareciam poderia ser um presságio de que aqueles guerreiros morreriam, ou poderia incentiva-los a lutar do seu lado pois a Deusa da guerra estava com eles.


Como já foi dito, ela foi considerada pelos celtas uma Deusa da guerra, da justiça, da vingança, da morte, do renascimento, do destino e da mudança. Era a protetora de todas as sacerdotisas e impulsionava os guerreiros nas batalhas. Ela possui três faces que a tornaram conhecida como "As Fúrias das Batalhas", que se distinguem por suas funções.

Contam que muitas vezes antes das batalhas era possível ver uma senhora à beira do rio, lavando roupas manchadas de sangue e cantando uma antiga canção. Essa senhora é considerada uma das três faces de Morrigan, que estava a preparar o campo de batalha, a face Anciã é conhecida como Nemhain, a Fúria, o guerreiro que a visse sabia que sua hora havia chegado.

Divindade da mitologia celta associada à guerra e à morte, reverenciada especialmente no Samhain.

Morrigan tem muito em comum com as deusas Inanna / Ishtar , Kali e Hecate, em sua relação com o lado sombrio e terminal da vida física.

Era reverenciada por guerreiros, que procuravam cultuá-la e oferendá-la, antes das batalhas. De modo ainda bélico, era temida e costumava-se atribuir sua presença à proximidade da morte. A deusa da morte escura que carrega a alma em suas asas negras para o renascimento, trazendo a consciência da natureza temporária da vida.



As origens de Morrigan datam à antiga cultura megalítica das deusas mãe. As mães apareciam geralmente como deusas tríplices e seu culto era expressado tanto através do êxtase de batalhe quanto do regenerativo. Até posteriormente na cultura celta, as deusas da soberania (Eriu, Banba e Fotla) aparecem em trio, e usam magia na batalha. A própria Eriu podia aparecer tanto como uma bela mulher quanto um corvo.

No fim, com o campo de batalha coberto de sangue e mortos, era possível ver os corvos se alimentando dos mortos e Macha, a face Mãe, a égua, a buscar a alma dos mortos para levá-los ao caldeirão do renascimento.

Morrigan nos ajuda nos momentos de transição pois todo o dia uma parte de nós morre e outra renasce. Ela ajuda a preparar a estratégia e nos incentiva a lutar com toda nossa força. Todos somos guerreiros. Todos travamos batalhas durante esta jornada chamada vida. O arquétipo do eterno retorno dramatiza uma revelação: que sob o disfarce da morte encontramos uma secreta unidade de vida. O desenrolar desse drama confere profundidade à vida.

Devemos todos considerar nosso próprio lugar no grande círculo, pois se nossa vida não tem conteúdo ou significado, ela será estéril e absurda. Só a conscientização de que existe uma dimensão profunda em tudo que experimentamos amplia nossa visão e nos recoloca em uma zona de atemporalidade. A participação no grande círculo conserva tanto o mistério que esse representa como a dignidade dos que morrem.


É a Deusa Morrigan que nos ajudará a transformar nossas perdas em um "deixar que vá" e nos identifica como o "ir e vir", substituindo as aquisições pela capacidade de "abrir mão" para poder participar de sua secreta sabedoria de Grande Mãe.

A jornada da vida é um breve episódio entre dois grandes mistérios que são um só, e, tornar esse episódio tão luminoso quanto possível, é redescobrir nos movimentos da alma, nas provações do nosso corpo, nas presenças espectrais em nosso sonhos, os rastros das Deusas.

"No campo de batalha, a Grande Rainha está a caminhar/ Ela chora por todos os mortos neste momento/ Ao abraço Dela suas almas eles irão entregar / Para que que Ela os livre de todo sofrimento.

Morrigan está chorando..."

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cultos Pré-Cristãos e a Bruxaria Tradicional


Essas são as palavras escritas por um Arcebispo da Igreja Católica nos dias de hoje:

“Os principais institutos de pesquisas e até mesmo o IBGE já apontam um crescimento do antigo culto da Deusa no Brasil.Seguidores da chamada Religião da Deusa ,cujas origens remontam aos povos celtas e druídas se espalham pelo nosso País.

Milhares de adeptos do culto da Antiga Deusa se reúnem para estudar os chamados livros das sombras de varias escolas dos Estados Unidos da América e Inglaterra.Muitos desses jovens pertenciam a igreja católica romana montiniana e outros as igrejas ditas evangélicas.

Vários sites católicos já abordam o problema que vem crescendo no Brasil.A Deusa ganha terreno e seguidores.

Solicitei ao secretariado de catequese um estudo aprofundado sobre esse fenômeno,para que possamos orientar melhor nossos jovens que hoje se encontram bombardeados por vários cultos.

Rezemos todos a Nossa Senhora do Bom Conselho pela conversão de nossos jovens a verdadeira igreja católica,fora da qual não há jamais possibilidade de salvação.Arcebispo Makarios,pela misericórdia de Deus,Cardeal Patriarca de toda a igreja católica sírio malankar no exílio,em paz e comunhão com Sua Santidade Alejandro IX.”




Este senhor deveria estudar mais sobre outras religiões e não somente a sua.

Deveria saber que temos o nosso direito de escolha e temos que ser respeitados por isto.

Sei que este tema é polêmico que se mistura a credibilidade, fatos históricos e entendimento teológico. Podemos criar diversas teses sobre o tema, entretanto a origem da Bruxaria é de comum senso a qualquer estudioso dedicado a estas crenças.

Para praticantes que buscam a preservação e também realizam trabalhos envolvendo matérias acadêmicas como história, antropologia, arqueologia entre outras fica claro o foco sobre a visão tradicionalista, no entendimento da origem dos cultos, ou seja, seguem pela Bruxaria Tradicional e não tentam a modernizá-la ou distorcê-la.

A busca pelas origens e a conservação destas práticas é uma das grandes “chaves” que muitos dizem ter conhecimento, mas diferente do discurso, seus atos revelam apenas a sua orientação modernista e por assim dizer eclética, colocando conceitos que nunca existiram na Bruxaria Familiar/ hereditária tal como nunca estariam presentes na Bruxaria de base Tradicional, algumas delas de caráter luciferiano que estariam muito melhores conceituadas no próprio Satanismo e não na Bruxaria.



Para quem segue a linha de crença nativa e tradicional entendem que estas crenças antigas adentraram em outros períodos da história, porém sem nunca perder a sua essência, mesmo diante da grande influência cristã na Europa, elas continuam lá embaixo do verniz dos tempos e das influências, porém para o sábio peregrino é fácil a sua compreensão, sem deixar que estes resquícios se tornem uma nova visão.

É fato que muito se perdeu durante as diversas fases de nossa história pelos séculos, porém cabe a um coeso praticante de Bruxaria Tradicional preservar o que lhe chegou, todo o material advindo das famílias pagãs, das crenças hereditárias e repassá-las conforme fora feito de geração em geração. Quem não entende este princípio nunca foi um praticante deste caminho e provavelmente nunca se quer esteve presente em um círculo de Bruxos Tradicionais.

Ao contrário do que se pensa, o cristianismo não foi imediatamente adotado pelo povo europeu ao ser declarado religião oficial do Império Romano. Esta conversão dos Romanos ao catolicismo teve motivos políticos, e não teve grande penetração fora dos centros urbanos. A grande massa da população permaneceu fiel a seus deuses antigos. Os cultos antigos, então, receberam a denominação pejorativa de "pagãos" ("pagani", plural de paganu, ' morador do campo'), por ter como foco de resistência à nova religião o povo dos campos, longe das cidades e das zonas de comércio e ensino. 



Os missionários cristãos, com o tempo, passaram a ter mais aceitação nas cidades, mas continuavam sendo repelidos no campo, nas montanhas e nas regiões distantes, verdadeiros enclaves da Antiga Religião. Houve ainda uma tentativa de reativar o paganismo e o culto aos Deuses antigos como religião oficial do Império Romano. Esta última esperança deveu-se ao Imperador Juliano (conhecido como "O Apóstata"), que reinou no século IV EC. Mas, como sabemos, essa tentativa não foi frutífera, derrubada pela própria conjuntura da época, onde já se pressentia o poder de manipulação, domínio e intriga do cristianismo, evidenciado nos séculos seguintes. Um dos ardis utilizados pelos cristãos era o de apropriar-se de festividades pagãs como comemorações religiosas de sua própria religião. Assim, por exemplo, o festival do solstício de inverno, onde se comemorava o nascimento do Deus-Sol, transformou-se no Natal cristão. Também o festival de Samhain, comemorado em intenção dos mortos, recebeu o nome de Dia de Todos os Santos, logo seguido pelo dia de Finados. A despeito destas tentativas, as tradições pagãs continuaram mantendo sua força.

A partir de um decreto do papa Gregório, os cristãos também se apossaram dos locais sagrados da Antiga Religião e, derrubando os templos ali existentes, erigiram suas igrejas. Os Deuses de cada santuário foram transformados em santos e santas (um exemplo é Santa Brígida, da Irlanda, na verdade a Deusa Bhríd, protetora do fogo e dos partos). Quando os cristãos deram-se conta da importância da Deusa-Mãe para as pessoas, aumentaram a proeminência da Virgem Maria no culto cristão. Mitos e práticas pagãs foram, sistematicamente, absorvidas, distorcidas e transformadas em ritos cristãos. Esculturas de temas pagãos foram incluídos em igrejas e capelas . O maior exemplo de sincretismo entre costumes pagãos e cristãos é o cristianismo irlandês, que ainda hoje conserva hábitos célticos mesclados a liturgias cristãs.


Os padres tinham a seu favor o tempo, o poder e a força. Os pagãos tinham que lutar sozinhos contra a profanação de seus templos, crenças e costumes. Desta maneira, o povo simples dos campos foi acostumando-se à nova religião, e, gradualmente, foi sendo convertido. Mas os sacerdotes restantes da Antiga Religião não se renderam à nova ordem. Juntamente com pessoas ainda fiéis às antigas crenças, mantiveram o culto ao Deus de Chifres e à Deusa Mãe. As crenças pagãs, enfatizando a adoração aos Deuses e a realização dos festivais de fertilidade, foram amalgamando-se à magia popular, criando a Bruxaria Européia. A magia popular consistia em um conjunto de feitiços feitos com o uso de ervas, bonecos e diversos outros meios. Estes feitiços tinham como objetivo a cura, a boa sorte, atrair amores, e fins menos nobres,como a morte de algum inimigo. São práticas desenvolvidas a partir do que restara da magia simpática pré-histórica, unidas ao conhecimento xamânico dos povos bárbaros.

Os teólogos cristãos passaram então a sustentar que a Bruxaria não existia. Assim, pretendiam terminar com a credibilidade dos bruxos e anular sua influência. Foi um período de relativa paz para a Arte. Mas logo os cristãos perceberam que seus esforços para exterminar completamente o paganismo não haviam dado resultado. Fizeram então mais uma tentativa: transformaram o Deus de Chifres na personificação do Mal, do Antideus, do Inimigo. A natureza dos Deuses pagãos é completamente diferente da do todo-poderoso "senhor de bondade" dos cristãos. Nossos Deuses são quase "humanos", pois têm características tanto 'boas' quanto 'más'. A teologia cristã já pressupunha a existência de um antagonista a seu Jeová (o 'Satan' hebraico do Antigo Testamento e o 'diabolos' do Novo): um Inimigo. Ele ainda não possuía forma definida e, quando era representado, o era em forma de serpente, como a que persuadiu Adão a comer a fruta da Árvore da Sabedoria. Dando a seu Satã a forma do Deus de Chifres (notadamente de deuses agropastoris como Pã e Sileno, dotados de cascos de bode e pequenos cornos), os cristãos conseguiram iniciar um clima de terror e medo em relação aos praticantes da Antiga Religião, o que os forçou a praticarem seus ritos em segredo.


Temos visto muitos equívocos no uso do termo "Bruxaria Tradicional", alguns colocam em seus livros Modern Witchcraft e traduzem para Bruxaria Tradicional (?), inserem conceitos que nunca existiram e se existem são apenas uma criação da era moderna, uma mescla baseadas em magistas reconhecidos e que muitos nunca se auto proclamaram bruxos ou bruxos tradicionais.

Para nós pagãos tradicionalistas, bruxos com o foco no tradicional, o culto aos santos deveria ficar na Igreja Católica, e se hoje a Stregharia, por exemplo, não tiver o cuidado de conservação, de fazer esse recuo em essência, de realmente manter suas crenças ela corre o grande risco de se tornar o mesmo processo de extinção que temos com nossas benzedeiras, ser apenas uma expressão católica sem muita relevância, uma sombra do que foi um dia dentro do paganismo, da ancestral religiosidade da Bruxaria.

E finalmente gostaria de escrever que mesmo na sua falta de estudo religioso a Nossa Senhora seja ela qual for que este senhor vai rezar é a nossa Grande Deusa.





quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um agradecimento aos meus seguidores


Você não poderá ser livre enquanto não tiver queimado as sementes das acções passadas no fogo da sabedoria e da meditação. …Liberdade significa a capacidade de agir guiado pela alma, e não compelido por desejos e hábitos.

Obedecer ao ego leva à escravidão; obedecer à alma traz a libertação.

(Paramahansa Yogananda)



Agradeço do fundo de meu coração, a todos que, direta ou indiretamente, participaram dessa jornada neste caminho de postagem deste blog e principalmente ao maridão Marcos o meu incentivador em escrevê-lo.

Agradecimentos calorosos aos meus seguidores, pelo carinho e permanente incentivo diuturno que os considero responsável pelo meu despertar de escrever, vocês são os meus maiores inspiradores.

O meu muito obrigada por sua confiança em meu trabalho! Ou mesmo pela curiosidade no material aqui postado!

Agradeço, afetuosamente, aos meus seguidores e leitores deste blog que hoje fizeram por atingir mais de 87.575 acessos que, até esta data de hoje 04/07/2012, dando uma média de acesso dia de mais de 700 acessos.

Toda a minha gratidão aos  países que não o meu  Brasil que também são responsáveis pelo enriquecimento deste modesto blog.

Enfim, o meu muito obrigada pela sua presença, mesmo que muitas vezes não receba comentários, mas sei que você está aqui, dividindo este espaço comigo!

Finalmente, agradeço a Deusa, que permitiu uma orientação e uma busca por um esclarecimento maior da Religião Antiga , me proporcionando uma existência tão bela e tão rica em oportunidades com todas as pessoas que acessaram este blog.

Obrigado e fiquem com a Deusa.



"Levem - me com vocês e eu irei de coração aberto."

Selinho em homenagem aos meus 200 seguidores. Podem levar foi feito para vocês.

Ao lado no blog está a Caixinha com o selinho


















segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mãe Maria e a Deusa-Mãe


Quando a terra tornar-se extremamente doente, muitos peixes, animais e homens morrerão. Mas, será então quando uma quarta tribo de povos de todas as nações, credos e raças do mundo, terão fé em suas ações e não nas palavras, para tornar novamente a terra verde e para restaurar outra vez, nosso planeta. Esses irmãos irão viver em perfeita harmonia com a nossa Mãe Terra e falarão de amor para seus filhos. Serão eles chamados de "Guerreiros do arco-íris", os protetores da natureza.

Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree.


Segundo muitas crenças, a Deusa Mãe é o nivel superior, tudo vem dela desde os homens até os outros deuses. Daí o ditado da Religiao Antiga que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus. A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna.

O nome de Maria, provém do vocábulo latim "mare", que significa mar. Todas as Grandes Mães nascem do oceano primogênito ou dos abismos da água, o útero primordial da vida da qual emerge toda criatura. O mar era o ideograma de Nammu, a Deusa suméria; Ísis era "nascida de tudo-que-é-água"; Hator é "o abismo das águas do céu"; Nut, Deusa do Céu, deixa cair seu leite sob a forma de chuva; Afrodite nasce das espumas do mar. É possível que as coloridas sereias que estendem seus braços e deixam flutuar seus cabelos aos quatro ventos nas proas dos barcos sejam um remanescente popular desta referência.


É provável que, na Nova Era, a ideia de Mãe Maria tenha atingido o ponto que, nos primórdios do Cristianismo, a Igreja procurava atingir: a homogeneização do conceito. Em outras palavras, o Cristianismo procurava unir, na figura de Mãe Maria, todas as demais divindades femininas e os conceitos referentes às deusas-mães das inúmeras religiões do mundo conhecido na época. Era uma forma de trazer para si os adeptos das demais religiões com o mínimo de conflito possível com as culturas locais.

 Para alguns historiadores, essa tentativa de unificação teve início no Concílio de Éfeso, realizado em 431, convocado pelos imperadores Teodósio II (409-450), imperador romano do Oriente, e Valenciano III (425-455), imperador romano do Ocidente. Éfeso era o centro do culto à deusa Artêmis (ou Ártemis). Diz-se que, depois das resoluções do Concílio, todas as estátuas de Artêmis existentes na cidade ganharam uma auréola, e ela passou a ser identificada como Nossa Senhora.


A ascenção do cristianismo no ocidente se deu após o imperador romano, Constantino, adotar a religião e proclama-la oficial no século IV D.C. Segundo a narrativa histórica, o imperador se converteu devido à sua mãe, Helena (canonizada posteriormente se tornando Santa Helena), exercer grande influência sobre ele. A Rainha Helena era cristã extremista.

Um fato que pouco se comenta é que na época de Constantino, o cristianismo se fortalecia. Romanos pagãos aderiam ao cristianismo buscando o alento de seus problemas na nova fé. É provável que o fato dos mártires, que morriam orgulhosa e corajosamente nas arenas, tenha atraído os cidadãos ao conhecimento da religião, adotando-a posteriormente.

Não quero me extender na questão política-social que levou Constantino a adotar a religião e conclama-la oficial, mas é importante citar que os conflitos que haviam entre pagãos e cristãos perpetuaram por muito tempo no imperio.

A divindade feminina entra em questão exatamente nestes conflitos. O cristianismo era um apêndice do judaísmo e, ao contrário das maioria das religiões pagãs, não possuíam uma figura feminina de Deus. Os pagãos se perguntavam aonde estava a "Deusa Mãe" naquela nova religião, e a necessidade fez com que a figura de Maria tomasse tal lugar. Para que os cidadãos pagãos aderissem à nova fé, era necessário que algo fosse feito.
Não é novidade que o culto a Maria se tornou tão intenso quanto o culto à Deusa Mãe Pagã. A figura materna de Maria ocupou, por séculos, o lugar deixado pela grande deusa ancestral. Talvez tenha sido mesmo a maneira que a Grande Deusa Mãe encontrou para permanecer entre nós.

Muito embora, dela se tenha uma visão poética, seja em ícone, em pintura ou em hino, Maria faz reviver em suas figura, as antigas imagens do passado, em total contradição ao texto do Novo Testamento e as afirmações canônicas.

Maria é a Deusa Mãe não reconhecida pela tradição cristã.

Com exceção do primeiro capítulo da Evangelho de Lucas, onde é representada como a figura central do relato da anunciação, Maria raramente aparece nos Evangelhos. Quando o faz, seu papel é de subordinação total para com o filho. Um panteão de imagens a revestiu, no entanto, durante os 500 anos que se seguiram a sua "morte", de forma que chegou a assumir a presença e importância de todas as Deusas que a antecederam. 


Como todas as Deusas Lunares, Maria é Virgem e Mãe. A trama de seu destino segue os ciclos de mudanças da lua, porém com uma diferença crucial. Dá à luz a seu filho embaixo da lua crescente, o cria embaixo da lua cheia, porém, não se casa com ele; chora a morte de seu filho durante três dias entre sua crucificação e sua ressurreição. 

O lamento de Maria por seu filho sacrificado se faz eco das anteriores Deusas por seus filhos e filhas sacrificados; as três Marias que rodeiam o drama da Paixão, recordam as três fases visíveis da Lua, a trindade das Deusas do destino. A sua volta, Maria Madalena saúda Jesus como "o jardineiro", a vida ressuscitada. Ela o ungiu com azeites preciosos antes de sua morte, como fizeram todas as sumas sacerdotisas das antigas Deusas com os filhos-amantes da Deusa.

Para a Igreja grega ortodoxa, Maria assume o papel de seu filho e entra, também, no reino da escuridão da lua. Isso sucede durante os três dias de seu "adormecimento", que precedem sua ascensão, pela qual se reúne com seu filho. Esse a coroa então, durante uma cerimônia que é como o rito do matrimônio sagrado da Lua Cheia, e que se conhece na doutrina cristã como a "coroação da Virgem". Esse rito "nupcial" da lua cheia está, pode-se dizer, deslocado, de forma que o ciclo se completa mais tarde, na região simbólica da vida eterna. Como se com ele se comemorasse este mistério lunar, na data da Páscoa que não são as mesmas cada ano, mas se adaptam ao curso de mudança da Lua Cheia em relação com o equinócio da primavera (HN).


Os simbolismos lunar e solar se refletem de forma intrigante no calendário cristão de maneira que se corresponde exatamente com sua história mitológica. Quando o que se celebra é um drama de transformação, o momento em que levam a cabo os rituais se ajusta ao curso da lua; por exemplo, a data da ressurreição de Cristo ao domingo que se segue a primeira lua cheia depois do equinócio de primavera (HN). Porém, quando o "acontecimento" pertence ao modelo heróico solar da conquista da escuridão por parte do princípio da luz, o calendário segue o curso do sol; por exemplo, o nascimento da criança "tem lugar" durante o solstício do inverno (HN) quando o sol volta a nascer a partir da escuridão do antigo ano.

Segundo o padrão mitológico perene, o sol que nasce da mãe é o sol que nasce da lua que se alça desde as profundezas da escuridão e do renascimento do ano. A Cristo se dava o nome de "Sol da Justiça e "Luz do Mundo" e o número de seus apóstolos corresponde a cifra solar doze, que representa o itinerário solar através dos doze meses do ano. Com Jesus o número ascende à treze, como treze são os meses do ano lunar, conciliando-se assim o tempo solar com o lunar.

A morte e a ressurreição do filho da Deusa, e mais tarde do Deus, repetidos uma e outra vez, representam as muitas revelações que sempre teve lugar na evolução gradual da consciência humana. Parece que a humanidade necessita passar muitas vezes por uma desintegração cultural que marca a escura etapa de transição entre a morte do antigo sistema de crença e o nascimento de um novo.


Hoje em dia, a imagem da Deusa-Mãe, e especificamente de Mãe Maria, é cada vez mais popular, resgatando mitos e culturas ancestrais que tinham sido soterradas por séculos de domínio dos deuses.

Na maioria das crenças, ela é vista como a “Mãe Natureza” ou “Mãe Terra”, onde é um ser sagrado e que para recompesá-la como agradecimento, a fauna e flora é super bem tratada, a flora é sagrada (assim como as vacas são para os Hindus). Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, sendo a Lua Cheia associada ao seu aspecto de Deusa Mãe.

Morgana diz: "... a Deusa foi esquecida. Assim eu pensei por muitos anos. Até, finalmente, perceber que a Deusa havia sobrevivido. Ela não foi destruída, apenas adotou outra encarnação. Talvez, um dia, as gerações futuras poderão fazer com que volte a ser como a conhecíamos na gloria de Avalon."


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