quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Deusa Maeve


"...Pedi um dote mais elevado do que qualquer mulher já tenha pedido a um homem na Irlanda: que ele não possuísse avareza, nem ciúme, nem medo." 

"Se tivesse me casado com um homem avaro, essa união seria errada, pois sou tão caridosa e dada. Seria um insulto se eu fosse mais generosa que meu esposo, mas não se ambos fôssemos iguais neste quesito. Se meu marido fosse um homem tímido, nossa união seria igualmente errada, pois eu me sobressaio em meio às adversidades. É um insulto para uma esposa ser mais espirituosa do que seu marido, mas não se ambos são igualmente espirituosos. Se tivesse desposado um marido ciumento, também isso seria errado;nunca me deitei com um homem sem que outro arguadasse nas sombras." 


(Palavras de MAEVE para o seu marido Ailill, na lenda celta TÁIN BÓ CUAILGNE) Muito da mitologia Celta, principalmente da Irlanda, são contadas como lendas. Muitas delas perderam seu caráter divino e são tidas "apenas" como lendas de heróis e rainhas. Isto se deu com o advento do cristianismo que "rebaixou" vários Deuses a condição de simples mortais. 

A espetacular Deusa MAEVE é um destes casos. Porém, o que é, é. E se existe o ditado "quem foi Rei nunca perde a Majestade" ( podemos trocar aqui para Rainha), imagine então, quem foi uma Deusa. Uma vez Deusa, sempre Deusa! E tudo isto não são apenas histórias, lendas, mitos; nem mesmo apenas arquétipos. Os Deuses existem, existiram e sempre existirão!


Maeve é a mais espetacular deusa soberana da Terra com seu centro místico em Tara. Com o passar do tempo a cultura irlandesa mudou sob a influência cristã e então, Maeve foi reduzida a uma mera rainha mortal. Mas nenhuma mortal poderia ter sido como ela, "intoxicante", uma mulher "embriagante", sedutora, que corria com os cavalos, conversava com os pássaros e levava os homens ao ardor de desejo com um mero olhar.

 As palvras acima de MAEVE podem parecer chocantes para alguns, principalmente quando ela mostra não ser uma Deusa fiel.
Mas, ela é fiel a si mesma, e não engana ninguém. A monogamia não era algo comum para os Celtas, aliás nada muito diferente de hoje em dia em nossa cultura, a não ser pelo "pequeno detalhe" de que os Celtas eram honestos e faziam tudo às claras, o que impedia de haver a tão temível e valorizada traição dos nosso tempos atuais.

Hipocrisia era algo raro na sociedade Celta, que primava pela verdade e igualdade entre homens e mulheres.

Maeve, segundo a lenda, era uma das cinco filhas de Eochardh Feidhleach, rei de Connacht, uma mulher muito bela e forte, dotada de uma mente brilhante, estrategista hábil, talhada para enfrentar todo o tipo de batalhas. Era muito segura de sua feminilidade e sexualidade. Diziam que possuía um apetite sexual voraz, mas é um erro vê-la como inconveniente e lasciva que utilizava a satisfação sexual com a finalidade de ganho egoístico.



Deusa da guerra, participou efetivamente de vários combates, pois as mulheres nesta época e nesta cultura, não eram vistas como frágeis ou incapazes e lutavam bravamente. Tinham o poder de escolha de seus maridos com seus respectivos dotes, além disso, optavam pelo divórcio se estivessem insatisfeitas ou infelizes. Este período foi anterior ao surgimento do Deus monista que deu origem à era do patriarcado, portanto, até então as mulheres exerciam outro papel na sociedade.

A Deusa MAEVE representa a soberania da Terra e a prosperidade. Como Rainha, ela foi cobiçada por vários homens e aquele que se tronava seu legítimo esposo era coroado Rei. Isto mostra a importância da união do masculino com o feminino, no sentido de que os dois juntos formam uma potência. E podemos expandir o sentido desta potência para tudo na vida.
É interessante perceber que mesmo quando é retratada "apenas" como Rainha, toda a mitologia divina está presente em MAEVE.

Ela é a Rainha de Connacht, simboliza o poder feminino e é a personificação da própria Terra e sua prosperidade.

Shakespeare a trouxe à vida como Mab, a Rainha das Fadas. Em uma versão mais moderna, os ecologistas a converteram emGaia, o espírito da Terra.

MAEVE é Deusa do amor e da guerra, pois estes estão sempre juntos, pois a linha que separa o ódio do amor é muito tênue, isto se eles não forem lados diferentes de uma mesma moeda.



Mas não é só isto, MAEVE, a mais bela, a que entorpece os homens, senhora de sua própria feminilidade e sexualidade, concede a soberania da Terra, o seu amor, àquele que vence as batalhas, o guerreiro que se torna Rei.

"Intoxicante" é o significado do nome MAEVE, pois ela com seu deslumbre, sua beleza, seu poder pessoal, enebria os homens. Com uma sexualidade intensa, coragem, determinação e fertilidade, MAEVE é uma Deusa completa, pois sabe ser guerreira, feminina e mãe (o mito conta que ela tem diversos filhos, assim como diversos maridos e amantes).

O Festival Pagão de Mabon era comemorado em sua honra. Durante estas festividades, aqueles que almejassem ser rei, aguardavam que Meave os convidasse à beber de seu vinho. Isto assegurava de que o homem para ser rei, necessitava ser versado no feminismo e nos mistérios das mulheres.

Na Antiguidade Celta, as mulheres se equiparavam aos homens. Possuíam propriedades e ocupavam posições de prestígio dentro da sociedade. Também não existia a monogamia nas uniões. A rainha Maeve do reino irlandês de Connacht era famosa por sua beleza e possessão sexual. Teve muitos amantes, a maioria eram oficiais de seu exército, o que assegurou de algum modo a lealdade de suas tropas. Muitos homens lutavam duramente nos campos de batalha por uma possibilidade de receber seus favores sexuais.



O primeiro marido de Maeve, foi justamente o seu rival mais constante, o rei Conchobor Mac Nessa. Maeve foi-lhe dada em casamento como compensação pela morte de seu pai, mas para provar sua independência, ela o abandona.

Conchobor, insatisfeito, encontra Maeve banhando-se no rio Boyne e a estupra. Em decorrência do fato, os reis da Irlanda se unem para vingar o ultraje. Nesta batalha, perde a vida Tinne, o então marido de Maeve.

A rainha de Connacht está sem rei, e por isso os nobres se reúnem e indicam Eochaid Dala para ser seu novo marido. Ela consente, desde que o marido não seja nem ciumento, nem covarde, nem avarento.

Certo dia, Maeve adota um garoto, o qual passa a integrar sua corte. Com o tempo o tal garoto cresce, tornar-se um hábil guerreiro e obviamente, torna-se seu amante. Eochaid não aceita bem a situação, assim como os nobres de Connacht, que tentam expulsar o rapaz da corte. Maeve consegue impedir e o jovem desafia o rei para um combate. Por ser um grande guerreiro, acabou matando o rei e assumindo o trono ao lado de Maeve. Esse éAilill, seu marido.

Maeve aparece em nossas vidas para nos desafiar a assumir a responsabilidade pela nossa vida. "Rainha de nossos domínios", ela nos torna conscientes dos nossos erros e acertos, sendo responsável por tudo que se faz e por tudo que se acredita.

Maeve, aparece para lembrar que o caminha da totalidade está em assumir a responsabilidade de sua vida. seja ela do jeito que for. Somente quando você se assumir, reconhecer quem é, onde está, porque está é que poderá criar algo diferente.



7 comentários:

  1. Minha querida e Grande Sacerdotisa Selma

    Muito tempo sem ler os seus textos.

    Minha filha, sei pelo momento que está passando, mas como sempre falo, o tempo sempre resolve tudo.

    ès uma mulher incrivelmente forte, tens uma visão que poucos tem.

    Sua força é igual a desta rainha.

    Você foi gerada pelo fruto da terra e da terra tira a sua força.

    Viviane

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  2. Olá!!!
    Adorei ela...o que ela diz sobre o casamento é perfeito!
    Parabéns pelo post!
    Bjs, ótima quinta-feira e boa noite!
    CamomilaRosa

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  3. oi me chamo MAÉVE e adoro meu nome tenho muitas características parecidas com a deusa aqui na minha cidade só tem eu com esse nome, aqui sou unica por enquanto.

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  4. também sou Maeve, gostei bastante

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  5. Meu nome mágico é Maeve Onatah...adorei a matéria

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  6. Meu nome mágico é Maeve Onatah...adorei a matéria

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